Pesquisa

Um simples testemunho


O último número da nossa Revista pedia a colaboração de outros associados e leitores, para melhor intercâmbio e diversificação das notícias.

Aqui está a minha simples colaboração porque também "amo" a nossa Revista. Peço desculpa de apenas referir o nosso caso pessoal, esperando deste modo ajudar casos semelhantes. É, afinal, o objectivo da Revista: ajudar.

Escrevo do Douro. A minha esposa tem já esta "terrível" doença de Alzheimer há cerca de treze anos. Depois de, durante dois ou três anos, eu ter notado que qualquer coisa de invulgar se passava na sua memória, expusemos o caso no respectivo Centro de Saúde, no Porto, onde a médica assistente atribuiu a falta de memória à arteriosclerose e à idade - tinha, então, à volta de 65-66 anos de idade, e com razoável saúde geral. Quero dizer, vivamente, que não desejo nenhum mal à senhora, pois a sua prática também não era grande. Toda a pessoa tem direito a aprender, ao traba1ho e nem sempre se tem sorte com todos os casos.

Por intermédio de pessoas amigas, dirigi-me a um médico neurologista que, a meu ver, resolveu o caso muito bem. Mandou fazer um TAC e este foi claríssimo, tratava-se da doença de Alzheimer, diagnóstico confirmado, depois, por outro colega.
A minha esposa foi, segundo o médico, uma das primeiras doentes a usar o medicamento mais indicado então: - o ?Exelon?, não existente em Portugal, mas que conseguimos que viesse da Suíça, via TAP ? que nos merece o mais profundo reconhecimento. O transporte era gratuito, apenas nos serviços da Suiça tinha de se pagar uma quase simbólica importância.

No Natal de 1997, por sugestão médica, voltámos às origens. Aqui, com o convívio, a minha esposa voltou ao normal, o que a beneficiou bastante. Voltámos a ter sorte com o neurologista, em paralelo com o psiquiatra. No princípio do Verão, apareceu o ?Aricept?, medicamento que, no princípio, se pagava na totalidade. Mas, graças ao trabalho de várias entidades e, sobretudo da APFADA, passado cerca de um ano, o medicamento começou a ser comparticipado.

Pela Primavera do ano p.p., apareceu o ?Ebixa?. No princípio, a título experimental, houve neurologistas que, prescreviam gratuitamente este novo medicamento aos seus doentes. Os resultados foram positivos. A partir de 1 de Novembro, p.p., o medicamento começou a ser comparticipado.

Mesmo assim, estamos convencidos que o melhor passo que demos foi o internamento num Lar, não especifico, mas onde a minha esposa se adaptou, com resultados muito positivos.

Em 2000, a ARD prognosticou-lhe 70% de incapacidade: em 2002, 75%; no princípio do corrente ano, 84%; Actualmente, será superior a 90%, com a tendência natural de um aumento mais veloz!

Estou a fazer-lhe companhia, 24 horas por dia, desde Novembro de 2002. Só assim ? dizem as pessoas ? a minha esposa consegue estar viva e ter uma presença aceitável, por vezes muito agradável!

Perguntam-me ? mas já conhecem a resposta ? ?é(s) feliz?? ? O meu sorriso, de boca rasgada de um lado ao outro, é a resposta esperada. E acrescento, graças à minha Fé em Deus e ao Amor aos dois ? a Ele e a ela ? ?quero-a cá ainda muitos anos, os que Deus permitir, ainda que chegue a uma vida vegetal: - é o único rosto que conheço?!


José da Silva Pinto
2004