No dia 5 de maio, a Direção Executiva do Plano Nacional da Saúde para as Demências (PNSD) realizou um workshop dedicado ao percurso da Pessoa com Demência, com a apresentação de boas práticas por parte de sete Unidades Locais de Saúde de todo o país, contando com a presença de muitas mais representadas por médicos psiquiatras e neurologistas, e acompanhada pela Associação Alzheimer Portugal presente na audiência.

O encontro foi aberto pelo Dr. Manuel Caldas de Almeida com uma nota de determinação: “hoje é o primeiro dia do resto das nossas vidas”, uma frase que sintetizou bem o espírito do dia, marcado por uma vontade clara de passar do plano à ação.

A demência foi reconhecida como uma questão urgente de saúde pública que exige uma resposta verdadeiramente integrada entre os setores da saúde e social. A Direção Executiva sublinhou o seu compromisso em potenciar o trabalho já desenvolvido no terreno e reforçou que 2026 será um ano essencial para a consolidação das respostas nas ULS. O novo despacho de governação prevê a aplicação dos fundos do PRR em três eixos:

  • Consciencialização e desmistificação da demência;
  • Capacitação de profissionais dentro e fora do SNS, com especial enfoque na formação de técnicos de ERPI e centros de dia, essenciais para garantir uma resposta de qualidade e equidade no acesso aos cuidados;
  • Implementação de percursos de cuidados integrados adaptados a cada realidade local.

As sete ULS – Santo António, Matosinhos, Coimbra, Aveiro, Lisboa Ocidental, Amadora Sintra e Baixo Alentejo – apresentaram os seus modelos de resposta, revelando uma diversidade de abordagens que reflete as diferentes realidades do território, mas também uma convergência em torno dos mesmos princípios: integração de cuidados, proximidade à pessoa com demência e ao cuidador, e articulação com o setor social. Entre os modelos partilhados, destacaram-se o Centro de Responsabilidade Integrada de Cognição e Demências de Matosinhos, o Programa Viver com Demência e o projeto CogPal de Lisboa Ocidental, a articulação com ERPI desenvolvida em Coimbra, e o trabalho de proximidade e apoio a cuidadores nas várias regiões.

O workshop identificou também os principais desafios que persistem, nomeadamente, tempos de espera elevados para uma primeira consulta em algumas regiões, cobertura médica insuficiente em determinadas áreas, falta de estruturas residenciais para pessoas mais novas com demência, e a necessidade urgente de circuitos dedicados nas urgências para doentes com patologia cognitiva. São problemas conhecidos e é precisamente por isso que o workshop se configurou como um primeiro espaço e momento de diálogo, com a finalidade de definir os próximos passos concretos entre ULS, incluindo partilha de modelos e replicação de boas práticas.

Para a Associação Alzheimer Portugal, este workshop reforça a importância de uma colaboração estreita e contínua com as ULS, no sentido de garantir que a voz e as necessidades das pessoas com demência e dos seus cuidadores estão presentes em cada decisão, percurso e em cada resposta que o sistema constrói. É nesta articulação entre o que as ULS fazem no terreno e o que a Alzheimer Portugal conhece da realidade vivida, que reside grande parte do potencial para melhorar efetivamente a vida de quem vive com demência em Portugal.

A mensagem com que o dia terminou é a mesma com que começou: o plano começa agora, o trabalho colaborativo é essencial, e cada pessoa com demência – cada doente individual – importa muito.

A Alzheimer Portugal, membro da Comissão Executiva do PNSD, congratula-se com a sua implementação que visa permitir acesso equitativo a cuidados específicos e especializados a Pessoas com demência e seus cuidadores.

11.05.2026