O exemplo de Malta para a criação de um Plano Nacional para as Demências
O exemplo de Malta para a criação de um Plano Nacional para as Demências
Entrevista com Charles Scerri
Charles Scerri foi secretário-geral da Malta Dementia Society desde o seu início em Setembro de 2004 e em 2008 foi eleito para a Direção desta Associação. A nível profissional, leciona Neuropatologia e Neurofarmacologia na Universidade de Malta.
Em Junho de 2012, Charles Scerri visitou Portugal, como convidado da Alzheimer Portugal para a 26ª Reunião do GEECD (Grupo de Estudo de Envelhecimento Cerebral e Demências), onde fez uma apresentação intitulada "From Paris to Malta: A road map towards a National Dementia Plan" sobre o seu trabalho desenvolvido em Malta para a implementação de um Plano Nacional para as Demências.
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O Dr. Charles Scerri trabalha há vários anos com a associação de Alzheimer em Malta. Um dos seus maiores desafios foi a implementação de um Plano Nacional para as Demências em Malta. O plano ainda não foi implementado, mas estão no bom caminho, certo?
Temos vindo a trabalhar no Plano para as Demências em Malta desde Maio de 2009, quando o Grupo de Estratégia para a Demência de Malta foi lançado pelo Departamento Maltês dos Idosos e Comunidade, com a tarefa de apresentar uma série de recomendações às autoridades que iriam funcionar como um fio condutor para a criação de um Plano Nacional.
Um dos objetivos deste Grupo de Estratégia era avaliar a situação da demência naquele momento e iniciar um processo de consultoria em larga escala com todas as partes interessadas que trabalhem com pessoas com demência, bem como com o público em geral.
O relatório de recomendações foi apresentado às autoridades de saúde em Janeiro de 2010 e o Plano Nacional para as Demências encontra-se na sua fase final, estando agora a ser discutido a nível administrativo. O nosso objetivo é que o Plano seja aprovado e implementado ainda em 2012.
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Como define todo este caminho? Tem sido uma dura batalha?
No início, foi uma batalha muito difícil. Quando a Malta Dementia Society foi fundada em Setembro de 2004, tínhamos uma sociedade em Malta para a qual a demência ainda era considerada como um assunto tabu, do qual ninguém queria falar. As pessoas com demência ainda estavam rotuladas, dando origem ao isolamento e estigma social.
Naquela altura, nem mesmo as autoridades de saúde estavam realmente interessadas no tema da demência, não sendo este considerado um assunto de interesse público. Na verdade, um dos principais objetivos da Malta Dementia Society foi aumentar a consciencialização e os conhecimentos sobre as demências entre os profissionais de saúde e o público em geral.
A nível governamental, Malta começou a revelar interesse na temática, após a Conferência de Paris em 2008, onde os decisores políticos de toda a Europa se reuniram para discutir a demência a nível Europeu. A partir de então, o Governo maltês mostrou-se mais disponível para discutir esta questão e fazer algo para melhorar o estado da demência em Malta. Isto aconteceu também devido ao facto de a população de Malta estar a envelhecer progressivamente.
Estima-se que em 2050, quase 30% da população de Malta terá mais de 65 anos e que o número de indivíduos com demência atingirá os 3,3% da população.
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Quais são as principais características do Plano Nacional que estão a tentar implementar em Malta?
O Plano de Malta para as Demências contém uma série de objetivos que se pretende que sejam atingidos até 2020. Alguns deles incluem a necessidade de aumentar a consciencialização e o conhecimento sobre as demências entre a população em geral e entre os profissionais de saúde, através do desenvolvimento de campanhas orientadas, da necessidade alcançar o diagnóstico precoce e de aconselhamento tanto no momento desse diagnóstico, como posteriormente.
Pretende-se também apostar numa abordagem holística para a intervenção não-farmacológica e farmacológica nas pessoas com demência, na melhoria dos serviços de cuidados de saúde, na prestação de cuidados paliativos, na promoção de princípios éticos, fornecendo formação especializada aos profissionais saúde e reforçando a investigação e a vigilância na área das demências.
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Quais foram os principais desafios e obstáculos que foram encontrando em todo este processo para a implementação de um Plano Nacional?
Nos últimos anos, os conhecimentos sobre as demências entre o público maltês aumentaram significativamente, sendo mesmo consideradas por muitos uma prioridade de saúde pública por muitos. Embora exista ainda muito trabalho a ser feito, alguns serviços já estão disponíveis para as pessoas com demência, incluindo uma linha de apoio, um centro de atividades especializadas para pessoas com demência e unidades especializadas de cuidados a longo prazo.
Embora ainda não tenha sido publicado, algumas partes do Plano Nacional para as Demências já foram implementadas, nomeadamente a disponibilização gratuita de medicação específica para a demência. A oferta de formação a nível superior também tem aumentado significativamente nos últimos anos, passando assim os nossos futuros profissionais a estar mais bem preparados para lidar com casos de demência.
As demências são, de facto, doenças bastante complexas e dispendiosas e qualquer plano precisa de ter um suporte financeiramente viável. Nos dias de hoje, em que vários países da Europa enfrentam graves situações de instabilidade financeira, o financiamento de um Plano Nacional continua a ser o principal obstáculo.
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Na sua opinião, quais são as principais vantagens da implementação de um Plano Nacional para as Demências?
A principal vantagem é que o Plano irá permitir a criação de estruturas através das quais as pessoas com demência, os seus cuidadores e familiares receberão os cuidados de alta qualidade que merecem.
É um plano com uma abordagem de cuidados centrados na pessoa, que privilegia o valor humano, independentemente da idade e do estado cognitivo, respeitando a sua dignidade ao longo das várias fases de progressão da doença.
Com um Plano Nacional pretende-se, também, melhorar a qualidade de vida das pessoas que cuidam destes indivíduos e que assumem a maior parte dos encargos inerentes à prestação de cuidados.
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Acredita que, uma vez implementado, o Plano Nacional se repercutirá numa melhoria da qualidade de vida das pessoas com demência e dos seus cuidadores, bem como num aumento do número de diagnósticos precoces da Doença de Alzheimer e outras formas de demência?
Este plano tem potencial para nos permitir enfrentar os vários desafios que as demências colocam à população em Malta. Pretendemos lançar as bases para que se verifiquem mudanças ao nível do diagnóstico, tratamento e gestão da evolução destas doenças. Estou esperançoso e confiante de que os objetivos a que nos propusemos no Plano irão melhorar a qualidade de vida destas pessoas, dos seus cuidadores e familiares.
Para quando um Plano Nacional para as Demências em Portugal?
Para quando um Plano Nacional para as Demências em Portugal?
Projetos de Resolução: As Demências como uma prioridade nacional
Em Outubro de 2010, os projetos de Resolução que propõem o reconhecimento das Demências como uma prioridade nacional foram aprovados na Assembleia da República.
A Assembleia da Republica aprovou dia 22 de Outubro de 2010 dois Projetos de Resolução, um do PSD e outro do CDS-PP, que propõem ao Governo o reconhecimento da Doença de Alzheimer e de outras formas de Demência como uma prioridade nacional, bem como a criação de um Programa ou Plano Nacional para as Demências, preconizando ambos uma série de medidas que o devem integrar.
Estes Projetos, que foram aprovados com a abstenção do Partido Socialista e com o voto favorável dos restantes partidos, vão ao encontro do que tem vindo a ser proposto e defendido pela Associação Alzheimer Portugal e representam um sinal claro de que Portugal, à semelhança de outros países europeus, poderá finalmente começar a lançar as bases de um Plano Nacional para as Demências.
Em Outubro de 2009, a Associação Alzheimer Portugal obteve por parte de deputados de todos os partidos com assento parlamentar um compromisso de um maior apoio na questão das demências e dos direitos das pessoas com Doença de Alzheimer, dos seus cuidadores e das suas famílias.
"Esta aprovação demonstra o apoio do Parlamento às propostas que a Alzheimer Portugal tem vindo a defender e constitui um marco fundamental do movimento europeu e nacional no sentido do reconhecimento da doença de Alzheimer e de outras formas de demência como prioridade de saúde pública.
O desafio de criar um Plano Nacional para as Demências é enorme e a sua concretização dependerá do envolvimento sério e convicto não só dos decisores políticos, nacionais e locais, mas também, e em grande medida, dos decisores económicos e sociais e de todos os cidadãos.
A todos cabe, desde já, sensibilizar e informar através de uma campanha nacional que retire as vítimas desta doença da solidão, do isolamento e do silêncio a que têm sido votados.
Reconhecida a prioridade e definidas as linhas mestras do Plano, a cada um de nós caberá saber nortear a nossa atuação no sentido de, e desde já, adaptar os recursos existentes às necessidades das 153 000 pessoas que em Portugal sofrem de alguma forma de demência.
Pela nossa parte, e como Associação que há 22 anos tem como objetivo primordial a melhoria da qualidade de vida das pessoas com demência e dos seus cuidadores e familiares, tudo continuaremos a fazer para garantir que as palavras se traduzam em respostas concretas em matéria de cuidados, dos equipamentos e serviços específicos, da formação dos profissionais e dos cuidadores familiares e ainda das questões éticas e jurídicas."
Presidente da Direção da Alzheimer Portugal
Outubro de 2010
Demência: Uma Prioridade de Saúde Pública
Demência: Uma Prioridade de Saúde Pública
A Organização Mundial de Saúde (OMS) publicou o relatório ?Demência: Uma Prioridade de Saúde Pública?, que apresenta dados atuais sobre o estado da demência no mundo. Segundo a OMS, um novo caso de Demência é diagnosticado a cada 4 segundos.
Apenas 8 países em todo o mundo têm um plano de atuação para as Demências. A Organização Mundial da Saúde pede aos governos de todo o mundo para desenvolverem um Plano Nacional para as Demências com soluções e abordagens que impulsionem o diagnóstico precoce, sensibilizem a opinião pública sobre a doença, reduzam o estigma e proporcionem um melhor atendimento e mais apoio aos cuidadores.
O número de casos diagnosticados de demência irá triplicar até 2050, mas a realidade continua a ser ignorada.
