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Sedativos aumentam risco de pneumonia em pessoas com DA

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Prescrever sedativos para pessoas com DA pode aumentar o risco de pneumonia
Autor Patrícia Fernandes 
Data 11-04-2017 

 

O estudo revelou que os pacientes com Alzheimer que tomaram benzodiazepinas tinham 30 por cento mais de probabilidade de desenvolver pneumonia

Um novo estudo indica que prescrever sedativos para pessoas com doença de Alzheimer pode aumentar o risco de pneumonia.


A doença de Alzheimer é forma mais prevalente de demência, afetando mais de 5,5 milhões de pessoas nos Estados Unidos, correspondendo a cerca de 60 a 70 por cento de casos de demência em todo o mundo. De acordo com a OCDE, em 2015, Portugal registava cerca de 17 casos de demência por cada 1000 habitantes, registando mais de dois casos do que a média dos países da Europa.


A demência é uma condição neurológica que prejudica progressivamente as capacidades cognitivas de uma pessoa. Alguns estudos sugerem que é também um fatorde risco para pneumonia e morte relacionada com a mesma. Apesar disso, a maioria dos pacientes com demência são tratados com sedativos, como benzodiazepínicos.


Foi com este panorama que uma equipa de Investigação da Universidade da Finlândia Oriental, procurou perceber se havia de facto uma ligação entre o uso deste tipo de fármacos e os casos de pneumonia em doentes de Alzheimer.


Para entender de melhor forma a ligação entre ambos foi necessário cruzar os dados de 49.484 doentes. Nos registos americanos estavam os dados das pescrições, altas hospitalares e causas de morte.


O autor principal do estudo, Heidi Taipale, partilhou os resultados no Canadian Medical Association Journal.
Segundo os investigadores foi possível identificar 5.232 consumidores de benzodiazepina e 3.269 de sedativos de outro tipo.
Os cientistas examinaram a associação entre a admissão hospitalar relacionada com a pneumonia ou a morte assim como o uso de fármacos comuns e benzodiazepínicos.


O estudo revelou que os pacientes com Alzheimer que tomaram benzodiazepinas tinham 30 por cento mais de probabilidade de desenvolver pneumonia.
Foi também possível verificar que o risco era maior durante os primeiros 30 dias do tratamento.
A equipa não conseguiu encontrar uma associação estatisticamente significativa entre o risco de pneumonia e o uso de fármacos comuns.


Os investigadores concluiram assim que os "benefícios e riscos do uso de benzodiazepínicos devem ser cuidadosamente considerados para pacientes com doença de Alzheimer porque incluem o risco de pneumonia".


Apesar de tudo, este estudo foi puramente observacional, portanto os autores não sabem o que causou a associação entre sedativos e pneumonia. Contudo, acreditam que sendo um sedativo, a benzodiazepina pode aumentar o risco de aspiração de saliva ou alimentos para os pulmões.


"Um risco aumentado de pneumonia é uma descoberta importante e deve ser tida em conta no tratamento de doentes com doença de Alzheimer. Benzodiazepinas e fármacos comuns são frequentemente prescritos para esta população e o seu uso a longo prazo é típico. A pneumonia muitas vezes leva ao internamento hospitalar e os pacientes com demência estão em risco aumentado de morte relacionada com pneumonia", concluiram.

Fonte: Visão