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Substância presente em vegetais e fruta previne Alzheimer

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A fisetina pode ser encontrada em vegetais e frutas, tais como morangos e pepinos.
Autor Tatiana Nunes 
Data 31-01-2014 
Cientistas do Laboratório de Neurobiologia Celular do Instituto Salk (Califórnia - EUA), após ensaios em ratos com propensão ao desenvolvimento de sintomas de Alzheimer um ano depois do nascimento, descobriram que uma dose diária da substância quí­mica fisetina (flavonoide) impede a progressividade da perda de memória e das dificuldades na aprendizagem, não alterando a formação de placas amilóides no cérebro (agrupamentos de proteínas atribuídas à doença de Alzheimer).

"Já havíamos mostrado que, em animais normais, a fisetina pode melhorar a memória", afirma Pamela Maher, cientista que liderou o novo estudo. "O que mostramos aqui é que ela também pode ter um efeito em animais propensos à doença de Alzheimer. Percebemos que a fisetina tem um número de propriedades que podem ser benéficas quando se trata desta doença", explica.

Há dez anos atrás, Maher descobriu que a fisetina ajudava a proteger os neurónios do processo de envelhecimento. Desde então, ela e os seus colegas pesquisam como o composto tem efeitos antioxidantes e anti-inflamatórios em células do cérebro. Mais recentemente, descobriram que a fisetina se transforma numa via celular conhecida por estar envolvida na memória.

Os cientistas utilizaram uma linhagem de ratos com mutações em dois genes ligados à doença de Alzheimer e administraram fisetina na sua alimentação quando estes tinham apenas três meses de idade. À medida que os ratos envelheciam, os investigadores testaram as suas habilidades de memória e de aprendizagem com labirintos de água. Aos nove meses, os ratos que não receberam a fisetina começaram a apresentar um mau desempenho. Os que tinham consumido uma dose diária do composto comportaram-se como os ratos normais, tanto aos nove meses como aos 12 meses de idade. "Mesmo que a doença tenha progredido, a fisetina foi capaz de continuar a prevenção de sintomas", afirma Maher.

Posteriormente, em colaboração com cientistas da Universidade da Califórnia (San Diego - EUA), a equipe de Maher testou os níveis de moléculas diferentes no cérebro dos ratos que receberam doses de fisetina e dos que não tinham recebido. Nos ratos com sintomas de Alzheimer, as vias envolvidas na inflamação celular foram ativadas. Nos animais que tinham tomado a fisetina, as vias foram atenuadas e substituidas por moléculas anti-inflamatórias.

A proteína conhecida como p35 foi impedida de se tornar uma versão mais "curta" quando era tomada fisetina. A versão abreviada da p35 é conhecida por ligar e desligar várias outras vias moleculares. Os resultados foram publicados a 17 de dezembro de 2013, na revista científica sobre envelhecimento "Aging Cell". A equipa de Maher agora espera entender, com mais detalhe, como a fisetina afeta a memória e se há outros alvos para além da p35. "Pode ser que compostos como este que tenham mais de um alvo sejam mais eficazes no tratamento da doença de Alzheimer", especula Maher.

O objectivo agora é testar se a fisetina pode reverter declínios na memória, quando eles já tenham aparecido.