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Relacionamento com os médicos

Se cuida de alguém que tem Demência irá, ao longo do tempo, conhecer muitos médicos. Aqui pode encontrar informação sobre formas eficazes de trabalhar em conjunto com os médicos, de modo a obter a informação e o apoio que necessita.

Uma pessoa diagnosticada com Demência irá ter, ao longo da doença, contacto com vários profissionais de saúde. Estes profissionais incluem o médico de família, médicos especialistas, terapeutas, enfermeiros e assistentes sociais.

A natureza degenerativa da Demência significa que as famílias e os cuidadores irão ter muito contacto com estes profissionais. À medida que a doença progride, estes contactos irão por certo aumentar. Habitualmente, é o médico de família que realizará a assistência médica quer à pessoa com Demência quer aos seus familiares e cuidadores. Isto significa que a relação entre o médico, a pessoa com Demência e os familiares e cuidadores é essencial.

Por onde começar

Uma maneira útil de abordar o trabalho conjunto com os médicos é considerar que estes, os familiares e cuidadores fazem parte de uma equipa, cujo objetivo é providenciar o melhor cuidado à pessoa com Demência.

Todas as pessoas trazem um conhecimento específico e competências para a equipa. Os familiares e cuidadores estão habitualmente em melhor posição para fornecer informação detalhada sobre as necessidades da pessoa com Demência e para monitorizar o seu bem-estar.

Lembre-se
Os médicos não podem falar sobre os seus pacientes sem o consentimento destes. Se a pessoa com Demência solicitar ao médico que não seja transmitida informação aos familiares, o médico deverá respeitar esta situação. No entanto, os familiares podem transmitir informação ao médico e este decidirá como utilizá-la no tratamento do seu paciente.

No entanto, a maioria das pessoas com Demência quer falar sobre a sua doença com alguém próximo de si. Isto geralmente é feito conjuntamente (pessoa com Demência e cuidador) com o médico.

Um bom médico para a pessoa com Demência, sua família e cuidadores:
  • É uma fonte de aconselhamento e apoio;
  • Ouve as suas opiniões;
  • Explica as coisas por palavras que para si são fáceis de compreender;
  • Disponibiliza o tempo necessário para responder às suas perguntas;
  • Fá-lo sentir-se confortável;
  • Permite a oportunidade para que lhe transmita as informações discretamente;
  • Respeita a pessoa com Demência, sua família e cuidadores

Comunicar com o médico
A comunicação é um processo bidirecional. Precisa de dar conhecimento ao médico daquilo que necessita dele. Se não compreender o que lhe está a ser dito, informe o médico para que este lhe explique de uma maneira diferente.

Os familiares podem falar sempre com o médico sobre as suas preocupações e algumas vezes pode ser útil, antes da consulta, telefonar ou mandar informação escrita ao médico para colocá-lo a par dos detalhes que ele pode não se sentir capaz de abordar quando a pessoa com Demência está presente.

Deve sentir-se à vontade para falar livremente com qualquer médico.

Lembre-se que todas as conversas são confidenciais.

Receber a informação que necessita
Para algumas pessoas, é útil fazer uma lista das questões a colocar ao médico, de forma a não se esquecerem de nada. Outras têm um diário do comportamento da pessoa e utilizam-no para explicar os aspetos que lhes estão a causar preocupação. Solicite ao profissional de saúde que escreva o que está a ser dito, de modo a poder consultar mais tarde e lembrar-se, ou faça os seus próprios apontamentos.

Manter um registo
Muitas pessoas consideram útil manter apontamentos sobre as suas conversas com os médicos, com quem falaram e quando. Por vezes, pode sentir que falou com tantas pessoas que já não consegue lembrar-se dos detalhes do que foi discutido e com quem.

Escolha a melhor hora
Marque as consultas para os momentos mais adequados do dia. Deve evitar a marcação de consultas no início da manhã ou o final da tarde, caso estas alturas sejam complicadas para a pessoa com Demência. Se sentir necessário, solicite uma consulta mais longa. Se, ao chegar à consulta existir um longo tempo de espera e isto se tornar difícil, pergunte se existe alguma maneira para reduzir o tempo de espera.

Procure e Fale
Por vezes, não é fácil obter a informação de que necessita. Prepare-se para procurar até encontrar um médico que vá ao encontro das suas necessidades e das necessidades da pessoa com Demência. Falar com outras famílias e cuidadores sobre as experiências destes, pode ser uma ajuda.

Encaminhamento
A maioria dos médicos encaminha os seus pacientes para médicos especialistas com quem mantêm um contacto próximo e regular. No entanto, poderá solicitar o encaminhamento para um especialista da sua escolha.

Necessidades especiais
Existem vários médicos e outros profissionais que, para além do Português, falam outras línguas e compreendem as necessidades de pessoas de culturas diferentes. Contacte a Ordem dos Médicos para obter informação sobre médicos que possam ajudá-lo.

Lembre-se
Se o serviço prestado pelo médico não for ao encontro das necessidades da pessoa com Demência, da família e cuidadores, o melhor será procurar outro médico.

Adaptado de Alzheimer Australia