
No passado dia 10 de Outubro de 2017, comemorou-se o Dia Mundial de Saúde Mental, evento promovido pela Direção Geral de Saúde.
Durante esta efeméride, o diretor do Programa Nacional de Saúde Mental, Dr. Álvaro de Carvalho, ao fazer uma exposição sucinta sobre o Relatório realizado recentemente sobre este Programa, salientou o seguinte:
– é preciso monitorizar os registos rigorosos dos perfis e comportamentos dos doentes com perturbações mentais, que consultam os Centros de Saúde espalhados por todo o país;
– as pessoas estão a viver mais anos, mas com incapacidades visíveis e crescentes na área da saúde mental, o que implica uma sobrecarga multidimensional para a sociedade;
– é fundamental mais rigor, precisão e qualidade na prescrição medicamentosa na área da saúde mental;
– é necessário aumentar os serviços prestados na área da saúde mental para as crianças/adolescentes e adultos, como forma preventiva;
– é no Alentejo e no Algarve onde acontece o maior número de suicídios, na maioria homens;
– Portugal está a desenvolver progressivamente estratégias corretas no horizonte do que deve ser feito até 2020, mas mesmo assim são necessárias mudanças ainda muito profundas.
De seguida, o Presidente do Conselho Nacional de Saúde Mental, Dr. António Leuschner comentou os resultados daquele Relatório e sublinhou que é necessário criar uma equipa de coordenação da Saúde Mental, mas também salientou que já se fez muito com tão pouco, apesar do muito que é necessário fazer num futuro próximo, nomeadamente com a alocação de mais recursos humanos. É necessário, por exemplo, que se faça a promoção da Saúde Mental junto dos empresários, como seja, acrescentar uma visão mais holística desta problemática. Estas questões foram posteriormente debatidas numa mesa-redonda pelos restantes participantes, com particular enfoque para:
– reforço do papel dos cuidados de saúde primários, através dos médicos de família;
– criação de equipas multidisciplinares;
– prioridade à criação de serviços de proximidade e seu reforço progressivo;
– prioridade à criação de consultas deslocalizadas, com intervenções ao domicílio;
– reinvestimento na prevenção ao nível da adolescência.
A fim de favorecer as medidas acima mencionadas, foram assinados vários protocolos: com a Ordem dos Psicólogos, Câmara Municipal de Cascais, Faculdade de Medicina de Lisboa e ainda com a Unidade de Saúde Local do Baixo Alentejo.
O evento foi encerrado pelo Secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Fernando Araújo, que reforçou a importância a conferir a toda esta problemática.