
O “Marcar o Lugar” – Encontros no Museu, criou um modelo de intervenção replicável de programas de fruição artística e cultural para ser implementado em contexto museológico destinado a Pessoas com Demência e seus cuidadores.
Foram realizados, até à data, quatro programas-piloto entre 2020 e 2022. Os museus-piloto que implementaram este modelo foram o MAAT e o Museu de Lisboa.
O modelo criado pretendeu ser suficientemente amplo para poder ser utilizado de acordo com o acervo de cada museu e diferentes linguagens artísticas (imagem, texto, som e movimento), mas suficientemente flexível para permitir que os interesses e preferências dos participantes moldem o experiência, pelo que cada programa é ajustado às necessidades e particularidades de cada grupo.
Este projeto resulta de um processo de cocriação que mobiliza todos os stakeholders do projeto: Associação Alzheimer Portugal, mediadores culturais dos museus, artistas e participantes – Pessoas com Demência e seus cuidadores formais e informais. Teve ainda a colaboração da Universidade Católica Portuguesa na sua avaliação, cujos resultados contribuíram para aferir o impacto destes programas no público ao qual são destinados, mas também determinar os principais ingredientes a incorporar nos programas.
Cada programa é estruturado em seis sessões semanais, com a duração aproximada de duas horas cada, destinadas a pequenos grupos de Pessoas com Demência inicial a moderada e seus cuidadores (entre 10 a 12 pessoas). São explorados temas-chave, suscetíveis de conduzir a um maior envolvimento dos participantes, tais como culturas e tradições, espaços e lugares, identidade, objetos do quotidiano e hábitos de vida, relações interpessoais e vínculos estabelecidos. Cada sessão é dividida em dois momentos: o primeiro contempla a observação direta e fruição de objetos artísticos relacionados com os temas, bem como a exploração da relação entre objetos artísticos e perspetivas/experiências individuais; o segundo momento
prevê a criação de objetos autorais relacionados com os temas previamente propostos, com a exploração de diversos materiais e técnicas artísticas.
De acordo com os resultados obtidos nos programas-piloto, foi evidenciada uma melhoria do humor e do bem-estar dos participantes, assim como uma melhoria significativa da qualidade de vida das Pessoas com Demência. Também se verificou que este programa facilitou o envolvimento participativo, espontâneo, e ativo das pessoas com demência e dos seus cuidadores, com ganhos positivos na autoestima e na autoconfiança, proporcionando ainda a construção de novas aprendizagens e crescimento pessoal. Por fim, este programa evidenciou uma melhoria dos vínculos estabelecidos entre a pessoa com demência e o seu cuidador, mas também o desenvolvimento de novas relações, o aumento da participação e inclusão social
dos seus participantes.
Dezembro de 2022