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Como cheguei a voluntária

A Doença de Alzheimer provoca um marcado sentimento de solidão nos cuidadores das vítimas daquela patologia. Como cuidadora do meu marido e sócia da APFADA senti a necessidade de apoio de voluntariado e, sempre que me dirigia à Associação, pedia para ser visitada por alguém. Hoje vejo que era impossível pois a Associação era muito recente e dispunha ainda de poucos meios.

No último trimestre de 1994 o meu marido ficou acamado e tudo se complicou e, apesar de eu afirmar que iria arranjando coragem para aguentar o barco, a verdade é que em breve reconheci que o apoio da minha família era muito importante.
Eu dizia que eles me vinham recarregar as baterias para aguentar tudo o que se passava durante a semana.

Como se vê, muito cedo senti que precisava de alguém, desses Voluntários que vão levar uma palavrinha a esses Cuidadores que passam dias, semanas, sozinhos com os seus doentes, sem uma palavra amiga de alento. Felizmente, para mim tive o auxílio dos meus filhos, que à medida que a situação ia avançando, vinham mais amiudadamente.

Meu marido faleceu em Abril de 1998. Em Novembro fui à Assembleia Geral da Associação e a Dra. Olívia Leitão disse-me que precisava de falar comigo. Dois dias depois telefonou-me a pedir para ir visitar um casal na Brandoa, que precisava muito de ajuda.

Apesar de ser muito longe de minha casa, fui, e até o casal ter a ajuda do Centro de Apoio da Brandoa continuei a visitá-los, umas vezes para apoiar, outras para ficar a tomar conta da doente enquanto o marido ia à consulta a Lisboa.

A seguir, pediram-me para visitar outro casal nas encostas da Mouraria. Agora era o marido o doente e a esposa não tinha ninguém de família.

Agora visito outro casal, há cerca de dois anos, em que o doente é o marido e a esposa está sozinha pois os familiares moram longe de Lisboa. Já me tornei como que uma pessoa de família.

Este é o meu testemunho. Primeiro, fui eu que precisei da ajuda de algum Voluntário, hoje sou eu que me tornei Voluntária. Apesar da minha avançada idade, acho que ainda tenho forças para conversar e dar alento a pessoas carenciadas de apoio e lá vou cumprindo a minha missão. Espero que quem ler este meu testemunho e possa. dispor de duas ou três horas por semana, adira ao Voluntariado e á nossa Associação.


Teresa Fradique
2004