3º Encontro de Profissionais

3º Encontro de Profissionais

"Cuidados a Prestar na Demência: Uma Abordagem Prática e Integrada"

 

19 Outubro 2016
Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa

 

Inscrição:
15€ Encontro
30€ Encontro + Workshop

 

Para efetuar a sua inscrição no 3º Encontro de Profissionais, clique aqui.

 

Contactos:
Email - geral@cuidarmelhor.org
Linha Cuidar Melhor - 210 157 092

 

Programa

09h00 | Acolhimento dos Participantes

 

09h30 | Abertura
Isabel Mota
Administradora da Fundação Calouste Gulbenkian

 

Tema 1 - Prestação de Cuidados às Pessoas com Demência NA EUROPA
Moderadora: Maria do Rosário Zincke dos Reis
Advogada | Membro da Direção da Alzheimer Europe e dos órgãos sociais da Alzheimer Portugal

 

10h00 | Ponto de Situação da Intervenção nas Demências no Espaço Europeu
Jean Georges | Diretor Executivo da Alzheimer Europe

10h30 | Ponto de Situação da Intervenção nas Demências no Reino Unido
George McNamara | Responsável pelos assuntos políticos e relações públicas da Alzheimer's Society

 

11h00 | Intervalo

 

Tema 2 - Prestação de Cuidados às Pessoas com Demência em Portugal
Moderador: João Carneiro da Silva
Presidente da Associação Alzheimer Portugal

 

11h30 | Ponto de Situação da Intervenção nas Demências no Contexto Nacional
António Leuschner | Médico Psiquiatra e Presidente do Conselho Nacional de Saúde Mental

 

11h30 | O Papel e Intervenção da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa
Rita Chaves | Diretora do Departamento de Qualidade e Inovação da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa

 

12h30 | Almoço Livre

 

Tema 3 - CASOS Práticos
Moderadora: Ana Valverde
Médica Neurologista | Hospital Prof. Doutor Fernando Fonseca

14h00 | Os Direitos da Pessoa Com Demência em Contexto Institucional e Hospitalar
Paula Guimarães | Jurista e Diretora da Fundação Montepio

 

15h00 | O Papel do Médico na Prestação de Cuidados à Pessoa Com Demência
Alexandre Castro Caldas | Médico Neurologista e Diretor do Instituto de Ciências da Saúde da Universidade Católica Portuguesa

16h00 | Encerramento

 

Workshops | 16h15 - 18h00 | número limitado de inscrições
Workshop 1 - Prestação de Cuidados à Pessoa com Demência em Contexto Institucional ou Hospitalar: Dilemas Éticos
Lucília Nóbrega Psicóloga | Delegação da Madeira da Associação Alzheimer Portugal
Catarina Alvarez Jurista e Psicóloga | Coordenadora da Rede
Cuidar Melhor

 

Workshop 2 - A ABORDAGEM CENTRADA NA Pessoa Com Demência - Princípios e Estratégias para a sua Implementação e Prática
Margarida Matos Terapeuta Ocupacional | Associação Alzheimer Portugal

 

Workshop 3 - Desafios na Prestação de Cuidados de Enfermagem a Pessoas com Demência em Contexto Domiciliário
Carla Magueja Enfermeira | ACES Lisboa Ocidental e Oeiras

Nova candidatura ao movimento Um Euro

A Associação Alzheimer Portugal apresenta nova candidatura à Associação movimento Um Euro com a finalidade de angariar verba para aquisição de ajudas técnicas (cama articulada elétrica; colchão anti escaras; cadeira de rodas e andarilho, para o banco de ajudas técnicas da Associação Alzheimer Portugal.

Esta nova candidatura encontra-se em votação a partir do dia 1 de Julho até ao fim do mês.

- Quem pode votar?
Quem seja ou possa-se tornar associado da Associação Movimento Um Euro.

- Condições?
Cada associado da Associação Movimento Um Euro tem direito a 1 voto.

- Como se tornar Associado da Associação Movimento Um Euro?
Ver no site https://movimento1euro.com/
Em: Separador «Inscreva-se movimento Um Euro»
Quota anual de 12€

- Como votar na causa?
Separador «Causas em votação»

Muito obrigada pela sua ajuda!


Resultados preliminares dos três projetos cofinanciados pelo INR em 2016

O INR aprovou o cofinanciamento dos três projetos da Alzheimer Portugal. No primeiro semestre de 2016 os resultados obtidos foram:

 

Projeto «Informar e Apoiar Mais»

O Projeto Informar e Apoiar +, consiste num serviço base de atendimento telefónico nacional com atendimentos presenciais e consultas de apoio psicológico, entre outros. Trata-se de um serviço inovador que procura dar uma resposta imediata aos pedidos de informação de todos os que contatem esta linha, incluindo as próprias pessoas com Demência. 

 

Pretende-se inovar neste projeto através do alargamento a atendimentos e consultas presenciais de apoio psicológico na crise num setting terapêutico adequado. 

 

O projeto Informar Mais teve um forte impacto para as pessoas com Demência ao nível da prestação de cuidados de forma mais adequada, pois teve em conta a especificidade de cada situação. 

 

Foram realizados:
Sede - 908 atendimentos, dos quais 634 por telefone, 90 presenciais, 183 por e-mail e 1 por carta; 
Serviços de Lisboa - 229 atendimentos; 
Delegação Norte - 778 atendimentos, dos quais 610 por telefone, 36 presenciais, 132 por e-mail; 
Delegação Centro - 1060 atendimentos, dos quais 493 por telefone, 93 presenciais, 283 por e-mail e 45 em visitas domiciliárias.

 

Projeto «Memo e Kelembra nas Escolas»

Este projeto pretende efetuar a realização de sessões de dramatização/leitura/apresentação do livro bilingue «O Pequeno Elefante Memo», em escolas a nível nacional do 1º, 2º, 3º ciclos e secundário, com a participação de alunos e professores. Serão abordadas vertentes ligadas à área das demências, como o que são as demências e a importância do relacionamento intergeracional.

 

No primeiro semestre de 2016 foram realizadas sessões em 20 escolas de 11 agrupamentos nos distritos de Lisboa, Leiria, Setúbal, Aveiro e Santarém das quais foram abrangidos 2791 participantes. Estas crianças demonstraram especial interesse na sessão de dramatização e inclusive, algumas delas, colocaram questões, havendo mesmo alguns casos em que as crianças decidiram partilhar a sua experiência de viver com familiares com demência.