Em todo o mundo, cerca de 35,6 milhões de pessoas vivem com demência. Este número deverá duplicar até 2030 (65,7 milhões) e mais que triplicar em 2050 (115,4 milhões). A demência afeta pessoas em todos os países, com mais de metade dos casos (58%) em países desenvolvidos. Em 2050, este número é suscetível de aumentar para mais de 70%.
Cuidar de pessoas com demência tem um custo atualmente de mais de 604 mil milhões de dólares por ano, incluindo aprestação de cuidados de saúde e serviços sociais, assim como a redução ou perda de rendimentos das pessoas com demência e dos seus cuidadores.
Plano Nacional para as Demências
Plano Nacional para as Demências
Uma das grandes prioridades da Alzheimer Portugal é a criação e implementação de um Plano Nacional para as Demências que contemple:
I - Melhoria da qualidade de vida das pessoas com demência e dos seus cuidadores:
- Intervenção farmacológica e não farmacológica;
- Apoios sociais;
- Serviços e Equipamentos acessíveis e adequados aos seus destinatários
II ? Investigação
- Prevenção;
- Diagnóstico;
- Recolha de dados epidemiológicos
III - Mobilização para o envolvimento da população:
- Informação, sensibilização e reflexão sobre as questões éticas e jurídicas que leve à criação de enquadramento legal adequado sobre direitos, cuidados, intervenção e investigação
Informação para os pais e avós
Informação para os pais e avós
Aqui explicam-se algumas formas de como os jovens podem ser afetados, quando alguém que lhes é próximo tem Demência. Enumeram-se algumas perguntas que as crianças podem fazer e maneiras de os pais e avós lidarem com estas.
Embora a grande maioria das pessoas com Demência seja idosa, podem existir crianças e adolescentes a viver na mesma casa ou na sua proximidade, que são fortemente afetadas pela doença de alguém que amam. Por exemplo, a avó pode ser diagnosticada com Demência ou no caso de uma Demência precoce, o diagnóstico pode ser feito ao pai. Numa altura em que os jovens estão a tentar lidar com o seu crescimento, têm também de lidar com um membro da família que está doente.
Lembre-se que as crianças não conseguem, de uma só vez, assimilar muita informação. Explique as coisas de uma forma simples e adequada ao seu nível de desenvolvimento.
Informar as crianças
A forma mais importante para ajudar os filhos ou netos a lidarem com a Demência é falar abertamente e estar disposto a ouvir. Eles necessitam da oportunidade de fazer perguntas e expressar os seus sentimentos, sem terem medo de uma reação negativa.
Adolescentes
Os adolescentes são, geralmente, bons a expressarem-se a si próprios e aos seus sentimentos, mas não se surpreenda se não iniciarem a conversa. Preste atenção a alguns sinais do comportamento que indiquem que o adolescente está a pensar sobre algo e tente falar abertamente com ele.
Alguns jovens podem ter dificuldade em falar com os pais, por não quererem preocupá-los ou por terem receio que eles fiquem tristes ou, ainda, de serem um fardo adicional. Os jovens podem preferir falar com pessoas da sua idade ou com um conselheiro.
Lembre-se
Os jovens irão reagir de forma diferente consoante:
- A idade e o estádio de desenvolvimento;
- A personalidade;
- A importância que a pessoa com Demência tem nas suas vidas;
- Quantas vezes interagem com essa pessoa
Perguntas que os jovens podem fazer:
- O que está a acontecer à pessoa com Demência?
- Porque é que isto está a acontecer?
- Porque é que a medicina não consegue tratá-la?
- Fiz alguma coisa para a pessoa ficar doente?
- Será que também vou ter esta doença?
- A pessoa vai morrer?
- O que posso fazer para que a pessoa fique melhor?
- Quem vai cuidar de mim?
- Porque é que todos estão tão tristes e zangados?
- Porque é que as coisas não podem ser como antes?
Emoções que os jovens podem sentir
- Medo;
- Culpa;
- Negação;
- Ciúme;
- Ressentimento;
- Frustração;
- Raiva;
- Tristeza;
- Tensão e stress;
- Constrangimento;
- Enorme sentimento de responsabilidade;
- Falta de vontade de assumir responsabilidade;
- Desespero e desânimo;
- Desamparo;
O que pode tentar
- Mostre-lhes que são amados;
- Reconheça que para eles também é difícil;
- Permita que os jovens digam o que realmente sentem e não tenha medo dos sentimentos deles ou dos seus próprios sentimentos;
- Ajude-os a enfrentar e a lidar com os piores medos. Às vezes, esses medos podem ser irreais, mas são certamente muito reais para a criança;
- Tanto quanto possível, tente manter a estrutura familiar. Continuem a fazer algumas coisas que anteriormente faziam em família, pois isso vai dar aos seus filhos um sentimento de segurança e autoconfiança;
- Tente diariamente passar algum tempo com os jovens. É importante que eles continuem a ter um tempo privado quando são o foco da sua atenção;
- Faça planos para a família e execute-os. Seja persistente, mesmo que os jovens não fiquem muito entusiasmados com as suas sugestões;
- Utilize os serviços de prestação de cuidados temporários, para que todos façam uma pausa;
- Estimule os adolescentes a prosseguirem com as suas vidas e a fazerem os seus próprios planos;
- Lide com os conflitos e problemas. Não os ignore;
- Reserve alturas especiais para a família discutir as responsabilidades e os problemas, mas tente que o "ajudar" não se torne no interesse primordial;
- Informe o professor da criança ou o psicólogo da escola de que alguém da família tem Demência. De vez em quando, contacte a escola para saber se a criança tem tido quaisquer problemas
- Incentive a aprendizagem sobre a demência no contexto escolar
Os cuidadores precisam cuidar de si próprios e de tranquilizar as crianças de que não vão adoecer também.
Adaptado de Alzheimer Australia
Informação para os jovens e crianças
Informação para os jovens e crianças
Esta informação foi escrita especialmente para os jovens e responde a algumas questões que estes colocam frequentemente sobre a Demência.
O que é a Demência?
Demência é o nome utilizado para descrever os sintomas de um grande grupo de doenças, que causam um declínio progressivo no funcionamento da pessoa. As pessoas com Demência têm perda de memória e dificuldades de comunicação. Também, apresentam problemas de pensamento, dificuldade em reconhecer pessoas e, por vezes, podem esquecer-se para que servem certas coisas. Durante muito tempo, a pessoa pode exteriormente ter um aspeto saudável mas, por dentro, o seu cérebro não está a funcionar corretamente.
Qual é a diferença entre a Doença de Alzheimer e a Demência?
Existem várias condições que podem provocar Demência. Ouve-se falar mais da Doença de Alzheimer, porque esta é a causa mais comum de Demência.
A Demência é uma doença mental?
Não, é uma doença do cérebro. O cérebro é o nosso centro de controlo e comanda tudo o que fazemos, dizemos e pensamos. Quando o cérebro está doente, temos problemas em todas as ações, incluindo lembrar, falar, entender e aprender novas competências.
Todas as pessoas idosas desenvolvem Demência?
Não. Todas as pessoas se esquecem de algo, de vez em quando, especialmente se estiverem em stress. Uma pessoa sem Demência pode esquecer-se do sítio em que colocou as chaves do carro. Uma pessoa com Demência pode esquecer-se para que servem as chaves do carro.
À medida que as pessoas envelhecem, a possibilidade de desenvolver Demência aumenta. A taxa de prevalência da Demência aumenta com a idade. A Demência afeta 1 em cada 80 mulheres, com idades compreendidas entre os 65 e 69 anos, sendo que no caso dos homens afeta 1 em cada 60. Nas idades acima dos 85 anos, para ambos os sexos, a Demência afeta aproximadamente 1 em cada 4 pessoas.
As pessoas jovens também podem desenvolver Demência?
Por vezes, as pessoas com idades entre os 30 e os 60 anos podem desenvolver Demência, mas esta situação não é muito comum.
Que problemas têm as pessoas com Demência?
A Demência afeta todas as pessoas de maneira diferente. Exemplos de situações que podem acontecer são:
- Esquecimento progressivo;
- Não ser capaz de aprender nova informação ou de seguir instruções;
- Repetir a mesma história ou fazer a mesma pergunta muitas vezes;
- Dificuldade em encontrar as palavras certas ou em completar uma frase;
- Misturar palavras/frases que não fazem sentido;
- Perder e esconder os pertences ou culpar outras pessoas de os terem roubado;
- Fazer confusão sobre a altura do dia, onde estão ou quem são as outras pessoas;
- Medo, nervosismo, tristeza, raiva e depressão;
- Chorar muito;
- Esquecer-se de como fazer atividades do dia-a-dia, tais como cozinhar uma refeição, conduzir um carro ou tomar banho
Como é que os médicos sabem se alguém tem Demência?
Não existe apenas um teste. Devem ser feitos vários exames à pessoa e obter informações das pessoas que a conhecem bem. Existem algumas doenças que podem parecer Demência, mas que são tratáveis. Se estas forem excluídas, então o médico pode afirmar que a pessoa tem um tipo particular de Demência, como por exemplo, Doença de Alzheimer.
Como é que a demência me pode afetar?
Se alguém na tua família tiver Demência, esta pode afetar-te a ti e à restante família, ainda que não residam na mesma casa que a pessoa com Demência. A Demência pode ser muito perturbadora e uma fonte de stress. Podes experienciar alguns sentimentos confusos e não quereres acreditar que isto te está a acontecer. Esta situação é muito normal.
Podes sentir-te aborrecido pelo facto do teu parente com Demência, que tanto amas, ter-se tornado uma pessoa diferente.
Se o teu parente com Demência viver em tua casa, isto poderá significar que vais perder um pouco de atenção ou ser convidado a assumir outras tarefas e responsabilidades. Podes sentir que a tua família já não é normal. Também poderás sentir raiva e ressentimento devido ao facto das pessoas da tua família estarem mais ocupados e já não terem tanto tempo para ti.
Cuidar de alguém com Demência é fonte de muito stress e pode fazer com que as pessoas fiquem cansadas e preocupadas. Por isso, às vezes podem ficar irritadas ou terem pouca tolerância contigo. Tenta entender aquilo que os teus pais também estão a sentir.
Podes não querer ter amigos em tua casa, por estares envergonhado pelo comportamento da pessoa com Demência. Se conseguires aprender mais sobre a doença, poderás explicá-la aos teus amigos.
