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Diagnosticar a Demência

Os sintomas de Demência são frequentemente confundidos com sinais normais de envelhecimento. Embora o progresso científico e a crescente preocupação da classe médica tenham melhorado no que respeita à Doença de Alzheimer, existe ainda um número significativo de pessoas cujo diagnóstico é feito numa fase moderada ou avançada da doença, ou que nunca chega a receber um diagnóstico.

Não existe um único teste capaz de, por si só, diagnosticar definitivamente a Doença de Alzheimer. O diagnóstico deve ser realizado pelo médico especialista (Neurologista ou Psiquiatra) através de um processo de exclusão de outras causas que possam ser responsáveis pelos sinais e sintomas apresentados.

O papel dos clínicos gerais é crucial na deteção dos primeiros sinais de demência e no encaminhamento imediato para consultas da especialidade, permitindo um diagnóstico precoce.

O diagnóstico precoce possibilita à Pessoa com demência e aos seus cuidadores organizarem e planearem a sua vida e tomarem parte nas decisões que respeitam ao seu futuro.

Possibilita, igualmente, uma intervenção farmacológica e não-farmacológica mais eficaz no alívio dos sintomas e na preservação das capacidades, com ganhos efetivos na sua qualidade de vida.

Quais são os primeiros sinais de Demência?

Os primeiros sinais de Demência são muito subtis e vagos, podendo ser difíceis de detetar. Apresentam, ainda, grande diversidade. Contudo, aquilo que as pessoas habitualmente notam em primeiro lugar é que têm um problema de memória, sendo particularmente difícil lembrarem-se dos acontecimentos mais recentes.

Outros sintomas comuns são:
? Confusão;
? Alterações da personalidade;
? Apatia e isolamento;
? Perda de capacidades para a execução de tarefas diárias.

Por vezes, as pessoas têm dificuldade em reconhecer que estes sintomas são indicadores de que algo não está bem e podem assumir erradamente que fazem parte do processo normal de envelhecimento. Os sintomas podem, também, desenvolver-se de forma gradual e passarem despercebidos durante muito tempo. Verifica-se, ainda, que mesmo sabendo que algo não está bem as pessoas podem, por vezes, recusar tomar qualquer iniciativa para esclarecer o que está a acontecer.

Sinais de Alerta

  • Perda de memória que afeta o funcionamento diário
É normal, de vez em quando, esquecer-se de um compromisso ou de um número de telefone de um amigo e, depois lembrar-se deles mais tarde. A pessoa com Demência pode esquecer-se das coisas com maior frequência ou simplesmente não se lembrar delas.

  • Dificuldade em executar tarefas familiares
É normal uma pessoa distrair-se, de vez em quando, e esquecer-se de servir parte da refeição. A pessoa com Demência pode ter dificuldades na execução dos passos que envolvem a preparação de uma refeição.

  • Perda da noção do tempo e desorientação
É normal esquecer-se, por momentos, do dia da semana em que se encontra. A pessoa com Demência pode apresentar dificuldade em encontrar o caminho para um local familiar ou sentir-se confusa em relação ao sítio onde está.

  •  Problemas de linguagem
Todas as pessoas têm dificuldade, de vez em quando, em encontrar a palavra certa, mas a pessoa com Demência pode esquecer-se de palavras simples ou utilizar palavras desadequadas, tornando, deste modo, as suas frases difíceis de entender.

  • Dificuldades no pensamento abstrato
Gerir as contas mensais pode ser difícil para qualquer pessoa, mas a pessoa com Demência pode ter dificuldade em entender o que os números significam.

  • Discernimento fraco ou diminuído
A pessoa com Demência pode ter dificuldades, enquanto conduz, em ter a noção da distância ou decidir que direção tomar.

  • Trocar o lugar das coisas
Qualquer pessoa pode esquecer-se, temporariamente, do sítio em que colocou a carteira ou as chaves. A pessoa com Demência pode colocar as coisas em lugares inapropriados.

