Temos de reconhecer a existência de um assinalável esforço de investigação por parte das companhias farmacêuticas na procura de novas terapêuticas farmacológicas para a doença de Alzheimer, esforço em que vários centros académicos e hospitalares em Portugal têm participado. Regista-se também o compreensível propósito de intervir em fases cada vez mais precoces do processo neurodegenerativo.

Grande parte dos estudos que se propõem contrariar a evolução da doença elege como alvo terapêutico o péptido Beta-amilóide, considerado responsável pelo desencadear da cascata de eventos patogénicos conducentes à degenerescência e morte neuronal na doença de Alzheimer. Um estudo com um anticorpo monoclonal dirigido contra o péptido Beta-amilóide, o gantenerumab (estudo Scarlet RoAD), patrocinado pela Roche, em doença de Alzheimer prodrómica, foi infelizmente interrompido no final do ano passado na sequência de análise intermédia de futilidade. O estudo com o mesmo medicamento experimental, gantenerumab (estudo Marguerite RoAD), em doença de Alzheimer ligeira, continua ainda. Decorre um importante estudo de fase 3 em pacientes com doença de Alzheimer ligeira a moderada, com um medicamento da Merck, Sharp & Dohme, designado MK-8931 (estudo EPOCH), uma molécula deveras promissora porque inibe a Beta-secretase, supondo-se assim que impeça a formação do péptido Beta-amilóide. Está planeado para breve um novo estudo com o mesmo medicamento experimental, mas agora em pacientes com doença de Alzheimer prodrómica. Foram recentemente conhecidos resultados muito auspiciosos do estudo de fase 1B intitulado PRIME, com o anticorpo monoclonal com particular afinidade para o péptido Beta-amilóide fibrilhar, designado BIIB037, rebaptizado aducanumab, da Biogen, esperamos conseguir que o nosso país possa participar no próximo estudo com este medicamento em doença de Alzheimer prodrómica.

Também a procura de novos medicamentos sintomáticos tem envolvido os centros de investigação portugueses. Terminaram estudos com dois antagonistas dos receptores H3 para a histamina, o medicamento experimental SAR110894D, da Sanofi-Aventis, em doença de Alzheimer ligeira a moderada, e o medicamento experimental S38093, da Servier, em doença de Alzheimer moderada, este último não atingiu as expectativas de eficácia. Decorre um estudo de fase 3 com um fármaco da Lundbeck, designado AE58054, antagonista selectivo dos receptores 5-HT6 para a serotonina, em doença de Alzheimer ligeira a moderada. Finalmente, começará em breve um estudo de fase 2 com um inibidor de uma fosfodiesterase, designado BI 409306, promovido pela Boehringer Ingelheim, em pacientes com doença de Alzheimer prodrómica.

O esforço de desenvolvimento de novos medicamentos para o tratamento da doença de Alzheimer tem sido persistente, e o envolvimento dos centros de investigação no nosso país com certeza notável. Temos contado com a colaboração inestimável e essencial dos doentes e das suas famílias que, muito para além do benefício potencial para a sua saúde e qualidade de vida, promovem a indispensável investigação nesta área clínica. Está bem na altura de podermos dispor de novos medicamentos para o tratamento da doença de Alzheimer.

Fontes:
https://www.clinicaltrialsregister.eu
https://www.ceic.pt/

Alexandre Furtado de Mendonça Montalvo
Isabel Santana
Ana Valverde
Alexandre de Mendonça