Pesquisa

Alzheimer Europe alerta para a urgência de reconhecimento da Demência como prioridade

Movimento Europeu sobre as Demências
Relatório apresenta recomendações em 4 áreas: Saúde, Social, Política e Investigação
Autor Tatiana Nunes 
Data 09-12-2020 
Alzheimer Europe alerta para a urgência da União Europeia e Estados Membros reconhecerem a Demência como uma prioridade


A Alzheimer Europe publicou hoje o Relatório “Dementia as a European Priority A policy overview 2020” onde apresenta um conjunto de recomendações dirigidas à União Europeia e aos Governos de cada país, estruturadas em 4 áreas: Saúde, Social, Política e Investigação.

Na área da Saúde, destaca-se a importância de priorizar a Demência nas políticas para as doenças crónicas, saúde mental e envelhecimento e apoiar a formação dos profissionais de saúde e da área social para assegurar a melhor qualidade de serviços às Pessoas com Demência.

Na área da Política, sublinha-se urgência do contributo do Estado para a implementação  do Plano de Ação Global para a Demência 2017-2025 da Organização Mundial de Saúde.

No que respeita à área da Investigação, a recomendação é que se priorize a demência nos Programas de Investigação da União Europeia (incluindo o Horizon Europe), promovendo uma alocação justa de recursos e financiamento para os programas existentes e uma melhor coordenação entre os programas.

Finalmente, na área Social, destaca-se a importância de reconhecer a Demência como uma deficiência e de a incluir nas políticas para a deficiência e o reconhecimento do impacto da Demência nos cuidadores informais, com apoios e serviços adequados para garantir a sua saúde e bem-estar.  

A Alzheimer Portugal, membro efetivo da Alzheimer Europe e integrando a sua Direção, subscreve todas as suas recomendações. O principal objetivo do documento é fornecer uma visão geral abrangente do contexto atual da política em relação à Demência, examinando as ações mais relevantes dos últimos anos, refletindo sobre o trabalho da Alzheimer Europe, do Movimento Europeu sobras as Demências e sobre as diferentes ações e iniciativas da UE. Aborda ainda os progressos de cada país e os desafios em curso a enfrentar.

É evidente que houve uma grande evolução na abordagem ao tema da Demência na última década, mas ainda há muito por fazer. De facto, a Demência não tem recebido o mesmo nível de atenção que outras doenças e problemas de saúde pública na política da UE, nem no Conselho da União Europeia, nem nas publicações e comunicações oficiais da Comissão Europeia. 

“Durante a crise da COVID-19, a situação precária das Pessoas com Demência, Cuidadores e aqueles que trabalham na área de demência foi ainda mais exposta. As Pessoas com Demência e seus Cuidadores passaram por um conjunto de circunstâncias particularmente difíceis durante a pandemia, pois o apoio e a proximidade que são vitais para a manutenção da saúde e do bem-estar de todos aqueles que vivem com demência foram reduzidos ou interrompidos. A pandemia mostrou como o progresso pode ser interrompido ou perdido rapidamente. Com a pandemia, as doenças transmissíveis e as vacinas estão a dominar as discussões a nível da UE, existindo o perigo real de que doenças como a demência se tornem menos prioritárias. Se isso acontecer, corremos o risco de perder, no espaço de meses, um progresso que levou anos para ser construído”, refere Jean Georges, Diretor Executivo da Alzheimer Europe*. 


Em Portugal:
Quanto a Portugal, depois de tantos anos a fazer pressão para a elaboração de uma estratégia nacional para as Demências, finalmente publicada em 2018, os planos regionais que a operacionalizam já foram elaborados, mas continuam sem ser publicados. Assim, urge dar este passo para contribuir efetivamente para a melhoria da qualidade de vida das Pessoas com Demência e dos seus Cuidadores.

 “A Demência não se torna uma prioridade apenas com a publicação de uma estratégia nacional. A Demência só se torna uma prioridade com a implementação de medidas efetivas, desde a fase pré-diagnóstico até aos cuidados de fim de vida, numa lógica de proximidade e de integração de cuidados”, salienta Maria do Rosário Zincke dos Reis, membro da Direção da Alzheimer Portugal e representante da Associação na Alzheimer Europe.

“A pandemia da COVID-19 relegou para segundo plano a implementação da Estratégia da Saúde na Área das Demências, com prejuízos irreparáveis para as pessoas que vivem com demência”, acrescenta Maria do Rosário Zincke dos Reis.

Por outro lado, é ainda urgente acelerar a efetiva implementação do Estatuto do Cuidador Informal, concretizando todas as medidas de apoio nos 30 concelhos dos projetos piloto e planear, com brevidade, a sua expansão a todos os municípios do país, após uma avaliação crítica do impacto real na vida dos Cuidadores e das pessoas cuidadas. 


Prevalência da Demência:
Em Portugal, existe um ligeiro decréscimo da população portuguesa para o período 2018-2025, seguido de um decréscimo mais acentuado entre 2025 e 2050. Apesar do decréscimo da população, o número de Pessoas com Demência irá quase duplicar: de 193 516 em 2018 para 346 905 em 2050.
A média da prevalência da Demência na Europa é de 1.73% da população. Em Portugal é de 1.88%, apenas ultrapassada por Itália, Grécia e Alemanha. Em 2025 este número vai aumentar para 2.29%  e em 2050 para 3.82% (Alzheimer Europe, 2019).
Um fator determinante desta mudança será um aumento significativo do número de pessoas com mais de 70 anos e, em particular, a faixa das pessoas com mais de 85 anos a qual mais do que duplicará entre 2018 e 2050.


Relatório  “Dementia as a European Priority A policy overview 2020” 
O relatório completo pode ser consultado no website da Alzheimer Europe:


* "During the COVID-19 crisis, the precarious position of people with dementia, carers and those working in the field of dementia has been further exposed. People with dementia and their carers have experienced a particularly difficult set of circumstances during the pandemic, as the support and connections which are so vital to maintaining the health and wellbeing of individuals living with dementia, have been reduced or halted. The pandemic has shown just how quickly progress can be halted or lost.
With the pandemic, communicable diseases and vaccines dominating discussions at an EU level, there is a real danger that conditions such as dementia will become deprioritised. If this happens, we risk losing, in the space of months, progress which has taken years to build."