  • Alterações de personalidade e comportamento
Qualquer pessoa pode, por vezes, sentir-se triste ou mal-humorada. A pessoa com demência pode apresentar alterações súbitas de humor, sem razão aparente para tal e tornar-se confusa, desconfiada e isolada.

  • Perda de iniciativa
É normal cansarmo-nos de algumas atividades. Contudo, a Demência pode fazer com que a pessoa perca o interesse em atividades que anteriormente apreciava.


Lembre-se que

Lembre-se que existem muitas situações médicas que manifestam sintomas semelhantes aos da Demência, por isso não assuma que alguém tem esta doença apenas porque apresenta alguns sintomas. Enfartes, depressão, alcoolismo, infeções, perturbações hormonais, carências nutricionais e tumores cerebrais, podem causar sintomas semelhantes aos da Demência, sendo que a maioria destas situações pode ser tratada.

A importância de um diagnóstico correto

A Demência só pode ser diagnosticada por um médico especialista, por isso consultá-lo numa fase inicial é fundamental.
A realização de uma avaliação médica e psicológica completa pode permitir identificar uma situação tratável e assegurar o seu correto tratamento ou confirmar a presença de Demência.


O Diagnóstico pode incluir a realização de:

  • Uma história clínica detalhada, fornecida, se possível, pela pessoa que apresenta a sintomatologia e por um familiar ou amigo próximo. Aquela irá permitir estabelecer se os sintomas surgiram lenta ou subitamente e qual a sua progressão
  • Um exame físico e neurológico aprofundado, incluindo testes aos sentidos e movimentos, de forma a excluir outras doenças e a identificar quaisquer outras situações que possam agravar a confusão associada à Demência
  • Exames laboratoriais, que incluem uma variedade de análises ao sangue e à urina, para despistarem qualquer doença responsável pelos sintomas
  • Outros exames especializados, como por exemplo: Raio X, Electroencéfalograma (EEG), Tomografia Axial Computorizada (TAC), Análises do Líquido Raquidiano ou Ressonância Magnética
  • Uma avaliação neuropsicológica para avaliar as funções intelectuais que podem ser afetadas pela Demência, como por exemplo: memória, capacidades de leitura, escrita e cálculo
  • Uma avaliação psiquiátrica para identificar perturbações tratáveis que podem mimetizar a Demência - como por exemplo: depressão e monitorizar os sintomas psiquiátricos que podem ocorrer juntamente com a Demência - como por exemplo: ansiedade e delírios

 

Por onde começar
O médico é a pessoa indicada para iniciar o processo de diagnóstico. Após avaliar os sintomas e solicitar os exames necessários, pode fazer um diagnóstico preliminar e o encaminhamento para um médico especialista - neurologista ou psiquiatra.

Algumas pessoas podem apresentar resistência em consultar o médico. Umas porque não reconhecem ou negam a existência de qualquer coisa errada consigo - esta situação pode decorrer das alterações cerebrais provocadas pela Demência, que interferem na capacidade da pessoa reconhecer ou avaliar os seus problemas de memória. Outras porque, apesar de manterem a capacidade de discernimento, podem ter receio de que os seus medos sejam confirmados.

Manter uma atitude calma e atenciosa, bem como tranquilizar a pessoa, pode ajudá-la a ultrapassar as suas preocupações e receios.

Uma forma eficaz para ultrapassar este problema é encontrar outro motivo para consultar o médico. Pode sugerir por exemplo, a necessidade de fazer um exame ao coração, avaliar a tensão arterial ou rever a prescrição de medicamentos que a pessoa toma há muito tempo. Outra forma será sugerir que está na altura de ambos fazerem um check up geral. Manter uma atitude calma e atenciosa, bem como tranquilizar a pessoa, pode ajudá-la a ultrapassar as suas preocupações e receios.

Se mesmo assim a pessoa continuar a não querer consultar o médico:
? Converse com outras famílias e cuidadores que possam ter lidado com situações semelhantes.
? Contacte a Associação Alzheimer Portugal.

Adaptado de Alzheimer Australia