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Rui Costa, Investigador da Fundação Champalimaud, recebe bolsa do ERC para estudar o processo de chunking no cérebro

Notícias - Imprensa
Rui Costa, investigador principal do Programa de Neurociências da FC, recebe prémio.
Autor Tatiana Nunes 
Data 14-01-2014 
Rui Costa, investigador principal do Programa de Neurociências da FC, recebe uma Consolidation Grant de cerca de 2 milhões de euros, atribuída pelo European Research Council (ERC), para estudar, durante os próximos 5 anos, as bases neurais do processo de chunking.

Como é que, a partir de pequenas ideias e movimentos, muitas vezes sem relação aparente, conseguimos criar conceitos e ações complexas? O cérebro lida com memórias e ações complexas, organizando-as em pequenos módulos ou sequências, num processo conhecido como chunking.

Imagine que lhe pedem para memorizar um número de telefone com muitos algarismos, por exemplo o 423932752183. Se usou a técnica de organizar os elementos (algarismos) em pequenos módulos, por exemplo 423 9932 752 183, então o seu cérebro usou o chunking.

O chunking não é mais do que o mecanismo que o cérebro usa para organizar elementos individuais em módulos ou chunks, tornando a sua vida mais fácil (no exemplo anterior, permitindo-lhe lembrar-se do número de telefone). Isto funciona para as memórias mas também para as ações complexas, como por exemplo fazer uma escala no piano.

«O chunking é um mecanismo que nos permite organizar memórias e ações de forma eficiente. Sabe-se que os circuitos neuronais dos gânglios da base são importantes para este processo, no entanto sabe-se ainda muito pouco sobre como é que os elementos individuais destes circuitos neuronais estão ligados entre si.» - explica Rui Costa.

Para o investigador «é fundamental percebermos quais são, ao nível neuronal, as unidades-base deste processo. Com este projeto, agora financiado pelo ERC, iremos dissecar, com uma precisão espacial e temporal sem precedentes, o papel dos sub-circuitos dos gânglios da base no processo de chunking».

Os 2 milhões de euros atribuídos pelo ERC serão aplicados em equipamento, tecnologia e numa equipa de cerca de 20 pessoas entre os quais se contam pós-doutorados, alunos de doutoramento e técnicos de laboratório que darão apoio à realização deste projeto.

Fontes: Fundação Champalimaud e Diário de Notícias