 

Projeto «Promoção da qualidade de vida das pessoas com demência e suas famílias»

Este projeto, de âmbito nacional, promove a melhoria da qualidade de vida e autonomia das pessoas com Demência e o alívio da sobrecarga do cuidador através de atividades de promoção e integração sócio cultural, entre outras, que serão organizadas de acordo com as capacidades, aptidões e interesses de cada utente e seus cuidadores familiares.
Foram realizadas atividades de vários âmbitos, tais como: 
  • Atelier da cognição: 12 sessões / 27 participantes;
  • Estimulação cognitiva individual: 353 sessões / 35 participantes;
  • Estimulação cognitiva em grupo: 60 sessões / 17 participantes;
  • Grupo da memória: 45 sessões / 84 participantes;
  • Terapia de orientação para a realidade: 47 sessões / 39 participantes;
  • Grupo de Ajuda Mútua: 5 sessões / 17 participantes;
  • Estimulação sensorial: 21 sessões / 17 participantes;
  • Cuidados de imagem: 2 sessões / 4 participantes;
  • Atividades religiosas: 5 sessões / 9 participantes;
  • Visita a museus: 8 sessões / 48 participantes;
  • Classe movimento: 189 sessões / 20 participantes;
  • Passeios e jardins: 15 sessões / 55 participantes;
  • Atividades culturais: 3 sessões / 17 participantes;
  • Intergeracional: 22 sessões / 60 participantes;
  • Atelier de música: 31 sessões / 66 participantes;
  • Atelier de filmes: 19 sessões / 72 participantes;
  • Atelier de culinária: 18 sessões / 39 participantes;
  • Atelier de jardinagem: 24 sessões / 44 participantes;
  • Atelier expressivo: 47 sessões / 66 participantes;
  • Aniversários e outras celebrações: 8 sessões / 67 participantes;
  • Grupo de movimento: 87 sessões / 30 participantes;
  • Grupo de psicomotricidade: 8 sessões / 30 participantes;
  • Sessões individuais de fisioterapia: 158 sessões / 88 participantes;
  • Hidroterapia: 32 sessões / 15 participantes;
  • Atividades de relaxamento: 2 sessões / 9 participantes;
  • Grupo de estratégias e competências para cuidadores: 3 sessões / 19 participantes;
  • Terapia ocupacional - avaliações de admissão: 3;
  • Terapia ocupacional - reavaliações: 13;
  • Terapia ocupacional em grupo: 127 sessões / 17 participantes;
  • Terapia ocupacional - atendimento a cuidadores: 2;
  • Fisioterapia - avaliações de admissão: 4;
  •  Fisioterapia - reavaliações: 23;
  • Neuropsicologia - avaliações de admissão: 26;
  • Neuropsicologia - reavaliações: 13;
  • Neuropsicologia - atendimentos a cuidadores: 2;
  • Enfermagem - avaliações de admissão: 3;
  • Enfermagem - reavaliações: 15;
  • Atendimento pedagógico a cuidadores: 109;
  • Atendimento Psicossocial: 1724;
  • Psicologia - Estimulação Cognitiva Individual: 106;
  • Psicoterapia: 45;
  • Avaliações neuropsicologias: 2;
  • Grupo de Ajuda Mútua para Cuidadores: 2 sessões / 10 participantes;
  • Projeto "Memórias e Recantos": 2 sessões / 7 participantes;
  • Projeto "Continuar": 151 sessões / 11 participantes;
  • Projeto "Eu Sou no Museu": 5 sessões / 8 participantes.

Passeio da Memória 2016

Passeio da Memória

 

O Dia Mundial da Doença de Alzheimer, comemora-se a 21 de Setembro e, para o assinalar, Alzheimer Portugal promove  a sexta edição do Passeio da Memória.

18 de Setembro de 2016 - 9h30

21 de Setembro de 2016 - 18h30

25 de Setembro de 2016 - 9h30

 
Inscrições

Donativo mínimo de 5,00 € por participante

Os participantes devem reunir condições de saúde para a prática deste tipo de caminhada. Na inscrição assumem que se sentem física e psicologicamente preparados para a atividade física em que vão participar.

Inscrições Online
 

Após preencher o formulário de inscrição receberá um email com as instruções para o pagamento do donativo referente à inscrição no passeio. Receberá também um email com as indicações do local exato do ponto de encontro na sua cidade.

 

 

Mais informações em www.passeiodamemoria.org



Contactos:

967 220 658 / 213 610 467
info@alzheimerportugal.org


Passeio da Memória 2016

O Dia Mundial da Doença de Alzheimer, comemora-se a 21 de Setembro e, para o assinalar, Alzheimer Portugal promove a sexta edição do Passeio da Memória.

18 de Setembro de 2016 - 9h30

21 de Setembro de 2016 - 18h30

25 de Setembro de 2016 - 9h30

 
Inscrições

Donativo mínimo de 5,00 € por participante

Os participantes devem reunir condições de saúde para a prática deste tipo de caminhada. Na inscrição assumem que se sentem física e psicologicamente preparados para a atividade física em que vão participar.

Inscrições Online
 

Após preencher o formulário de inscrição receberá um email com as instruções para o pagamento do donativo referente à inscrição no passeio. Receberá também um email com as indicações do local exato do ponto de encontro na sua cidade.

 

 

Mais informações em www.passeiodamemoria.org



Contactos:

967 220 658 / 213 610 467
info@alzheimerportugal.org


A Roda da Alimentação Mediterrânea

Foi recentemente divulgada, pela Universidade do Porto, Direção Geral da Saúde, Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável e Direção Geral do Consumidor, a Roda da Alimentação Mediterrânica.

Este é um guia alimentar com características mediterrânicas cujo objetivo é promover e valorizar este padrão alimentar junto da população portuguesa.

É uma representação gráfica que assenta na Roda dos Alimentos Portuguesa; pretende-se dar ênfase às características do padrão alimentar mediterrânico (PAM), salientando não só a componente alimentar, mas também os elementos inerentes ao seu estilo de vida.

Em forma de roda (que reflete o prato e o convívio mediterrânico à volta da mesa) e não de pirâmide, esta representação gráfica evidencia os alimentos mediterrânicos mais relacionados com o padrão português em cada um dos seguintes grupos: óleos e gorduras (azeite/azeitonas - alimento e respetivo fruto de origem); hortícolas (cebola, alho, couve galega, grelos, tomate, pimentos, beldroegasâ?¦); fruta (melão, figo, ameixa, citrinos, nêspera, romãâ?¦); cereais e tubérculos (batata doce, castanha, massa e arroz integrais, flocos de aveia, pão de centeio, broaâ?¦); carne, pescado e ovos (peixe, em especial sardinha, carapau, cavala, atumâ?¦); laticínios (queijo e iogurte); leguminosas (todas).

