
Portugal é
o quarto país da OCDE com mais casos de demência, com 19,9 casos por mil
habitantes, um valor superior à média dos 35 países avaliados.
A
conclusão consta do relatório “Health at a Glance 2017” (“Uma
visão da saúde”) da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento
Económico (OCDE), que é esta sexta-feira apresentado em Paris, e que revela os
principais indicadores da saúde dos 35 países da organização em 2015 e 2016.
Sobre o
estado da saúde dos portugueses, o documento refere que Portugal está dentro da
média dos países da OCDE ao nível da expetativa de vida (78,1 anos para os
homens e 84,3 anos para as mulheres) e da mortalidade por doença isquémica
cardíaca (ataque cardíaco e angina de peito).
Contudo,
apresenta piores valores ao nível da
prevalência da demência que é de 19,9 casos por mil
habitantes, quando a média na OCDE é de 14,8 por mil habitantes.
Segundo
este “ranking”, Portugal é o quarto país com mais casos de demência
por mil habitantes, só superado pelo Japão (23,3), Itália (22,5) e Alemanha
(20,2). O México é o país com menos casos: 7,2.
O documento
apresenta as mulheres como as mais afetadas pela depressão, doença que afeta
“milhões de pessoas”.
Na
Espanha, Lituânia, Hungria e Polónia, as mulheres são atingidas por esta doença
em mais 50% do que os homens, uma percentagem que sobe para os 66% em Portugal.
Os
autores referem que as doenças mentais representam a mais considerável – e
crescente – proporção na carga global de doenças, estimando-se que uma em duas
pessoas vai ter uma doença mental na sua vida.
Para
2037, a prevalência da demência deverá aumentar para os 32,5 por mil
habitantes.
Em
relação aos fatores de risco para a saúde, Portugal está dentro da média dos
países da OCDE em todos os indicadores: percentagem da população que fuma
diariamente (16,8%), litros de bebidas alcoólicas consumidas por ano (9,9),
obesidade (16,6%) e poluição atmosférica.
O cancro é
a segunda doença mais mortal na OCDE, a seguir às doenças circulatórias,
registando 25% de todas as mortes em 2015 (15% em 1960).
A
mortalidade provocada pelo cancro é mais elevada nos homens do que nas mulheres
em todos os países, mas este intervalo de género é particularmente alto na
Coreia, Turquia, Letónia, Estónia, Espanha e Portugal.
Este
intervalo pode ser particularmente explicado pela maior prevalência de fatores
de risco nos homens, nomeadamente o tabaco.
Outra
doença que mereceu a atenção dos autores do estudo foi a diabetes.
Nos países da OCDE, 93 milhões de pessoas (7% de todos os adultos) eram
diabéticos em 2015. Em Portugal, 9,9% dos adultos têm diabetes.
Ao nível
dos medicamentos, o consumo de antidepressivos varia consoante os países. A
Islândia regista o mais elevado nível de consumo destes fármacos (o dobro da
média da OCDE), seguida pela Austrália, Portugal e o Reino Unido.
A
Letónia, Coreia e Estónia registaram o mais baixo nível de consumo de
antidepressivos.
Fonte: Jornal de Notícias