Pesquisa

Doença de Alzheimer e Dieta Mediterrânica

Sociedade
Associação Portuguesa dos Nutricionistas apresenta os benefícios da Dieta Mediterrânica como fator protector contra as demências.
Autor Tatiana Nunes 
Data 31-10-2017 
Em 2015, 47 milhões de pessoas tinham demência em todo o mundo. Estima-se que em 2030 esse valor suba para 75 milhões e em 2050 atinja os 132 milhões de indivíduos portadores de demência. 

De entre os portadores de demência, a Organização Mundial de Saúde (2017) prevê que 60 a 70% têm doença de Alzheimer. Estima-se ainda que em Portugal 182 mil pessoas sofrem de demência e, de acordo com o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), 50 a 70 % destas pessoas têm doença de Alzheimer.

É fundamental que a alimentação da pessoa com a doença de Alzheimer, como a de qualquer um, seja completa, equilibrada e variada para que, através da alimentação diária, o indivíduo possa ter acesso a todos os nutrientes para manter o seu estado de saúde o mais estabilizado possível. Com a progressão da doença, tende a diminuir o apetite e a ingestão alimentar. Tal pode ocasionar situações como a perda de peso ou os défices nutricionais devido, por exemplo, aos esquecimentos em se alimentarem, aos problemas de deglutição que vão surgindo, etc. Deste modo, em algumas situações particulares, poderá ser necessário fornecer suplementos nutricionais para suprir as necessidades do organismo.

Não obstante, uma alimentação com base nos princípios da Dieta Mediterrânica tem vindo a apresentar potencial protetor contra a doença, sendo que a evidência atual refere que a adesão a este Padrão Alimentar pode estar associada, por exemplo, a um declínio cognitivo mais lento, ao menor risco de progressão de estadios de pré-demência para demência e à diminuição do risco de progressão para Doença de Alzheimer. Este padrão alimentar caracteriza-se pela presença de um conjunto de nutrientes (p.e., ácidos gordos polinsaturados, vitaminas do complexo B e E) que têm impacto positivo sobre a saúde. Na verdade, este Padrão integra (entre outros aspetos) o consumo elevado de alimentos de fonte vegetal (p.e., fruta, hortícolas, cereais integrais, leguminosas), o uso preferencial de azeite como fonte de gordura, a moderação na ingestão de peixe, laticínios e álcool, o consumo de frutos oleaginosos (p.e., noz, amêndoa, avelã) e o baixo consumo de carne. Reforce-se, ainda, que os indivíduos que praticam uma Alimentação Mediterrânica estão, habitualmente, inseridos num estilo de vida mais salutar, o que pode correlacionar-se com a manutenção do estado cognitivo ao longo da vida. 

Como tal, o consumo alimentar parcimonioso associado a uma culinária simples com base em alimentos frescos, de proximidade e sazonais, que se afasta do uso de alimentos refinados e demasiado processados, assim como de técnicas culinárias que alteram a qualidade nutricional dos alimentos, corresponde a um estilo alimentar promotor de saúde. No entanto, é essencial que este seja articulado com uma vida ativa, de maneira a promover-se o estado de saúde e a função cognitiva. 

Associação Portuguesa de Nutrição


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