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Venho trazer-vos um testemunho que gostava muito que ajudasse todos os que, de uma forma ou de outra, estão a lidar com a doença de Alzheimer. A doença de Alzheimer era a última coisa que eu e os meus irmãos achávamos que pudesse alguma vez afectar uma pessoa com o perfil da nossa Mãe.
Venho por este meio dar a conhecer o meu testemunho que é mais um desabafo, desabafo esse, que não consigo partilhar com as pessoas de que gosto por ficar com a voz embargada de emoção, com uma dor no peito e uma angústia enorme de estar a perder um ser maravilhoso, que me deu a vida ? a minha mãe.
Gostava apenas de partilhar que o meu pai sofre de Alzheimer e de Parkison desde à 8 anos.. tem sido uma longa e dolorosa caminhada, em que muitas as vezes nós familiares se vão abaixo e acabam tb por sofrer de depressões.
Em 1984 o meu marido começou a ter alguns comportamentos fora do normal, como por exemplo, não sabia para que era o prato ou os talheres e mesmo peças de vestuário.
Faz hoje um mês que o meu Pai faleceu. É com muita mágoa e tristeza, que estou a escrever o que sinto e a descrever o que aconteceu.
Ester esquecera tudo. Ou quase tudo. Apenas não o sabia. Todos os dias se levantava cedo, puxava os lençóis para trás e punha a cama a arejar.
Soube depois, muito tempo depois. Era já tarde. Demasiado tarde. E essa dor, mais do que magoar, arde. Soube que ela há muito vivia com o meu pai.
Em primeiro lugar gostaria de glorificar todos os cuidadores de doentes com Alzheimer, pois é preciso ter muita coragem e força de vontade para se enfrentar uma doença como esta.
Querida Lembrança: Há muito que te queria enviar esta carta, mas o esquecimento apodera-se de mim nos momentos em que o poderia fazer. Deve ter-se esquecido de me esquecer hoje.
Gostaria de partilhar com todos os cuidadores um pouco da minha experiência ao longo dos anos em que acompanhei de perto a minha mãe, até ao seu falecimento no passado mês de Agosto.