
O que é a Demência?
Demência é o nome utilizado para descrever os sintomas de um grande grupo de doenças que provocam um declínio progressivo do funcionamento do cérebro. As pessoas com demência podem apresentar sintomas como perda de memória, dificuldade de comunicação e alterações de personalidade. Podem também ter problemas de pensamento, de comportamento, de reconhecimento das pessoas e para que servem as coisas. Por exemplo, uma pessoa com demência pode olhar para um molho de chaves e não saber que estas são utilizadas para destrancar uma porta. Ela pode dizer coisas que não teria dito no passado.
Durante muito tempo, a pessoa pode parecer saudável por fora, mas, por dentro, o seu cérebro não está a funcionar corretamente.
A demência é uma doença mental?
Não, é uma condição neurológica do cérebro. O nosso cérebro é o nosso centro de controlo e controla tudo o que dizemos, fazemos e pensamos. Tudo, desde respirar para nos manter vivos até saber “morder a língua” quando não queremos ofender alguém, é controlado pelo cérebro. Quando o cérebro está doente, temos problemas com todas as nossas ações, incluindo falar, recordar, tomar decisões, aprender novas competências e compreender informação.
A demência é algo que TODAS as pessoas idosas têm?
Não. Todos nós nos esquecemos das coisas de vez em quando, especialmente quando ficamos stressados. Alguém que não tem demência pode esquecer-se onde colocou o telemóvel. Uma pessoa com demência pode esquecer-se para que serve o telefone.
À medida que as pessoas envelhecem, as probabilidades de desenvolver demência aumentam. No entanto, isto aplica-se a muitas doenças e a demência não é uma “parte normal do envelhecimento”. Nem todas as pessoas idosas desenvolverão demência, e algumas pessoas mais jovens também a desenvolverão. Embora isto não seja tão comum, algumas pessoas desenvolvem demência aos 30, 40 e 50 anos. “Demência de início precoce” refere-se à demência que é diagnosticada numa pessoa antes dos 65 anos.
Como é que os médicos diagnosticam a demência?
Não existe apenas um teste. A demência é difícil de diagnosticar e, quanto mais jovem for a pessoa, mais tempo demora a ser detetada e diagnosticada. Devem ser realizados diversos exames, além da recolha de informações da pessoa, da sua família e de pessoas próximas. Existem algumas doenças que podem parecer demência, mas são tratáveis. Estas doenças precisam de ser descartadas antes que um médico possa diagnosticar a demência. Os médicos não querem diagnosticar alguém com uma doença intratável sem antes descartar todas as outras possibilidades. Como a demência é bastante difícil de diagnosticar, isto significa, geralmente, que as famílias vivem com o impacto da demência muito antes de saberem com o que estão a lidar. Uma vez feito o diagnóstico, o médico pode ser capaz de dizer que uma pessoa tem um “tipo” específico de demência.
Existe cura?
Infelizmente, de momento, não existe nenhum tratamento que possa curar a demência. Existem alguns medicamentos que podem ajudar uma pessoa com demência a pensar com mais clareza, mas não funcionam para todos e não curam a pessoa. Esperamos que, com o trabalho árduo dos médicos e outros investigadores, haja uma cura em breve – ou pelo menos algo que atrase a demência.
Quais são os tipos de demência e como diferem?
Existem mais de 400 tipos diferentes de demência! Uns são mais comuns do que outros. Alguns fatores determinam a forma como os diferentes tipos de demência afetam as pessoas, mas é importante lembrar que cada pessoa é única e, por isso, até duas pessoas com o mesmo tipo de demência podem apresentar sintomas diferentes.
Doença de Alzheimer
A doença de Alzheimer é a forma mais comum de demência. Caracteriza-se por um declínio gradual das funções cerebrais, começando, geralmente, com perda de memória.
No cérebro de alguém com doença de Alzheimer, ocorrem dois problemas: placas e emaranhados dentro e à volta das células cerebrais. As placas são aglomerados anormais de uma proteína denominada beta-amilóide. Estes aglomerados criam placas nas células cerebrais. Tal como a placa nos dentes causa cáries, a placa acumulada à volta das células cerebrais faz com que estas não funcionem corretamente. Os componentes proteicos das placas parecem causar mais danos do que as próprias placas. Os emaranhados são feixes de uma proteína chamada tau, que está torcida. Se uma célula cerebral tiver emaranhados, não funcionará corretamente.
Na doença de Alzheimer, as células cerebrais com placas e emaranhados deixam de se comunicar adequadamente com as outras células e acabam por morrer. Estas placas e emaranhados tendem a acumular-se à volta da parte do cérebro responsável pela criação e recordação de novas memórias.
Com o tempo, estes espalham-se para outras partes do cérebro, criando problemas em várias áreas.
