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Mãe

Se calhar nunca vais ler estas minhas palavras, mas este sentimento de que tanta coisa gostaria de te dizer e de te ter dito, não me abandona. Eu diria mesmo, que se tornou um ?sofrimento? para mim, ter-te tão perto e não poder partilhar tudo quanto gostaria de partilhar e de ter partilhado contigo, em particular nestes últimos anos, em que, apesar de lado a lado, esta barreira a que chamam Alzheimer, nos separou. Mas não tem importância, tentarei recuperar, através desta pequena mensagem que me sai do fundo do coração. Por mim e por ti recordo algumas pequenas coisas que guardei na minha memória e é assim que tentarei matar esta saudade.

Tenho a certeza Mãe, que nesses momentos de silêncio, em que me olhas, como se olhasses para o meu fundo, e me acaricias o rosto de uma forma desajeitada, a única coisa que me queres transmitir na realidade é, um breve ?obrigada? por cuidar de ti. Não agradeças Mãe. Sou eu que te tenho que agradecer por teres transmitido o que eu sou, esta força que ainda consigo ter, para te acompanhar e lado a lado seguir os teus últimos passos.

Perdoa-me Mãe se te decepcionei, como filha, ou como pessoa. Mas, nestes últimos dez anos dei-te o melhor que consegui! Para minha tristeza, não te pude compensar. Mas fi-lo com todo o carinho e amor e só por isso é que não custou tanto.

Um beijo com todo o amor e carinho do mundo da tua filha,


Manuela Jara
2006