Reduzir o Risco
Reduzir o Risco
7 dicas para reduzir o risco de desenvolver demência:
- Lembre-se do seu Cérebro: mantenha o cérebro ativo
- Lembre-se da sua alimentação: tenha uma alimentação saudável
- Lembre-se do seu corpo: pratique exercício físico
- Lembre-se da sua saúde: faça check-ups regularmente
- Lembre-se da sua vida social: participe em atividades sociais
- Lembre-se dos seus hábitos: não fume, beba com moderação e durma bem
- Lembre-se da sua cabeça: proteja a sua cabeça de lesões
Lembre-se da sua Memória
Um cérebro saudável é importante em muitos aspetos da sua vida - os seus pensamentos, sentimentos e lembranças, a sua família, etc.
Não se sabe ainda como se pode prevenir ou curar a demência, mas existem muitas coisas que se pode fazer para manter o cérebro saudável com o avançar da idade. Ao adotar estas 7 dicas, estará a dar um grande passo para reduzir o risco de desenvolver Doença de Alzheimer.
Infelizmente, os grandes fatores de risco para a demência - a idade e os genes - não são possíveis de controlar. Por isso mesmo, é importante fazer o que está ao nosso alcance: adotar um estilo de vida saudável e alterar os nossos hábitos.
Não podemos garantir que adotando estas 7 dicas não irá desenvolver Doença de Alzheimer. No entanto, os estudos têm vindo a evidenciar que as pessoas que adotam estilos de vida saudáveis, têm um risco reduzido de vir a desenvolver demência.
Nunca é demasiado cedo para começar a cuidar da sua memória. Segundo os cientistas, as mudanças que ocorrem no nosso cérebro e que podem resultar em demência, começam a formar-se décadas antes dos primeiros sintomas aparecerem.
Lembre-se do seu Cérebro
Manter o cérebro ativo permite fortalecer as ligações entre as células cerebrais, contribuindo para uma mente saudável.
- Faça atividades que envolvam novas aprendizagens;
- Faça jogos de raciocínio, como palavras cruzadas, puzzles de letras e números, jogue xadrez, damas ou cartas;
- Leia, escreva, converse, use o computador, aprenda uma nova língua, tire um curso;
- Participe em atividades culturais, como assistir a jogos, concertos, ir a museus ou galerias de arte;
- Procure descobrir quais os seus passatempos preferidos e pratique-os, por exemplo, pintura, costura, carpintaria;
- Mesmo em casa, mantenha-se ativo: cozinhe novos pratos ou dedique-se ao seu jardim
Lembre-se da sua alimentação
Uma alimentação equilibrada e saudável promove um cérebro saudável.
Reduza as gorduras saturadas:
- Escolha carnes magras, frango e produtos lácteos com pouca gordura. Evite a manteiga, alimentos fritos, doces, bolos e bolachas
- Prefira alimentos saudáveis:
- Gorduras Insaturadas: azeite, óleo de girassol, abacate, azeitonas, nozes, sementes e peixe;
- Ácidos Gordos Ómega-3: soja, margarina, peixe (especialmente gordos, como salmão, cavala, atum e sardinha);
- Alimentos ricos em Antioxidantes: ameixas, uvas passas, mirtilos, outras bagas, espinafres, couve de Bruxelas, ameixas, brócolos, beterraba, abacate, laranjas, uvas vermelhas, pimenta vermelha, cerejas, kiwis, cebola, milho e beringela;
- Bebidas ricas em antioxidantes: chá verde, sumos de frutas, legumes e vinho tinto (com moderação);
- Alimentos ricos em Ácido Fólico: laranja, morango, banana, espinafres, espargos, brócolos, couve-de-bruxelas, repolho, couve-flor, lentilhas, feijão, grão-de-bico e cereais integrais;
- Alimentos ricos em Vitamina E: óleos vegetais, nozes, vegetais de folhas verdes e cereais integrais;
- Alimentos ricos em Vitamina B12: carne, frango, peixe, leite e ovos
Lembre-se do seu corpo
O exercício físico estimula o fluxo sanguíneo para o cérebro. As pessoas que se exercitam regularmente têm menos probabilidades de desenvolver doenças cardíacas, derrames e diabetes. Estas condições estão também associadas a um risco maior de desenvolver demência. Por isso, pratique exercício físico para o bem da sua saúde:
- Exercite o seu corpo, pelo menos, 30 minutos por dia. Pode andar, dançar, correr, andar de bicicleta, nadar, passear pelo jardim... tudo o que coloque o seu corpo em movimento e faça o coração bater com mais força;
- O treino de resistência ou peso ajuda a desenvolver a força muscular, coordenação de movimentos e mantém a densidade óssea;
- Trabalhe a flexibilidade e equilíbrio, com atividades como a dança, alongamentos, tai chi, pilates e yoga
Lembre-se da sua saúde
Ao realizar check-ups regularmente, consegue detetar eventuais problemas assim que eles surgirem. O tratamento torna-se mais fácil e as consequências serão também menores.
- Controle a sua tensão arterial;
- Controle o seu colesterol;
- Controle os seus níveis de açúcar no sangue;
- Controle o seu peso
Lembre-se da sua vida social
Ter uma vida social ativa, participar em atividades de lazer e conviver com outras pessoas ajuda a manter o seu cérebro saudável.
- Mantenha o contacto com a família e amigos;
- Participe em clubes sociais, culturais ou outros grupos;
- Envolva-se em trabalhos comunitários ou torne-se voluntário;
- Saia e converse com os seus vizinhos, amigos ou mesmo com os trabalhadores do supermercado ou café a que habitualmente vai
Lembre-se dos seus hábitos
Evite maus hábitos:
- Não fume;
- Não consuma bebidas alcoólicas em grandes quantidades. Quando beber, beba com moderação;
- Não prescinda das suas horas de sono e de descanso. Dormir faz bem à saúde
Lembre-se da sua cabeça
Proteja a sua cabeça para reduzir os riscos de desenvolver demência.
- Evite bater com a cabeça;
- Use sempre cinto de segurança;
- Atravesse sempre na passadeira;
- Use sempre capacete de segurança quando andar de mota, bicicleta, skate, patins ou fizer equitação
E lembre-se: É importante lembrar-se da sua memória em todas as idades.
A magia das 7 dicas Lembre-se da sua memória está na forma como elas funcionam em conjunto.
Quando conjuga as 7 dicas nas suas atividades do dia a dia, maximiza os benefícios e consegue resultados bastante mais favoráveis:
- Passeie o seu cão - e fale com as pessoas no jardim
- Faça palavras cruzadas- com um vizinho
- Jogue golf ou ténis- num clube recreativo
- Disfrute de uma refeição saudável- com a família ou amigos
Os seus hábitos e estilo de vida podem fazer uma grande diferença na sua saúde, assim como reduzir os riscos de desenvolver Doença de Alzheimer ou outras formas de demência.
Lembre-se?
Nunca é cedo demais para que se Lembre da sua Memória.
Adaptado de Alzheimer Australia
Demência e Hereditariedade
Demência e Hereditariedade
As pessoas com Demência preocupam-se frequentemente sobre a possibilidade de transmitirem a doença à família. Aqui pode encontrar informação sobre o papel da hereditariedade na Doença de Alzheimer e noutras formas de Demência.
Demência é o termo utilizado para descrever os sintomas de um grupo alargado de doenças que causam um declínio progressivo no funcionamento da pessoa. É um termo abrangente que descreve a perda de memória, capacidade intelectual, raciocínio, competências sociais e alterações do que se consideram reações emocionais normais.
A Doença de Alzheimer é a forma mais comum de Demência, constituindo cerca de 50% a 70% de todos os casos. É uma situação que ocorre com alguma frequência em pessoas idosas, independentemente da existência de antecedentes familiares da doença. A Demência afeta 1 em cada 80 mulheres, com idades compreendidas entre os 65 e 69 anos, sendo que no caso dos homens a proporção é de 1 em cada 60. Nas idades acima dos 85 anos, para ambos os sexos, a Demência afeta aproximadamente 1 em cada 4 pessoas.
Compreender os genes
O material genético que herdamos dos nossos pais é armazenado em estruturas denominadas por cromossomas. Temos 22 pares de cromossomas, mais dois cromossomas X (nas mulheres) ou um cromossoma X e um Y (nos homens).
Cada cromossoma contém milhares de genes, que podem ser imaginados como um ?colar de contas?. Os genes contêm informação e são o ?projeto? para fazer uma pessoa. Cada gene contém as instruções para fazer um pequeno aspeto da pessoa. Eles são a unidade fundamental da hereditariedade e permitem que características específicas (ex.: cor dos cabelos; altura e a tendência para desenvolver diabetes numa idade avançada) sejam transmitidas de uma geração para a geração seguinte.
A mutação é uma alteração num gene. Algumas mutações são benéficas, mas muitas são potencialmente prejudiciais. Alguns genes são causadores de doenças, por exemplo se uma pessoa herdar um gene para um tipo de distrofia muscular, irá certamente desenvolver essa doença na vida. Outros genes são fatores de risco, ou seja, podem não levar inevitavelmente ao aparecimento de uma doença tal como a diabetes, hipertensão arterial, ou Doença de Alzheimer, mas tornam provável o seu desenvolvimento.
Genes que podem influenciar a Doença de Alzheimer
O facto de se ter um parente próximo com Doença de Alzheimer não significa a existência de uma ligação genética. As pessoas que têm fatores genéticos de risco apresentam apenas um ligeiro aumento do risco de desenvolver a doença, em comparação à média da restante população.
Até à presente data, o gene mais importante descoberto é a Apolipoproteína E, que se localiza no cromossoma 19. Nos seres humanos, este gene ocorre em três formas: tipos 2, 3 e 4. Todas as pessoas têm dois genes de Apolipoproteína: eles podem ser do mesmo tipo (2.2; 3.3 ou 4.4), ou uma combinação de dois tipos (2.3; 2.4; 3.4). Foi descoberto que as pessoas com pelo menos um gene tipo 4 e especialmente aquelas com dois (4.4) apresentam um risco aumentado de desenvolverem mais cedo a Doença de Alzheimer, do que outras pessoas com outros tipos de Apolipoproteína E. Não obstante, metade das pessoas com 85 anos que têm 2 cópias de apolipoproteína E tipo 4, não têm sintomas Da doença de Alzheimer nessa idade.
As pessoas com tipo 2, especialmente as de tipo 2.2, parecem estar protegidas do desenvolvimento da Doença de Alzheimer, até muito mais tarde na vida. Os investigadores até agora não conseguiram explicar esta situação e, atualmente existem muitas investigações em curso para descobrir por que razão isto acontece.
O tipo de Apolipoproteína não significa que a Doença de Alzheimer vai ocorrer ou não. Com efeito, é conhecido que algumas pessoas podem chegar aos 90 anos com o tipo 4 e não desenvolverem Demência, enquanto outras com tipo 2 podem desenvolvê-la muito mais cedo na vida. Isto significa que o tipo de Apolipoproteína que pessoa tem, não é suficiente para causar a Doença de Alzheimer.
Causas genéticas da Demência
Existe uma forma rara da Doença de Alzheimer que é transmitida de geração em geração. Esta é denominada por Doença de Alzheimer Familiar (DAF).
Se um dos progenitores possui uma mutação genética que provoca DAF, cada filho terá 50% de probabilidade de herdá-la. A presença do gene significa que a pessoa poderá desenvolver Doença de Alzheimer, normalmente entre os 40 e os 60 anos. Esta forma da Doença de Alzheimer afeta um número extremamente reduzido de pessoas. Foram identificados três genes que se sofrerem certos tipos de mutação, vão causar DAF. Estes são denominados: presenilina 1 (cromossoma 14), presenilina 2 (cromossoma 1) e o gene da proteína precursora amilóide (APP) no cromossoma 21.
Em caso de suspeita de DAF
Um teste genético pode identificar alterações específicas nos genes de uma pessoa. Este teste pode indicar se a pessoa tem DAF, se uma criança herdou o gene alterado de um dos seus progenitores e se irá desenvolver a doença no futuro. No entanto, não consegue determinar quando é que os sintomas vão ter início.
É essencial confirmar que os casos suspeitos na família têm, ou tiveram, Doença de Alzheimer e não qualquer outra forma de Demência. Esta confirmação só pode ser feita através de um exame médico ou de uma análise cuidadosa dos registos médicos, caso a pessoa já não esteja viva.
O teste para a DAF
A decisão de se submeter a um teste para despiste da DAF é muito complexa e as vantagens e desvantagens devem ser cuidadosamente avaliadas. O teste não calcula o risco relativo de adquirir a Demência, mas é uma predição definitiva da pessoa vir a desenvolver uma doença profunda e progressiva na meia-idade.
O teste só pode ser realizado mediante o consentimento informado da pessoa que irá submeter-se àquele. Ninguém deve ser pressionado a fazer este tipo de teste.
Para algumas pessoas, saber que são portadoras do gene é uma ajuda para planearem o futuro. Permite-lhes refletir sobre as escolhas futuras de estilo de vida e partilhar os seus desejos com alguém de confiança. No entanto, dado que não existe uma cura disponível, a pessoa deve decidir se pretende saber que poderá desenvolver Demência no futuro.
O aconselhamento genético especializado é essencial para ajudar as pessoas a refletirem sobre estes aspetos. O médico pode fornecer detalhes deste serviço. No futuro, quando existirem tratamentos preventivos para a Doença de Alzheimer, poderão existir razões aumentadas para fazer o teste.
Outras formas raras de demência hereditária
Existem outras formas raras de demência que também podem ser herdadas. Estas incluem a doença de Huntington e algumas formas de Demência frontotemporal, em que as alterações do comportamento são antecedentes às alterações da memória. Todas estas situações hereditárias são muito raras na população geral.
Adaptado de Alzheimer Australia
Neuropsicologia e Estimulação Cognitiva no Défice Cognitivo Ligeiro e Demências
Neuropsicologia e Estimulação Cognitiva no Défice Cognitivo Ligeiro e Demências
A neuropsicologia estuda a relação entre o cérebro e a cognição e comportamento. As funções cognitivas, memória, orientação, linguagem e todas as que nos permitem funcionar no nosso dia-a-dia, alteram-se perante lesões ou doenças cerebrais, tais como as demências degenerativas (p.ex. Doença de Alzheimer).