Há ainda duas mensagens relativas a consumos fortemente associados ao PAM, os frutos gordos e o vinho, que são salientados mas não incluídos nos grupos da Roda por não se pretender promover o seu consumo diário. No que respeita ao vinho reforça-se o seu consumo moderado e às refeições, destacando a proibição a crianças, grávidas e aleitantes.

Em simultâneo são veiculados outros princípios associados a este PAM, nomeadamente:

Respeito pela sazonalidade e preferência pela proveniência local dos alimentos
Incentivo à incorporação de ervas aromáticas como veículo de maior sabor em detrimento do abuso do sal de adição
Promoção da utilização e transmissão geracional de técnicas culinárias saudáveis tradicionais, como sopas, ensopados e caldeiradasâ?¦
Incentivo ao tempo dedicado à confeção dos alimentos e sua inserção no quotidiano através da partilha com família e amigos
Combate ao sedentarismo pelo incremento ao tempo dedicado a atividades de lazer.

O seu desenvolvimento esteve a cargo de uma equipa da Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto já responsável pela anterior Roda dos Alimentos, as Prof. Sara Rodrigues e Bela Franchini. A sua construção teve inicio em setembro de 2015, envolvendo a consulta de outros parceiros como a Direção-Geral do Consumidor e a auscultação da opinião de peritos de diferentes áreas e instituições. Seguiu-se um longo processo de diálogo com elementos da área de design, no sentido da concretização de uma representação gráfica atrativa e clara da mensagem a transmitir.

O Cartaz da RODA DA ALIMENTAÇÃO MEDITERRÂNICA agora apresentado é o culminar de todo este processo.

Pode consultar o cartaz e descarregar em A3 aqui.

Fonte: https://nutrimento.pt/noticias/a-roda-da-alimentacao-mediterranica/


Definida sequência de sintomas que resulta na doença de Alzheimer

Há mais de cem anos que a doença de Alzheimer foi descoberta, mas continua a haver muitos mistérios sobre este mal, responsável por 60 a 70% do número de demências. Entre outras características, a doença de Alzheimer provoca, ao longo de anos, uma perda de memória acompanhada por uma diminuição da capacidade de autonomia dos doentes, que acabam por morrer. Um dos aspectos mais problemáticos no seu tratamento é o diagnóstico: normalmente é tardio e é feito a partir de uma avaliação que ainda não passa por indicadores fisiológicos, o que permitiria fazer análises mais objectivas. Estas dificuldades são um reflexo da complexidade da doença.

Agora, uma equipa de cientistas avaliou dezenas de aspectos fisiológicos associados à doença de Alzheimer tardia (que surge a partir dos 65 anos, em oposição a uma variante que aparece mais cedo, associada a mutações genéticas) a partir de exames feitos a doentes. Através de uma análise complexa, os cientistas dizem ter definido pela primeira vez a sequência de sintomas que acompanha a evolução da doença de Alzheimer. O primeiro sinal que anuncia este problema degenerativo é uma mudança na quantidade de sangue que chega a diferentes partes do cérebro, de acordo com o trabalho publicado nesta terça-feira na revista científica Nature Communications. Este sinal poderá servir, no futuro, para diagnósticos mais precoces da doença.

Desde que se começou a estudar a doença de Alzheimer, várias teorias foram sendo propostas para explicar quais eram as causas e as características, mas nenhuma dessas teorias satisfaz os cientistas. «A grande complexidade dos mecanismos subjacentes à doença e a falta de modelos quantitativos que integrem estes mecanismos torna difíceis a compreensão de como a doença de Alzheimer tardia progride e o desenvolvimento de agentes terapêuticos que possam alterar o seu rumo», escrevem no artigo Yasser Iturria Medina, do Instituto Neurológico de Montreal, no Canadá, e colegas, fazendo uma síntese desta problemática.

A alteração da forma como o sangue irriga o cérebro, pondo em causa o abastecimento das células nervosas de oxigénio, açúcar e outros nutrientes, é uma das mais antigas hipóteses para o desencadear da doença de Alzheimer. Entretanto, foram surgindo alternativas para a origem da doença, como a acumulação no cérebro de placas da proteína beta-amilóide e, mais recentemente, a hiperactividade das células do cérebro (os neurónios), que terá um efeito tóxico no tecido envolvente. Independentemente da causa, no fim, o cérebro de uma pessoa que morre de Alzheimer é mais pequeno do que o normal, um resultado da morte de milhões e milhões de neurónios.

Os cientistas resolveram estudar a doença com uma nova abordagem: tentaram relacionar diferentes factores biológicos com a progressão da doença e fazer uma análise complexa entre estes factores para encontrar uma cronologia dos acontecimentos à medida que a neurodegeneração evolui.

Assim, foram olhar para a alteração dos níveis das proteínas beta-amilóide, para o metabolismo, a regulação vascular, a actividade cerebral em descanso, as propriedades dos tecidos cerebrais e os níveis de determinadas proteínas em 1171 indivíduos - alguns deles saudáveis, outros em diferentes fases da doença de Alzheimer. Para isso, a equipa analisou 7700 imagens cerebrais daqueles indivíduos de vários tipos (desde imagens de ressonância magnética até à PET, a tomografia de emissão de positrões) e dezenas de biomarcadores que se encontram no líquido cefalorraquidiano.

«Os nossos resultados sugerem que a desregulação vascular é um evento patológico inicial durante o desenvolvimento da doença, seguida pela mudança do nível da deposição da beta-amilóide, a disfunção metabólica, a deterioração da função [cerebral] e a atrofia estrutural [do cérebro]», descrevem os autores no artigo. Ao mesmo tempo, a memória e as capacidades dos doentes de Alzheimer vão piorando.

Apesar de a causa inicial da doença ainda estar por determinar, os cientistas acreditam que a definição desta sequência de acontecimentos é importante para compreender as diferentes escalas temporais em que os vários processos fisiológicos associados à doença estão a acontecer e a interacção entre eles. Um exemplo desta ligação é a ideia de que a acumulação de beta-amilóide no cérebro é uma consequência da má vascularização cerebral, que não retira o excesso de proteínas, e não de uma superprodução da beta-amilóide. Para Yasser Iturria Medina e colegas, «estes resultados podem contribuir para o desenvolvimento de intervenções terapêuticas eficientes».

