

Carla Jerónimo
Presidente do Grupo de Trabalho Português de Pessoas com Demência
Eu sou a Carla Jerónimo, vivo no Algarve, mais propriamente na cidade de Portimão.
Por agora, o papel que tem o diagnóstico da demência é de ser apenas um nome, a demência é um título, mas também é um desafio diário.
Com a Associação Alzheimer Portugal desde o primeiro Café Memória tudo mudou na minha vida. A integração no projeto de grupo “Um de nós” da Alzheimer Portugal, que tinha o objetivo de dar voz às pessoas com demência, faz parte da minha história de vida. Sinto-me realizada num grupo tão humano.
Integrei-me neste Grupo de Trabalho Português de Pessoas com Demência para dar voz na primeira pessoa, poder contribuir para o amanhã com a empatia e gratidão pelas pessoas.
Gostaria que as pessoas soubessem que na demência o cérebro ficando afetado, a capacidade de fazer e focar é difícil. Mas isto não nos define, só vai definir quando pararmos. No meio do caos, depende de nós próprios o seguir. Enquanto poder fazer com as minhas mãos, continuarei. Perante o futuro, acredito que vou continuar a transformação em todos os projetos que estou inserida.

Patrícia Béraud
Vice-Presidente do Grupo de Trabalho Português de Pessoas com Demência
Licenciada em Gestão, trabalhei sempre nessa área, e fui muito feliz na minha atividade profissional.
Decidi deixar de trabalhar em finais de 2025, e desfrutar!

Luzia Rosa Filipe
Tenho 82 anos e moro em Loures. Participo no Grupo de Trabalho Português de Pessoas com Demência da Alzheimer Portugal há cerca de 1 ano o que me dá prazer porque me permite aprender novas coisas e interagir com os meus pares.
Trabalhei a maior parte da minha vida profissional como enfermeira no Hospital de St. Maria em Lisboa e agora estou reformada e aproveito para participar na Universidade Sénior de Loures e passar o máximo de tempo com os meus 4 netos.

Maria de Fátima Félix
Maria de Fátima da Cunha Luís Félix, nasceu a 13-05-1953, na cidade da Horta, nos Açores. Formou-se na Escola do Magistério Primário e exerceu funções ao longo de 52 anos como docente do 1º ciclo. Exerceu funções de Diretora de Turma, Diretora de Escola e Coordenadora de Departamento. Integrou na ilha do Faial os projetos da Educação Permanente e de Expressão Plástica como Coordenadora.
O voluntariado ocupou os seus tempos livres, como catequista; como Coordenadora na ilha do Faial da Liga Portuguesa Contra o Cancro. Foi voluntária ao nível da alfabetização no Estabelecimento Prisional da Horta. Integra o projeto
Dress a Girl Around the Word – Portugal e faz parte do Grupo de Trabalho Português de Pessoas com Demência da Alzheimer Portugal.

Maria Albertina Weiss
“O meu nome é Maria Albertina. Sou portuguesa e vivi durante 52 anos na Alemanha. Depois de receber o meu diagnóstico, decidi regressar a Portugal. Senti que este era o lugar onde queria estar, pois acredito que os portugueses são mais carinhosos.
O meu diagnóstico começou a ser identificado com o aparecimento de sintomas semelhantes a um AVC. Foram realizados vários exames e, com o tempo, percebi que aquilo que me estava a acontecer tinha um nome: PRES (Síndrome da Encefalopatia Posterior Reversível), no meu caso não é irreversível. Compreendi que o meu cérebro estava a diminuir e que, com a evolução da doença, iria apresentar sintomas semelhantes aos da doença de Alzheimer. Não foi fácil ouvir esta notícia, mas tive de a aceitar.
Por recomendação de uma amiga, conheci a Edite, uma das primeiras pessoas que me apoiou, e foi fantástico. Conhecer a Associação Alzheimer Portugal e integrar o grupo de estimulação cognitiva foi muito importante para mim. Traz-me alegria vir cá.
A oportunidade de conhecer o grupo nacional de pessoas com demência surgiu através da proposta da Edite e também com o incentivo da minha filha para participar. Achei interessante e, com o apoio certo, decidi embarcar nesta aventura. Quero poder conhecer mais pessoas com o mesmo diagnóstico que eu e trocar experiências com elas.
Gostava que as pessoas soubessem que nem todas as demências são iguais. No meu caso, trata-se de uma forma rara, e cada pessoa vive esta realidade de maneira diferente. Existem várias formas de obter Alzheimer, e não são apenas os esquecimentos que são sinais de demência. No meu caso, é como se o meu cérebro estivesse a diminuir, é uma síndrome que pode causar várias alterações.
O meu futuro é continuar aqui, neste grupo de “loucos” — uma forma carinhosa de me referir aos grupos de estimulação cognitiva. Vamos ver o que o futuro trará. Vejo o copo meio cheio e procuro manter-me positiva.”