Para se conhecer a gravidade dessas alterações é imperativo realizar uma avaliação neuropsicológica, que caracteriza as funções alteradas e mantidas e a gravidade dessa alteração (perfil neuropsicológico). Este perfil é importante para a decisão médica sobre a terapêutica farmacológica, para os familiares compreenderem os défices e o comportamento do doente e para a informação ao próprio doente, sendo indispensável para um programa terapêutico não-medicamentoso (reabilitação/ estimulação cognitiva) adequado ao doente. A colaboração entre médicos e psicólogos (neuropsicólogos) é fundamental para a compreensão dos casos e para a definição da intervenção. O objectivo da intervenção (farmacológica e não-farmacológica) é o de tornar a evolução mais lenta e permitir maior autonomia e independência, dando uma melhor qualidade de vida.
Na literatura encontramos resultados díspares referentes à eficácia da estimulação cognitiva, porque não existem estudos que comparem grupos de doentes com e sem intervenção e a metodologia de intervenção não é claramente definida. Em casos de suspeita de demência é fundamental que a estimulação se inicie numa fase precoce, de «Defeito Cognitivo Ligeiro» (DCL), pois o doente poderá aprender e desenvolver estratégias que serão úteis em fases avançadas. A junção dos dois tipos de intervenção, medicamentosa e cognitiva, será a metodologia ideal para um melhor resultado.
Em doentes com demência, as melhorias conseguidas são temporárias, pois as alterações das áreas cerebrais que suportam as funções cognitivas são progressivas e os resultados de qualquer intervenção terapêutica serão cada vez menos eficazes, o que não significa que a intervenção não seja necessária, mas é importante sabermos as limitações e que existem questões por responder (tempo de duração da intervenção e por quanto tempo se mantêm os resultados). Estas questões, colocadas pelos doentes e familiares, não têm uma reposta directa, pois cada caso responde de forma diferente e apresenta um perfil evolutivo diferente.
O neuropsicólogo deverá selecionar os casos que podem beneficiar da intervenção e a metodologia de intervenção mais adequada, a partir do perfil da avaliação neuropsicológica. Na fase de DCL a intervenção é, geralmente, individualizada, permitindo ajustes a programas pré-definidos, mas nas situações de demência em fase moderada/avançada a intervenção mais frequente usa metodologia de grupo. O desenho do programa de intervenção deverá ser explicado ao doente e aos familiares.
As sessões de estimulação cognitiva são realizadas duas a três vezes por semana, com duração de 60 minutos. Ensinar a usar uma agenda, onde marque tarefas diárias e factos a recordar é, geralmente, requerido aos doentes. A duração total da intervenção é variável (três, seis ou mais meses). O doente deverá realizar avaliações neuropsicológicas ao longo do programa de intervenção, para análise da evolução e reformulação do programa de intervenção.
Os programas de estimulação incidem, principalmente, na memória, pois é das primeiras capacidades alteradas nos processos demenciais. A memória permite registar e recordar informação, prever acontecimentos e não esquecer o que temos para realizar no futuro. A memória é uma capacidade constituída por vários processos, que regula o nosso pensamento e constitui a nossa individualidade. Nem todos os processos mnésicos ficam alterados no início da demência, o que leva à perplexidade dos familiares ?como é que ele não se lembra do que lhe disse há momentos atrás e depois lembra-se, melhor do que eu, das coisas da infância??; isto significa que a memória não é um sistema unitário, mas formada por diversos sistemas, em que alguns estão alterados e outros intactos, sendo possível utilizar os intactos ou pouco alterados no processo de estimulação.
Será importante referir que, nem todos os défices de memória correspondem a demência e, nem todas as demências se iniciam por défice mnésico. Há casos de demência que se iniciam por dificuldades de linguagem, por dificuldades em programar movimentos ou por modificações de comportamento (diminuição da iniciativa ou desinibição). Todas estas modificações terão impacto no desempenho funcional da vida diária, pelo que a estimulação cognitiva tem como objectivo principal a melhoria da funcionalidade.
Na revisão da literatura, os estudos de eficácia da reabilitação cognitiva em doentes com «Demência» ou com «Defeito Cognitivo Ligeiro», variam entre a opinião de que a reabilitação cognitiva tem um efeito realmente positivo no funcionamento cognitivo (Tsolaki M, 2011; Spector A, et al. 2003; Gatz M, et al 1998) ou que terá um efeito apenas marginal. Actualmente, o enfoque da reabilitação cognitiva, centra-se nos casos com «Defeito Cognitivo Ligeiro» (fase muito inicial de demência), com resultados demonstrando que, quando a intervenção se inicia nesta fase, se obtêm benefícios em capacidades específicas, no humor e na funcionalidade.
A intervenção em doentes com ?DCL? pode ainda ajudar a lidar melhor com a incerteza do futuro e a aceitar a situação (Joosten-Weyn Banningh LW, 2011). Numa revisão sistemática da literatura sobre eficácia, com 15 programas de intervenção (de grupo ou individuais) em doentes com ?DCL?, encontram-se melhorias estatisticamente significativas em 44% de medidas de memória, 12% de outras medidas cognitivas e em 49% de medidas de qualidade de vida e de humor (Jean L et al, 2010).
Apesar dos resultados mais recentes serem indicadores de benefício cognitivo e funcional para doentes em situação de possível evolução para demência, é necessário, numa perspectiva de investigação e clínica, melhorar a metodologia da intervenção, usando desenhos experimentais mais robustos e medidas de eficácia, de funcionalidade, de humor e de qualidade de vida, padronizadas e validadas para as populações em estudo.
Psicóloga (Neuropsicologia) / Investigadora - Faculdade de Medicina de Lisboa
Membro da Comissão Científica da Alzheimer Portugal
Referências bibliográficas
- Spector A, Thorgrimsen L, Woods B, Royan L, Davies S, Butterworth M, et al. Eficacy of an evidence-based cognitive stimulation therapy programme for people with dementia: Randomised controlled trial. Br J Psychiatry 2003;183:248-54
- Gatz M, Fiske A, Fox L, Kaskie B, Kasl-Godley JE, McCallum TJ, et al. Empirically validated psychological treatments for older adults. J Mental Health Aging 1998;4:45-8
- Tsolaki M, Kounti F, Agogiatou C, Poptsi E, Bakoglidou E, Zafeiropoulou M, Soumbourou A, Nikolaidou E, Batsila G, Siambani A, Nakou S, Mouzakidis C, Tsiakiri A, Zafeiropoulos S, Karagiozi K, Messini C, Diamantidou A, Vasiloglou M. Effectiveness of nonpharmacological approaches in patients with mild cognitive impairment. Neurodegener Dis. 2011;8(3):138-45. Epub 2010 Dec 3
- Li H, Li J, Li N, Li B, Wang P, Zhou T. Ageing Res Rev. 2011 Apr;10(2):285-96. Cognitive intervention for persons with mild cognitive impairment: A meta-analysis. Epub 2010 Dec 2
- Stott J, Spector A. A review of the effectiveness of memory interventions in mild cognitive impairment (MCI). Int Psychogeriatr. 2011 May;23(4):526-38. Epub 2010 Oct 15
- Jean L, Bergeron ME, Thivierge S, Simard M. Cognitive intervention programs for individuals with mild cognitive impairment: systematic review of the literature. Am J Geriatr Psychiatry. 2010 Apr;18(4):281-96
Intervenção Não-Farmacológica
Intervenção Não-Farmacológica
A intervenção não-farmacológica diz respeito a um conjunto de intervenções que visam maximizar o funcionamento cognitivo e o bem-estar da pessoa, bem como ajudá-la no processo de adaptação à doença. As atividades desenvolvidas têm como fim a estimulação das capacidades da pessoa, preservando, pelo maior período de tempo possível, a sua autonomia, conforto e dignidade.
O Tratamento da Doença de Alzheimer deve conciliar a intervenção farmacológica com a intervenção não-farmacológica*
* Resultados do Projecto European Collaboration on Dementia (Eurocode) conduzido pela Alzheimer Europe e financiado pela Comissão Europeia.
A Importância Da Estimulação Cognitiva
A estimulação cognitiva, nas suas diferentes modalidades, pode ter um papel terapêutico complementar, contribuindo para um melhor desempenho e melhor bem-estar do doente. É de supor que o grau de vigília que requer, e a carga lúdica que pode proporcionar, em alguns doentes e em determinadas circunstâncias, podem proporcionar aqueles desideratos. É essa a perceção que alguns casos clínicos nos proporcionam. Todavia, para uma medicina baseada na evidência, os estudos disponíveis não são conclusivos de uma eficácia transversal nas situações de demência, em si desde já tão diversas.
A Estimulação Cognitiva
Nos últimos anos têm sido publicados diversos estudos na área da reabilitação cognitiva, nomeadamente com recurso a plataformas computorizadas de treino cognitivo. No entanto, torna-se complexo, perante o estado da arte atual, averiguar a eficácia neste tipo de estratégias de reabilitação cognitiva, o que em muito se deve às limitações inerentes aos estudos publicados, como por exemplo: não serem estudos randomizados, pela insuficiente caracterização dos grupos clínicos, pelos reduzidos tamanhos das amostras, por significativas lacunas ao nível do procedimento de avaliação neuropsicológica baseline e follow-up, pela inexistência de estudos com um follow-up de médio ou longo prazo, entre outras.
De um modo geral, as investigações têm evidenciado uma melhoria a curto prazo ao nível da capacidade funcional (atividades de vida diária) dos pacientes com queixas subjetivas de memória e com MCI (Miotto, Serrao, Guerra, et al., 2008; Rozzini, Costardi, Chilovi, et al., 2007), no entanto, os resultados não se têm confirmado nos pacientes com Doença de Alzheimer. A exemplo, Kurz e colaboradores (2009) demonstraram num estudo com follow-up de 4 semanas, que os pacientes com MCI (Défice Cognitivo Ligeiro) beneficiam de um programa de reabilitação cognitiva ao nível das AVD (Atividades da Vida Diária), do humor e do desempenho ao nível da memória. É ainda frequente que as conclusões de alguns destes estudos extrapolem de um modo demasiadamente positivo as implicações dos resultados encontrados. Na melhor das hipóteses parece ser razoável considerar que o treino cognitivo com base em programas de reabilitação cognitiva computorizada poderá contribuir para um adiamento da contínua progressão do défice cognitivo dos pacientes no espectro do MCI e AD.
Outras Terapêuticas
Tratamento da Doença de Alzheimer e da Demência vascular: a utilização de outras terapêuticas
Para além dos vários fármacos aprovados para utilização no tratamento da Doença de Alzheimer, existe um interesse considerável na utilização de outras terapêuticas. Aqui pode encontrar um breve resumo da informação sobre algumas.
Devido à possibilidade de existência de efeitos secundários e de interações medicamentosas, é importante que nunca tome nenhum medicamento sem consultar o seu médico.
Encontrar evidências para o tratamento da Demência
Até à data, a maior parte da informação que temos sobre o tratamento da Demência provém de estudos epidemiológicos em que os indivíduos que tomaram a terapêutica são comparados com um grupo de controlo de indivíduos que não a tomaram.
Outra informação provém de pesquisas que utilizam métodos diferentes.
Estas incluem:
- Estudos abertos que não tinham um grupo de controlo ou ensaios controlados que não têm uma amostra suficientemente grande para demonstrarem um efeito;
- Estudos duplo-cego em que o participante e o médico não têm conhecimento da terapêutica que está a ser administrada à pessoa;
- Ensaios clínicos randomizados em que os participantes são distribuídos aleatoriamente entre um grupo que está a receber o tratamento e um grupo que não está a receber o tratamento
Têm de ser realizados ensaios prospetivos duplo-cego randomizados com placebo em larga escala, para confirmar o valor de tomar um medicamento ou suplemento para o tratamento da Demência.
Para a maioria das terapêuticas descritas nesta ficha de atualização, estes ensaios estão a decorrer ou ainda não foram realizados.
Perspetivas para o tratamento da Doença de Alzheimer e Demência vascular
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Tratamento com estrogénio
O estrogénio parece ter vários efeitos benéficos no cérebro e é possível que possa protege-lo da deterioração, de várias maneiras.
Tem sido sugerido que a terapêutica de substituição estrogénica para as mulheres na pós-menopausa pode atrasar o início da Doença de Alzheimer ou evitar que as mulheres pós-menopáusicas desenvolvam a Doença de Alzheimer.
Os dados de vários estudos de caso controlados descobriram que a substituição do estrogénio pode estar associada a um risco 30% menor de desenvolver a Doença de Alzheimer. No entanto, alguns destes estudos foram enviesados, porque os indivíduos que tomaram estrogénio divergiam dos indivíduos que não tomaram em variáveis básicas, tais como a educação e a classe social.
Nenhum estudo randomizado controlado tem demonstrado que o estrogénio evita a Doença de Alzheimer ou que diminua a possibilidade de desenvolvê-la. Aliás, no estudo Women?s Health Initiative Memory Study, o estrogénio (só ou combinado com progesterona) aumentou a possibilidade de desenvolver a Doença de Alzheimer.
Dois estudos recentes que utilizaram estrogénios para tratar a Doença de Alzheimer não encontraram absolutamente nenhum benefício para as mulheres que já têm Doença de Alzheimer. Mais, algumas terapêuticas de substituição hormonal foram associadas a um risco aumentado de Demência e podem, por implicação, agravar a Demência já presente.
O estrogénio tem efeitos significativos, bons e maus, quando tomado após a menopausa. Os especialistas no tratamento de pacientes com Doença de Alzheimer em Portugal não recomendam a utilização do estrogénio no tratamento de mulheres em risco de desenvolver Doença de Alzheimer ou em mulheres que têm a Doença de Alzheimer, embora não seja contraindicado na Doença de Alzheimer, se for utilizado para outros fins, tais como o tratamento de sintomas pós-menopausa.
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Medicamentos anti-inflamatórios
Os medicamentos anti-inflamatórios neutralizam ou suprimem o processo inflamatório. Estes medicamentos incluem os anti-inflamatórios não esteroides (AINE), que para além de aliviarem a dor, têm um efeito de redução da inflamação quando utilizados ao longo de um período de tempo. Os inibidores COX-2 são a geração mais recente de AINE, que geralmente são tão eficazes quanto os AINE tradicionais, mas apresentam um menor risco de efeitos secundários.