Os sintomas comuns da doença de Alzheimer incluem:
– Perda frequente de memória, especialmente de acontecimentos recentes
– Ser vago na conversa
– Dificuldade em planear, pensar logicamente e resolver problemas
– Dificuldade em encontrar a palavra certa durante a conversa e em compreender o que as outras pessoas dizem
– Perda de motivação
– Ser mais emotivo e ter dificuldade em acalmar-se
– Dificuldade em seguir instruções
– Diminuição das capacidades sociais
Os médicos e os cientistas estão a fazer um grande esforço para descobrir por que razão algumas pessoas têm a doença de Alzheimer e outras não. Infelizmente, ainda não têm as respostas. Em muito poucos casos, os genes estão envolvidos; na maioria dos casos, parece haver alguma outra causa desconhecida.
Demência frontotemporal
A demência frontotemporal é um tipo de demência que afeta os lobos frontal e lateral do cérebro. A parte frontal do cérebro é responsável pelo controlo do humor, das capacidades sociais e do comportamento, da concentração, do autocontrolo e da capacidade de planear o futuro. Danos nesta área podem causar alterações na personalidade, nas emoções e no comportamento.
Os lobos temporais, localizados nos lados do cérebro, ajudam-nos a compreender o que ouvimos e vemos. Os danos nessas áreas podem causar dificuldade em reconhecer objetos, compreender o que as pessoas dizem e falar fluentemente.
Como a doença de Alzheimer é a forma mais comum de demência e causa perda de memória, muitas pessoas pensam que todas as demências causam perda de memória. No entanto, muitas pessoas com Demência Frontotemporal não terão inicialmente grandes problemas de memória, mas sim grandes alterações de personalidade, comportamento ou linguagem.
Os sintomas comuns da Demência Frontotemporal incluem:
– Perda de habilidades sociais
– Conversar com estranhos
– Dizer coisas que alguém normalmente não diria
– Parecer egoísta e ser incapaz de pensar sobre como os outros se sentem
– Ser muito facilmente distraído e impulsivo
– Comportamento embaraçoso
– Dificuldade em compreender o que as pessoas dizem
– Dificuldade em lidar com emoções fortes
– Alterações nos hábitos alimentares, como o desejo por alimentos doces, comer em excesso ou o desejo por alimentos invulgares
– Tornar-se obsessivo
– Dificuldade em expressar amor e sentimentos calorosos pelas pessoas
– Dificuldade em lidar com locais movimentados ou novas situações
A Demência frontotemporal é causada por uma doença cerebral. As pessoas com Demência frontotemporal apresentam muitas alterações diferentes nas suas células cerebrais. Estas alterações parecem ser causadas pela acumulação de dois tipos de proteínas que ficam presas nas células cerebrais. Quando estas proteínas se acumulam, danificam as células cerebrais, que acabam por morrer. Embora a doença comece na parte frontal e lateral do cérebro, com o tempo, as proteínas espalham-se também para outras partes do cérebro, causando danos irreversíveis ao longo de vários anos.
A Demência frontotemporal parece afetar mais pessoas com idades entre os 40 e os 60 anos do que idosos. Os médicos e os cientistas estão a fazer grandes esforços para descobrir por que razão algumas pessoas têm Demência frontotemporal e outras não. Infelizmente, ainda não obtiveram respostas. Em muito poucos casos, a genética está envolvida; na maioria dos casos, parece haver alguma outra causa desconhecida.
Como a Demência frontotemporal tende a afetar pessoas mais jovens, que apresentam mudanças de humor e comportamento, muitas vezes há um grande atraso no diagnóstico correto. As pessoas com Demência frontotemporal consultam, muitas vezes, vários médicos, incluindo psiquiatras e neurologistas, antes de receberem o diagnóstico correto. Estes médicos simplesmente não pensam em demência!
Como não há cura para a Demência frontotemporal a melhor coisa que as famílias podem fazer para ajudar é saber o máximo possível sobre a doença e compreender o motivo pelo qual a pessoa se comporta daquela forma, ajudando-a a lidar com a situação. Quando se compreende o motivo de um determinado comportamento, é possível começar a desenvolver estratégias para contornar os problemas, em vez de tentar mudar o comportamento. A pessoa não consegue evitar isso.
Demência vascular
A demência vascular é um tipo de demência relacionada com problemas de fluxo sanguíneo para o cérebro. Em termos científicos, “vascular” significa “vasos sanguíneos”. Quando o fluxo sanguíneo para o cérebro diminui, as células cerebrais são danificadas. Como diferentes partes do cérebro são responsáveis por diferentes funções, a localização e o tamanho do dano nas células cerebrais determinam que funções cerebrais são afetadas. Isto significa que as pessoas com demência vascular podem apresentar uma grande variedade de sintomas.
