Pesquisa

Cuidar de alguém que vive sozinho

As famílias e cuidadores frequentemente têm preocupações particulares sobre alguém com Demência que viva sozinho. Aqui são abordadas questões específicas que podem surgir neste contexto e algumas formas de ajudar a pessoa a viver sozinha, de forma segura.

Cuidar de alguém com Demência que viva sozinho pode trazer grandes preocupações e desafios. Cada pessoa com demência é única e, por isso, a sua situação também é singular. Apesar da maioria das pessoas viver com um cônjuge ou com algum familiar, é crescente o número de pessoas que vivem sozinhas. Isto pode acontecer por opção ou devido às circunstâncias. Qualquer que seja a razão, isto constitui um desafio particular para as pessoas que cuidam de alguém que se encontre nesta situação.

Um diagnóstico de Demência não significa que a pessoa fique imediatamente incapaz de cuidar de si própria. Ajudar a pessoa a permanecer no ambiente familiar da sua casa o máximo de tempo possível, é um objetivo benéfico. No entanto, esta situação pode ser muito preocupante para a família e amigos.

O tipo de suporte necessário irá depender da situação individual da pessoa.

A pessoa que vive sozinha pode:
  • Esquecer-se de comer ou de tomar a medicação prescrita;
  • Esquecer-se de tomar banho ou de mudar de roupa regularmente;
  • Não ter noção das situações potencialmente perigosas, tais como fogo e aparelhos elétricos;
  • Mostrar pouco discernimento sobre quem deixa entrar dentro da sua casa;
  • Esquecer-se de se alimentar ou de tomar conta dos animais de estimação;
  • Ter ideias irreais ou suspeitas que podem levar a conflitos com os vizinhos, polícia e comunidade

Algumas destas situações podem ser resolvidas de uma forma simples. Por exemplo, se a pessoa se esquece de comer, pode providenciar-se a entrega das refeições no domicílio e, depois, fazer um telefonema ou pedir a alguém que a visite, para lembrá-la de comer. Algumas situações podem, no entanto, comprometer a segurança da pessoa e o seu bem-estar, devendo neste caso ser considerada uma mudança para uma prestação de cuidados mais supervisionados.

Como poderá ajudar?


  • Avaliar o risco
Quando a pessoa com Demência vive sozinha, existe um risco acrescido. No entanto, é necessário que a família, cuidadores e profissionais façam uma avaliação regular da situação, para verificar se o risco continua a ser aceitável. Os desejos e as preocupações da pessoa devem, também, ser sempre considerados.

  • O envolvimento da família
É possível envolver vários familiares nos cuidados e apoio a alguém que vive sozinho. Pode ser útil organizar uma reunião familiar, numa fase inicial, para avaliar o que cada pessoa pode fazer agora e no futuro, assim como nas alturas em que a situação for revista.

  • A segurança no domicílio
Certifique-se de que a casa está bem iluminada e de que não existem riscos óbvios, tais como eletrodomésticos avariados, tapetes soltos ou móveis instáveis.

  • Apoios à independência
Existem muitos apoios que podem ajudar a pessoa a permanecer independente. Exemplos:
- Barras de segurança na banheira, polibã e sanita;
- Os relógios de leitura fácil e calendários grandes ajudam a manter a noção do tempo;
- Os temporizadores com sinal sonoro podem ajudar a pessoa a lembrar-se de tomar a medicação;
- Os alarmes pessoais ou sistemas de monitorização também podem ser uma ajuda;

Existem serviços concebidos para a promoção de uma vivência segura, tais como detetores de fumo, reguladores de água quente ou serviços de monitorização e localização. Pode também ser aconselhável realizar alterações em casa, por exemplo na decoração.

  • Gestão das finanças
À medida que a Demência progride, a capacidade da pessoa para tomar decisões financeiras e legais, diminui. Ela vai precisar de ajuda na gestão das suas finanças. É essencial obter aconselhamento financeiro e legal enquanto a pessoa ainda consegue participar na decisão.

  • Informar as outras pessoas
Explique a condição da pessoa aos amigos, vizinhos, comerciantes locais e à polícia e, forneça-lhes os números de contacto. Estas pessoas podem ser uma grande ajuda na vigilância da pessoa com demência. Certifique-se de que quando a pessoa sai, tem consigo uma identificação adequada e um número de contacto em caso de emergência.

Quem pode ajudar?
A Alzheimer Portugal presta ajuda na determinação das necessidades de apoio domiciliário ou de cuidados residenciais e fornece informação sobre as respostas e os serviços de prestação de cuidados disponíveis na comunidade.

Contacte a Delegação da Alzheimer Portugal mais próxima de si.

Adaptado de Alzheimer Australia