As crianças podem fazer alguma coisa para ajudar a pessoa com Demência?
Sim. As atividades seguras, simples e tranquilas que envolvam repetição são as melhores. As pessoas com Demência podem lembrar-se de coisas que aconteceram há muito tempo e esquecerem-se daquelas que aconteceram apenas há alguns minutos atrás.
Podes ver um álbum de fotografias da família com a pessoa com Demência ou tocar uma música de que ela talvez se recorde. Uma pessoa com Demência pode ter dificuldade em entender-te. Deves utilizar frases curtas, ser paciente e tentar não discutir.
A pessoa com Demência pode conseguir concentrar-se apenas durante um curto período de tempo. Pára ou muda o que estiveres a fazer, se a pessoa ficar ansiosa ou distraída.
Mesmo que a pessoa não consiga reconhecer-te, o teu amor e compreensão podem ser um grande conforto. Dá-lhe um abraço, um beijo ou faz-lhe uma festa no braço. A melhor ajuda que podes dar é transmitir tranquilidade e deixar que a pessoa perceba que te preocupas com ela.
O que é que as crianças podem fazer para facilitar a vida da pessoa com Demência?
- Aprender tudo o que puderes sobre a doença;
- Ajudar os teus amigos a compreenderem a Demência;
- Ter calma e paciência;
- Ser afetuoso;
- Estar envolvido;
- Ser compreensivo;
- Tratar a pessoa com dignidade;
- Não corrigir o que a pessoa está a dizer, mesmo que seja errado ou confuso;
- Ajudar em casa
E os meus sentimentos?
Lembra-te que todos os sentimentos que tens são normais. É muito difícil ver alguém que amas, e que te ama a ti, esquecer-se de quem tu és e perder a sua independência.
Deves lembrar-te que mesmo quando a pessoa fica irritada, chora muito ou faz coisas estranhas, tem uma doença cerebral e não consegue controlar aquilo que está a fazer. Não culpes a pessoa, nem te culpes a ti próprio pelo comportamento da pessoa.
Adaptado de Alzheimer Australia
Abril 2013
Doença de Parkinson e Demência
Doença de Parkinson e Demência
Uma pessoa com Doença de Parkinson pode também ser diagnosticada com Demência. Aqui pode encontrar informação sobre estas duas doenças.
O que é a Doença de Parkinson?
A Doença de Parkinson é uma condição neurológica degenerativa e progressiva, que ocorre quando as células nervosas (neurónios) de uma zona do cérebro denominada por substância nigra ficam comprometidas ou morrem. Estas células produzem uma substância química denominada por dopamina, que facilita a coordenação dos músculos corporais e do movimento.
A Doença de Parkinson tem 3 sintomas principais:
- Tremores;
- Rigidez muscular;
- Movimentos mais lentos
Existem outros sinais, tais como caligrafia com letra pequena e tremida, falta de expressão facial, perturbação do sono, problemas de equilíbrio, marcha arrastada, diminuição do volume da voz e depressão. Os sintomas podem ocorrer sozinhos ou combinados.
O que é a Demência?
Demência é o termo utilizado para descrever os sintomas de um vasto grupo de doenças que provocam o declínio progressivo no funcionamento da pessoa. É um termo geral utilizado para descrever a perda de memória, capacidade intelectual, raciocínio, competências sociais e reações emocionais consideradas normais.
A combinação entre Demência e Doença de Parkinson é frequente? O que é que a provoca?
Nem todas as pessoas com Doença de Parkinson desenvolvem Demência. No entanto, a Demência atinge cerca um terço das pessoas com Doença de Parkinson. Se a Demência ocorrer, surge habitualmente numa fase avançada da Doença de Parkinson ou nas pessoas que desenvolvem Parkinson numa fase tardia da vida.
Ainda não se compreende claramente como é que a Demência ocorre na Doença de Parkinson. É possível que os corpos de Lewy (os depósitos microscópicos que surgem nas células nervosas do tronco cerebral das pessoas com Doença de Parkinson) desempenhem um papel no desenvolvimento da Demência nestas pessoas.
Existe outra doença denominada por Demência de Corpos de Lewy, que apresenta alguma similaridade à Doença de Parkinson. Algumas pessoas que são inicialmente diagnosticadas com Parkinson podem mais tarde ter uma alteração do seu diagnóstico para Demência de Corpos de Lewy.
Os medicamentos utilizados para tratar a Doença de Parkinson não provocam Demência, mas podem tornar evidentes alguns sintomas que parecem estar relacionados com esta, tais como alucinações, confusão ou comportamento agressivo e que nem sempre estão associados a um declínio do funcionamento cognitivo.
Caso existam comportamentos alterados ou uma deterioração da memória, será importante investigar as situações que podem ser reversíveis. Estas incluem, por exemplo, os efeitos secundários dos medicamentos ou outros problemas médicos (ex.: infeção urinária).
O desenvolvimento de Demência em alguém com Doença de Parkinson, particularmente numa pessoa mais idosa, poderá ser devido a outra causa coexistente (ex.: Doença de Alzheimer ou pequenos enfartes múltiplos).
Que sintomas de Demência são apresentados pelas pessoas com Doença de Parkinson?
Os sintomas de Demência na Doença de Parkinson variam e oscilam frequentemente, o que leva a que a pessoa pareça melhor ou pior, em diferentes momentos do dia.
A Doença de Parkinson com Demência é marcada por esquecimento, lentificação dos processos de pensamento, letargia e perda de capacidades tais como, tomada de decisão, planeamento, raciocínio e capacidade para lidar com situações novas. Pode existir uma perda do controlo emocional, com explosões súbitas de raiva ou angústia, embora estas características sejam pouco frequentes. Podem, também, ocorrer alucinações visuais, que são frequentemente provocadas pelos tratamentos farmacológicos para a Doença de Parkinson.
Como é que os comportamentos alterados, resultantes da Doença de Parkinson e da Demência, são controlados?
Os sintomas psicóticos podem ser exacerbados pelos efeitos secundários dos medicamentos utilizados para tratar a Doença de Parkinson. Deste modo, reduzir a dosagem ou suspender alguns medicamentos pode, por vezes, ajudar, sobretudo no que concerne às alucinações. No entanto, a redução da dosagem, ou suspensão de alguns medicamentos, pode fazer com que os sintomas da Doença de Parkinson não fiquem tão bem controlados como anteriormente.
Os medicamentos antipsicóticos são frequentemente prescritos para tratar os comportamentos alterados. Contudo, podem ter efeitos adversos nas pessoas com Doença de Parkinson e Demência com corpos de Lewy. A nova geração destes medicamentos, conhecida por antipsicóticos atípicos, apresenta uma menor propensão para a produção de efeitos secundários problemáticos, mas é importante ponderar os potenciais benefícios face aos possíveis efeitos secundários.
Os medicamentos utilizados para tratar a Doença de Alzheimer, denominados por inibidores da acetilcolinesterase, também podem ser úteis no tratamento de Demência na Doença de Parkinson.
Muitas intervenções não farmacológicas, utilizadas nas várias formas de Demência, também podem ser aplicadas à Doença de Parkinson com Demência.
Comunicação
As dificuldades de comunicação serão, provavelmente, mais severas nas pessoas com Doença de Parkinson que têm Demência, uma vez que, em ambas as condições, a comunicação é afetada.
É importante lembrar que caso as pessoas com Doença de Parkinson tenham problemas de comunicação, estes podem dificultar a avaliação do quadro. Se uma pessoa com Doença de Parkinson parece não responder no tempo esperado, isto poderá dever-se aos seus problemas de comunicação, que tornam mais difícil uma resposta imediata. A falta de expressão facial e de linguagem corporal podem, também, contribuir para o erro de avaliação do quadro.
Os problemas de comunicação em alguém com Doença de Parkinson, não significam que a pessoa tenha ou esteja a desenvolver Demência. E, mesmo quando a pessoa tem esta condição, as fracas capacidades de comunicação podem fazer a Demência parecer pior do que é na realidade. Contrariamente, a perda das capacidades de comunicação poderá mascarar a existência de Demência.
Adaptado de Alzheimer Australia
Síndrome de Down e Doença de Alzheimer
Síndrome de Down e Doença de Alzheimer
Os estudos têm vindo a estabelecer uma relação entre a Síndrome de Down e a Doença de Alzheimer. Aqui pode encontrar a explicação do que é conhecido atualmente sobre esta relação, e aborda-se a questão do diagnóstico da Doença de Alzheimer em pessoas com Síndrome de Down.
O que é a Síndrome de Down?
A Síndrome de Down é um distúrbio genético causado quando, devido a um erro biológico no momento da conceção, uma pessoa tem 3 cópias do cromossoma 21 em todas as células do corpo, em vez do habitual par, o que perturba o equilíbrio genético. Este material genético extra provoca um conjunto de características que resultam num grau variável de atraso do desenvolvimento e em traços físicos comuns.
O que é a Doença de Alzheimer?
A Doença de Alzheimer é uma condição física que afeta o cérebro e que resulta numa deterioração da memória, pensamento e comportamento. É a forma mais comum de Demência, constituindo cerca de 50% a 70% de todos os casos.
A relação entre a Síndrome de Down e a Doença de Alzheimer
Os estudos demonstram que por volta dos 40 anos, quase 100% das pessoas com Síndrome de Down que morrem têm as alterações cerebrais características da Doença de Alzheimer.
A proteína precursora amilóide, que dá origem ao fragmento - proteína amilóide tóxica (que forma as placas senis no cérebro e que danifica provavelmente as células cerebrais e as conexões existentes entre elas), está codificada no cromossoma 21. Uma vez que as pessoas com Síndrome de Down têm uma cópia extra do cromossoma 21, produzem 1.5 vezes mais proteína precursora amilóide do que as outras pessoas e isto parece resultar na tendência para a formação excessiva da proteína amilóide. Esta situação parece causar o aparecimento mais precoce das alterações cerebrais típicas da Doença de Alzheimer.
No entanto, existe um número significativo de pessoas com Síndrome de Down com mais de 40 anos que não mostra sinais de ter Doença de Alzheimer. Atualmente, ainda não se compreende porque é que as alterações características da Doença de Alzheimer não produzem necessariamente a condição em pessoas com Síndrome de Down.