Fonte: Público


1º Encontro Nacional de Cuidadores Informais de Alzheimer e Demências Similares

No passado dia 18 de Junho, no Auditório Cardeal Cerejeira da Universidade Católica de Lisboa, realizou-se o 1º Encontro Nacional de Cuidadores Informais de Alzheimer e Demências Similares.

Foi uma iniciativa da Delegação do Bloco de Esquerda no Grupo Parlamentar GUE/NGL (Esquerda Unitária /Esquerda Verde Nórdica) do Parlamento Europeu, representado neste evento pela Deputada Europeia Marisa Matias.

A Alzheimer Portugal foi convidada a participar nesta iniciativa, tendo a sua Vice-presidente apresentado, em síntese, os objetivos, estratégias, formas de atuação e trabalho desenvolvido pela associação, bem como as prioridades que se consideram indispensáveis para minimizar as consequências do problema das demências no nosso país. Destas, é de destacar a necessidade urgente da criação e implementação do Estatuto do Cuidador e de um Plano Nacional para as Demências.

No decurso dos trabalhos ficou ainda mais patente esta necessidade. Na verdade, dos dolorosos testemunhos de muitos dos cuidadores presentes, oriundos dos mais diversos pontos do país, ficou reforçada a convicção da Alzheimer Portugal quanto às enormes deficiências existentes no acompanhamento das pessoas com demência e dos seus familiares cuidadores. Para além das diferenças decorrentes dos recursos económicos de cada família, existem ainda diferenciados níveis de resposta, quer por parte do setor da saúde (hospitais, centros de saúde e articulação entre uns e outros), quer das respostas sociais (equipamentos e serviços pouco ou nada preparados para a especificidade do apoio a pessoas com demência e com preços quase sempre inacessíveis para a generalidade das pessoas e famílias que deles carecem).

Resultou ainda clara a absoluta lacuna no que diz respeito ao acompanhamento e intervenção junto das pessoas jovens com demência, com graves consequências, tanto no que respeita à sobrecarga da família cuidadora, como no que se refere à própria pessoa que não é devidamente estimulada e envolvida socialmente.

Embora sendo inegável que os familiares cuidadores são a principal estrutura de apoio das pessoas com demência, desempenhando um papel social e económico de grande valor, a verdade é que esse papel tem sido até agora absolutamente ignorado pelos decisores políticos.
Por outro lado, de entre as 183 000 pessoas com demência que se estima existirem em Portugal, muitas são as que não têm família ou cuja família não está presente ou não tem condições para zelar pelos seus interesses e bem-estar.

Se sabemos que são muitos os idosos que vivem sozinhos, facilmente concluí­mos que, muitos desses, para além das vulnerabilidades que a idade acarreta, muito em especial a nível da mobilidade, têm ainda uma situação de demência, com a inevitável perda de capacidades cognitivas, que acarreta riscos acrescidos para os próprios e para a comunidade envolvente.

Dos testemunhos partilhados no Encontro resultou, ainda, a premente necessidade de sensibilizar a sociedade de forma a combater o estigma associado à demência. A demência não é encarada com naturalidade, é algo que assusta e com a qual as pessoas têm dificuldade em lidar, preferindo ignorar e tornando, assim, ainda mais pesado o fardo das famílias e das pessoas com demência.

Foi evidente, da troca de experiências relatadas neste 1º Encontro de Cuidadores, que é imperioso conseguir criar respostas interdisciplinares mais próximas das pessoas com demência e dos seus cuidadores para esclarecer, prestar apoio e ajudar a lidar com as alterações físicas e comportamentais decorrentes da demência. Nessa linha se inserem os Gabinetes Cuidar Melhor, nascidos de parcerias com várias entidades e já implantados nos Concelhos de Cascais, Oeiras e Sintra.

Também os «Cafés Memória» - espaços de encontro informal de pessoas com demência e seus cuidadores - se têm mostrado como uma resposta muito positiva para combater o estigma e promover o envolvimento social das pessoas com demência e das suas famílias. Atualmente já existem 10, em diversos pontos do país.

Vários participantes dos Cafés Memória, quer de Lisboa, quer de Viana do Castelo e de outros pontos do país, marcaram presença no Encontro, tendo Catarina Alvarez, moderadora da sessão da tarde e coordenadora daquela resposta, tido a oportunidade de agradecer publicamente a sua participação.

Em contrapartida, foi lamentável a ausência de decisores políticos neste 1º Encontro de Cuidadores, apesar de a Deputada Europeia Marisa Matias ter assegurado que as diversas forças políticas haviam sido convidadas.
Sendo manifesto que a questão das demências tem uma dimensão nacional que não pode nem deve continuar a ser ignorada, é importante que o seu debate se faça de forma aberta e despida de visões estritamente partidárias para se conseguirem soluções.

Parece, infelizmente, que ainda temos um grande caminho a percorrer até que as demências sejam reconhecidas como uma prioridade nacional, não obstante ninguém poder considerar-se imune a este flagelo.
Um dos obstáculos para que tal aconteça poderá ser o enorme desgaste a que os cuidadores estão sujeitos, fruto do enorme impacto emocional, económico e social que as demências acarretam, bem como a vulnerabilidade em que as próprias pessoas com demência se encontram. Ou seja, os principais interessados não estão em condições de utilizar as armas que costumam funcionar para pressionar os decisores políticos a legislarem, a criarem políticas: a greve, as manifestações de rua, a utilização de tempo de antena, o lobby!

A Alzheimer Portugal, como única organização de âmbito nacional que existe no nosso país desde 1988 para promover os direitos das pessoas com demência e dos seus cuidadores, alinhada com o movimento europeu sobre as demências, no qual participa ativamente como membro efetivo da Alzheimer Europe, tem vindo a trabalhar no sentido do reconhecimento das demências como uma prioridade nacional.
Contudo, apesar da pressão permanente, pelo menos desde 2006, ainda não foi possível que Portugal tenha um Plano Nacional para as Demências, como já acontece em diversos outros países.

À semelhança do que acontece com as famílias, também a Alzheimer Portugal vive o seu dia-a-dia absorvida pela prestação de cuidados e de apoios específicos que assumiu para ajudar a colmatar uma lacuna do Estado a quem incumbe, em primeira linha, ocupar-se dos seus cidadãos, muito em especial dos mais vulneráveis.

Mas a Alzheimer Portugal quer mais, quer ser reconhecida como parceira na criação e implementação de políticas para as pessoas com demência e seus familiares, políticas que sejam promotoras de direitos e que afastem as iniquidades resultantes de respostas casuí­sticas, sem enquadramento geral e abstracto.

