A Alzheimer Portugal apresenta o Manifesto sobre o Uso das Contenções – A Nossa Voz pela Liberdade de Cuidar, que reúne preocupações, experiências e recomendações partilhadas pelo Grupo de Trabalho Português de Pessoas com Demência (GTPPD).

Este Manifesto nasce da participação direta de Pessoas com Demência, que se reuniram para refletir sobre o recurso a contenções físicas e químicas nos cuidados, partilhando as suas perspetivas, preocupações e propostas para uma mudança nas práticas de cuidado.

Através de seis princípios fundamentais (Respeitar, Escutar, Não Amarrar, Cuidar com Humanidade, Criar Alternativas e Fazer Mudar), o documento apela a uma abordagem centrada na pessoa, que reconheça a sua identidade, individualidade, sentimentos, preferências e capacidade de participar nas decisões sobre a sua própria vida.

Identifica também mudanças essenciais para promover cuidados livres de contenções: ouvir verdadeiramente as Pessoas com Demência, prevenir riscos sem retirar liberdade, preparar e capacitar as equipas, informar e envolver as famílias, reforçar a sensibilização e proteger os direitos fundamentais, valorizando igualmente o acompanhamento familiar e comunitário.

Mais do que um conjunto de recomendações, representa uma afirmação de direitos e um apelo à transformação da cultura de cuidados.

A prevenção de riscos não deve significar a limitação da liberdade, e a segurança não pode ser alcançada à custa da dignidade, da autonomia e da qualidade de vida.

A mudança exige informação, formação, recursos e o envolvimento de todos: profissionais de saúde e da área social, famílias, instituições, decisores e comunidade.

Convidamos todos a conhecer, ler e divulgar este MANIFESTO contribuindo para uma mudança de práticas e para a construção de respostas de cuidado mais humanas, individualizadas e respeitadoras dos direitos das Pessoas com Demência.

Este documento integra o projeto «Pergunte.se! Campanha Nacional – Cuidados Livres de Contenções para Pessoas com Demência», desenvolvido pela Alzheimer Portugal, com o apoio do Instituto para os Direitos das Pessoas com Deficiência, I.P. (IDiPD, I.P.).

04.11.2026