O diagnóstico da Doença de Alzheimer
Fazer o diagnóstico de Doença de Alzheimer numa pessoa com Síndrome de Down, pode ser difícil por várias razões:
- As pessoas com Síndrome de Down são suscetíveis a várias condições reversíveis que podem erradamente ser confundidas com Doença de Alzheimer, como por exemplo hipotiroidismo e depressão. Os efeitos secundários de algumas medicações também podem mimetizar a Doença de Alzheimer;
- Os habituais testes de competências utilizados no diagnóstico, não têm em conta os problemas existentes de uma pessoa com Síndrome de Down;
- As limitadas competências de comunicação de algumas pessoas com Síndrome de Down, podem afetar a avaliação
Apenas um médico pode realizar o diagnóstico de Doença de Alzheimer. Fazer este diagnóstico numa pessoa com Síndrome de Down, normalmente baseia-se na exclusão de outras possíveis causas dos sintomas. Os relatos da família e dos cuidadores sobre a história médica podem ajudar a separar as incapacidades preexistentes, dos sintomas da Doença de Alzheimer.
Se a Doença de Alzheimer for diagnosticada
Até a presente data não existe cura para a Doença de Alzheimer. No entanto, existem algumas medicações e tratamentos alternativos que reduzem os sintomas. Os inibidores da colinesterase, como o Donepezil (Aricept), Rivastigmina (Exelon) e a Galantamina (Reminyl) podem ser tratamentos uteis em alguns pacientes com Doença de Alzheimer. No entanto, estes fármacos não foram estudados sistematicamente em indivíduos que têm Síndrome de Down.
Os medicamentos também podem ser prescritos para sintomas secundários, como inquietude ou para ajudar a pessoa a dormir melhor.
Pode ser necessário fazer uma modificação nas atividades, de modo a ter em conta a deterioração da memória da pessoa. Algumas pessoas com Doença de Alzheimer podem desenvolver comportamentos que causam preocupação às famílias e cuidadores. Os princípios da gestão destes comportamentos são diferentes daqueles que as famílias e cuidadores podem estar acostumados, e por isso, deve ser sempre solicitado um aconselhamento especializado sobre quaisquer alterações comportamentais.
Os serviços de apoio estão disponíveis para as pessoas com Síndrome de Down e Doença de Alzheimer, suas famílias e cuidadores. Este apoio pode fazer uma diferença na forma de gerir estas doenças. Muitas pessoas com Síndrome de Down vivem em lares residenciais e a Alzheimer Portugal pode ajudar os prestadores de serviços residenciais a compreender e a gerir as mudanças produzidas pela Doença de Alzheimer. A Alzheimer Portugal fornece apoio, informação, educação e aconselhamento para as pessoas afetadas pela Demência.
Lembre-se
As famílias, amigos e cuidadores continuam a desempenhar um papel importante nas vidas das pessoas com Síndrome de Down e Doença de Alzheimer. Proporcionam ligações importantes às experiencias passadas e permitem que a pessoa continue a ser um elemento amado e valorizado pela família e pelo círculo de amigos.
Adaptado de Alzheimer Australia
Demência associada à SIDA
Demência associada à SIDA
Aqui pode encontrar a descrição da Demência associada à SIDA e das suas causas, sintomas e tratamento.
O que é a Demência associada à SIDA?
Quando alguém tem o Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH) e a síndrome da Imunodeficiência Adquirida (SIDA), pode desenvolver uma complicação da doença, conhecida por Demência associada à SIDA (DAS) ou por Complexo Demencial relacionado com a SIDA.
A DAS é uma síndrome complicada, que pode ser desenvolvida por pessoas portadoras do VIH e que envolve vários sintomas mentais e do sistema nervoso. A incidência da DAS é pouco comum nas pessoas que se encontram nas fases iniciais da doença, mas aumenta à medida que esta avança, atingindo cerca de 7% das pessoas que não tomam medicação antirretroviral.
No entanto, é necessário ressalvar que algumas pessoas com VIH/SIDA desenvolvem DAS e outras não.
Qual é a sua causa?
Embora tenha sido demonstrado que o VIH não infeta diretamente as células nervosas pensa-se que pode, de alguma forma, infetá-las indiretamente. As células imunitárias que estão presentes no cérebro funcionam como reservatórios de VIH e são a fonte principal dos danos indiretos causados nas células nervosas.
Quais são os sintomas?
Segue-se uma lista de possíveis sintomas da DAS, que podem também não ser devidos a esta, mas sim a outros problemas.
Os possíveis sintomas da fase inicial da DAS são:
- Dificuldades de concentração;
- Dificuldade em lembrar números de telefone ou compromissos;
- Pensamento mais lento;
- Demorar mais tempo para completar tarefas complexas;
- Dificuldade em organizar as atividades diárias;
- Irritabilidade;
- Marcha instável ou dificuldade em manter o equilíbrio;
- Coordenação fraca e alterações na escrita manual;
- Depressão
Os resultados dos exames do estado mental e de outas capacidades mentais podem ser normais, nas fases iniciais. Os sintomas, geralmente, desenvolvem-se devagar e agravam-se nas fases avançadas da DAS. Os sintomas podem, também, sofrer um agravamento temporário quando a pessoa é afetada por outra doença.
Os possíveis sintomas da fase intermédia da DAS são:
- Sintomas de disfunção motora (ex.: fraqueza muscular);
- Desempenho fraco em tarefas regulares;
- Maior necessidade de atenção e concentração;
- Inversão de números ou palavras;
- Respostas mais lentas e frequentemente deixar cair os objetos
- Sentimentos de indiferença e apatia;
- Lentidão na execução das atividades normais (ex.: alimentar-se e escrever);
- A marcha, equilíbrio e coordenação requerem um esforço adicional
Os possíveis sintomas da fase avançada de DAS são:
- Perda de controlo dos esfíncteres (bexiga e intestino);
- Marcha espática, tornando a locomoção extremamente difícil;
- Perda de iniciativa ou interesse;
- Isolamento;
- Psicose ou Mania;
- Ficar acamado
Estes sintomas podem deixar a pessoa confusa e incapaz de compreender o que a rodeia e esta situação resulta, frequentemente, em depressão.
Como é diagnosticada?
A DAS deve ser diagnosticada por alguém com conhecimento e experiência com pacientes portadores do VIH, como por exemplo um médico com especialidade em infecciologia. O diagnóstico da DAS é habitualmente realizado pela exclusão de outras causas possíveis para os sintomas.
No entanto, a principal forma de diagnosticar e avaliar a DAS é através de um teste denominado por exame do estado mental. Os exames laboratoriais, incluindo o exame do líquido cefalorraquidiano (LCR), também podem ser úteis. Verifica-se, ainda, que a quantidade de VIH no LCR parece correlacionada com a Demência progressiva nas crianças. Outros exames que podem auxiliar o diagnóstico diferencial da DAS são: a Tomografia Computorizada (TC), Imagiologia por Ressonância Magnética (IMR) e Tomografia computorizada por emissão de fotão único (abreviatura em inglês - SPECT). Estes exames podem ajudar a diferenciar a DAS de outras perturbações cerebrais, tais como a meningite criptocócica, toxoplasmose e linfoma.
Realizar um diagnóstico precoce é importante, uma vez que muitos sintomas podem ser causados por outras condições e doenças comuns às pessoas com VIH/SIDA, muitas das quais podem ser tratadas. Alguns dos sintomas típicos da DAS são observados em doenças psiquiátricas, como a ansiedade e depressão. Se o diagnóstico for realizado numa fase inicial, pode iniciar-se o tratamento e controlo apropriado.
Qual é a progressão da DAS?
A taxa de progressão varia de pessoa para pessoa. No entanto, a doença pode levar a uma dependência completa e à morte.
Existe algum tratamento disponível?
A DAS pode até certo ponto ser tratada e prevenida. O melhor tratamento parece ser a medicação antirretroviral. Inicialmente, temia-se que a terapêutica antirretroviral de alta potência pudesse ser ineficaz contra o VIH no cérebro, porque muitos destes fármacos não atravessam a barreira hematoencefálica. No entanto, os estudos recentes mostram indícios de melhoria na demência e em outros problemas neurológicos devido à terapêutica antirretroviral de alta potência.
Apesar destes resultados animadores, existe evidência de que a terapêutica antirretroviral de alta potência não é tão eficaz contra a demência como o é contra outras infeções oportunistas, uma vez que a demência está mais relacionada com a lesão dos tecidos, do que com o combate a um organismo infeccioso.
Grande parte das evidências para a eficácia dos medicamentos antirretrovirais contra a Demência relacionam-se com o AZT, sobretudo porque este foi durante muitos anos, praticamente o único fármaco disponível, que cruza a barreira hematoencefálica numa extensão significativa. Alguns dos novos fármacos tais como o d4T, abacavir, nevirapina, indinavir e efavirenz, também atravessam a barreira hematoencefálica e reduzem a quantidade de VIH no LCR. No entanto, ao tratar o VIH fora do cérebro, o sistema imunitário pode recuperar e combater o VIH dentro do cérebro, ajudando a reduzir ou a prevenir a DAS.
Os antipsicóticos, antidepressivos e anticonvulsivantes, são medicações que também podem aliviar alguns sintomas da DAS.
Quem desenvolve DAS?
As pessoas que são portadoras de VIH ou têm SIDA estão em risco de desenvolver a DAS. Uma vez que o VIH/SIDA atinge muitas pessoas jovens e que ainda estão a desfrutar de um estilo de vida independente e preenchido, existem questões particulares que podem ter de ser abordadas, como o emprego, identidade e sexualidade.
O VIH/SIDA ainda é uma doença com um estigma associado e o efeito da Demência ao juntar-se a este pode trazer enormes dificuldades a todas as pessoas envolvidas nesta situação. A DAS pode causar um grande isolamento e solidão, que acrescem às lutas diárias contra a SIDA.
Adaptado de Alzheimer Australia
Demência Alcoólica
Demência Alcoólica
Aqui pode encontrar a descrição da Demência alcoólica, das suas causas, sintomas e tratamento.
O que é a Demência Alcoólica?
