
No passado dia 22 de Janeiro, no Parlamento Europeu, o ”European Institute of Women’s Health (EIWH)” lançou uma importante iniciativa corporizada no documento: “Position Paper on Women and Dementia: Addressing the disproportionate burden of dementia on women”.
Na mesma ocasião, foi lançado o Conselho Consultivo daquele Instituto. Deste fazem parte: Mercè Boada, da Fundação ACE, Maria do Rosário Zincke dos Reis, da Alzheimer Portugal, Stecy Yghemonos, Director Executivo da Eurocarers, Julia Wadoux, Coordenadora de Política e Projectos da Age-Platform EU e Fréderic Destrebecq, do European Brain Council.
Estiveram presentes várias deputadas do Parlamento Europeu, nomeadamente Marisa Matias que recentemente conseguiu fazer aprovar neste Parlamento uma proposta de Resolução sobre a Igualdade de Género e as Políticas Fiscais na UE*.
Existem pelo mundo várias iniciativas focadas na Mulher e na Doença de Alzheimer mas nada há a nível europeu. Por esta razão, o EIWH pretende preencher esta lacuna e colocar o tema nas agendas europeias sobre saúde, aspetos sociais e investigação.
O “Position Paper” debruça-se sobre a forma desproporcionada como as mulheres são atingidas pela Doença de Alzheimer, quer como pessoas com demência, quer como cuidadoras.
Há muito mais mulheres que vivem com demência do que homens, não só porque são mais e têm uma maior longevidade, mas também porque parece estar demonstrado que a biologia tem impacto no desenvolvimento da doença e ainda porque os fatores de risco são mais dominantes nas mulheres.
No documento, pode ainda ler-se que as mulheres apresentam sintomas mais pronunciados que os homens e que a doença progride mais rapidamente. São também as mulheres que mais receiam vir a desenvolver demência, têm menor probabilidade de vir a receber adequados cuidados sociais e de saúde após o diagnóstico e maior probabilidade de ficarem financeiramente dependentes dos homens.
Acresce que a maioria dos cuidadores formais e informais são mulheres, verificando-se uma tendência muito maior para desenvolverem trabalho não pago ou mal pago.
O documento termina com recomendações dirigidas a decisores políticos e a governos nacionais, considerando que têm o poder de enfrentar os desafios da demência de uma forma “sensível ao género”, utilizando diversos mecanismos:
– Apoiando o desenvolvimento de uma Estratégia Europeia para a Demência;
– Assegurando financiamento contínuo para a investigação médica e social por forma a melhor se perceber como prevenir, curar e cuidar de pessoas com demência;
– Atuando como Embaixadores, a nível nacional e europeu, sensibilizando e apoiando ações, incluindo o reforço dos sistemas de cuidados sociais e de saúde para pessoas com demência e seus cuidadores.
A Alzheimer Portugal acredita ser urgente sensibilizar os decisores políticos para os desafios sociais e de saúde que as mulheres que vivem com demência ou que cuidam de alguém com demência enfrentam, desde logo no que toca à conciliação da vida profissional com a tarefa de cuidar, algo que vem consagrado na Constituição da República Portuguesa (Art. 67º, nº 2 h)) mas que se fica por aí.
Por esta razão, entendeu participar na iniciativa do “European Institute of Women’s Health (EIWH)”, recomendando vivamente a leitura integral do documento** e continuando a participar nas futuras ações a desenvolver, nomeadamente por altura do Dia da Mulher e no âmbito das eleições europeias.
* https://www.europarl.europa.eu/sides/getDoc.do?type=REPORT&reference=A8-2018-0416&language=PT
** https://eurohealth.ie/burden-of-dementia-on-women/