Pesquisa

Terapias e Abordagens Comunicacionais

Aqui são explicadas três abordagens de comunicação com pessoas com Demência - Terapia de validação, Musicoterapia e Reminiscência. Para muitas famílias e cuidadores, quando comunicar com a pessoa é difícil, estas abordagens são úteis na prestação de um apoio digno e respeitoso.

Comunicar eficazmente com a pessoa que tem Demência pode tornar-se um desafio crescente à medida que ela perde a memória e a capacidade de organizar e expressar os pensamentos. Em muitas pessoas, a perda da memória recente faz com que o passado comece a fundir-se com o presente, o que se traduz em dificuldades acrescidas para os familiares e cuidadores.

Foram desenvolvidas várias alternativas de abordagem comunicacional que tentam fornecer confiança e apoio, tão necessários ao bem-estar da pessoa. Muitos familiares e cuidadores podem utilizar instintivamente algumas destas abordagens, sem saberem os seus nomes formais.

 

Terapia de Validação

A terapia de validação defende que em vez de tentar trazer a pessoa com Demência de volta à nossa realidade, é muito mais positivo entrar na sua realidade. Desta forma, a empatia é desenvolvida com a pessoa, construindo confiança e uma sensação de segurança, reduzindo, por sua vez, a ansiedade. Muitos familiares e cuidadores relatam os benefícios para si próprios, assim como para a pessoa com Demência, devido a uma redução do número de conflitos e a um ambiente de menor stress.

A terapia de validação baseia-se na ideia de que a pessoa, caso tenha experienciado uma perda severa da memória a curto prazo e já não consiga utilizar o pensamento ou compreender o presente, terá propensão a reviver o passado. Para a pessoa, esta pode ser uma forma de resolver conflitos não terminados, aliviar experiências passadas ou afastar-se do presente, sobre o qual tem pouco controlo. Algumas pessoas oscilam entre momentos em que estão no presente e outros em que estão no passado.

Alguns familiares e cuidadores expressam preocupação de que a validação envolva mentir sobre a realidade à pessoa com Demência. No entanto, uma descrição mais precisa desta abordagem é a de que evita desafiar a realidade da pessoa.

Por exemplo, se uma pessoa com Demência acredita estar à espera que os filhos regressem da escola, apesar de estes já estarem na meia-idade, os familiares e cuidadores que utilizam a validação não discutem o ponto de vista da pessoa, nem esperam que o seu familiar tenha consciência do seu comportamento. Em vez de corrigir aquilo que a pessoa acredita, a abordagem de validação propõe o reconhecimento e empatia com os sentimentos por detrás do comportamento que é expresso. Desta forma, são mantidas a dignidade e autoestima da pessoa.

Musicoterapia

As atividades que envolvem música são outra forma eficaz de comunicar com a pessoa que tem Demência. É frequente, quando já se perderam outras capacidades, a pessoa ainda conseguir apreciar canções e sons familiares antigos. Um determinado trecho de música pode desencadear memórias e sentimentos e é importante estar preparado para responder à expressão destes.

A grande vantagem da música é que não requer uma atenção prolongada e que pode, também, desencadear a reminiscência. Conhecer o que a pessoa gosta e não gosta musicalmente é vital para o sucesso desta abordagem.

A música pode ser utilizada como uma terapia formal ou simplesmente para diversão. Pode, também, ajudar no controlo de comportamentos difíceis. Os musicoterapeutas têm um extenso treino na utilização da música em pessoas com Demência e em lidar com alguns comportamentos complexos.

Reminiscência

A reminiscência é um modo de rever acontecimentos passados e é habitualmente uma atividade muito positiva e gratificante. Mesmo que a pessoa com Demência não consiga participar verbalmente, pode sentir prazer em estar envolvida nas reflexões sobre o seu passado. Quando a pessoa está aborrecida, a reminiscência também pode ser um meio de distração.

Embora rever o passado possa fornecer um sentimento de paz e felicidade, também pode avivar memórias tristes e dolorosas, pelo que é importante estar sensível às reações da pessoa, caso isto aconteça. Se a pessoa estiver em grande sofrimento, então será melhor utilizar outras formas de distração para reduzir a ansiedade.

Este é o seu livro de vida

Fazer uma história cronológica da pessoa com Demência pode ajudar à reminiscência e fornecer informação às pessoas que interagem com ela. O ?seu livro de vida? é uma espécie de diário visual, semelhante a um álbum de fotografias familiar, no qual também se podem incluir cartas, postais, certificados e outras recordações. Um álbum de fotografias grande, com películas plásticas para proteger as folhas, dura indefinidamente e aguenta muita utilização.

Todas as fotografias devem ser identificadas, de forma a evitar que a pessoa com Demência questione ?Quem é??. Será melhor limitar a informação de cada página a um tópico e ter, no máximo, dois ou três itens em cada página.

A seguinte lista pode ajudar a iniciar a construção do livro:
  • Nome completo e nome pelo qual gosta de ser chamado;
  • Local e data de nascimento;
  • Fotografias e nomes da mãe, pai e irmãos;
  • Fotografias do cônjuge e do dia de casamento;
  • Fotografias, nomes e datas de nascimento dos filhos e netos;
  • Fotografias de amigos, parentes e animais;
  • Locais em que viveu;
  • Tempos de escola;
  • Ocupações e serviço militar;
  • Passatempos e interesses;
  • Música favorita;
  • Postais e fotografias de férias;
  • Carta, certificado, árvore genealógica da família e pequenas histórias sobre acontecimentos específicos

Para uma pessoa que esteja a sentir-se cada vez mais confusa em relação ao presente, este livro pode proporcionar um grande prazer e orgulho.

Adaptado de Alzheimer Australia