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Casos de demência em Portugal vão mais do que duplicar nos próximos 30 anos

Notícias - Online
Autor Tatiana Nunes 
Data 03-03-2020 
Demência afeta 10 milhões de pessoas na Europa, dois terços delas mulheres. O mais recente relatório da Alzheimer Europe aponta uma redução significativa em relação a estudos anteriores. Ainda assim, as perspetivas de futuro não são animadoras.

A Europa tem quase 10 milhões de pessoas com demência, dois terços delas mulheres. Segundo o Relatório da Alzheimer Europe, divulgado esta terça-feira no Parlamento Europeu, há ainda assim uma redução significativa relativamente à registada em estudos anteriores, o que pode ser atribuído a estilos de vida mais saudáveis, melhor educação e controlo dos fatores de risco cardiovascular.

Contudo, nos próximos anos a prevalência deverá aumentar e em 2050, a percentagem de pessoas com demência poderá ser sensivelmente o dobro. Em Portugal, referem as estimativas, mais do que duplicará. Hoje são já quase 194 mil. É preciso apostar no tratamento e prevenção.

O Relatório da Alzheimer Europe refere cerca de 194 mil casos de demência em Portugal em 2018, mais de dois terços atingindo mulheres. Neste ponto, o nosso país não escapa à tendência da Europa, com a doença a afetar desproporcionalmente as mulheres. No geral, 1,88% da população europeia é atingida por algum tipo de demência, com predominância para a Doença de Alzheimer.

Mas as perspetivas para os próximos anos não são animadoras. O número de casos vai aumentar, atingindo os 230 mil já daqui a cinco anos, em 2025.


Demências vão crescer na Europa e ainda mais em Portugal
Em 2050, Portugal deverá ultrapassar a tendência de duplicação dos outros países da Europa. O estudo prevê a existência de 347 mil casos, afetando 3,82% da população portuguesa, que nessa altura terá menos 1 milhão e 300 mil indivíduos do que atualmente (10 291 027 pessoas em 2018; 10 060416 em 2025 e 9 084 763, em 2050).

Isto significa que haverá um crescimento exponencial da prevalência das demências, sobretudo acima dos 80 anos – e sempre com maior impacto entre o género feminino.

Daqui a 30 anos, e de acordo com o mesmo relatório hoje divulgado, 77% dos doentes com demência acima dos 80 serão mulheres e depois dos 90, o número de mulheres em que a doença se manifesta deverá ser mais do triplo do que o dos homens.

Na Europa – incluindo os 27 da União Europeia mais o Reino Unido, Bósnia, Islândia, Israel, Montenegro, Macedónia do Norte, Noruega, Suiça e Turquia – há quase 10 milhões de pessoas com demência. Ainda assim, a prevalência nos países da União Europeia é o dobro (1,73%) da registada nos países não-comunitários (0,81%).

Em 2050 o número vai quase duplicar, atingindo 14,3 milhões de cidadãos na União Europeia e 19 milhões no total de países abrangidos pela investigação da Alzheimer Europe.


É preciso agir e prevenir
O relatório conclui que esta realidade irá pressionar ainda mais os cuidados de saúde e os serviços de apoio, a menos que sejam identificadas melhores formas de tratamento e prevenção deste tipo de doenças.

Por isso, o diretor executivo da Alzheimer Europe, Jean Georges, considera que “os governos devem assegurar que os seus sistemas de saúde e de cuidados estão preparados, sendo necessários maiores investimentos na investigação para tratamento e prevenção da demência”, para que os doentes e as suas famílias e cuidadores tenham acesso aos cuidados de alta qualidade e centrados na pessoa.

O Anuário da Alzheimer Europe realça ainda limitações significativas na investigação disponível ou a sua inexistência, nomeadamente em relação à prevalência de pessoas jovens com demência (menos de 65 anos); prevalência dos diferentes tipos de demência; número de pessoas afetadas nos diversos estádios, incluindo as com défice cognitivo ligeiro; e a prevalência da demência em pessoas de minorias étnicas.

"Estes dados são muito alarmantes, não havendo tempo a perder na criação e implementação de políticas para as pessoas com demência e seus cuidadores", refere em comunicado a representante da Alzheimer Portugal na Alzheimer Europe.
Para Rosário Zincke dos Reis, é preciso fazer uma forte aposta na prevenção, combater a iliteracia em saúde e mudar a forma como as pessoas veem a demência.


Fonte: Renascença | 18.02.2020