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Tratamento da Doença de Alzheimer e da Demência vascular: a utilização de outras terapêuticas

Para além dos vários fármacos aprovados para utilização no tratamento da Doença de Alzheimer, existe um interesse considerável na utilização de outras terapêuticas. Aqui pode encontrar um breve resumo da informação sobre algumas.

Devido à possibilidade de existência de efeitos secundários e de interações medicamentosas, é importante que nunca tome nenhum medicamento sem consultar o seu médico.

Encontrar evidências para o tratamento da Demência

Até à data, a maior parte da informação que temos sobre o tratamento da Demência provém de estudos epidemiológicos em que os indivíduos que tomaram a terapêutica são comparados com um grupo de controlo de indivíduos que não a tomaram.

Outra informação provém de pesquisas que utilizam métodos diferentes.

Estas incluem:
  • Estudos abertos que não tinham um grupo de controlo ou ensaios controlados que não têm uma amostra suficientemente grande para demonstrarem um efeito;
  • Estudos duplo-cego em que o participante e o médico não têm conhecimento da terapêutica que está a ser administrada à pessoa;
  • Ensaios clínicos randomizados em que os participantes são distribuídos aleatoriamente entre um grupo que está a receber o tratamento e um grupo que não está a receber o tratamento
Têm de ser realizados ensaios prospetivos duplo-cego randomizados com placebo em larga escala, para confirmar o valor de tomar um medicamento ou suplemento para o tratamento da Demência.

Para a maioria das terapêuticas descritas nesta ficha de atualização, estes ensaios estão a decorrer ou ainda não foram realizados.

Perspetivas para o tratamento da Doença de Alzheimer e Demência vascular

 

  • Tratamento com estrogénio
O estrogénio parece ter vários efeitos benéficos no cérebro e é possível que possa protege-lo da deterioração, de várias maneiras.

Tem sido sugerido que a terapêutica de substituição estrogénica para as mulheres na pós-menopausa pode atrasar o início da Doença de Alzheimer ou evitar que as mulheres pós-menopáusicas desenvolvam a Doença de Alzheimer.

Os dados de vários estudos de caso controlados descobriram que a substituição do estrogénio pode estar associada a um risco 30% menor de desenvolver a Doença de Alzheimer. No entanto, alguns destes estudos foram enviesados, porque os indivíduos que tomaram estrogénio divergiam dos indivíduos que não tomaram em variáveis básicas, tais como a educação e a classe social.

Nenhum estudo randomizado controlado tem demonstrado que o estrogénio evita a Doença de Alzheimer ou que diminua a possibilidade de desenvolvê-la. Aliás, no estudo Women?s Health Initiative Memory Study, o estrogénio (só ou combinado com progesterona) aumentou a possibilidade de desenvolver a Doença de Alzheimer.

Dois estudos recentes que utilizaram estrogénios para tratar a Doença de Alzheimer não encontraram absolutamente nenhum benefício para as mulheres que já têm Doença de Alzheimer. Mais, algumas terapêuticas de substituição hormonal foram associadas a um risco aumentado de Demência e podem, por implicação, agravar a Demência já presente.
O estrogénio tem efeitos significativos, bons e maus, quando tomado após a menopausa. Os especialistas no tratamento de pacientes com Doença de Alzheimer em Portugal não recomendam a utilização do estrogénio no tratamento de mulheres em risco de desenvolver Doença de Alzheimer ou em mulheres que têm a Doença de Alzheimer, embora não seja contraindicado na Doença de Alzheimer, se for utilizado para outros fins, tais como o tratamento de sintomas pós-menopausa.

  • Medicamentos anti-inflamatórios
Os medicamentos anti-inflamatórios neutralizam ou suprimem o processo inflamatório. Estes medicamentos incluem os anti-inflamatórios não esteroides (AINE), que para além de aliviarem a dor, têm um efeito de redução da inflamação quando utilizados ao longo de um período de tempo. Os inibidores COX-2 são a geração mais recente de AINE, que geralmente são tão eficazes quanto os AINE tradicionais, mas apresentam um menor risco de efeitos secundários.

Contudo, até à presente data, todos os ensaios clínicos indicam que os medicamentos anti-inflamatórios não têm um efeito útil no tratamento da Doença de Alzheimer já estabelecida.

Alguns estudos de caso controlados sugeriram que as pessoas que tomam medicamentos anti-inflamatórios podem apresentar um menor risco de desenvolver a Doença de Alzheimer, do que as pessoas que não tomaram esses medicamentos. Todavia, estes resultados não foram confirmados em ensaios clínicos aleatórios controlados com placebo, em pessoas em risco de desenvolver Doença de Alzheimer. Um ensaio clínico realizado numa grande população sem Demência, o ensaio ADAPT, foi interrompido devido a preocupações sobre os efeitos secundários de um dos agentes anti-inflamatórios.

