Pesquisa

Sou filha de uma doente de Alzheimer cuja doença se prolonga há mais de 12 anos.
Se calhar nunca vais ler estas minhas palavras, mas este sentimento de que tanta coisa gostaria de te dizer e de te ter dito, não me abandona.
É com tristeza que informo que o meu pai, senhor Alfredo Augusto Dias, faleceu no passado dia 15 de Dezembro, depois de prolongada doença, que caracteriza a doença de Alzheimer, sendo particularmente difíceis nos últimos dois anos, apesar dos cuidados tidos para retardar o mais possível a sua evolução.
Não é fácil resumir tudo o que senti como cuidadora de uma doente de Alzheimer ? a minha Mãe. É uma experiência que pode ser abordada a partir de diferentes perspectivas.
Faz hoje 2 meses que perdi a minha mãe e pensei dar o meu testemunho sobre o que passei com ela durante estes 3 últimos anos.
Desde já agradeço imenso que leiam este meu "desabafo", o qual é feito com muita e indescritível dor e sofrimento, não só pelo que sofri e ainda sofro, mas sobretudo pelo sofrimento por que passou a Brígida Maria Mira, falecida no passado dia 14 de Fevereiro, minha mãe.
Muitas das fases por que passamos na vida ? doenças, mudanças familiares entre outras, são, umas vezes positivas e outras nem por isso. O resultado em diversas ocasiões, está dependente da atitude com que encaramos em os desafios que se nos defrontam.
O último número da nossa Revista pedia a colaboração de outros associados e leitores, para melhor intercâmbio e diversificação das notícias. Aqui está a minha simples colaboração porque também "amo" a nossa Revista.
A Doença de Alzheimer provoca um marcado sentimento de solidão nos cuidadores das vítimas daquela patologia. Como cuidadora do meu marido e sócia da APFADA senti a necessidade de apoio de voluntariado e, sempre que me dirigia à Associação, pedia para ser visitada por alguém.
Sou professora e voluntária na Delegação da Madeira da APFADA, com ligação familiar a Doentes de Alzheimer.