“É uma boa notícia, mas sou muito prudente em relação a resultados futuros.
O Aducanumab foi um dos múltiplos anticorpos monoclonais que diversas empresas farmacêuticas colocaram em ensaios clínicos realizados ao longo dos últimos anos.
Como todos nos recordamos, o Aducanumab, após os ensaios de Fase III, foi abandonado em 2019. E mais tarde foi recuperado porque, numa segunda análise dos ensaios, em certos grupos de doentes e de doses do medicamento, pareceria haver alguns resultados positivos.
Agora, este reconhecimento é uma aprovação acelerada da FDA, após análise dos dados dos ditos ensaios, e baseada no reconhecimento de uma possível atividade benéfica , em certas doses e em certos doentes, da ação do medicamento para reduzir o amilóide na Doença de Alzheimer.
A aceitação destes resultados e desta aprovação não é consensual, apesar de todos estarmos à espera de boas notícias. Há algum receio que esta aprovação possa ocasionar um abrandamento na continuação do imenso trabalho de investigação que a procura de novos tratamentos para a doença de Alzheimer desencadeou nas últimas décadas.
Haverá mesmo um compromisso da farmacêutica em patrocinar novos ensaios para confirmação dos resultados preliminares.
Como diz a Biogen: “A aprovação a longo prazo de aducanumab como um tratamento indicado para a doença de Alzheimer pode depender da verificação do benefício clínico em ensaio(s) confirmatório(s)”.
As autoridades do medicamento europeias irão certamente analisar estes resultados.
Creio que ainda não poderemos anunciar para já a sua comercialização, nem afirmar que, finalmente, temos o medicamento “definitivo” para o tratamento da DA. Porém, os resultados positivos são uma boa notícia.
Continuaremos a acompanhar este assunto com o interesse de que se reveste para todos nós”
Dr. Celso Pontes 
Coordenador da Comissão Científica da Alzheimer Portugal


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