A Demência Alcoólica é, como o próprio nome sugere, uma forma de Demência provocada pelo consumo excessivo de álcool. Afeta a memória, aprendizagem e outras funções mentais. A síndrome de Korsakoff e a síndrome de Wernicke-Korsakoff são formas particulares de lesões cerebrais provocadas pelo álcool e que podem estar relacionadas com a Demência Alcoólica.
Qual é a sua causa?
O consumo excessivo de álcool pode ter um efeito nocivo nas células nervosas do cérebro. Quando estas são danificadas, várias capacidades e competências podem ser afetadas.
As deficiências nutricionais que acompanham frequentemente o consumo excessivo de álcool, regular ou agudo, são também entendidas como um fator que contribui para esta Demência. O cérebro pode ficar lesado através de deficiências vitamínicas, incluindo a de tiamina (vitamina B1). O álcool afeta a absorção e utilização da tiamina e o consumo excessivo pode levar à carência desta vitamina.
Quais são os sintomas?
Os sintomas da Demência alcoólica variam de pessoa para pessoa e podem incluir:
- Dificuldade na aprendizagem de coisas novas;
- Problemas na memória a curto-prazo;
- Alterações da personalidade;
- Dificuldades no pensamento lógico e em tarefas que requeiram capacidades de planeamento, organização e discernimento;
- Competências sociais fracas;
- Problemas de equilíbrio;
- Diminuição da iniciativa
Geralmente, as pessoas conservam as competências que aprenderam durante a vida, antes de terem desenvolvido a doença, como por exemplo a linguagem, e, por isso, normalmente conseguem cuidar-se com o suporte apropriado.
Quem desenvolve Demência Alcoólica?
Qualquer pessoa que beba quantidades excessivas de álcool durante vários anos pode desenvolver Demência alcoólica. Esta atinge mais frequentemente homens com idades entre os 45 e 65 anos, com uma história longa de abuso de álcool, embora possa afetar homens e mulheres de qualquer idade. O risco aumenta consideravelmente nas pessoas que bebem regularmente quantidades elevadas de álcool.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que para reduzir o risco de problemas de saúde relacionados com o álcool, o consumo deve ser no máximo de duas bebidas padrão (que corresponde a 20 gr de álcool) por dia para os homens, e de uma bebida padrão (que corresponde a 10 gr de álcool) por dia para as mulheres, devendo em ambos os casos ser consumido no máximo cinco dias por semana.
Algumas pessoas que bebem quantidades elevadas de álcool, não desenvolvem Demência alcoólica. Apesar de ainda não se ter esclarecido porque é que algumas pessoas que fazem consumo excessivo desenvolvem este tipo de Demência e outras não, pensa-se que esta situação possa estar relacionada com a alimentação.
Existe algum tratamento disponível?
Se a pessoa continuar a beber álcool em quantidades elevadas, os sintomas de Demência irão agravar-se progressivamente. A progressão pode ser interrompida se a pessoa se abstiver totalmente de consumir álcool, adotar uma alimentação saudável e tomar suplementos vitamínicos, incluindo vitamina B1. Pode, assim, conseguir-se alguma recuperação ao longo do tempo com a abstinência do consumo de álcool e mantendo um estilo de vida saudável.
Muitas pessoas que desenvolvem a Demência alcoólica são novas e, isto pode significar que elas, as suas famílias e cuidadores, irão necessitar de uma atenção extra. Contacte a Alzheimer Portugal para a Sede ou Delegação mais próxima da sua residência.
Adaptado de Alzheimer Australia
Demência de Corpos de Lewy
Demência de Corpos de Lewy
A Demência de Corpos de Lewy é uma forma comum de Demência e que partilha muitas similaridades com a Doença de Alzheimer. Aqui pode encontrar a descrição da Demência de Corpos de Lewy, das suas causas, progressão e diagnóstico.
O que é a Demência de Corpos de Lewy?
A Demência de Corpos de Lewy é causada pela degeneração e morte das células nervosas do cérebro. O nome deriva da presença de estruturas esféricas anormais, denominadas por corpos de Lewy, que se desenvolvem dentro das células nervosas. Pensa-se que isto pode contribuir para a morte das células cerebrais.
O nome de corpos de Lewy deriva do médico que escreveu, pela primeira vez, sobre estes. Por vezes também é denominada por Doença Difusa com Corpos de Lewy.
Qual é a sua causa?
Atualmente, ainda não existe uma causa conhecida para a Demência de Corpos de Lewy e não foram identificados quaisquer fatores de risco. Também, não existe qualquer evidência de que a Demência de Corpos de Lewy seja uma doença hereditária.
Como é que a Demência com Corpos de Lewy é diagnosticada?
Este tipo de Demência é diagnosticado pela realização de uma história detalhada do padrão de sintomas e pela exclusão de outras causas, tais como a Demência Vascular e a Doença de Alzheimer. Um exame imagiológico pode revelar uma degeneração cerebral, mas os corpos de Lewy só podem ser identificados pela análise do tecido cerebral, após a morte.
A Demência de Corpos de Lewy é semelhante à Doença de Alzheimer de várias formas, e no passado foi difícil distinguir as duas. Só recentemente foi aceite como uma doença distinta das outras Demências.
A Demência de Corpos de Lewy pode ocorrer sozinha ou simultaneamente com a Doença de Alzheimer ou Demência Vascular e pode ser difícil distingui-la da Doença de Parkinson, sendo que algumas pessoas com Doença de Parkinson desenvolvem uma Demência semelhante à de Corpos de Lewy.
Quais são os sintomas?
Os sintomas da Demência de Corpos de Lewy incluem:
- Dificuldades de atenção e concentração;
- Confusão extrema;
- Dificuldades em avaliar as distâncias, o que resulta muitas vezes em quedas
Existem também três sintomas cardinais, dois dos quais necessitam estar presentes para se poder realizar o diagnóstico:
- Alucinações visuais;
- Parkinsonismo (tremores e rigidez similar à observada na Doença de Parkinson);
- Flutuação do estado mental. A pessoa apresenta-se lúcida e orientada em alguns momentos e confusa e desorientada noutros. Esta flutuação ocorre tipicamente em períodos de horas ou de minutos e não se deve a nenhuma doença física aguda
Algumas pessoas que têm Demência de Corpos de Lewy podem, também, apresentar delírios e/ou depressão.
Quem desenvolve Demência de Corpos de Lewy?
Esta doença pode ser desenvolvida por homens e mulheres, mas é mais comum nos homens.
Como é que a Demência de Corpos de Lewy progride?
A Demência de Corpos de Lewy difere da Doença de Alzheimer no que concerne à progressão da doença sendo, habitualmente, mais rápida. No entanto, tal como a Doença de Alzheimer, é uma condição degenerativa que leva à dependência completa. A morte resulta normalmente de outra doença, tal como uma pneumonia ou infeção. A esperança média de vida após o início dos sintomas é de cerca de sete anos.
Existe algum tratamento disponível?
Atualmente não existe cura para a Demência de Corpos de Lewy. Sintomas como a depressão e as alucinações podem ser reduzidos pela medicação. Contrariamente, os medicamentos antiparkinsónicos podem agravar as alucinações. Existem evidências recentes de que os fármacos inibidores da colinesterase podem ser uma boa ajuda para algumas pessoas com esta doença.
As pessoas com Demência de Corpos de Lewy são muito sensíveis aos efeitos secundários dos medicamentos neurolépticos (medicamentos antipsicóticos). É essencial que todas as medicações sejam supervisionadas por um especialista para evitar estes efeitos secundários severos.
A Alzheimer Portugal fornece apoio, informação, educação e aconselhamento para pessoas afetadas por Demência. Este apoio pode fazer uma diferença positiva para lidar com a doença.
Adaptado de Alzheimer Australia
Demências Frontotemporais
Demências Frontotemporais
Aqui pode encontrar a descrição de um grupo de demências conhecido por Demências Frontotemporais, que é constituído pela Demência Frontotemporal, Afasia Progressiva não-Fluente, Demência Semântica e Doença de Pick. São, ainda, abordadas as causas, os sintomas e o diagnóstico deste tipo de Demência.
O que é a Demência Frontotemporal (DFT)?
DFT é nome dado ao tipo de Demência em que ocorre degeneração de um ou de ambos os lobos frontais e temporais do cérebro.
Lobos Frontais
Os lobos frontais (esquerdo e direito) regulam o humor, comportamento, julgamento e auto-controlo. A existência de lesões nestes lobos, leva a alterações da personalidade e comportamento, modificação da forma como a pessoa se sente e expressa as emoções e, também, à perda da capacidade de julgamento.
Lobos Temporais
Os lobos temporais (esquerdo e direito) estão envolvidos na organização dos inputs sensoriais (ex.: aquilo que se ouve ou vê). A existência de lesões nestes lobos pode levar à dificuldade na colocação de palavras e imagens em categorias.
Existe uma diferença considerável nos sintomas manifestados consoante os lobos cerebrais afetados. Os três principais subtipos ou variantes da doença são:
- Demência Frontotemporal
Este é o subtipo mais comum, sendo também conhecido por Variante Frontal. É, sobretudo, uma perturbação do comportamento. As pessoas com Demência Frontotemporal podem ser desinibidas ou apáticas.
- Afasia Progressiva não-Fluente (AP)
Este subtipo anteriormente era conhecido por Afasia Progressiva Primária. As pessoas com AP podem perder a capacidade de falar ou manifestar alterações da articulação das palavras.
- Demência Semântica (DS)
Este subtipo também é conhecido por Variante temporal. As pessoas com DS podem perder a capacidade de compreensão das palavras e podem, também, tornar-se preocupadas com uma única atividade.
Embora as pessoas com DFT possam ser diagnosticadas com um dos três subtipos anteriores, à medida que a doença progride tendem a apresentar sinais e sintomas que são uma combinação de dois ou três subtipos.
A DFT provoca, ao longo do tempo, o declínio progressivo e irreversível das capacidades da pessoa.
O que é a Doença de Pick?
A Doença de Pick é um tipo de DFT e o seu nome deve-se ao neurologista Alemão que a descreveu pela primeira vez em 1892. A Doença de Pick afeta os lobos frontais, mas em alguns casos também pode atingir os lobos temporais do cérebro. Se existirem lesões no lobo temporal, a memória será a principal capacidade a ser afetada.
