Quais são os novos fármacos?

Em 2025, foi aprovada por parte da Comissão Europeia a introdução no mercado europeu dos medicamentos donanemab e lecanemab, representando os primeiros tratamentos que promovem a remoção da proteína amilóide aprovados na Europa após mais de duas décadas sem novas terapias.

 

Quais os efeitos destes fármacos na Doença de Alzheimer?

Estes fármacos promovem a eliminação das placas amilóides, que se sabem estar envolvidas na Doença de Alzheimer. Espera-se com esta remoção que o declínio cognitivo associado à Doença seja minorado. Os estudos demonstram uma redução da progressão cognitiva em aproximadamente 30% ao longo de 18 meses. Adicionalmente, crê-se que estes benefícios possam aumentar com o passar dos anos, apesar de isso não estar completamente estabelecido.

 

Quais são os principais riscos associados?

Estes medicamentos podem associar-se a edema cerebral e/ou hemorragia cerebral, situações denominadas amyloid-related imaging abnormalities (ARIA). Apesar de serem frequentes nas pessoas que tomam os anticorpos anti-amilóide, na maior parte das vezes os ARIA são assintomáticos ou ligeiramente sintomáticos, mas nalgumas circunstâncias podem ser graves. Estes efeitos laterais obrigam à necessidade de vários estudos adicionais, como ressonância magnética periódica, assim como realização de uma análise ao gene APOE4, de forma a saber se as pessoas não têm contra-indicações para a toma desta medicação.

 

Todas as Pessoas com a Doença de Alzheimer têm acesso a estes medicamentos?

Estes medicamentos estão indicados para pessoas com fases ligeiras da Doença de Alzheimer, habitualmente uma situação de declínio cognitivo ligeiro ou demência ligeira, em que a autonomia da pessoa está íntegra ou apenas minimamente comprometida. Em caso de progressão para demência em estadio moderado ou severo, em que existe grande dependência de terceiros para atividades de vida diárias, estes medicamentos não estão indicados e devem ser suspensos.

 

Estes medicamentos estão disponíveis em Portugal?

Sim, estes fármacos são atualmente comercializados em Portugal.

 

O que significa a decisão de não comparticipação tomada pelo Infarmed?

A Autoridade Reguladora emitiu um parecer negativo à comparticipação do Serviço Nacional de Saúde, fundamentando a ausência de mais-valia clínica face às terapêuticas já existentes, pelo que estes fármacos serão apenas possíveis de adquirir por um elevado valor.

 

31.08.2026