Contudo, até à presente data, todos os ensaios clínicos indicam que os medicamentos anti-inflamatórios não têm um efeito útil no tratamento da Doença de Alzheimer já estabelecida.
Alguns estudos de caso controlados sugeriram que as pessoas que tomam medicamentos anti-inflamatórios podem apresentar um menor risco de desenvolver a Doença de Alzheimer, do que as pessoas que não tomaram esses medicamentos. Todavia, estes resultados não foram confirmados em ensaios clínicos aleatórios controlados com placebo, em pessoas em risco de desenvolver Doença de Alzheimer. Um ensaio clínico realizado numa grande população sem Demência, o ensaio ADAPT, foi interrompido devido a preocupações sobre os efeitos secundários de um dos agentes anti-inflamatórios.
Os medicamentos anti-inflamatórios têm uma ampla variedade de efeitos secundários potencialmente graves e a sua utilização para o tratamento ou prevenção da Doença de Alzheimer é inapropriada no momento atual.
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Folato e Vitamina B12
O folato (ácido fólico) é um nutriente que ocorre naturalmente e é essencial para a saúde das células do sangue e nervosas. Encontra-se em vegetais verdes, tais como espinafres e brócolos.
Os níveis elevados de ácido fólico no sangue diminuem o nível de uma outra substância denominada homocisteína, que normalmente está presente no sangue. Os níveis elevados de homocisteína no sangue estão associados a um aumento do risco de doença arterial coronária e acidente vascular cerebral.
Pelo menos dois estudos sugeriram que os níveis elevados de homocisteína e/ou níveis baixos de ácido fólico podem estar associados a uma maior probabilidade de mais tarde desenvolver a Doença de Alzheimer.
Um estudo de suplementação de folato nas pessoas com uma cognição normal demonstrou uma redução do risco de declínio cognitivo, mas atualmente não existe qualquer evidência de que o folato previna a Doença de Alzheimer.
A deficiência de vitamina B12, que aumenta os níveis de homocisteína, também tem sido associada a um aumento do risco de Doença de Alzheimer. Mais uma vez, são necessários ensaios prospetivos de tratamento para demonstrar os benefícios dos suplementos de vitamina B12.
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Vitamina E
A vitamina E é uma vitamina lipossolúvel que ocorre naturalmente. A vitamina E pode proteger as células do corpo contra os efeitos do envelhecimento. Um estudo americano sugeriu que tomar vitamina E diminui o ritmo de deterioração nas pessoas com Doença de Alzheimer mais severa.
Actualmente a Associação Americana de Neurologia (American Association of Neurology) tem uma diretriz que sugere que a utilização de vitamina E deve ser considerada nos pacientes com Doença de Alzheimer estabelecida.
Na Austrália os especialistas que tratam a Doença de Alzheimer, diferem na avaliação dos possíveis benefícios da vitamina E. A vitamina E pode prolongar o tempo de sangramento e tornar mais provável uma hemorragia. A análise recente de vários estudos demonstra que tomar diariamente doses de vitamina E acima de 400mg aumenta a mortalidade e outros incidentes tal como o acidente vascular cerebral.
Não foram ainda publicados quaisquer estudos demonstrativos de que a vitamina E possa prevenir a Doença de Alzheimer. É necessário realizar mais ensaios prospetivos aleatórios controlados.
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Estatinas
Estes medicamentos para reduzir o colesterol têm sido associados a um menor risco de desenvolver Demência. No entanto, até à data, nenhum estudo demonstrou que estas substâncias são eficazes no tratamento da Demência. Está a decorrer um grande estudo sobre a utilização da estatina e o Aricept.
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Ginkgo Biloba
O Ginkgo Biloba deriva das folhas de uma árvore chinesa. Diz-se que tem propriedades anti-inflamatórias, antioxidantes e antiplaquetárias. É um dos medicamentos alternativos mais comummente utilizado para os problemas cognitivos e está licenciado para o tratamento da Doença de Alzheimer na Alemanha. Até à data, foi sugerido que apenas o extracto EGb 761 tem um potencial benefício e estes benefícios são apenas moderados (cerca de metade das terapêuticas colinérgicas). Não preserva a memória nas pessoas com uma cognição normal.
É necessário desenvolver mais investigação, antes de se poder afirmar a sua eficácia como tratamento.
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Brahmi
Esta preparação é comercializada como um revigorante de memória. No entanto, não existem dados clínicos que sugiram que é benéfica para as pessoas com Demência.
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Outras substâncias
Uma grande variedade de outras substâncias tem sido testada no tratamento e, frequentemente, na prevenção da Demência. Contudo, até à data nenhuma demonstrou ser eficaz. Isto inclui a curcumina (encontrada no pó de caril), substâncias para tratar a diabetes, medicamentos para reduzir a tensão arterial, aspirina e substâncias para melhorar o fluxo sanguíneo.
O futuro
Existem ensaios a decorrer para avaliar os benefícios de uma vacina para a Doença de Alzheimer (que tem uma componente da proteína amilóide encontrada nas placas senis); dos inibidores das enzimas que produzem o amilóide e das terapêuticas que utilizam o fator de crescimento nervoso. Estas abordagens podem provar ser eficazes, mas ainda será necessário desenvolver muito trabalho.
Esta página tem apenas um caráter informativo e não representa a recomendação por parte da Alzheimer Portugal de qualquer tratamento.
Adaptado de Alzheimer Australia
Memantina
Memantina
A memantina é um dos vários fármacos disponíveis para o tratamento da Doença de Alzheimer. Este fármaco pode aliviar os sintomas nas fases intermédias e avançadas da Doença de Alzheimer.
Como funciona a memantina?
A memantina pertence a um grupo de medicamentos designados antagonistas dos recetores N-metil-D-aspartato (NMDA). A memantina tem como alvo o glutamato, que é um neurotransmissor. Os neurotransmissores ajudam a transmitir as mensagens de uma célula cerebral para a célula seguinte. Cada célula nervosa tem um conjunto específico de recetores, que são responsáveis por receberem o glutamato proveniente da célula vizinha.
O glutamato está presente em concentrações mais elevadas nas pessoas que têm Doença de Alzheimer. Quando o glutamato está presente em concentrações elevadas liga-se aos recetores permitindo a entrada excessiva de cálcio nas células cerebrais, o que vai provocar danos nestas. A memantina liga-se aos mesmos recetores, bloqueando o glutamato, o que vai impedir a entrada em demasia de cálcio nas células cerebrais.
A utilização da memantina é apenas uma das várias abordagens farmacêuticas possíveis para o tratamento dos sintomas da Doença de Alzheimer.
O que é que a memantina faz?
O efeito da memantina varia de pessoa para pessoa. Algumas pessoas não notam qualquer efeito. Outras descobrem que sua condição melhora um pouco, ou que permanecem na mesma, quando esperavam ficar progressivamente piores.
As áreas em que algumas pessoas com Doença de Alzheimer podem sentir melhorias são:
- Funcionamento nas atividades diárias (ex.: lavar-se, vestir-se);
- Uma alteração global no pensamento, funcionamento e comportamento (ex.: lembrar-se das rotinas, orientação, competências linguísticas);
Informações gerais sobre o medicamento
A Memantina só pode ser prescrita por um médico. Antes de tomar o medicamento deve ler a bula. Está disponível em comprimidos de 10 mg e de 20 mg ou em solução oral (gotas). Os comprimidos e as gotas devem ser engolidos com água e podem ser administrados com ou sem alimentos. Habitualmente as pessoas começam com uma dose baixa, de 5 mg uma vez por dia. A dose é gradualmente aumentada, ao longo de cerca de quatro semanas, até atingir uma dose de manutenção, tipicamente de 20 mg uma vez por dia.
Este medicamento tem efeitos secundários?
Um pequeno número de pessoas que tomam memantina experiencia efeitos secundários que geralmente são ligeiros a moderados. Estes efeitos secundários podem incluir alucinações, confusão, tonturas, dores de cabeça e cansaço. Fale com o seu médico se estes sintomas ocorrerem.
A memantina não é recomendada nas pessoas com problemas renais graves. É necessária precaução em pessoas com história de epilepsia, doença hepática, problemas cardíacos ou tensão arterial elevada.
A memantina é eficaz em todas as pessoas com Demência?
A memantina não ajuda todas as pessoas que a tomam. A memantina trata os sintomas da Doença de Alzheimer e não é uma cura - não existe nenhuma evidência de que consegue interromper ou reverter o processo de dano celular que causa a doença.
A memantina está aprovada para utilização em pessoas com Doença de Alzheimer moderadamente grave. Existe alguma evidência de que a memantina também pode ser eficaz nas pessoas com Doença de Alzheimer nas fases ligeira a moderada. A investigação demonstrou que a memantina também pode ser eficaz nas pessoas que sofrem de Demência Vascular.
Os ensaios clínicos não demonstraram nenhuma diferença na eficácia da memantina em relação ao género.
Como é que a memantina interage com outros medicamentos para a Doença de Alzheimer?
A memantina funciona de forma diferente dos inibidores da colinesterase, que também estão aprovados em Portugal para o tratamento da Doença de Alzheimer. As pessoas podem tomar a memantina, quer como terapia isolada ou em combinação com um inibidor da colinesterase. Existem algumas evidências preliminares de que a combinação da memantina com um inibidor da colinesterase pode ser mais eficaz do que tomar apenas um inibidor da colinesterase, mas ainda é necessário desenvolver-se mais investigação.
Como obter tratamento
É importante que a pessoa tenha um diagnóstico e avaliação adequada para certificar que tem Doença de Alzheimer e para determinar se está na fase moderadamente grave da doença. Um especialista, tal como um neurologista ou psiquiatra, estará geralmente envolvido nesta avaliação e na prescrição deste fármaco.
Todo e qualquer medicamento só pode ser prescrito por um médico. Só o médico tem conhecimentos para prescrever um medicamento, alterar a sua dosagem ou eliminar o medicamento do tratamento da pessoa;
Existe algum subsídio disponível para este fármaco?
A memantina é comparticipada, no escalão C (37%), pelo Serviço Nacional de Saúde. Os pensionistas com determinados rendimentos beneficiam ainda de um acréscimo na comparticipação de 15% ou 95% para os casos em que o preço de venda ao público exceda certo valor.*
Onde posso obter mais informação?
As informações sobre a medicação e as comparticipações sofrem alterações regularmente. O despacho mais recente sobre a comparticipação destes medicamentos é o Despacho n.º 13020/2011 do Diário da Republica n.º 188, Série II de 29/09/2011 e está disponível em: https://www.sg.min-saude.pt/NR/rdonlyres/B9EBB192-952E-4C97-94FD-6B54A9F75A58/27524/3884838849.pdf.
O seu médico de família, especialista e farmacêutico também são importantes fontes de informação.
Que perguntas deve fazer ao seu médico sobre qualquer medicamento que lhe seja prescrito?
- Quais são os potenciais benefícios de tomar este medicamento?
- Quanto tempo demora até se sentir alguma melhoria?
- O que se deve fazer quando não se tomar uma dose?
- Quais são os potenciais efeitos secundários?
- Se existirem efeitos secundários, a dose deve ser reduzida ou o medicamento deve ser interrompido?
- O que acontece se o medicamento for interrompido de repente?
- Que outros medicamentos (prescritos ou de venda livre) podem interagir com esta medicação?
- Como é que este medicamento pode afetar outras condições médicas?
- Existem algumas alterações que devem ser reportadas imediatamente?
- Quantas consultas com o médico serão necessárias?
- O medicamento é comparticipado?
A Alzheimer Portugal reconhece que os fármacos atualmente licenciados para a Doença de Alzheimer não são uma cura. Contudo, é evidente que estes fármacos melhoram a qualidade de vida de alguns indivíduos com Doença de Alzheimer.
Adaptado de Alzheimer Australia
Inibidores da Colinesterase
Inibidores da Colinesterase
Existem vários medicamentos aprovados em Portugal para a Doença de Alzheimer. Aqui pode encontrar informação sobre os três medicamentos designados por inibidores da colinesterase.
Os inibidores da colinesterase promovem um alívio dos sintomas da Doença de Alzheimer em algumas pessoas, durante um período limitado de tempo. Estes medicamentos são comparticipados pelo Serviço Nacional de Saúde. Atualmente não existem fármacos aprovados para as outras formas de Demência.
Acetilcolina
As células nervosas do cérebro comunicam umas com as outras através da libertação de substâncias químicas; estas substâncias químicas são denominadas por neurotransmissores. A acetilcolina é um neurotransmissor importante para a memória. As pessoas com Doença de Alzheimer têm níveis baixos de acetilcolina no cérebro.
As enzimas designadas colinesterases destroem a acetilcolina no cérebro. Se a sua ação for inibida, mais acetilcolina estará disponível para a comunicação entre os neurónios.
Como funcionam os fármacos inibidores da colinesterase
Os fármacos inibidores da colinesterase travam ou inibem as enzimas de destruir a acetilcolina, quando esta passa de uma célula para outra. Isto significa que a acetilcolina, que existe em menores concentrações nas pessoas com Doença de Alzheimer, não é destruída tão rapidamente, o que leva a uma maior possibilidade de passar para a célula nervosa seguinte.
Os inibidores da colinesterase têm como resultado concentrações mais elevadas de acetilcolina, conduzindo a um acréscimo da comunicação entre as células nervosas, o que por sua vez pode, temporariamente, melhorar ou estabilizar os sintomas da Demência.
A utilização de inibidores da colinesterase é apenas uma das abordagens farmacológicas possíveis para o tratamento dos sintomas da Doença de Alzheimer. Existem outros neurotransmissores envolvidos, que também podem ser importantes.
O que é que os fármacos inibidores da colinesterase fazem?
O efeito destes fármacos varia consoante as pessoas. Algumas não notam qualquer efeito. Outras podem sentir que seus sintomas melhoram ligeiramente. E outras ainda, apesar de esperarem que os seus sintomas se agravassem progressivamente, ficam estabilizadas na mesma situação. Não existe maneira de prever como um indivíduo irá responder aos fármacos.