Os medicamentos anti-inflamatórios têm uma ampla variedade de efeitos secundários potencialmente graves e a sua utilização para o tratamento ou prevenção da Doença de Alzheimer é inapropriada no momento atual.

  • Folato e Vitamina B12
O folato (ácido fólico) é um nutriente que ocorre naturalmente e é essencial para a saúde das células do sangue e nervosas. Encontra-se em vegetais verdes, tais como espinafres e brócolos.

Os níveis elevados de ácido fólico no sangue diminuem o nível de uma outra substância denominada homocisteína, que normalmente está presente no sangue. Os níveis elevados de homocisteína no sangue estão associados a um aumento do risco de doença arterial coronária e acidente vascular cerebral.

Pelo menos dois estudos sugeriram que os níveis elevados de homocisteína e/ou níveis baixos de ácido fólico podem estar associados a uma maior probabilidade de mais tarde desenvolver a Doença de Alzheimer.

Um estudo de suplementação de folato nas pessoas com uma cognição normal demonstrou uma redução do risco de declínio cognitivo, mas atualmente não existe qualquer evidência de que o folato previna a Doença de Alzheimer.

A deficiência de vitamina B12, que aumenta os níveis de homocisteína, também tem sido associada a um aumento do risco de Doença de Alzheimer. Mais uma vez, são necessários ensaios prospetivos de tratamento para demonstrar os benefícios dos suplementos de vitamina B12.

  • Vitamina E
A vitamina E é uma vitamina lipossolúvel que ocorre naturalmente. A vitamina E pode proteger as células do corpo contra os efeitos do envelhecimento. Um estudo americano sugeriu que tomar vitamina E diminui o ritmo de deterioração nas pessoas com Doença de Alzheimer mais severa.

Actualmente a Associação Americana de Neurologia (American Association of Neurology) tem uma diretriz que sugere que a utilização de vitamina E deve ser considerada nos pacientes com Doença de Alzheimer estabelecida.

Na Austrália os especialistas que tratam a Doença de Alzheimer, diferem na avaliação dos possíveis benefícios da vitamina E. A vitamina E pode prolongar o tempo de sangramento e tornar mais provável uma hemorragia. A análise recente de vários estudos demonstra que tomar diariamente doses de vitamina E acima de 400mg aumenta a mortalidade e outros incidentes tal como o acidente vascular cerebral.

Não foram ainda publicados quaisquer estudos demonstrativos de que a vitamina E possa prevenir a Doença de Alzheimer. É necessário realizar mais ensaios prospetivos aleatórios controlados.

  • Estatinas
Estes medicamentos para reduzir o colesterol têm sido associados a um menor risco de desenvolver Demência. No entanto, até à data, nenhum estudo demonstrou que estas substâncias são eficazes no tratamento da Demência. Está a decorrer um grande estudo sobre a utilização da estatina e o Aricept.

  • Ginkgo Biloba
O Ginkgo Biloba deriva das folhas de uma árvore chinesa. Diz-se que tem propriedades anti-inflamatórias, antioxidantes e antiplaquetárias. É um dos medicamentos alternativos mais comummente utilizado para os problemas cognitivos e está licenciado para o tratamento da Doença de Alzheimer na Alemanha. Até à data, foi sugerido que apenas o extracto EGb 761 tem um potencial benefício e estes benefícios são apenas moderados (cerca de metade das terapêuticas colinérgicas). Não preserva a memória nas pessoas com uma cognição normal.

É necessário desenvolver mais investigação, antes de se poder afirmar a sua eficácia como tratamento.

  • Brahmi
Esta preparação é comercializada como um revigorante de memória. No entanto, não existem dados clínicos que sugiram que é benéfica para as pessoas com Demência.

  • Outras substâncias
Uma grande variedade de outras substâncias tem sido testada no tratamento e, frequentemente, na prevenção da Demência. Contudo, até à data nenhuma demonstrou ser eficaz. Isto inclui a curcumina (encontrada no pó de caril), substâncias para tratar a diabetes, medicamentos para reduzir a tensão arterial, aspirina e substâncias para melhorar o fluxo sanguíneo.

O futuro

Existem ensaios a decorrer para avaliar os benefícios de uma vacina para a Doença de Alzheimer (que tem uma componente da proteína amilóide encontrada nas placas senis); dos inibidores das enzimas que produzem o amilóide e das terapêuticas que utilizam o fator de crescimento nervoso. Estas abordagens podem provar ser eficazes, mas ainda será necessário desenvolver muito trabalho.

Esta página tem apenas um caráter informativo e não representa a recomendação por parte da Alzheimer Portugal de qualquer tratamento.

Adaptado de Alzheimer Australia