
O Projeto Cuidar Melhor, a Associação Alzheimer Portugal e a Fundação Calouste Gulbenkian, organizam, no próximo dia 19 de outubro, a 3.ª edição do Encontro de Profissionais “Cuidados a Prestar na Demência – uma abordagem prática integrada”.
Este evento destina-se a profissionais , tais como, médicos, enfermeiros, psicólogos, fisioterapeutas, psicomotricistas, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais que pretendam aprofundar os seus conhecimentos na área das demências.
O objetivo do encontro é abordar o tema da prestação de cuidados na áreadas demências, de um ponto de vista prático e integrado. Para o efeito, serão apresentados casos para discussão e realizados três workshops que irão permitir aos profissionais dialogar e partilhar experiências e dúvidas..
Para Catarina Alvarez, coordenadora do projeto Cuidar Melhor, “os profissionais que prestam serviços a pessoas com demência demonstram um interesse cada vez maior em obter mais informação acerca do tema, além da necessidade de se tornarem mais qualificados perante um número crescente de clientes/utentes a vivenciarem esta problemática. Antecipamos que este evento consista numa excelente oportunidade de aprendizagem e reflexão. Já se esgotaram as inscrições.”.
Além da componente formativa, o programa deste ano conta com especialistas nacionais e internacionais, dos quais se destacam Jean Georges, Diretor Executivo da Alzheimer Europe, George McNamara, responsável pelos assuntos políticos e relações públicas da Alzheimer’s Society, e António Leuschner, Médico Psiquiatra e Presidente do Conselho Nacional de Saúde Mental que irão fazer um ponto de situação sobre a prestação de cuidados às pessoas com demência na Europa, no Reino Unido e em Portugal.
Segundo Catarina Alvarez: “No nosso país, a perceção pública tem vindo a aumentar progressivamente mas o processo de consciencialização é demasiado lento face à dimensão do problema. A Doença de Alzheimer e outras demências ainda não são consideradas uma prioridade, tanto do ponto de vista social, como de saúde pública. Falta implementar uma estratégia nacional para fazer face a esta problemática, que ninguém contesta ser cada vez mais relevante. Ainda subsiste o estigma e a falsa crença de que não havendo cura, não há nada a fazer por estas pessoas, o que frequentemente impede uma intervenção mais precoce e eficaz”.
João Carneiro da Silva, Presidente da Direção da Associação Alzheimer Portugal afirma que “O projeto Cuidar Melhor é uma iniciativa da maior importância para que em Portugal se crie uma rede de apoio aos doentes com demência e aos cuidadores destes e tem sido uma das vias em que a Alzheimer Portugal tem apostado, neste caso e especialmente com as Fundações Gulbenkian e Montepio, a Universidade Católica e os Municípios já envolvidos, para dar o seu contributo no combate às consequências muito dolorosas causadas por este problema de saúde publica.
Mas são precisos muito mais parceiros e um em especial, o Estado, tem de dar um contributo essencial que outros estados, nomeadamente na Europa já deram – apresentar, pôr à discussão, fazer aprovar e implementar o Plano Nacional para as Demências, que identifique aos portugueses qual a realidade atual, os objetivos a alcançar, o planeamento do que há que fazer, financiamento, quem faz, entidades públicas e privadas, entre as quais a Alzheimer Portugal quer continuar a estar, desde que começou há 28 anos.
O Governo não pode adiar mais esta falta pois tem obrigações para com os doentes e cuidadores em área onde os apoios públicos são tão escassos e dispersos, em contraponto com a alegada qualidade dos sistemas de saúde em Portugal”.
A Fundação Calouste Gulbenkian tem promovido projetos-piloto direcionados para os cuidadores familiares e profissionais de pessoas com demência, desde 2009. Como refere Luísa Valle, Diretora do Programa Gulbenkian de Desenvolvimento Humano, “é aos familiares que está acometido um papel fundamental na prestação de cuidados a estes doentes. São eles que assumem muitas vezes este papel sem que para tal tenham a devida supervisão e preparação do ponto de vista técnico, dos procedimentos adequados, e o suporte emocional. É reconhecido que a manutenção destes doentes nas suas casas tem vantagens para o doente e para o próprio sistema. Porém, acreditamos que esta resposta informal, no contexto da esfera familiar, com toda a carga que lhe está associada, poderá ser otimizada se forem garantidos os apoios, a capacitação e o acompanhamento daqueles que o cuidam, que também precisam de ser cuidados”.
As demências no mundo e em Portugal
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a demência consiste numa síndrome que provoca deterioração da memória, do raciocínio, do comportamento e da capacidade de desempenhar as atividades de vida diária.
De acordo com a referida organização internacional, estima-se que existem 47.5 milhões de pessoas com demência no mundo e 7.7 milhões novos casos todos os anos, sendo que a doença de Alzheimer constitui o tipo mais comum de demência e corresponde a 60-70% dos casos.
Segundo a mesma fonte, as demências afetam sobretudo pessoas mais velhas e constituem uma das maiores causas de incapacidade e dependência entre os idosos. Contudo, não fazem parte do envelhecimento normal. Esta problemática tem impacto do ponto de vista físico, psicológico, social e económico nos cuidadores, nas famílias e na sociedade.
De acordo com os dados publicados pela Alzheimer Europe (2012), estima-se que existam em Portugal cerca de 182.000 pessoas com demência (representando 1,71% da população portuguesa).
Sobre o Projeto Cuidar Melhor
O Projeto CUIDAR MELHOR visa contribuir para a inclusão e promoção dos direitos das pessoas com demência, bem como para o apoio e valorização dos familiares e profissionais que lhes prestam cuidados.
Este projeto resulta da iniciativa conjunta da Associação Alzheimer Portugal, da Fundação Calouste Gulbenkian e Fundação Montepio e do Instituto de Ciências da Saúde da Universidade Católica Portuguesa. Conta ainda com o apoio da Sonae Sierra, da Companhia de Seguros Lusitania e dos Municípios aderentes Cascais, Oeiras e Sintra, onde funcionam os Gabinetes de Apoio abertos à comunidade.