Em conclusão, urge que o Estado reconheça e valorize o papel de todos os que contribuem para que as demências não constituam um flagelo ainda maior do que já é: as instituições e as pessoas que prestam cuidados, quer sejam familiares ou profissionais.


Região Autónoma da Madeira

Conforme publicação em Diário da República no passado dia 15 de junho de 2016, a Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira recomendou ao Governo Regional a criação de medidas para a prevenção e controle das demências e de apoio aos doentes e suas famílias. Recomenda, nomeadamente, o seguinte:

"1 - Que defina as demências como uma prioridade de saúde pública e de política social;

2 - Que promova a melhoria da qualidade de vida das pessoas com Demência e dos seus cuidadores, abrangendo-se aqui as questões que se prendem com a intervenção farmacológica e não farmacológica, com os apoios sociais e com os equipamentos, através da criação e implementação de políticas de saúde e de enquadramento social específicas;

3 - Que promova a investigação sobre as causas, prevenção e diagnóstico da Doença de Alzheimer e recolha dados epidemiológicos, através de um estudo que permita conhecer a realidade das alterações neurocognitivas na Região Autónoma da Madeira, em parceria entre o Serviço Regional de Saúde (SESARAM), a Associação Alzheimer Portugal e a Universidade da Madeira (UMA);

4 - Que defina, a partir do conhecimento dos meios atuais e das reais necessidades das pessoas com demência e dos seus cuidadores na Região Autónoma da Madeira, a rede de apoios e cuidados de saúde, devidamente articulada, definindo as competências públicas e da sociedade civil, assim como os respetivos financiamentos;

5 - Que se efetive o reforço das políticas entre a Secretaria Regional da Saúde e a Secretaria Regional da Inclusão e Assuntos Sociais, para o desenvolvimento de respostas estruturadas de continuidade de cuidados e de redes de apoio às situações demenciais e de dependência de pessoas com doença de Alzheimer, Parkinson e doença mental."

Consulte aqui a Resolução da Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira n.º 21/2016/M


Eleições | Delegação Norte

No dia 11 de Junho de 2016, Eduardo Luí­s Capucho dâ??Arbuí©s Moreira, associado número 6817, por procuração da Presidente da Mesa da Assembleia Geral da APFADA, Maria da Conceição do Rego da Costa Salema Côrte Real, associada número 6816, presidiu à Mesa da Assembleia Geral Extraordinária da Delegação Norte, tendo como ponto único da Ordem de Trabalhos a eleição dos Corpos Sociais da referida Delegação.

Foram recebidos 81 por correspondência, efectuados 5 votos presencias e 3 por procuração. Apurados todos os boletins de voto, a Lista A obteve 81 votos e a Lista B 8 votos.

Ficou assim eleita a Lista A, a quem dei aqui de imediato posse com plenos poderes para a gestão corrente e toda a movimentação bancária da Delegação Norte para o triénio de 2016 a 2018.

A Lista A é composta pelos seguintes Corpos Sociais:

  • Presidente - Ana Sofia Castanheira Taborda, sócia número 8764
  • Secretária - Marisa Conceição Meirinho, sócia número 4916
  • Tesoureira - Zulmira Clara da Piedade Rodrigues, sócia número 4304

Protocolos

Benefícios para Associados

Importância de ser Associado da Alzheimer Portugal:

  • Fazer parte da única associação de âmbito nacional que há  mais de 30 anos promove a qualidade de vida das Pessoas com Demência e seus Cuidadores;
  • Participar na vida associativa, nomeadamente:
    • Usando da palavra e votando propostas nas Assembleias Gerais;
    • Eleger e ser eleito para os corpos sociais;
    • Contribuir para a sustentabilidade da Alzheimer Portugal pagando a quota de associado;
  • Beneficiar de descontos na Formação;
  • Beneficiar de descontos em conferências e outros eventos realizados pela Alzheimer Portugal;
  • Beneficiar de descontos em produtos e serviços fornecidos por entidades várias com protocolo com a Alzheimer Portugal (ver abaixo);
  • Beneficiar do Banco de Ajudas Técnicas da Alzheimer Portugal;
  • Candidatar-se ao Programa "Apoio na Incontinência";
  • Candidatar-se a vagas nos Centros de Dia e Lar da Alzheimer Portugal;
  • Candidatar-se aos Serviços de Apoio Domiciliário da Alzheimer Portugal.
  • Beneficiar de Cadernos de Atividade (Estimulação e Criatividade) e um ebook sobre a importância da família e amigos para as Pessoas com Demência.

Parcerias e Protocolos

A Alzheimer Portugal tem vindo a estabelecer diversos protocolos com várias entidades públicas e privadas, procurando sempre benefícios e mais-valias para todos os associados, nas seguintes áreas:

  • Material Médico / Equipamentos Hospitalares / Ajudas Técnicas;
  • Apoio Domiciliário / Serviços de Higiene / Apoio Pessoal;
  • Centros de Dia;
  • Clínicas;
  • Sistemas de Localização;
  • Farmácias;
  • Diversos (ginásios, óticas, etc)

 

Consulte aqui a listagem dos benefícios para os Associados (PDF)

 

PROTOCOLOS: O PAPEL DA ALZHEIMER PORTUGAL

Com a intenção de proporcionar aos seus associados melhores condições de acesso a produtos e serviços dirigidos às Pessoas com Demência, a Alzheimer Portugal tem vindo a publicitar uma listagem de entidades que lhes concedem descontos mediante a apresentação do cartão de associado com o respetivo autocolante que comprova o pagamento da quota associativa.

Como é óbvio, temos sempre procurado celebrar estes acordos com entidades que, à partida, se apresentem como idóneas e desde que, no que se reporta àquelas que detêm equipamentos, os mesmos estejam devidamente licenciados pelos serviços competentes.

Continuaremos a seguir estes princípios, na esperança de contribuirmos para uma melhor qualidade de vida das pessoas com demência e dos seus cuidadores.

Situações que eventualmente se verifiquem e que contrariem a idoneidade das entidades, agradecemos que sejam reportadas aos serviços da Segurança Social, uma vez que a Alzheimer Portugal não tem legitimidade para inspecionar as entidades em causa.

 

Artigo atualizado em maio de 2023


Eleições | Delegação Norte

Convocatória

Convocam-se os Associados da Alzheimer Portugal - Associação Portuguesa de Familiares e Amigos de Doentes de Alzheimer para a Assembleia Geral Extraordinária que terá lugar no dia 11 de Junho de 2016, nas suas instalações da Delegação Norte, sitas na Rua do Farol Nascente nº 47 A r/c, Lavra, Matosinhos.

