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Doença de Parkinson e Demência

Uma pessoa com Doença de Parkinson pode também ser diagnosticada com Demência. Aqui pode encontrar informação sobre estas duas doenças.

O que é a Doença de Parkinson?

A Doença de Parkinson é uma condição neurológica degenerativa e progressiva, que ocorre quando as células nervosas (neurónios) de uma zona do cérebro denominada por substância nigra ficam comprometidas ou morrem. Estas células produzem uma substância química denominada por dopamina, que facilita a coordenação dos músculos corporais e do movimento.

A Doença de Parkinson tem 3 sintomas principais:
  • Tremores;
  • Rigidez muscular;
  • Movimentos mais lentos

Existem outros sinais, tais como caligrafia com letra pequena e tremida, falta de expressão facial, perturbação do sono, problemas de equilíbrio, marcha arrastada, diminuição do volume da voz e depressão. Os sintomas podem ocorrer sozinhos ou combinados.

O que é a Demência?

Demência é o termo utilizado para descrever os sintomas de um vasto grupo de doenças que provocam o declínio progressivo no funcionamento da pessoa. É um termo geral utilizado para descrever a perda de memória, capacidade intelectual, raciocínio, competências sociais e reações emocionais consideradas normais.

A combinação entre Demência e Doença de Parkinson é frequente? O que é que a provoca?

Nem todas as pessoas com Doença de Parkinson desenvolvem Demência. No entanto, a Demência atinge cerca um terço das pessoas com Doença de Parkinson. Se a Demência ocorrer, surge habitualmente numa fase avançada da Doença de Parkinson ou nas pessoas que desenvolvem Parkinson numa fase tardia da vida.

Ainda não se compreende claramente como é que a Demência ocorre na Doença de Parkinson. É possível que os corpos de Lewy (os depósitos microscópicos que surgem nas células nervosas do tronco cerebral das pessoas com Doença de Parkinson) desempenhem um papel no desenvolvimento da Demência nestas pessoas.

Existe outra doença denominada por Demência de Corpos de Lewy, que apresenta alguma similaridade à Doença de Parkinson. Algumas pessoas que são inicialmente diagnosticadas com Parkinson podem mais tarde ter uma alteração do seu diagnóstico para Demência de Corpos de Lewy.

Os medicamentos utilizados para tratar a Doença de Parkinson não provocam Demência, mas podem tornar evidentes alguns sintomas que parecem estar relacionados com esta, tais como alucinações, confusão ou comportamento agressivo e que nem sempre estão associados a um declínio do funcionamento cognitivo.

Caso existam comportamentos alterados ou uma deterioração da memória, será importante investigar as situações que podem ser reversíveis. Estas incluem, por exemplo, os efeitos secundários dos medicamentos ou outros problemas médicos (ex.: infeção urinária).

O desenvolvimento de Demência em alguém com Doença de Parkinson, particularmente numa pessoa mais idosa, poderá ser devido a outra causa coexistente (ex.: Doença de Alzheimer ou pequenos enfartes múltiplos).

Que sintomas de Demência são apresentados pelas pessoas com Doença de Parkinson?

Os sintomas de Demência na Doença de Parkinson variam e oscilam frequentemente, o que leva a que a pessoa pareça melhor ou pior, em diferentes momentos do dia.

A Doença de Parkinson com Demência é marcada por esquecimento, lentificação dos processos de pensamento, letargia e perda de capacidades tais como, tomada de decisão, planeamento, raciocínio e capacidade para lidar com situações novas. Pode existir uma perda do controlo emocional, com explosões súbitas de raiva ou angústia, embora estas características sejam pouco frequentes. Podem, também, ocorrer alucinações visuais, que são frequentemente provocadas pelos tratamentos farmacológicos para a Doença de Parkinson.

Como é que os comportamentos alterados, resultantes da Doença de Parkinson e da Demência, são controlados?

Os sintomas psicóticos podem ser exacerbados pelos efeitos secundários dos medicamentos utilizados para tratar a Doença de Parkinson. Deste modo, reduzir a dosagem ou suspender alguns medicamentos pode, por vezes, ajudar, sobretudo no que concerne às alucinações. No entanto, a redução da dosagem, ou suspensão de alguns medicamentos, pode fazer com que os sintomas da Doença de Parkinson não fiquem tão bem controlados como anteriormente.

Os medicamentos antipsicóticos são frequentemente prescritos para tratar os comportamentos alterados. Contudo, podem ter efeitos adversos nas pessoas com Doença de Parkinson e Demência com corpos de Lewy. A nova geração destes medicamentos, conhecida por antipsicóticos atípicos, apresenta uma menor propensão para a produção de efeitos secundários problemáticos, mas é importante ponderar os potenciais benefícios face aos possíveis efeitos secundários.

Os medicamentos utilizados para tratar a Doença de Alzheimer, denominados por inibidores da acetilcolinesterase, também podem ser úteis no tratamento de Demência na Doença de Parkinson.

Muitas intervenções não farmacológicas, utilizadas nas várias formas de Demência, também podem ser aplicadas à Doença de Parkinson com Demência.

Comunicação

As dificuldades de comunicação serão, provavelmente, mais severas nas pessoas com Doença de Parkinson que têm Demência, uma vez que, em ambas as condições, a comunicação é afetada.

É importante lembrar que caso as pessoas com Doença de Parkinson tenham problemas de comunicação, estes podem dificultar a avaliação do quadro. Se uma pessoa com Doença de Parkinson parece não responder no tempo esperado, isto poderá dever-se aos seus problemas de comunicação, que tornam mais difícil uma resposta imediata. A falta de expressão facial e de linguagem corporal podem, também, contribuir para o erro de avaliação do quadro.

Os problemas de comunicação em alguém com Doença de Parkinson, não significam que a pessoa tenha ou esteja a desenvolver Demência. E, mesmo quando a pessoa tem esta condição, as fracas capacidades de comunicação podem fazer a Demência parecer pior do que é na realidade. Contrariamente, a perda das capacidades de comunicação poderá mascarar a existência de Demência.

Adaptado de Alzheimer Australia