As áreas em que algumas pessoas com Doença de Alzheimer sentem melhorias são:
- Capacidade de pensar com clareza;
- Memória;
- Funcionamento nas atividades diárias;
- Sintomas comportamentais e psicológicos;
Os fármacos funcionam durante quanto tempo?
Os ensaios indicam que os inibidores da colinesterase, em média, retardam a progressão dos sintomas cerca de 9 a 12 meses. O que não significa que estes fármacos devam ser interrompidos após os 9 meses, uma vez que a interrupção pode fazer com que o atraso na progressão dos sintomas se perca. Algumas pessoas com Demência relatam benefícios por períodos de tempo mais longos e algumas pesquisas recentes demonstraram que estes benefícios podem durar até cinco anos.
Fármacos inibidores da colinesterase registados em Portugal
Atualmente existem três inibidores da colinesterase licenciados para utilização em Portugal. De seguida apresentam-se informações gerais sobre estes medicamentos, que só podem ser prescritos por um médico. Antes de tomar o medicamento deve ler a bula com atenção.
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Donepezil
O nome genérico deste medicamento é donepezil. É tomado uma vez por dia e pode ser administrado com ou sem alimentos. Está disponível em comprimidos de 5 mg ou 10 mg. De um modo geral, inicialmente é prescrita a dose mais baixa, após um mês de tratamento a dose é aumentada para um comprimido de 10 mg por dia.
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Rivastigmina
Rivastigmina é o nome genérico deste medicamento.
Cápsulas
A Rivastigmina é tomada duas vezes por dia, normalmente nas refeições da manhã e da tarde. A dose é aumentada gradualmente a partir de 1.5 mg, duas vezes por dia, até um máximo de 6 mg, duas vezes por dia. Estão disponíveis cápsulas de 1.5, 3, 4.5 e 6 mg.
Solução oral
A solução líquida pode ser tomada diretamente ou misturada com água ou sumo de fruta.
Adesivo Transdérmico
A Rivastigmina também está disponível em adesivo transdérmico, em que a administração do fármaco é feita através da pele, em vez de ser por via oral, o que pode reduzir os efeitos secundários gastrointestinais. Existem adesivos transdérmicos de 5mg e 10mg. O tratamento geralmente começa com um adesivo transdérmico de 5mg por dia. Ao fim de um mês a dose é, geralmente, aumentada para 10mg por dia.
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Galantamina
O nome genérico para este medicamento é galantamina. A galantamina está disponível em cápsulas de libertação prolongada de 8, 16 e 24 mg. É tomada uma vez por dia, de preferência às refeições. Normalmente, no início do tratamento é prescrita a dose mais baixa. Após um mês, pode aumentar-se gradualmente até atingir a dose mais adequada.
Existem efeitos secundários?
Algumas pessoas que tomam os inibidores da colinesterase experimentam alguns efeitos secundários. Os potenciais efeitos secundários destes fármacos são mais comuns quando alguém os toma pela primeira vez e na maioria das vezes diminuem com o tempo. Os efeitos secundários mais prováveis são a diarreia, náuseas, vómitos, cãibras musculares, diminuição da tensão arterial, insónia, fadiga e perda de apetite. Outros efeitos secundários relatados são as tonturas e os pesadelos. Se a dose for aumentada gradualmente, a probabilidade de ocorrência de efeitos secundários será menor.
É necessário ter cuidado nas pessoas que têm história de úlcera péptica, asma, doença hepática ou renal ou frequência cardíaca muito lenta.
O tipo e a taxa de efeitos secundários variam dependendo do medicamento prescrito e da resposta individual do utilizador. Recomenda-se que esta questão seja discutida com seu médico.
Estes fármacos são eficazes para todas as pessoas com Demência?
Existem algumas evidências de que quanto mais cedo iniciar estes fármacos, melhor será para a pessoa.
Os ensaios clínicos sugerem que os inibidores da colinesterase podem proporcionar benefícios limitados nas pessoas que estão nos estádios mais avançados da Doença de Alzheimer e nas pessoas com Demência com corpos de Lewy e Demência vascular.
Existem, também, pesquisas em curso para a utilização de formas alternativas dos inibidores da colinesterase, tais como formas de libertação lenta e injetáveis, que podem ajudar as pessoas que não respondem às formas atualmente disponíveis ou não toleram os efeitos secundários.
Os ensaios clínicos não demonstraram diferenças na eficácia dos inibidores da colinesterase em relação ao sexo, idade ou origem étnica.
Estes fármacos tratam apenas os sintomas da doença de Alzheimer e não são uma cura - não existe qualquer evidência de que possam travar ou reverter o processo de lesão celular que causa a doença. É, também, importante compreender que estes fármacos não ajudam todas as pessoas que os experimentam e que não se consegue prever a resposta de um indivíduo ao tratamento.
Como obter tratamento
É importante que a pessoa tenha um diagnóstico e avaliação adequada para determinar se tem Doença de Alzheimer e se está no estádio ligeiro a moderado da doença.
A avaliação e prescrição destes fármacos é realizada por um especialista, tal como um neurologista ou psiquiatra.
Sempre que uma pessoa começar a tomar um medicamento novo, o médico, paciente e familiares devem discutir os potenciais efeitos secundários e a forma como o fármaco pode interagir com os outros medicamentos que a pessoa esteja a tomar.
Todo e qualquer medicamento só pode ser prescrito por um médico. Só o médico tem conhecimentos para prescrever um medicamento, alterar a sua dosagem ou eliminar o medicamento do tratamento da pessoa;
Existe algum subsídio disponível para estes fármacos?
Os medicamentos Donepezil, Rivastigmina e Galantamina são comparticipados, escalão C (37%), pelo Serviço Nacional de Saúde. Os pensionistas com determinados rendimentos beneficiam ainda de um acréscimo na comparticipação de 15% ou 95% para os casos em que o preço de venda ao público exceda certo valor.*
Que perguntas deve fazer ao seu médico sobre qualquer medicamento que lhe seja prescrito?
- Quais são os potenciais benefícios de tomar este medicamento?
- Quanto tempo demora até se sentir alguma melhoria?
- O que se deve fazer quando não se tomar uma dose?
- Quais são os potenciais efeitos secundários?
- Se existirem efeitos secundários, a dose deve ser reduzida ou o medicamento deve ser interrompido?
- O que acontece se o medicamento for interrompido de repente?
- Que outros medicamentos (prescritos ou de venda livre) podem interagir com esta medicação?
- Como é que este medicamento pode afetar outras condições médicas?
- Existem algumas alterações que devem ser reportadas imediatamente?
- Quantas consultas com o médico serão necessárias?
- O medicamento é comparticipado?
A Alzheimer Portugal reconhece que os fármacos para a Doença de Alzheimer atualmente licenciados não são uma cura. Contudo, é evidente que estes fármacos melhoram a qualidade de vida de alguns indivíduos com Doença de Alzheimer.
Adaptado de Alzheimer Australia
Terapêutica Farmacológica
Terapêutica Farmacológica
Demência é o termo utilizado para descrever os sintomas de um grupo alargado de doenças que causam um declínio progressivo no funcionamento da pessoa. É um termo abrangente que descreve a perda de memória, capacidade intelectual, raciocínio, competências sociais e alterações daquilo que seriam consideradas reações emocionais normais. A Demência causa um prejuízo significativo no funcionamento diário da pessoa.
Fármacos utilizados no tratamento dos sintomas cognitivos da Demência
Em Portugal existem, atualmente, vários fármacos disponíveis para as pessoas com Demência. Estes dividem-se em duas categorias: terapêutica colinérgica e Memantina.
Terapêutica Colinérgica
Em algumas pessoas e durante um período de tempo limitado, os fármacos colinérgicos produzem alívio dos sintomas da Doença de Alzheimer. Estes fármacos, conhecidos como inibidores da acetilcolinesterase, bloqueiam as ações da enzima acetilcolinesterase, que é responsável pela destruição de um neurotransmissor importante denominado - acetilcolina. A atual terapêutica colinérgica está indicada para pessoas com Doença de Alzheimer, nas fases ligeira e moderada. Os inibidores da acetilcolinesterase são comparticipados pelo Serviço Nacional de Saúde. As pessoas que foram diagnosticadas com Demência podem adquirir os medicamentos com comparticipação, desde que sejam prescritos por um médico neurologista ou psiquiatra.
Saiba mais sobre Terapêutica Colinérgica
Memantina
A Memantina atua num neurotransmissor denominado - glutamato. Este está presente em concentrações elevadas nas pessoas com doença de Alzheimer. A Memantina bloqueia o glutamato e evita a entrada excessiva de cálcio nas células nervosas, o que iria causar danos nestas. A Memantina é a primeira de uma nova classe de fármacos e atua de forma muito diferente dos inibidores de acetilcolinesterase, que estão atualmente aprovados para o tratamento em Portugal.
A Memantina está indicada para pessoas com doença de Alzheimer nas fases moderadamente grave e grave. É um medicamento comparticipado pelo Serviço Nacional de Saúde.
Como obter a medicação
É importante que a pessoa tenha um diagnóstico de Doença de Alzheimer e não de outra forma de demência, e que a fase atual da doença esteja determinada.
A prescrição deste tipo de medicamentos é realizada por um médico especialista - neurologista ou psiquiatra.
Tratamento de outros sintomas associados à Demência
A demência causa, frequentemente, vários sintomas comportamentais e psicológicos que podem provocar muita angústia, como por exemplo: depressão; ansiedade; insónia; alucinações; ideias de perseguição; identificação incorreta de parentes ou lugares; agitação; e comportamento agressivo. Estes sintomas podem melhorar com a transmissão de tranquilidade à pessoa, realização de uma mudança de ambiente ou eliminação da origem do sofrimento, por exemplo: da dor. No entanto, por vezes, a medicação será necessária para aliviar os sintomas.
Antipsicóticos
Os antipsicóticos, também conhecidos como neurolépticos ou tranquilizantes maiores, são utilizados para controlar a agitação, agressividade, delírios e alucinações. Os antipsicóticos "típicos" tal como haloperidol (Haldol) já não são os maioritariamente utilizados. Estes podem ter efeitos secundários significativos que incluem: sedação excessiva, vertigens, instabilidade e sintomas que se assemelham aos da doença de Parkinson (tremor, lentidão e rigidez dos membros). As pessoas mais idosas são mais propensas a apresentar estes efeitos secundários. Os antipsicóticos típicos podem ser particularmente perigosos para as pessoas com Demência com Corpos de Lewy.
Os antipsicóticos mais recentes - "antipsicóticos atípicos", tais como risperidona (Risperdal) e olanzapina (Zyprexa), têm menos efeitos secundários e são mais comummente utilizados. Estes parecem ser úteis no tratamento da agressividade e psicose, mas podem estar associados a um aumento significativo do risco de acidente vascular cerebral. Qualquer que seja o medicamento utilizado é importante existir um equilíbrio entre os benefícios e os possíveis efeitos secundários, bem como manter a pessoa regularmente e cuidadosamente vigiada.
Fármacos para o tratamento da depressão
Os sintomas depressivos são extremamente comuns nas pessoas com Demência. De um modo geral, a depressão pode ser tratada eficazmente com anti-depressivos, mas deve ser assegurado que o tratamento é realizado com o menor número de efeitos secundários possível.
Fármacos para o tratamento da ansiedade
Os estados de ansiedade, acompanhados de ataques de pânico e de medo irracional, podem ser muito aflitivos para uma pessoa com Demência e criar uma situação de stress nos familiares e cuidadores. As benzodiazepinas são um grupo de medicamentos que podem ajudar a aliviar a ansiedade de curta duração. Apesar de serem muito eficazes na redução imediata da ansiedade, a maioria dos indivíduos apresenta uma habituação rápida aos seus efeitos e decorrente desta situação tornam-se menos benéficas com o passar do tempo. A interrupção das benzodiazepinas está frequentemente associada ao retorno dos sintomas de ansiedade e não deve ser realizada sem supervisão médica.
Fármacos para o tratamento das perturbações do sono
Acordar persistentemente e vaguear durante a noite pode originar uma série de dificuldades. Muitos fármacos prescritos para a Demência podem causar sedação excessiva durante o dia, o que leva a que a pessoa não consiga dormir à noite. Aumentar a estimulação durante o dia pode reduzir a necessidade de medicamentos indutores do sono, à noite. Os fármacos para tratar as perturbações do sono devem ser utilizados como último recurso, uma vez que as pessoas podem tornar-se dependentes deles e a paragem deste tipo de medicação pode ser seguida pelo regresso da insónia e ansiedade.
Lembre-se que...
- Todo e qualquer medicamento só pode ser prescrito por um médico. Só o médico tem conhecimentos para prescrever um medicamento, alterar a sua dosagem ou eliminar o medicamento do tratamento da pessoa;
- Todos os fármacos podem ter efeitos secundários, alguns dos quais podem piorar a sintomatologia da pessoa;
- Deve perguntar ao médico porque é que o medicamento está ser prescrito e que efeitos secundários podem ocorrer;
- Um fármaco que é útil no tempo presente pode vir a ser ineficaz no futuro devido às mudanças progressivas causadas pela Demência;
- Não deve esperar resultados imediatos. Os benefícios podem demorar várias semanas a surgir, especialmente no caso dos antidepressivos. Converse com o médico sobre esta situação;
- É importante que o tratamento seja reavaliado regularmente;
- Deve manter um registo de todos os medicamentos, incluindo dos medicamentos alternativos e levá-lo para as consultas médicas;
- Muitas pessoas com Demência tomam vários fármacos para sintomas diferentes. É importante conversar com o médico sobre qualquer interferência que os medicamentos possam ter uns sobre os outros
Questões que pode colocar ao médico, caso sejam prescritos fármacos
- Quais são os potenciais benefícios de tomar este medicamento?
- Quanto tempo vai demorar até notar uma melhoria?
- O que se deve fazer no caso de uma dose não ser tomada?
- Quais são os efeitos secundários conhecidos?
- O medicamento deve ser interrompido caso existam efeitos secundários?
- O que é que acontece se o medicamento for interrompido de repente?
- Que outros medicamentos (prescritos e de venda livre) podem interagir com o medicamento?