A Assembleia reunirá em primeira convocatória às 10.00h e, em segunda convocatória, às 10.30h, com qualquer número de associados, tendo como ponto único da Ordem de Trabalhos a eleição dos Corpos Sociais da Delegação Norte da Alzheimer Portugal.

Lisboa, 25-05-2016

A Presidente da Mesa da Assembleia Geral

Maria da Conceição Salema Corte-Real

ELEIÇÃO DOS NOVOS CORPOS SOCIAIS DA DELEGAÇÃO NORTE

LISTA A

DIREÇÃO:
Presidente: Ana Sofia Castanheira Taborda (associado nº 8764)
Secretário: Marisa Conceição Meirinho Fernandes (associado n.º 4916)
Tesoureiro: Zulmira Clara da Piedade Rodrigues (associado n.º 4304)

LISTA B

DIREÇÃO:
Presidente: Diana Isabel Mota Barbosa (associado nº 3743)
Secretário: Vanessa Sofia Oliveira Pereira (associado n.º 10082)
Tesoureiro: Ana Emília Santos Nogueira (associado n.º 6163)

Carta da Lista B para os Associados da Alzheimer Portugal - descarregue aqui

AVISO

É admitido o voto por correspondência sob condição de o seu sentido ser expressamente indicado com relação ao ponto da Ordem de Trabalhos e de a assinatura do associado poder ser confirmada pela junção de cópia do seu Bilhete de Identidade/Cartão de Cidadão.

Os associados podem fazer-se representar por outros associados nas reuniões da Assembleia Geral, mediante carta dirigida ao Presidente da Mesa, mas cada associado só pode representar um outro associado.

Documentos para Download:

BOLETIM DE VOTO - descarregue aqui

ANEXO I PROPOSTA DE MINUTA PARA VOTO POR CORRESPONDÃ?NCIA- descarregue aqui

ANEXO II PROPOSTA DE MINUTA PARA VOTO POR PROCURAÇÃO - descarregue aqui

Envio de Minutas e Correspondência para:

 

Presidente da Mesa da Assembleia Geral

Delegação Norte da Alzheimer Portugal
Centro de Dia «Memória de Mim»
Rua do Farol Nascente nº 47A R/C
4455-301 Lavra


Grupo de Intervenção Psicoeducativa em Aveiro

O Grupo de Intervenção Psicoeducativa para Cuidadores Familiares de Pessoas com Demência (GIPE) é uma iniciativa da Santa Casa da Misericórdia de Aveiro, em parceria com o Núcleo Aveiro da Alzheimer Portugal, no âmbito da sua intervenção com Pessoas com Demência e seus cuidadores.

A condição degenerativa progressiva do cérebro nas situações clínicas de demência, originam alterações na capacidade de memória e raciocínio, bem como na esfera emocional e afetiva. Com o decorrer do tempo, as pessoas com demência vêm a necessitar de ajuda, quer por parte da família, quer por parte de pessoas amigas.

Os familiares que prestam os cuidados a pessoas com demência têm também necessidades de apoio. Esta situação provoca grandes modificações nas suas vidas.

Quem cuida da Pessoa com Demência lida com grandes responsabilidades e desafios, que podem ter consequências pessoais como, sintomatologia depressiva (dores de cabeça, dificuldades em adormecer e sensação de fadiga); sintomas emocionais (tensão, irritação e sensação de culpa); modificações nas relações (com o doente, família e amigos); alterações económicas (despesas com a prestação de cuidados); isolamento Social e menos tempo para si próprio.

De forma a ajudar os familiares a lidar com as exigências desta situação, pretende-se constituir um grupo de cuidadores de 8 a 12 elementos para integrarem um programa composto por 6 sessões.

As sessões serão orientadas por profissionais qualificados e organizadas em torno de duas vertentes: educativa e de suporte. As sessões terão a periodicidade semanal, com a duração prevista de 60 a 90 minutos

A frequência é gratuita.

Programa
Horário: das 14.30h00 às 16h
Local: União de Freguesias da Glória e Vera Cruz | Rua das Pombas nº 9/11 | 3810 Aveiro

Sessão 1: «Abordagem Clínica da Demência» - 01 de Junho.2016
Drª Ana Paula Vaz - Psicóloga Clínica

Sessão 2: «Prestação de Cuidados» - 08 de Junho.2016
Enfermeiro Óscar Norelho

Sessão 3: «O Cuidado do Prestador de Cuidados» - 15 de Junho.2016
Drª Ana Paula Vaz - Psicóloga Clínica

Sessão 4: «Estratégias de Relaxamento para os Cuidadores» - 22 de Junho.2016
(sessão teórico-prática)
Terap. Maria José Nolasco e Terap. Sofia Escada - Fisioterapeutas

Sessão 5: «Atividades Básicas de Vida Diária» - 29 de Junho.2016
Drª Cátia Guimarães - Psicomotricista

Sessão 6: «Recursos à disposição dos cuidadores» - 06 de Julho.2016
Drª Ana Sofia Pereira - Técnica Superior de Serviço Social

INSCRIÇÕES:

- VIA EMAIL: geral.aveiro@alzheimerportugal.org | gipe@scmaveiro.pt
- VIA TELEFONE: 234 940 480
- Preenchimento do Formulário: https://docs.google.com/forms/d/1rve66VqcDvT99fwmvM7eXjTQiSTLrMz3PcnK_o4CHjs/viewform?c=0&w=1&usp=mail_form_link


20 Anos Grupo de Suporte Lisboa

O Início do Primeiro Grupo de Suporte da Alzheimer Portugal

O Grupo de Suporte ou os Heróis Anónimos

Terá sido num Outono quente, com as folhas dos plátanos ao rubro, quando eu, ao participar no 1º Congresso de Psicogeriatria do Canadá, em Montreal, reparei numa banca sem ninguém, que exibia o nome da Sociedade de Alzheimer. Foi aí que recolhi os primeiros folhetos informativos, entre os quais o dos grupos de suporte. Mais tarde, Mary Ann Chang e Maria Matias viriam a fornecer-me ainda mais material dos Centros de Toronto. A Sociedade de Alzheimer do Canadá, sendo a mais antiga do Mundo, dispunha de ampla experiência e material (brochuras, filmes, etc) adequados às várias nacionalidades.

Nas reuniões que tínhamos cá com os familiares dos pacientes, no Serviço de Neurologia do Hospital de Santa Maria, surgia sempre o desejo de poderem trocar impressões e de receber informação (a informação na altura, em princípios de 90, era muito escassa e distribuída por nós em pequenos textos que compilávamos e fotocopiávamos, ainda sem dispor de internet).

