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Mobilidade em Segurança

Caminhar é algo normal para a maioria de nós e é um meio de nos deslocarmos de um lugar para outro ou de realizarmos exercício diário. As pessoas com Demência podem obter um grande benefício ao continuarem a caminhar. No entanto, para algumas pode existir um risco elevado de deambulação, ferimentos ou de se perderem.

As pessoas com Demência experienciam muitas alterações na memória e noutras funções importantes e podem precisar da ajuda de outras pessoas para fazer algumas coisas. Caminhar é uma fonte de exercício, prazer e independência que precisa de ser mantida, durante o máximo de tempo possível.

O que é a mobilidade em segurança?

Competência física
A mobilidade em segurança significa que uma pessoa caminha de forma independente, tem equilíbrio e não tem história de quedas. Muitas pessoas com Demência são fisicamente capazes de caminhar em segurança até uma fase muito avançada da doença.


Consciência

Um aspeto de caminhar de forma segura é estar consciente do sítio em que se está, para onde se vai e de como voltar para casa. Isto é denominado por orientação nos lugares, ou seja, não se perder. A capacidade de nos orientarmos é uma capacidade cognitiva complexa designada por orientação espacial. Sair de casa sozinha não constitui, necessariamente, um problema para a pessoa com Demência, a menos que não consiga encontrar o caminho de volta. Os indivíduos com Demência e os seus familiares nem sempre estão cientes das alterações que ocorreram na capacidade de orientação espacial até surgir um problema. Na Demência avançada, algumas pessoas perdem-se inclusivamente dentro das suas próprias casas e quando se afastam de ambientes familiares.

Reconhecer e compreender sinais importantes no ambiente
A mobilidade em segurança envolve, também, continuar a reconhecer a própria casa, as estradas, o trânsito e tomar atenção e respeitar os sinais e outras indicações para atravessar as estradas em segurança. Conservar um sentido realista de distância é importante. Por exemplo, é importante para a dua segurança que a pessoa saiba a distância entre dois sítios relevantes e quanto tempo demora a percorre-la (por exemplo: saber a distância entre a casa e as lojas) e que reconheça por onde passa ao longo do caminho.

Descansar
A capacidade de descansar é outro aspeto de uma mobilidade em segurança. Algumas pessoas caminham durante períodos de tempo muito longos, de dia e/ou noite. Ficam cansadas, com fome e sede, mas podem ser incapazes de parar de andar. Quando as pessoas estão cansadas, têm maior probabilidade de cair ou bater em coisas e de se magoar. Caminhar também pode levar à perda de peso, especialmente se a ingestão de alimentos for comprometida pela incapacidade da pessoa ficar sossegada.

Que aspetos da mobilidade podem resultar em consequências negativas para a pessoa com Demência?

O maior risco associado a uma mobilidade independente, à medida que a pessoa com Demência sofre um declínio, é o poder sair de casa sozinha e perder-se.

Muitas pessoas com Demência estão em risco de se perder. Os fatores importantes a ter em conta incluem o estado físico e emocional da pessoa com Demência, particularmente a sua capacidade física, a paisagem e o terreno em que caminham, a sua familiaridade com o local e as condições meteorológicas.

O que pode fazer para reduzir os riscos da mobilidade

Várias coisas podem ser consideradas para reduzir o risco de consequências negativas para a pessoa com Demência, caso saia de casa sozinha:

Ajude a pessoa a manter as condições físicas para uma mobilidade em segurança
  • Certifique-se que a pessoa com Demência utiliza sempre sapatos confortáveis e adaptados, que sejam difíceis de descalçar. Uma pessoa que se perde e continua a caminhar irá fazê-lo com qualquer calçado, mesmo que esteja de chinelos. Melhorar a sua estabilidade com um bom calçado vai ajudar a diminuir o risco de a pessoa cair, tropeçar ou magoar os pés
  • Prepare-se para fazer uma identificação rápida da pessoa, caso necessário
  • Quando a pessoa com Demência desaparece, é importante que seja localizada o mais rapidamente possível. Nas fases iniciais da doença, deve discutir-se com a pessoa com Demência as maneiras de a localizar, de modo a que a pessoa possa tomar decisões sobre a forma como quer ser identificada

O que pode fazer:
  • Certifique-se que existem fotografias recentes (corpo inteiro e cara) da pessoa com Demência para facilitar a identificação
  • Identifique de forma discreta os objetos pessoais, incluindo a carteira, mala e sapatos, com o nome da pessoa, o seu nome e detalhes de contacto
  • Utilize uma pulseira de identificação com os dados de contacto

 

Sensibilize discretamente a família e a comunidade
Dar conhecimento a outras pessoas, para além da família mais próxima, de que a pessoa se pode perder, fará com que fiquem mais atentos para prestar auxílio em caso de necessidade.

O que pode fazer:
  • Discutir as circunstâncias com pessoas que conhece e, que para si e para a pessoa com Demência, são de confiança. Pergunte se vão estar dispostos a ajudar caso seja necessário;
  • Considere falar com as autoridades locais, para que sejam familiares à pessoa;
  • Evite deixar a pessoa com Demência sozinha. É necessário fazer uma supervisão 24 horas por dia ou ter uma forma fiável de manter o contacto com a pessoa, caso viva sozinha;
  • Evite estimular a pessoa a sair sozinha. Coloque as malas, chaves, casacos, guarda-chuva, etc., fora do alcance visual da pessoa

 