Os sintomas mais comuns da demência vascular são:
– Dificuldade em resolver problemas
– Mau julgamento
– Problemas de memória
– Dificuldades de raciocínio
– Dificuldade em prestar atenção
Qualquer pessoa pode ser afetada pela demência vascular, mas o risco aumenta com a idade. Isto porque os vasos sanguíneos no cérebro são mais propensos a serem danificados à medida que envelhecemos. Alguns fatores aumentam o risco, nomeadamente:
– Hipertensão arterial
– Diabetes
– Obesidade
– Tabagismo
– Problemas cardíacos
– Má alimentação
– Falta de exercício físico
Não existe tratamento para a demência vascular, mas obter ajuda com outros problemas de saúde pode, por vezes, retardar a progressão da doença. Os familiares e cuidadores podem ajudar a pessoa com demência vascular a lidar com os seus sintomas, aprendendo mais sobre a doença e compreendendo as razões por trás dos sintomas.
Demência de Corpos de Lewy
Em 1912, os cientistas alemães Alois Alzheimer e Friedrich Lewy estudavam tecido cerebral. Como deves calcular, Alois Alzheimer foi um cientista fundamental na descoberta da doença que hoje leva o seu nome. Friedrich Lewy identificou cérebros que apresentavam uma acumulação anormal de uma proteína chamada “alfasinucleína”. Ele descobriu que esta proteína se acumulava em partes do cérebro responsáveis pelo controlo dos movimentos do corpo, dos pensamentos e do comportamento. Naquela época, os cientistas costumavam dar às suas descobertas, nomes relacionados com eles próprios e Friedrich Lewy fez exatamente isso. Chamou aos aglomerados de alfa-sinucleína acumulada «corpos de Lewy».
As pessoas desenvolvem a «doença dos corpos de Lewy» quando têm um acúmulo anormal desses corpos no cérebro. Se os primeiros sintomas da doença forem alterações no pensamento ou no comportamento, a pessoa será geralmente diagnosticada com «demência corpos de Lewy».
Se os primeiros sintomas estiverem relacionados com o movimento do corpo, muitas vezes são diagnosticados com a doença de Parkinson.
Tal como outros tipos de demência, a demência com Corpos de Lewy é uma doença progressiva, o que significa que os sintomas tendem a agravar-se com o tempo. Os sintomas mais comuns da demência com corpos de Lewy incluem:
– Dificuldade em pensar de forma clara e lógica
– Problemas em compreender as razões das coisas
– Confusão e “névoa” mental
– Rigidez nos braços ou pernas, ou tremores (semelhantes aos da doença de Parkinson)
– Alucinações visuais (ver coisas que não existem, por exemplo, pequenos animais)
– Sonhar enquanto se dorme (se se dormir com alguém, isso pode ser bastante desagradável para essa pessoa)
– Perda de memória
– Perda de equilíbrio e quedas frequentes
– Dificuldade em reconhecer objetos ou pessoas
É difícil obter um diagnóstico preciso de Demência de Corpos de Lewy. Como provavelmente já percebeste, trata-se de uma doença bastante complicada, mesmo para os médicos. Isto porque a Demência de Corpos de Lewy pode assemelhar-se a muitas outras doenças, incluindo a doença de Parkinson e a doença de Alzheimer. Por vezes, isso significa que uma pessoa pode apresentar sintomas durante muito tempo antes de os médicos conseguirem explicar o que está a acontecer.
Infelizmente, tal como outros tipos de demência, não há cura. Com o tempo, os sintomas tendem a agravar-se. Existem alguns medicamentos para a doença de Parkinson que algumas pessoas com Demência de Corpos de Lewy podem tomar para ajudar a controlar os sintomas motores. No entanto, para todos os outros sintomas, há muito pouco que os médicos possam fazer para ajudar.
Os familiares e cuidadores podem tentar ajudar a pessoa a lidar com os seus sintomas tanto quanto possível, aprendendo sobre a Demência Corpos de Lewy e compreendendo as razões por trás de cada sintoma.
Quanto tempo dura?
A velocidade com que qualquer tipo de demência progride varia muito de pessoa para pessoa. No entanto, os sintomas agravam-se à medida que a doença afeta diferentes partes do cérebro, levando eventualmente à dependência total e, por fim, à morte.
As pessoas que trabalham na área falam em “fases” da demência. Na realidade, não é assim tão claro. Existem muitas diferenças entre as pessoas e pode haver dias bons e dias maus na forma como alguém funciona. A demência pode parecer um pouco diferente de um dia para o outro e até mudar consoante o ambiente. Por exemplo, uma pessoa pode ser capaz de cuidar de si muito bem em casa, mas quando vai a um centro comercial movimentado, pode subitamente ter dificuldade em encontrar palavras, lembrar-se de onde está e pode ficar agitada e sobrecarregada.
Embora não exista um ponto específico em que alguém entre num “estágio” de demência, comummente as pessoas falam sobre três estágios principais: inicial, moderado e tardio.





