Pesquisa

Relatório Alzheimer’s Disease International 2020

Sociedade
O mais recente relatório da Alzheimer's Disease International “From Plan to Impact III”, sobre Manter a demência como prioridade em tempos sem precedentes
Autor Tatiana Nunes 
Data 02-07-2020 
A semana passada, foi divulgado o mais recente relatório da Alzheimer's Disease International “From Plan to Impact III”, sobre "manter a demência como prioridade em tempos sem precedentes".


Este relatório fornece uma visão geral das atuais respostas nacionais à demência em todo o mundo, focando-se no Plano de Ação Global da Organização Mundial de Saúde que contém 7 linhas de ação:
1. Demência como prioridade de saúde pública
2. Consciencialização sobre demência e “friendliness”
3. Reduzir Risco Demência
4. Diagnóstico, tratamento, cuidados e suporte
5. Suporte para cuidadores
6. Sistema de Informação para Demência
7. Pesquisa e Inovação sobre Demência

No âmbito do ponto 2: Consciencialização sobre demência e "friendliness", surge mencionada a Campanha Amigos na Demência, da Alzheimer Portugal, como parte do Movimento Global Dementia Friends.


Como se pode ler no prefácio, pelas palavras de Paola Barbarino, Diretora Executiva da ADI, “Tudo mudou desde que a COVID-19 se tornou a maior pandemia a nível global em várias gerações.
A maior taxa de mortalidade causada pelo vírus nas pessoas com mais de 65 anos e nas pessoas com situações subjacentes (particularmente, com doenças não transmissíveis), e – mais assustador - entre os residentes em lares, veio colocar em destaque a forma como aqueles que defendemos pertencem a um dos grupos mais vulneráveis a nível global. Assim como a um dos grupos menos  valorizados.
Ficámos incrédulos quando começaram a aparecer  cada vez mais relatórios – primeiro a partir das Filipinas e de Itália e depois de todo o mundo – relativamente às decisões de triagem a que os médicos eram obrigados aquando da admissão de doentes nos cuidados intensivos. (…)
O  distanciamento social tem resultado em problemas de saúde mental e física para muitos dos que se encontram nas  categorias “de risco” que nunca tinham tido necessidade de estarem confinados.”

A Diretora Executiva, escreve também que: 
“Há outros assuntos que estão a perturbar e a preocupar a ADI:
A possível interrupção de ensaios clínicos – isto ao fim de tantos anos de espera e quando começávamos finalmente a ter esperança no aparecimento de fármacos inovadores. Que impacto irá tudo isto ter num sector que estava timidamente a permitir-se sonhar com uma solução que, embora não sendo a resposta para todos os problemas, iria certamente galvanizar o investimento e a investigação numa área de que tantas farmacêuticas tinham desistido?

A interrupção dos processos de diagnóstico, quer por as famílias estarem demasiado assustadas para recorrerem aos cuidados de saúde primários, quer porque é interrompida a prestação de  cuidados especializados. Sendo que nada  interrompe o curso da demência, que continua a ser uma das maiores causas de morte no século XXI e uma das doenças menos diagnosticadas do mundo. O que irá acontecer às famílias e às pessoas que vivem com demência que não terão capacidade para se prepararem para o que está para vir nem para receberem o apoio pós-diagnóstico de que necessitam, agora mais do que nunca?

A interrupção de cuidados de saúde, de apoios sociais ou outros. Quando serão retomados presencialmente estes serviços, se é que alguma vez tal irá acontecer? Cada vez mais pessoas estão a ser deixadas sós para combater o que se  sente ser   um obstáculo intransponível.

Ainda mais preocupante é a possibilidade dos governos, já relutantes em reconhecer a crise da demência nos seus países, poderem vir a utilizar a pandemia como desculpa para adiarem soluções para sempre. Três anos após a aprovação do Plano de Ação Global para as Demências da OMS, os progressos (e o financiamento!) continuam morosos, o que leva muitos dos que se batem pela demência a manifestar a sua frustração.
Mas, tal como a COVID-19 tem demonstrado à escala do que temos vindo a falar – mais de 50 milhões de pessoas com demência a nível global –, apenas os governos poderão encontrar soluções."

Neste relatório é referida a importância tanto do movimento global Dementia Friends, no qual Portugal participa com a campanha Amigos na Demência, tão importante para aumentar o seu conhecimento e diminuir o estigma associado às demências, como dos Cafés Memória, que “têm sido um balão de oxigénio durante este período tão difícil.” não só para Pessoas com Demência como para familiares e cuidadores.

No capítulo referente à consciencialização sobre demência e “friendliness” é destacado o mote “Amigos na Saúde e na Demência”, que juntou algumas figuras públicas para dar voz a esta causa, relembrando que a amizade é muito mais do que a capacidade de recordar bons momentos. Em todo o mundo há já quase 19 milhões de Dementia Friends, sendo que, em Portugal, somos quase 3700 Amigos. 

Em Portugal, os Cafés Memória presenciais deram lugar ao Café Memória Fica em Casa, com a realização de sessões virtuais semanais em que participam várias pessoas com demência, familiares e cuidadores.


Veja o relatório completo aqui