- Como é que este medicamento pode afetar outras situações clínicas?
- Existem algumas alterações que devem ser comunicadas imediatamente?
- Com que frequência se deve realizar uma consulta com o médico que prescreveu a medicação?
- Este medicamento é comparticipado?
Todas as informações aqui prestadas são para conhecimento geral e não representam, por parte da Alzheimer Portugal, qualquer recomendação para a utilização de um fármaco específico.
Adaptado de Alzheimer Australia
Após o Diagnóstico
Após o Diagnóstico
Cuidar de alguém com demência pode ser difícil e, por vezes, muito desgastante. Mas existem muitas instituições que disponibilizam uma variedade de serviços para ajudar as famílias e cuidadores a apoiar a pessoa com Demência em casa.
Onde procurar informação
Habitualmente, após tomarem conhecimento do diagnóstico, a prioridade das pessoas é procurarem informações sobre a Demência e sobre as ajudas imediatamente disponíveis.
A Associação Alzheimer Portugal pode ajudá-lo a informar-se sobre o que é a Demência e fornecer suporte emocional, informação, formação e aconselhamento. Contacte a Alzheimer Portugal para a Sede ou Delegação mais próxima de si.
A Alzheimer Portugal pode prestar informações sobre os cuidados e serviços de apoio domiciliário disponíveis, de modo a ajudar a pessoa com Demência a continuar a residir na sua casa.
A Alzheimer Portugal pode, ainda, fornecer informação e aconselhamento aos cuidadores sobre o seu papel e sobre os seus direitos.
A Alzheimer Portugal publicou um conjunto de informações para o cuidador, que fornece informações sobre o apoio e serviços que estão disponíveis para as pessoas que cuidam e oferece auxílio prático. Consulte a secção deste site ?Sou Cuidador? para mais informações.
Grupos de Apoio e Suporte
Para muitas pessoas os grupos de apoio ou suporte, local em que encontram outros que sabem o que é cuidar de uma pessoa com demência, são fonte de conforto e apoio. Os grupos de apoio reúnem famílias, cuidadores e amigos das pessoas com demência, sob a orientação de um moderador. Este é geralmente um profissional de saúde ou alguém com grande experiência em cuidar de uma pessoa com demência.
A Alzheimer Portugal organiza, em cada uma das suas delegações, grupos de suporte para cuidadores de pessoas com Demências.
?Ajuda saber que não estamos sozinhos? ajuda ouvir os outros que lidam com problemas semelhantes? sinto-me muito melhor por saber que existem outras pessoas com um papel de cuidador semelhante ao meu??
Aconselhamento
A Alzheimer Portugal fornece gratuitamente um serviço de aconselhamento especializado às pessoas com demência, suas famílias e cuidadores, que visa apoiar e ajudar as pessoas ao longo do curso da doença. Marque um atendimento pessoal ou telefónico, contactando a Alzheimer Portugal para a Sede ou Delegação mais próxima de si.
Serviços de saúde
O médico de família será, provavelmente, o profissional de saúde que prestará os cuidados de saúde ao longo do curso da doença à pessoa com Demência e sua família. É importante que os familiares e o médico sejam capazes de comunicar facilmente, uma vez que isto terá grande benefício para todos os envolvidos.
A Alzheimer Portugal presta assistência na determinação das necessidades de um serviço de apoio domiciliário ou de um lar residencial. Existem vários serviços de saúde disponíveis, que são prestados de acordo com as necessidades da pessoa. Os técnicos da Alzheimer Portugal estarão disponíveis para ajudar a identificar os tipos de serviços que possam ser mais adequados a cada caso.
Fazer um intervalo na prestação de cuidados
As famílias e cuidadores necessitam de fazer pausas regulares na prestação dos cuidados e uma das formas é fazê-lo através da organização de cuidados temporários regulares à pessoa com Demência. Existem outras formas de fazer estas pausas, por exemplo através de um alojamento temporário num lar residencial. Algumas instituições/serviços conseguem providenciar pausas flexíveis, situação poderá ser apropriada para as pessoas com Demência precoce.
Serviços de Apoio Domiciliário
A assistência no domicílio é um dos serviços mais utilizados no caso das pessoas com Demência que vivem em casa. Estes serviços incluem a prestação de cuidados pessoais, realização das tarefas domésticas, preparação/entrega de refeições e manutenção da casa.
Contacte a Alzheimer Portugal para obter informações sobre as instituições que prestam estes serviços na sua área de residência.
A Alzheimer Portugal pode aconselhá-lo na escolha de serviços de promoção de uma vida segura. O aconselhamento também está disponível para o caso de serem necessárias modificações domésticas.
Estas informações podem ajudá-lo no planeamento do futuro. Mesmo que não sejam necessários no momento, podem vir a sê-lo futuramente.
Para mais informações, contacte o seu médico ou a Associação Alzheimer Portugal.
Adaptado de Alzheimer Australia
Comunicação do Diagnóstico à pessoa com Demência
Comunicação do Diagnóstico à pessoa com Demência
Para os que estão envolvidos nesta situação, escolher entre informar ou não a pessoa com Demência do seu diagnóstico é uma decisão difícil e de carga emocional elevada.
O progresso nos meios de diagnóstico tem permitido que a Demência seja diagnosticada, cada vez mais, numa fase inicial. Esta situação possibilita às pessoas com Demência uma maior probabilidade de compreenderam as implicações da doença.
Preparar-se para o diagnóstico
A pessoa que é submetida a uma avaliação para diagnosticar a Demência deve, sempre que possível, decidir se quer receber a confirmação do diagnóstico. Geralmente, se a pessoa estiver consciente de que vai ser submetida a uma avaliação, conseguirá tomar essa decisão.
Antes de avançar com o processo de diagnóstico, é importante falar com o médico sobre a transmissão daquele à pessoa, uma vez que alguns médicos comunicam sempre o resultado do diagnóstico ao paciente.
Caso a pessoa não esteja capaz de compreender as implicações da receção de um diagnóstico de Demência, poderá tomar a decisão de comunicá-lo ou não, com base no seu conhecimento do que poderia ser o desejo da pessoa. Exemplos de questões que o podem ajudar nesta tarefa são: Quais seriam as escolhas, da pessoa, se fosse capaz de entender as implicações? Alguma vez, no passado, a pessoa deu uma indicação de qual seria a sua escolha numa situação semelhante?
Esta decisão é importante e difícil de tomar em nome de outra pessoa. Conversar, previamente, com a família e amigos, assim como com o médico ou especialista pode ajudá-lo.
Deve-se ou não comunicar?
Existem muitas razões para transmitir o diagnóstico à pessoa com Demência:
- Atualmente é amplamente aceite que as pessoas têm o direito de tomar conhecimento de qualquer informação médica sobre si, desde que esta não lhes seja prejudicial;
- Muitas pessoas têm a consciência de que algo não está bem. Por isso, o diagnóstico de Demência pode ser sentido como um alívio, pois permite-lhes saber qual a causa dos seus problemas;
- Tomar conhecimento do diagnóstico pode ajudar a pessoa a compreender a sua situação e a fazer planos importantes para o futuro, particularmente ao nível das questões legais, financeiras e de cuidados de saúde;
- Tomar conhecimento da doença permite uma discussão honesta e aberta sobre a vivência da Demência, entre a família e amigos;
- Por facilitar o acesso à informação, apoio e a novos tratamentos
Contudo, existem outras razões para algumas vezes não se transmitir o diagnóstico à pessoa com Demência, nomeadamente:
- A família é quem melhor conhece a pessoa e saberá como esta reagirá perante o diagnóstico. Assim, torna-se necessário ter em conta a vontade expressa anteriormente sobre se gostaria ou não de ter conhecimento de um diagnóstico como o de Demência. Desta forma, nestas situações é usual a família tentar proteger o seu ente querido não transmitindo o diagnóstico, ou doseando a forma como o transmite, podendo dizer apenas que ?o pai tem problemas de esquecimento?
Lembre-se que
Geralmente é recomendado que a pessoa com Demência tenha conhecimento do seu diagnóstico. No entanto, aquela também tem o direito de não tomar conhecimento caso seja esta, claramente, a sua vontade.
Como comunicar o diagnóstico?
A comunicação do diagnóstico pode ser feita por uma de várias pessoas - médico/especialista, equipa de avaliação ou um familiar. Estes podem falar com a pessoa acerca do seu diagnóstico, individualmente ou em grupo. Talvez deva considerar ter consigo alguém, no momento de transmitir o diagnóstico, como forma de ter um suporte extra.
A transmissão do diagnóstico será mais fácil se for planeada previamente. Cada situação deverá ser avaliada cuidadosamente, uma vez que as respostas individuais podem ser diferentes. Todavia, existem alguns critérios que podem ser úteis quando comunicar o diagnóstico à pessoa:
- Assegure-se que o local onde irá transmitir o diagnóstico é tranquilo, sem ruídos ou distrações;
- Fale devagar, de forma clara e diretamente para a pessoa;
- Transmita uma informação de cada vez;
- Permita que a pessoa tenha tempo para absorver as informações e para colocar questões. Pode necessitar de acrescentar informação posteriormente;
- Ter consigo informação escrita sobre a Demência pode ser uma ajuda e fornecer referências úteis. A Associação Alzheimer Portugal tem informações escritas especificamente para as pessoas com Demência;
- Assegure-se que existe alguém disponível para dar suporte à pessoa depois de esta tomar conhecimento do diagnóstico
Que informação deve ser transmitida?
Existem várias coisas que devem ser explicadas, nomeadamente:
- O motivo pelo qual os sintomas estão a ocorrer;
- O tipo particular de Demência que a pessoa tem. A explicação deve ser feita de maneira a que a pessoa consiga compreendê-la;
- Qualquer tratamento possível para os sintomas;
- Os serviços especializados e programas de apoio disponíveis para as pessoas com Demência
Informar a pessoa de que tem Demência é um assunto sério e que necessita de ser tratado com grande sensibilidade, calma e dignidade.
Pode ser um momento de muito stress para todos, por isso não se esqueça de cuidar de si. A Associação Alzheimer Portugal oferece aconselhamento e apoio às famílias, cuidadores e pessoas com Demência.
Adaptado de Alzheimer Australia
Diagnóstico Atempado
Diagnóstico Atempado
Está preocupado/a com a sua memória? Sente-se confuso/a ou esquecido?
Informar-se sobre o que está errado é o primeiro passo para obter ajuda
Sente-se apreensivo/a com o aumento de lapsos de memória ou com quaisquer outras alterações no seu raciocínio ou comportamento? As alterações de memória e de raciocínio podem ocorrer por uma série de causas diferentes tais como o stresse, a depressão, dores, doenças crónicas, medicamentos, bebidas alcoólicas e, por vezes, demência precoce. As alterações graves de memória não são normais seja em que idade forem e devem ser levadas a sério.
Se está a passar por este tipo de dificuldades deve consultar o seu médico logo que possa.
Lista de preocupações comuns sobre alterações de memória e raciocínio
Assinale aquelas que se aplicam ao seu caso. Se identificou várias áreas que o/a preocupam (?às vezes? ou ?frequentemente? na lista), consulte o seu médico.
| Nunca | Às vezes | Frequentemente | |
| Tenho dificuldade em encontrar a palavra certa para me exprimir. | |||
| Tenho dificuldade em lembrar-me de acontecimentos que ocorreram recentemente. | |||
| Tenho dificuldade em me lembrar que dia da semana ou data é. | |||
| Esqueço-me dos locais onde as coisas são guardadas habitualmente. | |||
| Tenho dificuldade em adaptar-me a mudanças na minha rotina do dia-a-dia, o que não me acontecia anteriormente. | |||
| Tenho dificuldade em entender artigos de revistas ou jornais ou em seguir uma história num livro ou na televisão. | |||
| É, atualmente, mais difícil para mim participar em conversas, particularmente em grupos. | |||
| É, atualmente, mais difícil para mim lidar com assuntos financeiros, tais como tratar de assuntos com o Banco ou calcular trocos. |
|||
| Sinto dificuldades em atividades normais diárias tais como lembrar-me do tempo que passou entre visitas a amigos ou familiares ou como cozinhar um prato que sempre cozinhei bem. |
|||
| Estou a perder o interesse em atividades de que normalmente gostava. | |||
| Tenho dificuldade em analisar problemas. | |||
| Os meus familiares e/ou os meus amigos já falaram sobre a minha falta de memória. | |||
| Outras preocupações: |
Esta lista de preocupações é fornecida apenas como guia. Alguns destes aspetos podem ser um traço da sua personalidade, algo que sempre fez parte do seu comportamento e não um sintoma de Demência. Utilize esta lista para conversar com o seu médico. A presença destas alterações não quer dizer necessariamente que tem ou que irá ter Doença de Alzheimer ou outro tipo de Demência.
Quanto mais cedo agir melhor
Os seus sintomas podem não ser causados por Demência, mas se forem, um diagnóstico feito atempadadamente é muito importante. Um diagnóstico atempado significa que pode ter acesso a apoio, informação e medicação. As pessoas diagnosticadas com demência devem ter a oportunidade de participar no planeamento das suas vidas e das suas finanças e também comunicar os seus desejos em relação aos cuidados de saúde futuros.
A importância de um diagnóstico correto
A Demência só pode ser diagnosticada por um médico especialista, por isso consultá-lo numa fase inicial é fundamental. A realização de uma avaliação médica e psicológica completa pode permitir identificar uma situação tratável e assegurar o seu correto tratamento ou confirmar a presença de Demência.
O médico é a pessoa indicada para iniciar o processo de diagnóstico. Após avaliar os sintomas e solicitar os exames necessários, pode fazer um diagnóstico preliminar e o encaminhamento para um médico especialista - neurologista ou psiquiatra.
Algumas pessoas podem apresentar resistência em consultar o médico. Umas porque não reconhecem ou negam a existência de qualquer coisa errada consigo - esta situação pode decorrer das alterações cerebrais provocadas pela Demência, que interferem na capacidade da pessoa reconhecer ou avaliar os seus problemas de memória. Outras porque, apesar de manterem a capacidade de discernimento, podem ter receio de que os seus medos sejam confirmados.
Manter uma atitude calma e atenciosa, bem como tranquilizar a pessoa, pode ajudá-la a ultrapassar as suas preocupações e receios.