Conheça os caminhos e destinos que a pessoa habitualmente escolhe
A maioria de nós tende a ter caminhos e destinos favoritos, que gostamos de percorrer e que contêm, ao longo do percurso, coisas que gostamos de apreciar.
  • Incentive a pessoa a andar durante o dia, quando existem outras pessoas na rua. Identifique num mapa caminhos fáceis e agradáveis de percorrer e percorra estes caminhos com a pessoa, se possível, regularmente
  • Saiba qual o tempo necessário para percorrer determinado caminho;
  • Conheça a capacidade de resistência da pessoa com Demência e a extensão e duração média das caminhadas que realiza sozinha;
  • Sugira à pessoa caminhos mais seguros em termos da complexidade do ambiente a percorrer (por exemplo: afastados de estradas principais; em zonas residenciais ou parques; percursos definidos; com poucos cruzamentos; em terreno plano; bem iluminados após o anoitecer);
  • Esteja ciente de outros percursos mais distantes, que possam ter memórias e atração especial para a pessoa com Demência, mas que estejam fora daquilo que é uma distância razoável para caminhar. Por exemplo, caminhar até uma casa antiga ou de um amigo ou parente, um parque favorito, um local preferido para pescar ou nadar, um centro comercial ou um lugar com uma vista favorita

Esteja preparado para alertar rapidamente as autoridades, se necessário
Se a pessoa com Demência não regressar à hora esperada e não for rapidamente localizada, pode necessitar de ajuda.

Se isto acontecer, procure ajuda rapidamente. Quanto mais cedo se iniciar a busca, maior a probabilidade de a pessoa ser localizada depressa e ilesa. Após confirmar com a família e outras pessoas que a pessoa não está com eles, contacte imediatamente a polícia.

Tecnologias de Localização
Considere utilizar tecnologias de localização para ajudar a monitorizar e a encontrar a pessoa com Demência, caso esta pretenda continuar a caminhar sozinha.

Devido aos avanços na tecnologia, existem vários dispositivos no mercado que facilitam a rápida localização de uma pessoa que esteja num sítio diferente do seu. Estes novos dispositivos têm uma capacidade sofisticada para monitorizar a pessoa e localizá-la rapidamente.

Os dispositivos de localização mais comuns são a Identificação por Radiofrequência (RFID) e o Sistema de Posicionamento Global (GPS). Os dispositivos mais adaptados para a utilização doméstica são aqueles que, geralmente, utilizam simultaneamente uma rede GPS e uma rede telefónica móvel. A pessoa que está a ser monitorizada utiliza um transmissor. O transmissor pode ser um dispositivo semelhante a um relógio, utilizado no pulso, ou a um telemóvel multifunções que a pessoa leve na mala, bolso, à volta da cintura ou pendurado ao pescoço.

Que tipo de localizador GPS necessito?
As características de um dispositivo para localizar uma pessoa com Demência devem ser:
  • Pequeno, leve e fácil de usar;
  • Difícil de remover;
  • Facilmente operável pelo cuidador;
  • De confiança, com uma bateria de elevada duração;
  • Robusto e difícil de danificar;
  • Discreto;
  • Servido por uma companhia que providencie um serviço eficiente e confidencial quando necessitar

Benefícios das tecnologias de localização
  • A possibilidade de andar livremente, tendo conhecimento de que se a pessoa se perder poderá ser localizada rapidamente, pode proporcionar um incremento da sensação de segurança e ajudar à independência. Os dispositivos também podem proporcionar outros benefícios tais como, perceção de competência e autonomia, frequentar ambientes sociais e naturais e exercício;
  • Estes dispositivos podem ser pré-programados para avisar o cuidador no caso de a pessoa com Demência ultrapassar os limites predeterminados. O cuidador é alertado quando a pessoa ultrapassa o limite;
  • Os dispositivos de localização podem ajudar a encontrar pessoas com Demência que se percam;
  • Os dispositivos vão tornando-se cada vez mais pequenos, discretos, acessíveis monetariamente e confiáveis;

Limitações da tecnologia de localização
  • A maioria dos GPS utilizados para localização requer outra infraestrutura (por ex.: um computador, software), pelo que o comprador tem que ter em conta o custo do dispositivo e os custos de manutenção do serviço;
  • Para o GPS ser eficaz, a pessoa com Demência tem que estar a utilizar o recetor de GPS no momento em que se perde. A capacidade da pessoa para aceitar e compreender esta condição é um fator importante;
  • Os dispositivos de GPS podem tornar-se ineficazes nas condições de nebulosidade densa e nas zonas de grande densidade de árvores, edifícios altos e túneis;
  • Alguns dispositivos disponíveis no mercado funcionam apenas quando a pessoa que utiliza o dispositivo está ciente de que necessita de ajuda e pressiona um botão para comunicar com os outros. Estes dispositivos são mais adequados para as pessoas que estão em fases iniciais de Demência;
  • É necessário fazer investigação para avaliar o impacto da utilização destes dispositivos no nível de segurança, independência e qualidade de vida da pessoa com Demência e dos seus cuidadores

Advertências na utilização de dispositivos de localização
  • A tecnologia é um complemento à supervisão pessoal de confiança e à resposta rápida quando a pessoa com Demência necessita de ajuda;
  • As tecnologias devem ser entendidas apenas como parte de uma abordagem global para promover a alternativa menos restritiva para a pessoa com Demência;
  • Alguns dispositivos tecnológicos menos sofisticadas como uma pulseira e um documento de identificação com fotografia podem ser bons desde que exista uma ajuda e supervisão da comunidade envolvente;
  • É importante que os consumidores possam confiar simultaneamente no dispositivo e no prestador de serviço que selecionaram e que se sintam confortáveis para colocar questões;
  • Os cuidadores, pessoas com Demência e profissionais necessitam de fazer um balanço entre o risco e os custos, utilidade e adequação do dispositivo e de compreenderem que os dispositivos não são à prova de tudo

Adaptado de Alzheimer Australia