Logo que dispusemos dum espaço, por sinal muito agradável, graças à Professora Amélia, reuniu-se o 1º grupo, e foi muito gratificante sentir que estávamos a dar resposta a uma importante necessidade.

A conceção foi, desde o início, a de um grupo aberto a uma média de 8 pessoas (familiares, ou amigos de pacientes, quase sempre cuidadores diretos). Estabeleceram-se os critérios necessários e usuais (a moderação foi de início assumida voluntariamente por uma psicóloga amiga, a Dra. Carmelinda Melo, que ainda hoje lembra «esses heróis anónimos»), e decorridos poucos meses formámos um segundo grupo, sendo este fechado, com duração limitada e temas selecionados (moderado pela Dra. Vanda Costa, psicóloga). Este grupo reunia nas instalações do Centro da igreja de S. Sebastião da Pedreira, por gentil cedência do senhor pároco.

Com a mudança para uma sede maior, na R. João de Menezes, passámos a reunir em espaço próprio, embora menos cómodo. A sede voltou a mudar, e atualmente temos espaço suficiente, sim, mas uma fraca acessibilidade, o que não constitui porém obstáculo ao dinamismo da actividade.

O grupo era moderado pela Dra. Luí­sa Pomar Gonçalves (a Luisinha) e coordenado por mim, beneficiando sempre da presença das manas Luí­sa e Fátima e da Prof. Amélia, que, como elementos mais antigos, partilhavam uma preciosa experiência.

Sendo um grupo aberto, é normal reaparecerem membros cujo familiar já faleceu, mas que sentem vontade de continuar a transmitir vivências.

Na verdade, eu pensara criar um espaço onde os cuidadores pudessem sobretudo libertar-se durante umas horas das suas preocupações e falar doutros assuntos, mas isso cedo se revelou utópico. À volta duma chávena de chá as pessoas recarregam outras energias.

Com o falecimento da Luisinha, em 2009 (parece que foi agora, tão presente ela ficouâ?¦), e na impossibilidade de eu sozinha assegurar mensalmente o Grupo, contratou-se uma psicóloga (até aí, à exceção do grupo fechado de curta duração, só havia voluntárias), a Dra. Ana Isabel Paiva, que não só tem dado uma excelente continuidade, como expandiu o atendimento conforme as necessidades. Mantenho a coordenação, fácil à distância, e esporádicas visitas.

Esta é pois a forma talvez mais clássica (embora com algumas variantes, tais como sessões de contos ou de relaxamento), mas também mais robusta do funcionamento de Grupos de Suporte (a diferença para os grupos de autoajuda, é de que estes funcionam sem orientador técnico). Nos balanços que temos feito, os graus de satisfação e de eficiência são bastante elevados, o que nos torna felizes e sempre atentos a adaptações ou mudanças, se porventura vierem a ser necessárias.

Olívia Robusto Leitão
Médica Psiquiatra
Membro da Comissão Científica da Alzheimer Portugal


Dra. Ana Isabel Paiva

Moderadora do Grupo de Suporte de Lisboa

Olá a todos!

Sinto-me encantada por poder partilhar convosco a minha experiência.

Chamo-me Ana Paiva, sou Psicóloga Clínica, e desde 2010 que sou responsável pelo Grupo de Suporte de Lisboa para Cuidadores de Pessoas com Demência.

Tomei contacto pela primeira vez com esta realidade durante o meu percurso académico. Realizei voluntariado junto de famílias com esta problemática, estagiei com pessoas muito idosas, várias das quais com demência, e desenvolvi uma investigação com um grupo alargado de cuidadores, que se tornou na minha tese de licenciatura. Por outro lado, profissionalmente tive oportunidade de dinamizar grupos de cariz lúdico- educativo, o que me fez começar a perceber o potencial do Grupo para a aprendizagem e para o desenvolvimento pessoal. Portanto, para mim foi natural envolver-me num projeto desta natureza.

Sendo as minhas expectativas positivas desde o início, não pude todavia deixar de sentir a responsabilidade de dar continuidade ao trabalho de elevada qualidade humana e profissional, desenvolvido pela Dra. Luí­sa Pomar Gonçalves que, durante muitos anos, moderou este grupo com um abnegado sentido de missão. Tornou-se claro para mim desde o início que os cuidadores procuravam no grupo sobretudo uma oportunidade de serem escutados, acolhidos na sua dor, de confirmarem que não estão sós, isto é, que existem outras pessoas em situação semelhante à sua. A necessidade de esclarecimentos sobre a doença é também importante, contudo considero que é a necessidade de suporte emocional que mais se afirma.

Uma vez compreendida a essência do grupo, passei à fase seguinte, que foi a de encontrar o meu lugar no seio do mesmo, talvez de forma muito simplista isto corresponda à pergunta «O que é que faço?» Eu recebo individualmente todos os cuidadores interessados em participar no grupo pela 1ª vez. Desde 2010, cerca de 300 pessoas demonstraram essa intenção.

Organizo as questões logísticas das 2 reuniões mensais, nas quais recebemos em média 8 cuidadores em cada reunião. Promovo pontualmente atividades de convívio informal entre os cuidadores e respondo às solicitações e emails que vão surgindo entre as reuniões. Por outro lado, e sempre que as necessidades do cuidador não podem ser providas exclusivamente pela frequência do grupo, entram em ação outras respostas e serviços da Associação, tais como o atendimento social ou a formação para cuidadores.

Então, é só isto que eu faço? Não. Ou melhor dizendo, sim. Mas convém explicar que o meu papel principal é moderar o grupo, essencialmente durante as reuniões. Enquanto psicóloga, cabe-me facilitar a comunicação entre todos, apoiando alguns participantes que inicialmente mostram mais dificuldade em intervir ou que estão emocionalmente mais fragilizados.

Nas reuniões do grupo, todas as pessoas têm a oportunidade de falar, mas também o direito de não o fazer. Sabemos que alguns cuidadores inicialmente reservados tornam-se com o tempo mais participativos e empenhados em ajudar os outros. Muitos dos problemas abordados no grupo relacionam-se essencialmente com a aceitação da doença por parte dos cuidadores principais e da família mais próxima. Por se tratar de um processo longo e difícil, é importante providenciar tempo para que cada cuidador possa falar livremente sobre o que está a sentir, sem temer julgamentos de qualquer espécie. A finalidade do grupo é ajudar os seus membros a lidar com os acontecimentos desgastantes derivados da vivência da doença, ajudando-os a crescer e a evoluir ao longo de todas as fases, mostrando que a adaptação a situações de doença é possível, melhorando a qualidade de vida dos cuidadores.