O Diagnóstico pode incluir a realização de:
- Uma história clínica detalhada, fornecida, se possível, pela pessoa que apresenta a sintomatologia e por um familiar ou amigo próximo. Aquela irá permitir estabelecer se os sintomas surgiram lenta ou subitamente e qual a sua progressão
- Um exame físico e neurológico aprofundado, incluindo testes aos sentidos e movimentos, de forma a excluir outras doenças e a identificar quaisquer outras situações que possam agravar a confusão associada à Demência
- Exames laboratoriais, que incluem uma variedade de análises ao sangue e à urina, para despistarem qualquer doença responsável pelos sintomas
- Outros exames especializados, como por exemplo: Raio X, Electroencéfalograma (EEG), Tomografia Axial Computorizada (TAC), Análises do Líquido Raquidiano ou Ressonância Magnética
- Uma avaliação neuropsicológica para avaliar as funções intelectuais que podem ser afetadas pela Demência - como por exemplo: memória, capacidades de leitura, escrita e cálculo
- Uma avaliação psiquiátrica para identificar perturbações tratáveis que podem mimetizar a Demência - como por exemplo: depressão e monitorizar os sintomas psiquiátricos que podem ocorrer juntamente com a Demência - como por exemplo: ansiedade e delírios
Conhecer atempadamente o diagnóstico é fundamental:
- A Pessoa com demência e a sua família encontram uma explicação para o que as atormenta;
- É sempre mais fácil lidar com o que se conhece do que com o desconhecido;
- Existem medicamentos que retardam a progressão da doença e aliviam os sintomas;
- Existem intervenções não farmacológicas que ajudam a:
- Manter as capacidades;
- Promover o bem-estar;
- Promover a ocupação e o envolvimento social
- A Pessoa pode organizar a sua vida e planear o futuro:
- Escolhendo alguém da sua confiança que a ajude a tomar decisões ou a tomá-las em seu nome quando tal se torne necessário;
- Tomando decisões para o futuro sobre diversas questões (pessoais, de saúde, patrimoniais)
Um diagnóstico atempado permite assegurar uma melhor qualidade de vida para a pessoa com demência.
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Exames utilizados no Diagnóstico de Demência
Exames utilizados no Diagnóstico de Demência
Não existe um exame específico para fazer o diagnóstico da Doença de Alzheimer ou para a maioria das outras formas de Demência. Os médicos utilizam vários exames e avaliações para determinar se os sintomas se encaixam em certos critérios e para excluir outras causas possíveis para esses sintomas.
Avaliação
O primeiro passo para obter um diagnóstico é falar com o médico sobre as suas preocupações. É boa ideia levar um familiar próximo ou amigo para a consulta, para auxiliarem na prestação de informações adicionais. Também é boa ideia levar uma lista das alterações de memória, bem como quaisquer outras alterações que estejam a preocupá-lo, incluindo quando é que as notou pela primeira vez e quão frequentemente as observa. Deverá, ainda, levar para a consulta a lista dos medicamentos ou os medicamentos que está a tomar.
O seu médico poderá avaliá-lo ou referenciá-lo para um médico especialista, tal como um neurologista (especialista nas perturbações do cérebro e das vias nervosas) ou um psiquiatra (especialista nas perturbações do pensamento, das emoções e do comportamento).
A avaliação da Demência pode incluir o seguinte:
- História pessoal:
O médico geralmente irá despender algum tempo a discutir a sua história médica e a reunir informação sobre as suas alterações de memória e do pensamento.
- Exame físico e testes laboratoriais:
Os sintomas de Demência podem ser devidos a uma série de outras causas médicas, tais como deficiências vitamínicas, infeção, distúrbios metabólicos e efeitos secundários dos medicamentos, situações que muitas vezes são facilmente tratadas. Portanto, um passo inicial no diagnóstico da Demência é excluir estas causas através do exame físico e das análises ao sangue e à urina.
Os testes laboratoriais de rotina utilizados no diagnóstico de Demência incluem:
- Análises ao sangue para investigar:
- Anemia;
- Infeção;
- Equilíbrio de eletrólitos (sal e água);
- Função hepática;
- Deficiência de vitamina B12;
- Função tiroideia;
- Interações medicamentosas e problemas de dosagem.
- Análises à urina para investigar uma infeção.
- Avaliação do estado mental incluindo avaliação cognitiva:
Os testes cognitivos são utilizados para medir e avaliar as funções cognitivas, ou do pensamento, tais como concentração, memória, orientação visuo-espacial, resolução de problemas, capacidade de contagem e linguística.
A maioria dos médicos utiliza testes breves de despiste cognitivo quando está a avaliar estas funções. Alguns exemplos destes testes incluem: Exame Breve do Estado Mental (Mini-Mental State Examination - MMSE); Avaliação Cognitiva de Montreal (Montreal Cognitive Assessment - MoCA); Escala de avaliação para a Doença de Alzheimer - Cognitiva ( Alzheimer?s Disease Assessment Scale - Cognitive - ADAS-Cog). Se forem solicitados testes mais detalhados, será referenciado para um neuropsicólogo - psicólogo especialista na avaliação da capacidade cognitiva.
Estes testes são vitais no diagnóstico de Demência e frequentemente são utilizados para diferenciar vários tipos de Demência. Também podem ser utilizados para avaliar o humor e podem ajudar a diagnosticar a depressão, que pode causar sintomas semelhantes aos da Demência. A avaliação neuropsicológica também é comummente utilizada para monitorizar a progressão da Doença de Alzheimer e de outras causas de demência.
Podem ser realizadas adaptações para avaliar pessoas cuja língua materna seja um idioma diferente do Português ou que têm dificuldades de comunicação. O seu médico pode aconselhá-lo sobre isto.
Alguns dos testes cognitivos mais comummente utilizados incluem:
- Exame do Estado Mental ( Mini-Mental State Examination - MMSE)
Este teste é geralmente realizado pelo seu médico ou especialista no consultório e leva cerca de 5 minutos para concluir. O MMSE é o teste neuropsicológico mais comum para o rastreio da Doença de Alzheimer e de outras causas de demência. Avalia capacidades, tais como leitura, escrita, orientação e memória a curto prazo.
Neste teste ser-lhe-ão realizadas questões sobre o sítio em que se encontra e que dia é. Também será solicitado a realizar testes mentais breves, como por exemplo subtrair números, soletrar uma palavra na ordem inversa, lembrar-se de três palavras (sem qualquer ligação entre si) e copiar um diagrama.
- Escala de avaliação para a Doença de Alzheimer - Cognitiva ( Alzheimer?s Disease Assessment Scale - Cognitive - ADAS-Cog).
Este teste é constituído por 11 provas de desempenho, é mais aprofundado que o MMSE e pode ser utilizado em pessoas com sintomas ligeiros. É considerado o melhor exame de avaliação clínica para a memória e capacidades linguísticas, sendo frequentemente utilizado nos ensaios clínicos farmacológicos. A sua aplicação demora habitualmente cerca de 30 minutos e geralmente é realizado por um especialista no consultório, ou poderá ser referenciado para fazer o teste com um psicólogo.
- Exame Neuropsicológico
O exame neuropsicológico envolve vários instrumentos psicométricos muito sensíveis e é realizado por um neuropsicólogo (psicólogo que tem formação na avaliação da demência e de outras perturbações das funções executivas). Uma avaliação típica demora cerca de 1 a 2 horas e pode ser realizada em mais do que uma consulta.
Os vários testes utilizados serão escolhidos de acordo com o nível educacional e capacidade mental da pessoa a ser avaliada. Esta avaliação pode incluir a aplicação de testes de memória, tais como recordar um parágrafo, testes da capacidade de copiar desenhos ou figuras e testes de raciocínio e compreensão.
- Exame Radiológico
Podem ser realizados raios-X standard e nas pessoas que fumam geralmente será solicitado um raio-X ao tórax para fazer o despiste do cancro do pulmão, que possa estar a provocar um tumor cerebral secundário.
- Técnicas de Imagiologia
Existem várias técnicas de imagiologia cerebral utilizadas para mostrar as alterações cerebrais e para despistar outras situações tais como tumor, enfarte (acidente vascular cerebral (avc) - zonas mortas do tecido cerebral) e hidrocefalia (liquido no cérebro); Estas técnicas incluem:
Tomografia Axial Computorizada (TAC)
Esta técnica envolve tirar muitos raios-x de diferentes ângulos num curto espaço de tempo. Estas imagens são depois utilizadas para criar uma imagem tridimensional do cérebro. Esta técnica é sobretudo utilizada para despistar outras causas de Demência tais como AVC, tumor cerebral, esclerose múltipla ou hemorragia.
As TAC?s podem mostrar algumas alterações que são características da Doença de Alzheimer ou de outras causas de Demência, nas fases mais avançadas, tais como a redução do tamanho do cérebro, denominada por atrofia.
Ressonância Magnética (RM)
Esta técnica utiliza poderosos magnetos e ondas de rádio para produzir imagens tridimensionais muito nítidas do cérebro. Atualmente a RM é o exame radiológico de eleição. Para além de permitir excluir as causas de Demência tratáveis, a RM pode revelar padrões de perda do tecido cerebral, que são característicos da Demência e pode ser utilizada para discriminar entre as diferentes formas de Demência, tal como a Doença de Alzheimer e a Demência Frontotemporal.
- Tomografia por emissão de positrões (PET) e Tomografia Computorizada por emissão de fotão único (SPECT)
Em ambos os exames, é injetado no paciente uma pequena quantidade de material radioativo e os detetores são colocados no cérebro para detetar as emissões. A PET fornece imagens visuais de atividade no cérebro. A SPECT é utilizada para medir o fluxo de sangue para as várias regiões do cérebro.
Perguntas que pode querer fazer ao seu médico sobre os exames utilizados no diagnóstico de Demência.
- Que exames irão ser realizados?
- Quem irá realizar os exames e quanto tempo vão demorar?
- Devo preparar-me de alguma forma particular para os exames?
- Algum dos exames vai envolver dor ou desconforto?
- Haverá quaisquer custos envolvidos?
- Que tipo de acompanhamento posterior será necessário e quem vai realizar esse acompanhamento?
- Como serei informado dos resultados dos exames e do diagnóstico?
Se for diagnosticado com Demência
A obtenção de um diagnóstico precoce e preciso pode melhorar a qualidade de vida das pessoas com Demência. Fale com o seu médico sobre o tratamento e avaliação contínua. A Alzheimer Portugal disponibiliza apoio e informação.
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Diagnosticar a Demência
Diagnosticar a Demência
Os sintomas de Demência são frequentemente confundidos com sinais normais de envelhecimento. Embora o progresso científico e a crescente preocupação da classe médica tenham melhorado no que respeita à Doença de Alzheimer, existe ainda um número significativo de pessoas cujo diagnóstico é feito numa fase moderada ou avançada da doença, ou que nunca chega a receber um diagnóstico.
Não existe um único teste capaz de, por si só, diagnosticar definitivamente a Doença de Alzheimer. O diagnóstico deve ser realizado pelo médico especialista (Neurologista ou Psiquiatra) através de um processo de exclusão de outras causas que possam ser responsáveis pelos sinais e sintomas apresentados.
O papel dos clínicos gerais é crucial na deteção dos primeiros sinais de demência e no encaminhamento imediato para consultas da especialidade, permitindo um diagnóstico precoce.
O diagnóstico precoce possibilita à Pessoa com demência e aos seus cuidadores organizarem e planearem a sua vida e tomarem parte nas decisões que respeitam ao seu futuro.
Possibilita, igualmente, uma intervenção farmacológica e não-farmacológica mais eficaz no alívio dos sintomas e na preservação das capacidades, com ganhos efetivos na sua qualidade de vida.
Quais são os primeiros sinais de Demência?
Os primeiros sinais de Demência são muito subtis e vagos, podendo ser difíceis de detetar. Apresentam, ainda, grande diversidade. Contudo, aquilo que as pessoas habitualmente notam em primeiro lugar é que têm um problema de memória, sendo particularmente difícil lembrarem-se dos acontecimentos mais recentes.
Outros sintomas comuns são:
? Confusão;
? Alterações da personalidade;
? Apatia e isolamento;
? Perda de capacidades para a execução de tarefas diárias.
Por vezes, as pessoas têm dificuldade em reconhecer que estes sintomas são indicadores de que algo não está bem e podem assumir erradamente que fazem parte do processo normal de envelhecimento. Os sintomas podem, também, desenvolver-se de forma gradual e passarem despercebidos durante muito tempo. Verifica-se, ainda, que mesmo sabendo que algo não está bem as pessoas podem, por vezes, recusar tomar qualquer iniciativa para esclarecer o que está a acontecer.
Sinais de Alerta
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Perda de memória que afeta o funcionamento diário
É normal, de vez em quando, esquecer-se de um compromisso ou de um número de telefone de um amigo e, depois lembrar-se deles mais tarde. A pessoa com Demência pode esquecer-se das coisas com maior frequência ou simplesmente não se lembrar delas.
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Dificuldade em executar tarefas familiares
É normal uma pessoa distrair-se, de vez em quando, e esquecer-se de servir parte da refeição. A pessoa com Demência pode ter dificuldades na execução dos passos que envolvem a preparação de uma refeição.
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Perda da noção do tempo e desorientação
É normal esquecer-se, por momentos, do dia da semana em que se encontra. A pessoa com Demência pode apresentar dificuldade em encontrar o caminho para um local familiar ou sentir-se confusa em relação ao sítio onde está.
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Problemas de linguagem
Todas as pessoas têm dificuldade, de vez em quando, em encontrar a palavra certa, mas a pessoa com Demência pode esquecer-se de palavras simples ou utilizar palavras desadequadas, tornando, deste modo, as suas frases difíceis de entender.
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Dificuldades no pensamento abstrato
Gerir as contas mensais pode ser difícil para qualquer pessoa, mas a pessoa com Demência pode ter dificuldade em entender o que os números significam.
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Discernimento fraco ou diminuído
A pessoa com Demência pode ter dificuldades, enquanto conduz, em ter a noção da distância ou decidir que direção tomar.
