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Foi com agrado que, na conferência comemorativa do seu 25º aniversário, a Alzheimer Portugal recebeu a notícia, transmitida pelo Dr. António Leuschner, Presidente do Conselho Nacional de Saúde Mental, de que o Plano poderia ser uma realidade em 2014.

O trabalho desenvolvido neste sentido pela Direcção Geral de Saúde, surge na sequência do que têm sido os sucessivos convites do Parlamento Europeu e da Comissão Europeia aos governos nacionais para que criem Planos ou Estratégias Nacionais para as Demências e também das iniciativas realizadas a nível nacional pela Alzheimer Portugal1 e pelo próprio Parlamento Nacional2.

Muito recentemente, a DGS lançou a publicação «Portugal, Saúde Mental em Números 2013». Nas notas introdutórias desde documento, o Dr. Álvaro de Carvalho, referindo-se às demências, afirma o seguinte:

«Neste particular as demências são uma realidade, cuja intervenção necessária ultrapassa a competência do Ministério da Saúde mas em que a Saúde Mental tem responsabilidade inevitável. Neste sentido deram-se os primeiros passos3 para juntar e articular os vários parceiros nacionais com saber e responsabilidade no tema, estruturando-se um plano nacional, em que a caracterização das necessidades em cuidados, o apoio domiciliário, direto e às famílias, a par da vertente residencial, se perspetiva que tenham tradução numérica e sobretudo qualitativa diferentes, passíveis de terem expressão em próximas edições do «Portugal: Saúde Mental em números».

Nesta publicação, no que toca ao levantamento dos dados sobre o que se passa nas estruturas públicas de saúde, as figuras 18 e 19 (págs. 48 e 49), referem, respetivamente, apenas 0,29% de pessoas com registo de Demência entre o número de utentes inscritos em CSP por ARS e apenas 0,48% entre o número de utilizadores.

Estas percentagens são bem demonstrativas do muito que ainda há a fazer no sentido da maior sensibilização dos médicos de família, das pessoas com queixas de memória e dos seus familiares.

Face ao número estimado de pessoas com Demência que existem em Portugal (cerca de 153 000), o sub diagnóstico continua a ser um problema grave.

Na verdade, existem atualmente muitos casos de doença de Alzheimer ou outra forma de demência, por diagnosticar e que ainda há um longo caminho a percorrer no sentido da sensibilização dos profissionais de saúde, muito em especial dos clínicos gerais, bem como das famílias, para a importância de
  1. Estar atento aos primeiros sinais de Demência;
  2. Encaminhar para especialista a fim de obter um diagnóstico preciso;
  3. No pós diagnóstico:
a. Assegurar a articulação entre os vários intervenientes: o clínico geral, o especialista, a própria pessoa, os seus familiares;
b. Dar a conhecer e encaminhar para a Alzheimer Portugal e para outros serviços existentes na comunidade;

Neste sentido, e ainda muito recentemente, em Setembro, no âmbito do projeto Cuidar Melhor4 , a Alzheimer Portugal organizou e ministrou cursos de formação para os profissionais dos ACES de Oeiras, Cascais e Sintra e desenvolveu uma campanha de sensibilização, distribuindo material informativo aos utentes destes mesmos agrupamentos.

Espera-se que a criação do Plano Nacional para as Demências possa contribuir para o combate eficaz ao sub diagnóstico e que promova o diagnóstico atempado, com inegáveis ganhos em saúde.

1 Trabalho Preparatório para a Conferência - Doença de Alzheimer» Que Políticas?» denominado «Plano Nacional de Intervenção Alzheimer», Outubro de 2009.

2 Resoluções nº 133 e 134, publicadas no DR., 1ª série - nº 234 de 03.12.

3
Seminário «Estruturação do Plano Nacional de Intervenção em Perturbações Demenciais, com a participação e coordenação científica do Professor Joel de Ménard, Presidente da Comissão de Redação do Plano Alzheimer Francês 2008-2012 e da Fundação para a Doença de Alzheimer e outras Demências

4 www.cuidarmelhor.org