Quais são os sintomas da DFT?
Os sintomas iniciais podem afetar o comportamento e, algumas vezes, a linguagem.
As pessoas podem manifestar alterações no seu caráter e no comportamento social. Podem, por exemplo, demonstrar insensibilidade, apesar de serem pessoas que anteriormente se preocupavam com os outros. Podem, ainda, tornar-se obsessivas e repetir a mesma ação vezes sem conta.
Os problemas de linguagem ocorrem frequentemente no início da doença e podem variar entre a apresentação de um discurso limitado, à total perda da linguagem. Outros sintomas comuns são repetir as frases inúmeras vezes ou ecoar aquilo que os outros dizem. Na DFT, a pessoa em vez de conseguir encontrar a palavra certa para nomear um objeto, pode apenas conseguir descrevê-lo. Por exemplo, em vez de dizer relógio, a pessoa pode referir-se a este como aquilo que serve para ver as horas.
Quem desenvolve DFT?
A DFT pode afectar homens e mulheres. Apesar de poder atingir pessoas de quaisquer idades, tem início normalmente entre os 40 e os 65 anos.
Como é que a DFT é diagnosticada?
Existem várias técnicas utilizadas para realizar o diagnóstico tais como, imagiologia cerebral, eletroencefalograma ou testes neuropsicológicos. Estes testes podem ajudar a determinar se a Demência é de tipo Frontotemporal ou se é de outro tipo, como por exemplo Doença de Alzheimer.
Tal como no caso da Doença de Alzheimer, o diagnóstico só pode ser confirmado após a morte, pelo exame do tecido cerebral.
Quais são as causas da DFT?
Cerca de 50% das pessoas com DFT têm história familiar da doença. Aqueles que a herdam parecem ter uma mutação no gene da proteína tau, no cromossoma 17, o que leva à produção de uma proteína tau alterada.
Outros fatores de risco são menos conhecidos.
Como é que a doença progride?
A DFT provoca uma deterioração progressiva inevitável. A esperança de vida é, desde o início da doença, de 2 a 15 anos, sendo a média de 6 a 12 anos. A morte ocorre, normalmente, devido a uma infeção.
Existe algum tratamento disponível?
Infelizmente, ainda não existe cura ou tratamento disponível para a DFT. No entanto, os sintomas secundários, como a depressão, podem ser aliviados pela medicação.
A gestão da doença baseia-se no desenvolvimento de estratégias para lidar com a mesma. Ter um maior conhecimento sobre a doença e do motivo pelo qual a pessoa se comporta de uma determinada maneira, pode ser uma forma eficaz de ajudar as pessoas a lidarem com aquela. Em vez de tentar modificar o comportamento da pessoa afetada por este tipo de Demência, os familiares e cuidadores podem desenvolver as suas próprias estratégias para lidar com a pessoa com a doença, tal como evitar a confrontação e arranjar forma de contornar as obsessões.
Existem vários apoios disponíveis para as pessoas com Demência, para as suas famílias e cuidadores. O apoio pode fazer uma diferença positiva na forma de gerir a demência.
As pessoas com este tipo de Demência, as suas famílias e cuidadores, necessitam de uma atenção extra, uma vez que esta doença afeta os indivíduos numa idade em que ainda desfrutam de um estilo de vida preenchido e independente.
Adaptado de Alzheimer Australia
Demência Vascular
Demência Vascular
A Demência Vascular é, a seguir à Doença de Alzheimer, a segunda forma mais comum de Demência, tendo sido recentemente verificado que a sua incidência é mais alta do que previamente esperado. Aqui pode encontrar a descrição da Demência Vascular, das suas causas e progressão e da forma como é realizado o diagnóstico.
O que é a Demência Vascular?
Demência Vascular é um termo amplo, utilizado para designar o tipo de Demência associado a problemas da circulação do sangue para o cérebro.
Existem diferentes tipos de Demência Vascular?
Existem vários tipos de Demência Vascular. Os dois tipos mais comuns são a Demência por Multienfartes e a Doença de Binswanger.
-
Demência por Multienfartes
Esta é, provavelmente, a forma mais comum de Demência Vascular. A Demência por Multienfartes é causada por vários enfartes cerebrais pequenos, também denominados por acidentes isquémicos transitórios (AIT). Os enfartes causam danos no córtex cerebral, que é a área associada à aprendizagem, memória e linguagem. Uma pessoa com Demência por Multienfartes terá provavelmente, nas fases iniciais, um melhor discernimento do que as pessoas com Doença de Alzheimer e, algumas partes da sua personalidade podem permanecer relativamente intactas por um período de tempo mais longo. Os sintomas da Demência por Multienfartes podem incluir depressão severa, alterações de humor e epilepsia.
-
Doença de Binswanger (também conhecida como Demência Vascular Subcortical)
Esta doença era considerada rara, mas atualmente está em reavaliação e pode, de facto, ser relativamente comum. Tal como acontece nas outras Demências Vasculares, este tipo está associado às alterações produzidas pelos enfartes. A área afetada é a substância branca que se localiza na parte interna do cérebro. Este tipo de Demência é causado por tensão arterial alta, estreitamento das artérias e um fluxo sanguíneo inadequado. Os sintomas incluem, geralmente, lentidão e sonolência, dificuldade em andar, altos e baixos emocionais e incontinência urinária no início do curso da doença. A maioria das pessoas com a Doença de Binswanger tem, ou teve, tensão arterial alta.
A Demência Vascular pode ser causada por um enfarte único, dependendo do seu tamanho e localização. Os fatores de risco que aumentam a probabilidade de os enfartes conduzirem a Demência Vascular incluem:
- Tensão arterial alta sem tratamento (hipertensão);
- Fibrilação Atrial;
- Outros ritmos cardíacos irregulares que aumentam o risco de coágulos e de arteriosclerose (depósitos de gordura nos vasos sanguíneos), que provocam danos nas artérias cerebrais
Como é que a Demência Vascular é diagnosticada?
A Demência Vascular é habitualmente diagnosticada através de um exame neurológico e técnicas de imagiologia cerebral como a tomografia computorizada (TC) ou a ressonância magnética (RM).
No entanto, tal como no caso da Doença de Alzheimer, o diagnóstico definitivo de Demência Vascular só pode ser realizado, após a morte, através de um exame ao cérebro. A Demência Vascular pode ser muito difícil de distinguir de outras formas de Demência. Algumas pessoas têm os dois tipos de Demência,Doença de Alzheimer e Demência Vascular.
Quem desenvolve Demência Vascular?
Qualquer pessoa pode ser afetada pela Demência Vascular, mas existem vários fatores que aumentam o risco. Estes incluem:
- Tensão arterial elevada;
- Tabagismo;
- Diabetes;
- Colesterol elevado;
- História prévia de enfartes ligeiros;
- Evidência de doença das artérias, em outros sítios;
- Alterações do ritmo cardíaco
Como é que a Demência Vascular progride?
A Demência Vascular normalmente progride em «degraus», o que significa que as capacidades da pessoa deterioram-se depois de um enfarte e ficam estabilizadas até ao próximo. Se não ocorrerem mais enfartes, as capacidades das pessoas com Demência Vascular podem estabilizar e em alguns casos, melhorar. No entanto, estas melhorias podem não durar. Às vezes os «degraus» são tão pequenos que o declínio parece ser gradual.
Em média, as pessoas com Demência Vascular sofrem um declínio mais rápido do que das pessoas com Doença de Alzheimer e morrem frequentemente de paragem cardiorrespiratória ou de um grande enfarte.
Existe tratamento disponível?
Embora não exista tratamento que possa reverter os danos já realizados, é muito importante fazer um tratamento para prevenir outros enfartes. Estes podem ser prevenidos através da prescrição de medicamentos para controlar a tensão arterial elevada, colesterol elevado, doença cardíaca e diabetes. Fazer uma dieta saudável, exercício físico e evitar o tabagismo e o consumo excessivo de álcool também diminui o risco de futuros enfartes.
Por vezes, são prescritos a aspirina e outros medicamentos para prevenir a formação de coágulos nos vasos sanguíneos pequenos. Os medicamentos também podem ser prescritos para aliviar a inquietude, depressão ou ajudar a pessoa com Demência a dormir melhor. Em alguns casos, a cirurgia conhecida como endarterectomia carotídea, pode ser recomendada para remover obstruções na artéria carótida, que é o principal vaso sanguíneo para o cérebro.
Estudos recentes sugerem que medicamentos como os inibidores da colinesterase como o Donepezil (Aricept) e a Galantamina (Reminyl), que são úteis para algumas pessoas com Doença de Alzheimer, também podem ter algum benefício para as pessoas com Demência Vascular. Contudo, as evidências ainda não são tão claras ou convincentes, como as existentes para a utilização daqueles medicamentos na Doença de Alzheimer.
A Alzheimer Portugal fornece apoio, informação, educação e aconselhamento para pessoas afetadas por Demência. Este apoio pode fazer uma diferença positiva para lidar com a doença.
Adaptado de Alzheimer Australia
Reduzir o Risco
Reduzir o Risco
7 dicas para reduzir o risco de desenvolver demência:
- Lembre-se do seu Cérebro: mantenha o cérebro ativo
- Lembre-se da sua alimentação: tenha uma alimentação saudável
- Lembre-se do seu corpo: pratique exercício físico
- Lembre-se da sua saúde: faça check-ups regularmente
- Lembre-se da sua vida social: participe em atividades sociais
- Lembre-se dos seus hábitos: não fume, beba com moderação e durma bem
- Lembre-se da sua cabeça: proteja a sua cabeça de lesões
Lembre-se da sua Memória
Um cérebro saudável é importante em muitos aspetos da sua vida - os seus pensamentos, sentimentos e lembranças, a sua família, etc.
Não se sabe ainda como se pode prevenir ou curar a demência, mas existem muitas coisas que se pode fazer para manter o cérebro saudável com o avançar da idade. Ao adotar estas 7 dicas, estará a dar um grande passo para reduzir o risco de desenvolver Doença de Alzheimer.
Infelizmente, os grandes fatores de risco para a demência - a idade e os genes - não são possíveis de controlar. Por isso mesmo, é importante fazer o que está ao nosso alcance: adotar um estilo de vida saudável e alterar os nossos hábitos.