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Trocar o lugar das coisas
Qualquer pessoa pode esquecer-se, temporariamente, do sítio em que colocou a carteira ou as chaves. A pessoa com Demência pode colocar as coisas em lugares inapropriados.
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Alterações de personalidade e comportamento
Qualquer pessoa pode, por vezes, sentir-se triste ou mal-humorada. A pessoa com demência pode apresentar alterações súbitas de humor, sem razão aparente para tal e tornar-se confusa, desconfiada e isolada.
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Perda de iniciativa
É normal cansarmo-nos de algumas atividades. Contudo, a Demência pode fazer com que a pessoa perca o interesse em atividades que anteriormente apreciava.
Lembre-se que
Lembre-se que existem muitas situações médicas que manifestam sintomas semelhantes aos da Demência, por isso não assuma que alguém tem esta doença apenas porque apresenta alguns sintomas. Enfartes, depressão, alcoolismo, infeções, perturbações hormonais, carências nutricionais e tumores cerebrais, podem causar sintomas semelhantes aos da Demência, sendo que a maioria destas situações pode ser tratada.
A importância de um diagnóstico correto
A Demência só pode ser diagnosticada por um médico especialista, por isso consultá-lo numa fase inicial é fundamental.
A realização de uma avaliação médica e psicológica completa pode permitir identificar uma situação tratável e assegurar o seu correto tratamento ou confirmar a presença de Demência.
O Diagnóstico pode incluir a realização de:
- Uma história clínica detalhada, fornecida, se possível, pela pessoa que apresenta a sintomatologia e por um familiar ou amigo próximo. Aquela irá permitir estabelecer se os sintomas surgiram lenta ou subitamente e qual a sua progressão
- Um exame físico e neurológico aprofundado, incluindo testes aos sentidos e movimentos, de forma a excluir outras doenças e a identificar quaisquer outras situações que possam agravar a confusão associada à Demência
- Exames laboratoriais, que incluem uma variedade de análises ao sangue e à urina, para despistarem qualquer doença responsável pelos sintomas
- Outros exames especializados, como por exemplo: Raio X, Electroencéfalograma (EEG), Tomografia Axial Computorizada (TAC), Análises do Líquido Raquidiano ou Ressonância Magnética
- Uma avaliação neuropsicológica para avaliar as funções intelectuais que podem ser afetadas pela Demência, como por exemplo: memória, capacidades de leitura, escrita e cálculo
- Uma avaliação psiquiátrica para identificar perturbações tratáveis que podem mimetizar a Demência - como por exemplo: depressão e monitorizar os sintomas psiquiátricos que podem ocorrer juntamente com a Demência - como por exemplo: ansiedade e delírios
Por onde começar
O médico é a pessoa indicada para iniciar o processo de diagnóstico. Após avaliar os sintomas e solicitar os exames necessários, pode fazer um diagnóstico preliminar e o encaminhamento para um médico especialista - neurologista ou psiquiatra.
Algumas pessoas podem apresentar resistência em consultar o médico. Umas porque não reconhecem ou negam a existência de qualquer coisa errada consigo - esta situação pode decorrer das alterações cerebrais provocadas pela Demência, que interferem na capacidade da pessoa reconhecer ou avaliar os seus problemas de memória. Outras porque, apesar de manterem a capacidade de discernimento, podem ter receio de que os seus medos sejam confirmados.
Manter uma atitude calma e atenciosa, bem como tranquilizar a pessoa, pode ajudá-la a ultrapassar as suas preocupações e receios.
Uma forma eficaz para ultrapassar este problema é encontrar outro motivo para consultar o médico. Pode sugerir por exemplo, a necessidade de fazer um exame ao coração, avaliar a tensão arterial ou rever a prescrição de medicamentos que a pessoa toma há muito tempo. Outra forma será sugerir que está na altura de ambos fazerem um check up geral. Manter uma atitude calma e atenciosa, bem como tranquilizar a pessoa, pode ajudá-la a ultrapassar as suas preocupações e receios.
Se mesmo assim a pessoa continuar a não querer consultar o médico:
? Converse com outras famílias e cuidadores que possam ter lidado com situações semelhantes.
? Contacte a Associação Alzheimer Portugal.
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Progressão da Demência
Progressão da Demência
As pessoas com Demência diferem nos padrões de problemas que apresentam e na velocidade com que as suas capacidades se deterioram. As suas capacidades podem sofrer alterações de um dia para o outro ou mesmo ao longo do dia. Porém, o certo é que vão sofrer uma deterioração, que em alguns casos é rápida, ocorrendo em poucos meses, e noutros é mais lenta, acontecendo ao longo de vários anos.
As fases da doença
Geralmente, as características da Demência são classificadas em três etapas ou fases. É importante salientar que algumas pessoas não apresentam todas as características ou passam por todas as fases. De qualquer forma, esta continua a ser uma descrição útil da progressão geral da demência.
Demência Inicial
De um modo geral, esta fase só é evidente através de uma análise retrospetiva. Na altura pode ter sido impercetível, ou achar-se que era devida à velhice, ou ao excesso de trabalho. A Demência inicia-se, geralmente, de forma muito gradual e é frequentemente impossível identificar o exato momento em que começou.
A pessoa pode:
- Parecer mais apática, ter menor vivacidade;
- Perder o interesse em passatempos e atividades;
- Apresentar relutância em fazer coisas novas;
- Ser incapaz de adaptar-se à mudança;
- Apresentar discernimento reduzido e tomar más decisões;
- Demorar mais tempo na compreensão de ideias complexas e na realização de trabalhos de rotina;
- Acusar outras pessoas de "roubarem" coisas perdidas;
- Tornar-se mais egocêntrica e menos preocupada com os outros e com os sentimentos destes;
- Tornar-se mais esquecida dos detalhes de acontecimentos recentes;
- Ser mais propensa a repetir-se ou a perder o ?fio? da conversa;
- Ficar mais irritada ou aborrecida se falhar em alguma coisa;
- Ter dificuldade em lidar com dinheiro
Demência Moderada
Nesta fase, os problemas são mais evidentes e incapacitantes.
A pessoa pode:
- Esquecer-se facilmente de acontecimentos recentes. A memória do passado distante é geralmente melhor, mas alguns detalhes podem ser esquecidos ou confundidos;
- Ficar confusa em relação ao tempo e ao espaço;
- Perder-se, se estiver afastada de ambientes familiares;
- Esquecer-se de nomes da família ou amigos, ou confundir um familiar com outro;
- Esquecer-se de panelas e cafeteiras no fogão ou deixar o gás ligado;
- Deambular pelas ruas, possivelmente durante a noite e, às vezes, perder-se;
- Comportar-se inadequadamente, por exemplo, ir de pijama para a rua;
- Ver ou ouvir coisas que não existem;
- Tornar-se muito repetitiva;
- Negligenciar a higiene ou a alimentação;
- Ficar zangada, aborrecida ou angustiada devido a um sentimento de frustração
Demência avançada
Nesta terceira e última fase, a pessoa fica gravemente incapacitada e necessita de cuidado total.
A pessoa pode:
- Ser incapaz de lembrar-se de situações ocorridas poucos minutos antes, por exemplo, esquecer-se que acabou de comer;
- Perder a capacidade de compreensão ou de utilizar a linguagem;
- Ficar incontinente;
- Não reconhecer amigos e família;
- Precisar de ajuda para comer, lavar-se, tomar banho, arranjar-se e vestir-se;
- Ser incapaz de reconhecer objetos que fazem parte do seu quotidiano;
- Ficar perturbada durante a noite;
- Ficar inquieta procurando, por exemplo, um parente falecido há muito tempo;
- Ficar agressiva, especialmente quando se sente ameaçada;
- Ter dificuldade em andar e ficar dependente de uma cadeira de rodas para deslocar-se;
- Ter movimentos incontrolados
A imobilidade tornar-se-á permanente e nas semanas ou meses finais a pessoa vai muito provavelmente ficar acamada.
Lembre-se que
Embora à medida que a doença progride, muitas capacidades se percam, algumas conseguem manter-se. A pessoa ainda preserva a sensação do toque e a audição, bem como a capacidade de responder à emoção.
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O que é a Demência?
O que é a Demência?
Demência é o termo utilizado para descrever os sintomas de um grupo alargado de doenças que causam um declínio progressivo no funcionamento da pessoa. É um termo abrangente que descreve a perda de memória, capacidade intelectual, raciocínio, competências sociais e alterações das reações emocionais normais.
Quem desenvolve Demência?
Apesar da maioria das pessoas com Demência ser idosa, é importante salientar que nem todas as pessoas idosas desenvolvem Demência e que esta não faz parte do processo de envelhecimento natural. A demência pode surgir em qualquer pessoa, mas é mais frequente a partir dos 65 anos. Em algumas situações pode ocorrer em pessoas com idades compreendidas entre os 40 e os 60 anos.
Prevalência da Demência
A Organização Mundial de Saúde estima que em todo o mundo existam 47.5 milhões de pessoas com demência, número que pode atingir os 75.6 milhões em 2030 e quase triplicar em 2050 para os 135.5 milhões.
A doença de Alzheimer assume, neste âmbito, um lugar de destaque, representando cerca de 60 a 70% de todos os casos de demência (World Health Organization [WHO], 2015).
Em Portugal, não existindo até à data um estudo epidemiológico que retrate a real situação do problema, podemos ter como referência os dados da Alzheimer Europe que apontam para mais de 193 mil e 500 pessoas com demência (Alzheimer Europe, 2019).
Formas mais comuns de Demência
A Doença de Alzheimer
A Doença de Alzheimer é a forma mais comum de Demência, constituindo cerca de 50% a 70% de todos os casos. É uma doença progressiva, degenerativa e que afeta o cérebro. À medida que as células cerebrais vão sofrendo uma redução, de tamanho e número, formam-se tranças neurofibrilhares no seu interior e placas senis no espaço exterior existente entre elas. Esta situação impossibilita a comunicação dentro do cérebro e danifica as conexões existentes entre as células cerebrais. Estas acabam por morrer, e isto traduz-se numa incapacidade de recordar ou assimilar a informação. Deste modo, conforme a Doença de Alzheimer vai afetando as várias áreas cerebrais, vão-se perdendo certas funções ou capacidades.
Demência Vascular
Demência Vascular é um termo utilizado para descrever o tipo de Demência associado aos problemas da circulação do sangue para o cérebro e constitui o segundo tipo mais comum de Demência. Existem vários tipos de Demência Vascular, mas as duas formas mais comuns são a Demência por multienfartes cerebrais e Doença de Binswanger. A primeira é causada por vários pequenos enfartes cerebrais, também conhecidos por acidentes isquémicos transitórios e é provavelmente a forma mais comum de Demência Vascular. A segunda, também denominada por Demência vascular subcortical, está associada às alterações cerebrais relacionadas com os enfartes e é causada por hipertensão arterial, estreitamento das artérias e por uma circulação sanguínea deficitária.
A Demência vascular pode parecer semelhante à Doença de Alzheimer e em algumas pessoas ocorre um quadro combinado destes dois tipos de Demência.
Doença de Parkinson
A Doença de Parkinson é uma perturbação progressiva do sistema nervoso central, caracterizada por tremores, rigidez nos membros e articulações, problemas na fala e dificuldade na iniciação dos movimentos. Numa fase mais avançada da doença, algumas pessoas podem desenvolver Demência. A medicação pode melhorar a sintomatologia física, mas também pode provocar efeitos secundários que incluem: alucinações, delírios, aumento temporário da confusão e movimentos anormais.
Demência de Corpos de Lewy
A Demência de Corpos de Lewy é causada pela degeneração e morte das células cerebrais. O nome deriva da presença de estruturas esféricas anormais, denominadas por corpos de Lewy, que se desenvolvem dentro das células cerebrais e que se pensa poderem contribuir para a morte destas. As pessoas com Demência de Corpos de Lewy podem ter alucinações visuais, rigidez ou tremores (parkinsonismo) e a sua condição tende a oscilar rapidamente, de hora a hora ou de dia para dia. Estes sintomas permitem a sua diferenciação da Doença de Alzheimer. A Demência de Corpos de Lewy pode ocorrer, por vezes, simultaneamente com a Doença de Alzheimer e/ou com a Demência Vascular. Pode ser difícil fazer a distinção entre a Demência de Corpos de Lewy e a Doença de Parkinson, verificando-se que algumas pessoas com a última desenvolvem uma forma de Demência semelhante à primeira.
Demência Frontotemporal
Demência frontotemporal (DFT) é o nome dado a um grupo Demências em que existe a degeneração de um ou de ambos os lobos cerebrais frontal ou temporais. Neste grupo de Demências estão incluídas a Demência fronto-temporal, Afasia Progressiva não-fluente, Demência semântica e Doença de Pick. Cerca de 50% das pessoas com DFT tem história familiar da doença. As pessoas que herdam este tipo de Demência apresentam frequentemente uma mutação no gene da proteína tau, no cromossoma 17, o que leva à produção de uma proteína tau anormal. Não são conhecidos outros fatores de risco.
Doença de Huntington
A Doença de Huntington é uma doença degenerativa e hereditária, que afeta o cérebro e o corpo. Inicia-se, habitualmente, no período entre os 30 e 50 anos e é caracterizada pelo declínio intelectual e movimentos irregulares involuntários dos membros ou músculos faciais. As alterações de personalidade, memória, fala, capacidade de discernimento e problemas psiquiátricos são outros sintomas característicos desta doença. Não existe tratamento disponível para impedir a sua progressão, contudo a medicação pode controlar as perturbações do movimento e os sintomas psiquiátricos. Na maioria dos casos, a pessoa desenvolve Demência.
Demência provocada pelo álcool (Síndrome de Korsakoff)
O consumo excessivo de álcool, particularmente se estiver associado a uma dieta pobre em vitamina B1 (tiamina) pode levar a danos cerebrais irreversíveis. Este tipo de demência pode ser prevenido e se houver cessação do consumo podem existir algumas melhorias.
As partes cerebrais mais vulneráveis são as implicadas na memória, planeamento, organização e discernimento, competências sociais e equilíbrio. Tomar vitamina B1 (tiamina) parece ajudar a prevenir e a melhorar esta condição.
