Apesar da redução acentuada na prevalência da demência, de acordo com o novo relatório da Alzheimer Europe o número de pessoas com demência na Europa deverá duplicar por volta de 2050.







Bruxelas, 18 de Fevereiro de 2020 – Hoje, durante um almoço-debate do Parlamento Europeu organizado por Christophe Hansen, eurodeputado do Luxemburgo, a Alzheimer Europe apresentou um novo relatório em que estão espelhados os resultados da análise colaborativa dos estudos de prevalência recentes, revelando os índices atualizados da prevalência da demência na Europa.
Nas últimas três décadas, teve lugar um número significativo de estudos que tinham como objetivo estimar a prevalência da demência a nível europeu, nomeadamente:
Estudo EURODEM, do início dos anos 80 (atualizado em 2000)
Projeto da Alzheimer Europe European Collaboration on Dementia – EuroCoDe (2006-2008)
ALCOVE, a primeira Ação Conjunta Europeia sobre Demência (2011-2013).
Tendo em conta que o mais recente destes estudos já datava de há seis anos, a Alzheimer Europe reconheceu a importância de se estabelecer estimativas mais recentes da prevalência da demência, para isso utilizando literatura académica mais atualizada sobre a matéria.
Os resultados apresentados abaixo baseiam-se numa análise colaborativa dos estudos publicados após a conclusão do projeto EuroCoDe. Nessa análise foram incluídos 16 estudos que cumpriam os critérios de qualidade pré-definidos.
Os resultados-chave deste relatório da Alzheimer Europe reportam:
    1.   Relativamente a indivíduos do sexo masculino: houve uma redução na prevalência da demência em todas as faixas etárias quando comparados com as estimativas do EuroCoDe 2008 da Alzheimer Europe.
2. Relativamente a indivíduos do sexo feminino: à exceção do grupo etário compreendido entre os 75 e os 79 anos, houve uma redução na prevalência de demência nos últimos dez anos em comparação ao EuroCoDe.
3.   Estima-se que o número de pessoas com demência na União Europeia (UE27) seja de 7.853.705 e nos países europeus com representação na Alzheimer Europe de 9.780.678. Comparando com estimativas anteriores, estes números constituem uma redução significativa dos 8.785.645 para a EU27 e dos 10.935.444 para as outras regiões europeias.
As mulheres continuam a ser desproporcionalmente afetadas pela demência: 6.650.228 mulheres para 3.130.449 homens com demência na Europa.
4. O número de pessoas com demência na Europa irá quase duplicar por volta de 2050, sofrendo um aumento para 14.298.671 na União Europeia e 18.846.286 na Europa.
O Anuário da Alzheimer Europe realça ainda limitações significativas na investigação disponível quanto à prevalência da demência, assim como a inexistência de investigação relativamente:
à prevalência de pessoas jovens com demência (i.e. pessoas com menos de 65 anos)
à prevalência dos diferentes tipos de demência
ao número de pessoas afetadas nos diferentes estadios, incluindo as com défice cognitivo ligeiro
à prevalência da demência em pessoas de minorias étnicas.
Comentando estes resultados, o Diretor Executivo da Alzheimer Europe, Jean Georges, declarou:
“É prometedor verificar que estilos de vida mais saudáveis, melhor educação e maior controlo dos fatores de risco cardiovascular parecem ter contribuído para reduzir a prevalência da demência. No entanto, o nosso relatório demonstra também que se prevê que o número de pessoas que vivem com demência sofrerá um aumento substancial nos próximos anos, o que acarretará maior pressão nos cuidados e nos serviços de apoio, a menos que sejam identificadas melhores formas para o tratamento e a prevenção. Para que as pessoas com demência, as suas famílias e os seus cuidadores tenham acesso aos cuidados de alta qualidade e centrados na pessoa de que necessitam, os governos devem assegurar que os seus sistemas de saúde e de cuidados estão preparados para atender a esta necessidade, sendo necessários maiores investimentos na investigação para tratamento e prevenção da demência.”
Analisando os dados de Portugal, verificamos que existe um ligeiro decréscimo da população portuguesa para o período 2018-2025, seguido de um decréscimo mais acentuado entre 2025 e 2050. Apesar do decréscimo da população, o número de pessoas com demência irá mais do que duplicar: de 193 516 em 2018 para 346 905 em 2050.
No mesmo sentido, em termos de percentagem da população no seu todo, as pessoas com demência representarão 3,82% em 2050, enquanto que em 2018 representavam 1,88%. 
Portugal ultrapassa a tendência europeia com os números quase a duplicar em 2050
Um fator determinante desta mudança será um aumento significativo do número de pessoas com mais de 70 anos e, em particular, a faixa das pessoas com mais de 85 anos a qual mais do que duplicará entre 2018 e 2050.
De acordo com Rosário Zincke dos Reis, membro da Direção Nacional da Alzheimer Portugal “Estes dados são muito alarmantes não havendo tempo a perder na criação e implementação de políticas para as pessoas com demência e seus cuidadores. Estas políticas terão, naturalmente, que incluir forte aposta na prevenção, a provável responsável pelo decréscimo da prevalência na Europa, conforme resulta do estudo apresentado pela Alzheimer Europe. Combater a iliteracia e mudar a forma como as pessoas veem a demência tem sido a luta da Alzheimer Portugal, nomeadamente através da sua campanha Amigos na Demência, parte do Movimento Global Dementia Friends.”