Não podemos garantir que adotando estas 7 dicas não irá desenvolver Doença de Alzheimer. No entanto, os estudos têm vindo a evidenciar que as pessoas que adotam estilos de vida saudáveis, têm um risco reduzido de vir a desenvolver demência.
Nunca é demasiado cedo para começar a cuidar da sua memória. Segundo os cientistas, as mudanças que ocorrem no nosso cérebro e que podem resultar em demência, começam a formar-se décadas antes dos primeiros sintomas aparecerem.
Lembre-se do seu Cérebro
Manter o cérebro ativo permite fortalecer as ligações entre as células cerebrais, contribuindo para uma mente saudável.
- Faça atividades que envolvam novas aprendizagens;
- Faça jogos de raciocínio, como palavras cruzadas, puzzles de letras e números, jogue xadrez, damas ou cartas;
- Leia, escreva, converse, use o computador, aprenda uma nova língua, tire um curso;
- Participe em atividades culturais, como assistir a jogos, concertos, ir a museus ou galerias de arte;
- Procure descobrir quais os seus passatempos preferidos e pratique-os, por exemplo, pintura, costura, carpintaria;
- Mesmo em casa, mantenha-se ativo: cozinhe novos pratos ou dedique-se ao seu jardim
Lembre-se da sua alimentação
Uma alimentação equilibrada e saudável promove um cérebro saudável.
Reduza as gorduras saturadas:
- Escolha carnes magras, frango e produtos lácteos com pouca gordura. Evite a manteiga, alimentos fritos, doces, bolos e bolachas
- Prefira alimentos saudáveis:
- Gorduras Insaturadas: azeite, óleo de girassol, abacate, azeitonas, nozes, sementes e peixe;
- Ácidos Gordos Ómega-3: soja, margarina, peixe (especialmente gordos, como salmão, cavala, atum e sardinha);
- Alimentos ricos em Antioxidantes: ameixas, uvas passas, mirtilos, outras bagas, espinafres, couve de Bruxelas, ameixas, brócolos, beterraba, abacate, laranjas, uvas vermelhas, pimenta vermelha, cerejas, kiwis, cebola, milho e beringela;
- Bebidas ricas em antioxidantes: chá verde, sumos de frutas, legumes e vinho tinto (com moderação);
- Alimentos ricos em Ácido Fólico: laranja, morango, banana, espinafres, espargos, brócolos, couve-de-bruxelas, repolho, couve-flor, lentilhas, feijão, grão-de-bico e cereais integrais;
- Alimentos ricos em Vitamina E: óleos vegetais, nozes, vegetais de folhas verdes e cereais integrais;
- Alimentos ricos em Vitamina B12: carne, frango, peixe, leite e ovos
Lembre-se do seu corpo
O exercício físico estimula o fluxo sanguíneo para o cérebro. As pessoas que se exercitam regularmente têm menos probabilidades de desenvolver doenças cardíacas, derrames e diabetes. Estas condições estão também associadas a um risco maior de desenvolver demência. Por isso, pratique exercício físico para o bem da sua saúde:
- Exercite o seu corpo, pelo menos, 30 minutos por dia. Pode andar, dançar, correr, andar de bicicleta, nadar, passear pelo jardim... tudo o que coloque o seu corpo em movimento e faça o coração bater com mais força;
- O treino de resistência ou peso ajuda a desenvolver a força muscular, coordenação de movimentos e mantém a densidade óssea;
- Trabalhe a flexibilidade e equilíbrio, com atividades como a dança, alongamentos, tai chi, pilates e yoga
Lembre-se da sua saúde
Ao realizar check-ups regularmente, consegue detetar eventuais problemas assim que eles surgirem. O tratamento torna-se mais fácil e as consequências serão também menores.
- Controle a sua tensão arterial;
- Controle o seu colesterol;
- Controle os seus níveis de açúcar no sangue;
- Controle o seu peso
Lembre-se da sua vida social
Ter uma vida social ativa, participar em atividades de lazer e conviver com outras pessoas ajuda a manter o seu cérebro saudável.
- Mantenha o contacto com a família e amigos;
- Participe em clubes sociais, culturais ou outros grupos;
- Envolva-se em trabalhos comunitários ou torne-se voluntário;
- Saia e converse com os seus vizinhos, amigos ou mesmo com os trabalhadores do supermercado ou café a que habitualmente vai
Lembre-se dos seus hábitos
Evite maus hábitos:
- Não fume;
- Não consuma bebidas alcoólicas em grandes quantidades. Quando beber, beba com moderação;
- Não prescinda das suas horas de sono e de descanso. Dormir faz bem à saúde
Lembre-se da sua cabeça
Proteja a sua cabeça para reduzir os riscos de desenvolver demência.
- Evite bater com a cabeça;
- Use sempre cinto de segurança;
- Atravesse sempre na passadeira;
- Use sempre capacete de segurança quando andar de mota, bicicleta, skate, patins ou fizer equitação
E lembre-se: É importante lembrar-se da sua memória em todas as idades.
A magia das 7 dicas Lembre-se da sua memória está na forma como elas funcionam em conjunto.
Quando conjuga as 7 dicas nas suas atividades do dia a dia, maximiza os benefícios e consegue resultados bastante mais favoráveis:
- Passeie o seu cão - e fale com as pessoas no jardim
- Faça palavras cruzadas- com um vizinho
- Jogue golf ou ténis- num clube recreativo
- Disfrute de uma refeição saudável- com a família ou amigos
Os seus hábitos e estilo de vida podem fazer uma grande diferença na sua saúde, assim como reduzir os riscos de desenvolver Doença de Alzheimer ou outras formas de demência.
Lembre-se?
Nunca é cedo demais para que se Lembre da sua Memória.
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Demência e Hereditariedade
Demência e Hereditariedade
As pessoas com Demência preocupam-se frequentemente sobre a possibilidade de transmitirem a doença à família. Aqui pode encontrar informação sobre o papel da hereditariedade na Doença de Alzheimer e noutras formas de Demência.
Demência é o termo utilizado para descrever os sintomas de um grupo alargado de doenças que causam um declínio progressivo no funcionamento da pessoa. É um termo abrangente que descreve a perda de memória, capacidade intelectual, raciocínio, competências sociais e alterações do que se consideram reações emocionais normais.
A Doença de Alzheimer é a forma mais comum de Demência, constituindo cerca de 50% a 70% de todos os casos. É uma situação que ocorre com alguma frequência em pessoas idosas, independentemente da existência de antecedentes familiares da doença. A Demência afeta 1 em cada 80 mulheres, com idades compreendidas entre os 65 e 69 anos, sendo que no caso dos homens a proporção é de 1 em cada 60. Nas idades acima dos 85 anos, para ambos os sexos, a Demência afeta aproximadamente 1 em cada 4 pessoas.
Compreender os genes
O material genético que herdamos dos nossos pais é armazenado em estruturas denominadas por cromossomas. Temos 22 pares de cromossomas, mais dois cromossomas X (nas mulheres) ou um cromossoma X e um Y (nos homens).
Cada cromossoma contém milhares de genes, que podem ser imaginados como um ?colar de contas?. Os genes contêm informação e são o ?projeto? para fazer uma pessoa. Cada gene contém as instruções para fazer um pequeno aspeto da pessoa. Eles são a unidade fundamental da hereditariedade e permitem que características específicas (ex.: cor dos cabelos; altura e a tendência para desenvolver diabetes numa idade avançada) sejam transmitidas de uma geração para a geração seguinte.
A mutação é uma alteração num gene. Algumas mutações são benéficas, mas muitas são potencialmente prejudiciais. Alguns genes são causadores de doenças, por exemplo se uma pessoa herdar um gene para um tipo de distrofia muscular, irá certamente desenvolver essa doença na vida. Outros genes são fatores de risco, ou seja, podem não levar inevitavelmente ao aparecimento de uma doença tal como a diabetes, hipertensão arterial, ou Doença de Alzheimer, mas tornam provável o seu desenvolvimento.
Genes que podem influenciar a Doença de Alzheimer
O facto de se ter um parente próximo com Doença de Alzheimer não significa a existência de uma ligação genética. As pessoas que têm fatores genéticos de risco apresentam apenas um ligeiro aumento do risco de desenvolver a doença, em comparação à média da restante população.
Até à presente data, o gene mais importante descoberto é a Apolipoproteína E, que se localiza no cromossoma 19. Nos seres humanos, este gene ocorre em três formas: tipos 2, 3 e 4. Todas as pessoas têm dois genes de Apolipoproteína: eles podem ser do mesmo tipo (2.2; 3.3 ou 4.4), ou uma combinação de dois tipos (2.3; 2.4; 3.4). Foi descoberto que as pessoas com pelo menos um gene tipo 4 e especialmente aquelas com dois (4.4) apresentam um risco aumentado de desenvolverem mais cedo a Doença de Alzheimer, do que outras pessoas com outros tipos de Apolipoproteína E. Não obstante, metade das pessoas com 85 anos que têm 2 cópias de apolipoproteína E tipo 4, não têm sintomas Da doença de Alzheimer nessa idade.
As pessoas com tipo 2, especialmente as de tipo 2.2, parecem estar protegidas do desenvolvimento da Doença de Alzheimer, até muito mais tarde na vida. Os investigadores até agora não conseguiram explicar esta situação e, atualmente existem muitas investigações em curso para descobrir por que razão isto acontece.
O tipo de Apolipoproteína não significa que a Doença de Alzheimer vai ocorrer ou não. Com efeito, é conhecido que algumas pessoas podem chegar aos 90 anos com o tipo 4 e não desenvolverem Demência, enquanto outras com tipo 2 podem desenvolvê-la muito mais cedo na vida. Isto significa que o tipo de Apolipoproteína que pessoa tem, não é suficiente para causar a Doença de Alzheimer.
Causas genéticas da Demência
Existe uma forma rara da Doença de Alzheimer que é transmitida de geração em geração. Esta é denominada por Doença de Alzheimer Familiar (DAF).
