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Rua da Imaginação, nº 12, 4º M
Imaginolândia, 07.02.2576

Querida Lembrança:

Há muito que te queria enviar esta carta, mas o esquecimento apodera-se de mim nos momentos em que o poderia fazer. Deve ter-se esquecido de me esquecer hoje.

Já devia ter chegado... Enfim, continuemos.

Agora que posso escrever, sem me esquecer, queria pedir-te que, das tuas, "gavetas memoriais", retirasses a "pasta" da minha infância e juventude.

Sei que já passaram muitos, muitos anos desde essa minha idade de criança, tantos que já nem eu próprio sei se alguma vez fui miúdo, mas agora que este maldito esquecimento já consumiu grande parte da minha memória, pedia-te que me enviasses essas "pastas" ou, se não puderes, os tópicos dos momentos mais importantes.

Agora que os carros voam e que as pessoas passam as férias em Marte, é-me necessário recordar os momentos em que o Homem ia só à Lua e em que Marte era uma ilusão, aqueles tempos em que os carros só andavam na estrada e só voavam nos filmes americanos, esses anos em que a própria Natureza controlava a temperatura do planeta, sem ser necessário esta cápsula sufocante que cobre o planeta...

- Toc, toc, toc...

Bem, está alguém a bater à porta. Deve ser o Esquecimento. Vem tirar Novamente as ilusões. Antes que arrombe a porta e me assalte a alma, só te peço que faças o possível para me resolveres este tormento. Não precisa de ser já, tenho tempo.

Vou abrir-lhe a porta, antes que me esqueça.

Os melhores cumprimentos do teu esquecido


Miguel Garcia Wagner
13 de Fevereiro de 2007

Nota: Texto redigido por um jovem de 15 anos que tem contactado de perto com a realidade da demência através do seu Pai, médico neurologista.