A expressão usada por alguns participantes «estamos todos no mesmo barco» reflete bem o ambiente de partilha que habitualmente se vive nas reuniões do grupo. Existem momentos de angústia mas também existe interajuda, bons momentos de humor, e uma atitude de esperança.

O objetivo final é que cada cuidador saia da reunião do grupo a sentir-se menos só, mais informado, mais encorajado! Sempre que assim é, cumpre-se o propósito na origem deste grupo.

No que me diz respeito, quer a nível profissional, quer a nível pessoal, considero que o maior capital desta experiência são todas as pessoas que fui conhecendo, muitas das quais são elas próprias verdadeiras «lições de vida». A todos esses cuidadores, o meu Bem-Haja e o convite sempre renovado para que venham estar connosco numa próxima reunião!

Ana Isabel Paiva
Psicóloga Clínica
gruposuportelisboa@alzheimerportugal.org
960 186 793


Testemunhos de Cuidadores

Vanda Barbosa
Não queria deixar de partilhar o meu testemunho porque a Associação tem sido sem dúvida um importante apoio para me ajudar a compreender melhor a doença de Alzheimer e a recuperar o ânimo quando me confrontei com a cruel inevitabilidade de ir perdendo aos poucos um ente muito querido, a minha Mãe, que sempre foi a maior referência na minha vida. Nos encontros de familiares e amigos de doentes de Alzheimer encontrei não apenas ajuda técnica mas também amizade, solidariedade, entreajuda, atitude positiva e esperança, que me fizeram estar grata por ainda ter a minha Mãe comigo e a valorizar os momentos de lucidez de que ainda vou desfrutando em detrimento das faculdades já perdidas de fazer as mais simples tarefas como compras, cozinhar, cuidar da própria higiene e socializar. Em suma, a Associação e em particular a Dra Ana Isabel Paiva e o grupo de cuidadores têm sido uma ajuda preciosa para aceitar e para lidar com a doença de Alzheimer.

Muito obrigada!
Abraço,
Vanda Barbosa

Fernanda Falcão
O Grupo de Suporte foi para mim um grande apoio enquanto pude ser eu a cuidar do meu marido. Aí encontrei soluções para os problemas que foram surgindo no dia-a-dia.
Infelizmente, a doença do meu marido progrediu muito rapidamente, talvez por ele ainda ser muito novo (tem agora 66 anos) e deixei de conseguir tratá-lo sozinha. Depois de muito ponderar optei pela sua ida para um lar.
Fernanda Falcão

Jorge Manuel Barata
Sou cuidador principal da minha mulher que sofre de DFT. Desde 2011 que participo nas reuniões de cuidadores/as.
Gostaria de salientar que se trata dum fórum onde se vivem situações de grande intensidade dramática. Mas também de procura e partilha de estratégias que visam tornar a vida dos entes queridos de quem cuidamos mais feliz. Sem ilusões, mas com Amor e Coragem.
Destaco o papel extremamente competente, quer do ponto de vista humano, quer profissional, da coordenadora do Grupo de Lisboa : a Dra. Ana Isabel Paiva.
Jorge Manuel Barata

Manuela Furtado
Antes de dar inicio ao meu testemunho, gostaria de vos dar os Parabéns por estes 20 Antes de dar inicio ao meu testemunho, gostaria de vos dar os Parabéns por estes 20 anos!
A nossa relação com o Grupo de suporte já dura há 5 anos...Parece que foi ontem, mas o que me fez procurar este Grupo foi a necessidade de saber mais sobre esta doença que nos tinha entrado pela porta e como haveríamos de agir perante tantas perguntas e dúvidas!
A minha sogra tem a doença de Alzheimer e quando lhe foi diagnosticada a doença foi viver connosco e nada ou quase nada sabíamos sobre a mesma!
O Grupo de suporte fez-me sentir que não era a única a viver esta realidade e que não estava sozinha!
O testemunho dos diversos participantes nas reuniões é muito enriquecedor e gratificante porque serve para que possamos falar sobre as nossas dificuldades diárias enquanto cuidadores/familiares e como poderemos contornar e lidar com as mesmas.
A partilha de experiências, positivas e negativas, são úteis para todos nós... Servem para aliviar a nossa tensão emocional, mas ao mesmo tempo estamos a dar e a receber conhecimentos duma forma espontânea, sem julgamentos, sem contrapartidas, de igual para igual!
Esta doença tem diversos estadios e enquanto cuidadores/familiares somos forçados a apreender que a doença avança e com ela vão surgindo outras questões, dilemas e realidades, que temos que nos ir ajustando à sua evolução para que possamos compreender, ajudar e a estar com o doente!
A importância do Grupo de Suporte para mim? É essencial na minha vida! Estou grata pela sua existência, pelo apoio e disponibilidade que tem dado sempre! Bem Hajam!

Gostaria de partilhar uma foto de família!

Beijinhos
Manuela Furtado

Ana Abrunhosa
O Grupo de Suporte para cuidadores de pessoas com Alzheimer tem sido um importante espaço de partilha e aprendizagem. Foram vários os momentos marcantes desde os primeiros encontros em que participei, mas gostaria de destacar dois: o Passeio da Memória 2015 e o Workshop de Meditação e Relaxamento.
No Passeio da Memória de 2015 conheci um casal extraordinário, ambos cuidadores, ambos lutadores, com um sorriso genuí­no e uma grande generosidade para ouvir e ajudar os outros. Nessa manhã, conseguimos sorrir e ver um certo lado humorístico em algumas situações familiares que nos angustiavam.
O Workshop de Relaxamento, Meditação e Criatividade foi outro momento de descompressão. Com a ajuda de Aldora Amaral, libertámos o corpo e a mente de "pesos" negativos. E voámos. Cada um ao seu ritmo. Saímos leves. E mais fortes.

Qual a importância do Grupo de Suporte para si?
Um espaço de liberdade e entreajuda, no qual os cuidadores podem partilhar, ouvir, aprender, relaxar, sorrir, compreender, questionar, acreditar, ajudar, esclarecer. Há lugar para expressar frustrações, dúvidas e ansiedades; mas também para partilhar alegrias, esperanças e conquistas. A cada encontro, reforçamos os três pilares essenciais para conviver com a doença de Alzheimer (e passo a citar o Jorge Barata): amor, lucidez e coragem.

Ana Abrunhosa

 

19 de Maio de 2016