Se um dos progenitores possui uma mutação genética que provoca DAF, cada filho terá 50% de probabilidade de herdá-la. A presença do gene significa que a pessoa poderá desenvolver Doença de Alzheimer, normalmente entre os 40 e os 60 anos. Esta forma da Doença de Alzheimer afeta um número extremamente reduzido de pessoas. Foram identificados três genes que se sofrerem certos tipos de mutação, vão causar DAF. Estes são denominados: presenilina 1 (cromossoma 14), presenilina 2 (cromossoma 1) e o gene da proteína precursora amilóide (APP) no cromossoma 21.
Em caso de suspeita de DAF
Um teste genético pode identificar alterações específicas nos genes de uma pessoa. Este teste pode indicar se a pessoa tem DAF, se uma criança herdou o gene alterado de um dos seus progenitores e se irá desenvolver a doença no futuro. No entanto, não consegue determinar quando é que os sintomas vão ter início.
É essencial confirmar que os casos suspeitos na família têm, ou tiveram, Doença de Alzheimer e não qualquer outra forma de Demência. Esta confirmação só pode ser feita através de um exame médico ou de uma análise cuidadosa dos registos médicos, caso a pessoa já não esteja viva.
O teste para a DAF
A decisão de se submeter a um teste para despiste da DAF é muito complexa e as vantagens e desvantagens devem ser cuidadosamente avaliadas. O teste não calcula o risco relativo de adquirir a Demência, mas é uma predição definitiva da pessoa vir a desenvolver uma doença profunda e progressiva na meia-idade.
O teste só pode ser realizado mediante o consentimento informado da pessoa que irá submeter-se àquele. Ninguém deve ser pressionado a fazer este tipo de teste.
Para algumas pessoas, saber que são portadoras do gene é uma ajuda para planearem o futuro. Permite-lhes refletir sobre as escolhas futuras de estilo de vida e partilhar os seus desejos com alguém de confiança. No entanto, dado que não existe uma cura disponível, a pessoa deve decidir se pretende saber que poderá desenvolver Demência no futuro.
O aconselhamento genético especializado é essencial para ajudar as pessoas a refletirem sobre estes aspetos. O médico pode fornecer detalhes deste serviço. No futuro, quando existirem tratamentos preventivos para a Doença de Alzheimer, poderão existir razões aumentadas para fazer o teste.
Outras formas raras de demência hereditária
Existem outras formas raras de demência que também podem ser herdadas. Estas incluem a doença de Huntington e algumas formas de Demência frontotemporal, em que as alterações do comportamento são antecedentes às alterações da memória. Todas estas situações hereditárias são muito raras na população geral.
Adaptado de Alzheimer Australia
Neuropsicologia e Estimulação Cognitiva no Défice Cognitivo Ligeiro e Demências
Neuropsicologia e Estimulação Cognitiva no Défice Cognitivo Ligeiro e Demências
A neuropsicologia estuda a relação entre o cérebro e a cognição e comportamento. As funções cognitivas, memória, orientação, linguagem e todas as que nos permitem funcionar no nosso dia-a-dia, alteram-se perante lesões ou doenças cerebrais, tais como as demências degenerativas (p.ex. Doença de Alzheimer).
Para se conhecer a gravidade dessas alterações é imperativo realizar uma avaliação neuropsicológica, que caracteriza as funções alteradas e mantidas e a gravidade dessa alteração (perfil neuropsicológico). Este perfil é importante para a decisão médica sobre a terapêutica farmacológica, para os familiares compreenderem os défices e o comportamento do doente e para a informação ao próprio doente, sendo indispensável para um programa terapêutico não-medicamentoso (reabilitação/ estimulação cognitiva) adequado ao doente. A colaboração entre médicos e psicólogos (neuropsicólogos) é fundamental para a compreensão dos casos e para a definição da intervenção. O objectivo da intervenção (farmacológica e não-farmacológica) é o de tornar a evolução mais lenta e permitir maior autonomia e independência, dando uma melhor qualidade de vida.
Na literatura encontramos resultados díspares referentes à eficácia da estimulação cognitiva, porque não existem estudos que comparem grupos de doentes com e sem intervenção e a metodologia de intervenção não é claramente definida. Em casos de suspeita de demência é fundamental que a estimulação se inicie numa fase precoce, de «Defeito Cognitivo Ligeiro» (DCL), pois o doente poderá aprender e desenvolver estratégias que serão úteis em fases avançadas. A junção dos dois tipos de intervenção, medicamentosa e cognitiva, será a metodologia ideal para um melhor resultado.
Em doentes com demência, as melhorias conseguidas são temporárias, pois as alterações das áreas cerebrais que suportam as funções cognitivas são progressivas e os resultados de qualquer intervenção terapêutica serão cada vez menos eficazes, o que não significa que a intervenção não seja necessária, mas é importante sabermos as limitações e que existem questões por responder (tempo de duração da intervenção e por quanto tempo se mantêm os resultados). Estas questões, colocadas pelos doentes e familiares, não têm uma reposta directa, pois cada caso responde de forma diferente e apresenta um perfil evolutivo diferente.
O neuropsicólogo deverá selecionar os casos que podem beneficiar da intervenção e a metodologia de intervenção mais adequada, a partir do perfil da avaliação neuropsicológica. Na fase de DCL a intervenção é, geralmente, individualizada, permitindo ajustes a programas pré-definidos, mas nas situações de demência em fase moderada/avançada a intervenção mais frequente usa metodologia de grupo. O desenho do programa de intervenção deverá ser explicado ao doente e aos familiares.
As sessões de estimulação cognitiva são realizadas duas a três vezes por semana, com duração de 60 minutos. Ensinar a usar uma agenda, onde marque tarefas diárias e factos a recordar é, geralmente, requerido aos doentes. A duração total da intervenção é variável (três, seis ou mais meses). O doente deverá realizar avaliações neuropsicológicas ao longo do programa de intervenção, para análise da evolução e reformulação do programa de intervenção.
Os programas de estimulação incidem, principalmente, na memória, pois é das primeiras capacidades alteradas nos processos demenciais. A memória permite registar e recordar informação, prever acontecimentos e não esquecer o que temos para realizar no futuro. A memória é uma capacidade constituída por vários processos, que regula o nosso pensamento e constitui a nossa individualidade. Nem todos os processos mnésicos ficam alterados no início da demência, o que leva à perplexidade dos familiares ?como é que ele não se lembra do que lhe disse há momentos atrás e depois lembra-se, melhor do que eu, das coisas da infância??; isto significa que a memória não é um sistema unitário, mas formada por diversos sistemas, em que alguns estão alterados e outros intactos, sendo possível utilizar os intactos ou pouco alterados no processo de estimulação.
Será importante referir que, nem todos os défices de memória correspondem a demência e, nem todas as demências se iniciam por défice mnésico. Há casos de demência que se iniciam por dificuldades de linguagem, por dificuldades em programar movimentos ou por modificações de comportamento (diminuição da iniciativa ou desinibição). Todas estas modificações terão impacto no desempenho funcional da vida diária, pelo que a estimulação cognitiva tem como objectivo principal a melhoria da funcionalidade.
Na revisão da literatura, os estudos de eficácia da reabilitação cognitiva em doentes com «Demência» ou com «Defeito Cognitivo Ligeiro», variam entre a opinião de que a reabilitação cognitiva tem um efeito realmente positivo no funcionamento cognitivo (Tsolaki M, 2011; Spector A, et al. 2003; Gatz M, et al 1998) ou que terá um efeito apenas marginal. Actualmente, o enfoque da reabilitação cognitiva, centra-se nos casos com «Defeito Cognitivo Ligeiro» (fase muito inicial de demência), com resultados demonstrando que, quando a intervenção se inicia nesta fase, se obtêm benefícios em capacidades específicas, no humor e na funcionalidade.
A intervenção em doentes com ?DCL? pode ainda ajudar a lidar melhor com a incerteza do futuro e a aceitar a situação (Joosten-Weyn Banningh LW, 2011). Numa revisão sistemática da literatura sobre eficácia, com 15 programas de intervenção (de grupo ou individuais) em doentes com ?DCL?, encontram-se melhorias estatisticamente significativas em 44% de medidas de memória, 12% de outras medidas cognitivas e em 49% de medidas de qualidade de vida e de humor (Jean L et al, 2010).
Apesar dos resultados mais recentes serem indicadores de benefício cognitivo e funcional para doentes em situação de possível evolução para demência, é necessário, numa perspectiva de investigação e clínica, melhorar a metodologia da intervenção, usando desenhos experimentais mais robustos e medidas de eficácia, de funcionalidade, de humor e de qualidade de vida, padronizadas e validadas para as populações em estudo.
Psicóloga (Neuropsicologia) / Investigadora - Faculdade de Medicina de Lisboa
Membro da Comissão Científica da Alzheimer Portugal
Referências bibliográficas
- Spector A, Thorgrimsen L, Woods B, Royan L, Davies S, Butterworth M, et al. Eficacy of an evidence-based cognitive stimulation therapy programme for people with dementia: Randomised controlled trial. Br J Psychiatry 2003;183:248-54
- Gatz M, Fiske A, Fox L, Kaskie B, Kasl-Godley JE, McCallum TJ, et al. Empirically validated psychological treatments for older adults. J Mental Health Aging 1998;4:45-8
- Tsolaki M, Kounti F, Agogiatou C, Poptsi E, Bakoglidou E, Zafeiropoulou M, Soumbourou A, Nikolaidou E, Batsila G, Siambani A, Nakou S, Mouzakidis C, Tsiakiri A, Zafeiropoulos S, Karagiozi K, Messini C, Diamantidou A, Vasiloglou M. Effectiveness of nonpharmacological approaches in patients with mild cognitive impairment. Neurodegener Dis. 2011;8(3):138-45. Epub 2010 Dec 3
- Li H, Li J, Li N, Li B, Wang P, Zhou T. Ageing Res Rev. 2011 Apr;10(2):285-96. Cognitive intervention for persons with mild cognitive impairment: A meta-analysis. Epub 2010 Dec 2
- Stott J, Spector A. A review of the effectiveness of memory interventions in mild cognitive impairment (MCI). Int Psychogeriatr. 2011 May;23(4):526-38. Epub 2010 Oct 15
- Jean L, Bergeron ME, Thivierge S, Simard M. Cognitive intervention programs for individuals with mild cognitive impairment: systematic review of the literature. Am J Geriatr Psychiatry. 2010 Apr;18(4):281-96