Doença de Creutzfeldt-Jacob
A Doença de Creutzfeldt-Jacob é uma perturbação cerebral fatal, extremamente rara, causada por uma partícula de proteína denominada por prião. A sua incidência por ano é de um caso por cada milhão de pessoas. Os primeiros sintomas incluem falhas de memória, alterações do comportamento e falta de coordenação. À medida que a doença progride, usualmente com rapidez, a deterioração mental torna-se evidente, surgem movimentos involuntários, podendo a pessoa cegar, desenvolver fraqueza nos membros e, por fim, entrar em coma.
Será demência?
Existem várias situações que produzem sintomas semelhantes à Demência, como por exemplo algumas carências vitamínicas e hormonais, depressão, sobredosagem ou incompatibilidades medicamentosas, infeções e tumores cerebrais. Quando as situações são tratadas, os sintomas desaparecem.
É essencial que o diagnóstico médico seja realizado numa fase inicial, quando os primeiros sintomas aparecem, de modo a garantir que a pessoa que tem uma condição tratável seja diagnosticada e tratada corretamente. Por outro lado, se os sintomas forem causados por uma Demência, o diagnóstico precoce possibilita o acesso mais cedo a apoio, informação e medicação, caso esta esteja disponível.
A Demência pode ser hereditária?
Isto irá depender da causa da Demência, daí a importância de existir um diagnóstico médico correto. Se tiver preocupações sobre o risco de herdar Demência, consulte o seu médico. Salienta-se que a maioria dos casos de Demência não é hereditária.
Quais são os sinais inicias da Demência?
Os sinais iniciais de Demência são muito subtis e vagos e podem não ser imediatamente óbvios. Alguns sintomas comuns são:
- Perda de memória frequente e progressiva;
- Confusão;
- Alterações da personalidade;
- Apatia e isolamento;
- Perda de capacidades para a execução das tarefas diárias.
O que fazer para ajudar?
Atualmente não existe prevenção ou cura para a maioria das formas de Demência. Todavia, existem medicações disponíveis que podem reduzir alguns sintomas.
O suporte é vital para as pessoas com Demência. A ajuda da família, amigos e cuidadores pode fazer uma diferença positiva na forma de lidar com a doença.
Contacte a Linha de Apoio na Demência da Alzheimer Portugal, através do número 963 604 626. dias úteis | das 9h30 às 13h e das 14h00 às 17h. A linha telefónica funciona todos os dias úteis, das 9h30 às 13h e das 14h00 às 17h.
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Défice Cognitivo Ligeiro
A deterioração ligeira da memória e de outras funções cognitivas (pensamento) é, desde há muito tempo, aceite como uma parte normal do envelhecimento. Recentemente tem havido um crescente reconhecimento de que algumas pessoas experienciam um nível de comprometimento cognitivo maior do que aquele geralmente provocado pelo envelhecimento, mas sem outros sinais de demência associados. Esta situação é denominada - Défice Cognitivo Ligeiro (DCL).
O que é o Défice Cognitivo Ligeiro ?
O Défice Cognitivo Ligeiro é uma condição médica geralmente definida como a perda das capacidades cognitivas (as funções de pensamento do cérebro) numa proporção maior do que é esperado para a idade da pessoa. Esta perda não interfere significativamente com a vida diária e não é grave o suficiente para justificar um diagnóstico de Demência. As pessoas com DCL têm mais problemas de memória ou de pensamento do que seria esperado para a sua idade e manifestam algum declínio nas suas capacidades cognitivas. As pessoas com DCL, apesar de poderem ter uma dificuldade crescente nas atividades diárias, geralmente são capazes de funcionar de forma independente.
Os tipos de dificuldades vivenciadas por alguém com DCL variam de pessoa para pessoa. O DCL pode envolver problemas com a memória, linguagem, atenção, processamento de informações visuais e espaciais, funções do pensamento complexo ou problemas que resultem da combinação destas áreas. No DCL estes problemas são menos graves do que aqueles vividos por pessoas com Demência.
O termo ?ligeiro? é utilizado no DCL por comparação ao comprometimento cognitivo mais grave da Demência. Isto não significa que a pessoa com DCL experimente apenas problemas ligeiros. Na verdade, os seus sintomas podem ser muito preocupantes para si próprio e/ou para a sua família.
Os seguintes critérios são utilizados pelos médicos para determinar se uma pessoa tem DCL:
- Relato de problemas cognitivos, de preferência confirmados por outra pessoa;
- Função cognitiva anormal, avaliada com instrumentos padronizados;
- Evidência de declínio de uma ou mais capacidades cognitivas;
- Capacidade essencialmente normal para realizar as atividades diárias;
- Ausência de Demência
Por vezes pode ser complicado determinar se uma pessoa tem DCL. O comprometimento cognitivo pode ter muitas causas, tornando o DCL num termo amplo que pode incluir um grande número de doenças ou lesões subjacentes. O prognóstico para um indivíduo depende muito da causa subjacente ao DCL.
Como tal, existe alguma controvérsia sobre a utilidade da categoria clínica de DCL. Alguns especialistas sugerem que deveria ser retirado dos manuais de diagnóstico. No entanto, uma investigação realizada por médicos australianos descobriu que a maioria dos clínicos diagnosticava DCL, pelo que sentiram que era importante distingui-lo da Demência e do envelhecimento normal. Atualmente estão a ser desenvolvidos grandes esforços na investigação para uma melhor compreensão do DCL.
Como é que o DCL é detetado?
O DCL normalmente é detetado através da utilização de vários testes e avaliações. Este processo tem início com a conversa entre o médico, a pessoa e, se possível, com um amigo ou membro da família, de modo a obter uma compreensão aprofundada dos problemas cognitivos que a pessoa está a experienciar, da sua história clínica, dos medicamentos que está a tomar e de qualquer outra informação relevante.
Um exame físico e análises ao sangue podem ser realizados para excluir outras causas do comprometimento cognitivo, tais como depressão, problemas com a medicação ou uma deficiência nutricional. As pessoas suspeitas de terem DCL também serão avaliadas com testes gerais à função cognitiva, para medir a sua memória, linguagem, atenção e outras capacidades.
Cada vez mais, a neuroimagiologia está a ser utilizada no processo de diagnóstico do DCL. A Tomografia Axial Computorizada (TAC) e a Ressonância Magnética (RM) são utilizadas para avaliar as alterações na estrutura do cérebro e a Tomografia por Emissão de Positrões (PET) é utilizada para avaliar as alterações no metabolismo da glucose ou dos níveis de proteínas e de outras substâncias químicas no cérebro. Estes exames podem fornecer informações adicionais sobre a provável causa subjacente à disfunção cognitiva. Por vezes, pode realizar-se uma avaliação dos níveis de proteína no líquido cefalorraquidiano (LCR). Esta avaliação exige a realização de uma punção lombar.
Os testes utilizados para detetar o DCL são praticamente os mesmos que se utilizam para o diagnóstico de Demência.
O DCL pode levar à Demência?
A investigação demonstra que as pessoas com DCL são mais propensas a desenvolver Demência, especialmente a Doença de Alzheimer. Na verdade, o DCL é frequentemente considerado como um estado de transição entre o envelhecimento normal e a Demência Precoce. Alguns investigadores sugerem que o melhor seria eliminar a categoria de DCL e concentrar esforços no diagnóstico precoce de Demência.
No entanto, o DCL nem sempre progride para a Demência e quando progride poderá levar muitos anos a fazê-lo. Uma proporção substancial de pessoas diagnosticadas com o DCL não progride e mantém uma função cognitiva estável ou denota uma melhoria desta quando são avaliados novamente.
Vários estudos demonstram resultados diferentes nas suas estimativas de quantas pessoas com DCL progridem para a Demência, mas normalmente é relatado que cerca de 10% a 15% das pessoas com DCL progridem, por ano, para a Demência. Na população em geral, apenas cerca de 1% a 2% das pessoas idosas evoluem, por ano, para a Demência. Deste modo, ter DCL aumenta consideravelmente a probabilidade de desenvolver subsequentemente Demência.
Continua a decorrer investigação sobre o porquê de algumas pessoas com DCL progredirem para a Demência e outras não, e sobre como prever se um indivíduo com DCL vai desenvolver Demência. Atualmente, não existe maneira de saber ao certo quais são as pessoas que vão progredir ou ficar na mesma e quais as que vão ficar melhores. Contudo, o médico que avalia a pessoa irá juntar os resultados de todos os testes realizados para fazer um prognóstico, caso seja possível. Existem alguns fatores, que atualmente são reconhecidos por aumentarem o risco de a pessoa com DCL evoluir para a Demência. Estes incluem a idade avançada, a maior a gravidade do comprometimento cognitivo e certos biomarcadores na imagiologia cerebral e em outros testes.
Tipos de DCL
Existem dois tipos principais de DCL - amnésico e não-amnésico.
No DCL amnésico, a diminuição da memória é o sintoma mais proeminente. Esta é a forma mais comum de DCL. As pessoas com DCL amnésico podem progredir ao longo do tempo para o desenvolvimento da Doença de Alzheimer.
No DCL não-amnésico, uma outra capacidade cognitiva, que não a memória, tal como a linguagem ou a atenção, será mais comprometida. Este tipo de DCL pode evoluir para outras formas de Demência, tais como: Demência de Corpos de Lewy; Demência Frontotemporal; Demência Vascular; ou Doença de Alzheimer atípica.
O DCL pode ser tratado?
Atualmente, não existe tratamento específico para o DCL. Até ao momento, nenhuma terapêutica farmacológica para o DCL se mostrou eficaz, mas continuam a decorrer estudos clínicos em todo o mundo.
Existem algumas evidências preliminares de que os fármacos inibidores da colinesterase, utilizados para tratar a Doença de Alzheimer podem retardar a progressão do DCL para a Demência. Contudo, outros estudos não comprovaram esta situação, sendo necessária mais investigação.
O treino cognitivo (exercitar a memória e outras capacidades cognitivas) tem sido sugerido como potencialmente útil para o DCL. Alguns estudos têm demonstrado melhorias na memória, atenção, humor e qualidade de vida. Permanece por esclarecer durante quanto tempo estes efeitos se mantêm, quão significativos são na vida quotidiana, e se a progressão para Demência pode ser atrasada. Outros investigadores estão a desenvolver programas que podem ajudar as pessoas com DCL a aproveitar o máximo das suas capacidades cognitivas restantes e ensinar-lhes estratégias para compensar os problemas cognitivos existentes. Vários estudos têm demonstrado que a participação frequente em atividades cerebrais estimulantes está associada a um menor risco de declínio cognitivo, pelo que isto pode ser benéfico para as pessoas com DCL.
A investigação também demonstrou a importância do exercício físico regular para manter o cérebro saudável, à medida que envelhecemos. Alguns estudos sugerem que existe uma redução do declínio cognitivo nas pessoas com DCL que praticam exercício físico regular, como por exemplo caminhar.
Manter uma dieta saudável também é importante para a função cerebral. A adesão à dieta mediterrânea foi associada a um menor risco de progressão do DCL para a Demência. Esta dieta inclui muitas frutas, verduras, legumes, peixes, nozes e azeite. Os seus efeitos saudáveis são atribuídos aos antioxidantes e às gorduras insaturadas presentes nestes alimentos.
Os fatores de risco vascular, tais como a diabetes, a tensão arterial alta e o colesterol elevado podem contribuir para o declínio cognitivo. O tratamento eficaz destas condições é muito importante para a prevenção de qualquer aumento do declínio cognitivo no DCL. A obesidade e o tabagismo também aumentam o risco de declínio cognitivo e, se necessário, devem ser abordados.
É necessária mais investigação para entender melhor as relações entre estes estilos de vida e fatores de saúde e a progressão do DCL. Na maioria dos casos, uma pessoa diagnosticada com DCL não será objeto de qualquer tratamento médico, mas serão monitorizadas regularmente para quaisquer alterações das suas capacidades cognitivas. O aconselhamento pode ajudar as pessoas com DCL e as suas famílias a encontrarem formas de se adaptarem às alterações que estão a experienciar e a aprenderem maneiras de compensarem as suas dificuldades cognitivas.
As implicações do DCL
As implicações da deteção do DCL podem ser vistas como maioritariamente positivas. A maioria das pessoas com DCL está muito consciente e preocupada com os seus problemas cognitivos. Tomarem conhecimento de que têm DCL confirma que as suas preocupações são válidas e que não existe uma razão médica para os seus sintomas. Desta forma, podem colocar em ação estratégias para gerir os problemas que têm e acederem a serviços de apoio que os podem ajudar.
Ter conhecimento que apresentam um risco aumentado de desenvolver Demência permite às pessoas com DCL planear a possibilidade de sofrerem uma deterioração no futuro, avaliar os seus sistemas de apoio e tomar decisões legais, financeiras e pessoais importantes, tais como a fazer uma procuração. Podem, também, tomar medidas para estabelecer e manter um estilo de vida ativo e saudável, o que pode ajudar a retardar o declínio cognitivo.
As pessoas com DCL são mais propensas a desenvolver problemas psiquiátricos, como a depressão e a ansiedade, e perturbações do sono. Estas pessoas podem sofrer de elevado stress e manifestar alterações de personalidade e do comportamento. Apesar de estas situações não acontecerem a todas as pessoas com DCL, é importante tratá-las de forma adequada caso ocorram.
O acompanhamento regular é crucial, pois o curso das alterações cognitivas do DCL pode variar de indivíduo para indivíduo. A deteção e a monitorização permitem que a Demência seja identificada numa fase inicial, caso se desenvolva. Esta identificação é importante, dado que os tratamentos atuais para a Demência são mais eficazes nas fases iniciais da doença. As pessoas poderão também ser assistidas com informação e serviços de apoio, para ajudá-las a viver com Demência e a planear as suas necessidades futuras.
À medida que os novos tratamentos para a Demência se tornam disponíveis, é provável que a deteção do DCL se torne ainda mais importante. Além disso, pode esperar-se que as abordagens para prevenir a Demência sejam potencialmente úteis para as pessoas com DCL.
Esta página tem apenas um caráter informativo e não representa a recomendação de qualquer avaliação ou tratamento por parte da Alzheimer Portugal. Os indivíduos devem procurar aconselhamento médico sobre a sua situação.
Referências
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Adaptado de Alzheimer Australia