Comunicados à Comunicação Social
Comunicados à Comunicação Social
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Para mais informações contacte
Gabinete de Relações Públicas da Alzheimer Portugal
Tatiana Nunes
E-mail: tatiana.nunes@alzheimerportugal.org
Tel.: 213 610 460/7
Morada: Sede da Alzheimer Portugal, Av. de Ceuta norte, Lote 15, Piso 3 - Quinta do Loureiro, 1300-125 Lisboa
Centro de Documentação
Centro de Documentação
O Centro de Documentação, instalado na Sede da Alzheimer Portugal, em Lisboa, foi inaugurado a 4 de Maio de 2009.
O Centro de Documentação funciona das 10h00 às 12h30 e das 14h30 às 16h30, disponibilizando a consulta de documentos e livros sobre a Doença de Alzheimer e outras demências, visionamento de filmes, consulta de base de dados científicas, entre outros materiais.
No nosso espaço está ainda acessível um arquivo histórico da Associação e qualquer interessado pode aceder gratuitamente à internet.
O Centro funciona na dependência do Departamento de Formação, coordenado pela Dra. Ana Margarida Cavaleiro e pode, também, ser utilizado para reuniões de voluntários da Associação.
Para usufruir deste novo Serviço, patrocinado pela Caixa Fã, Fundação EDP e GENERALI, deverá efetuar marcação prévia por telefone 213 610 460 ou por email para formacao@alzheimerportugal.org.
Apoio a estudantes
Apoio a estudantes
Departamento de Formação da Alzheimer Portugal
E-mail: formacao@alzheimerportugal.org
Tel: +351 213 610 460/3
Tel.: Av. Ceuta Norte, Lote 15, Piso 3 - Quinta do Loureiro 1300-125 Lisboa
Projeto INTERREG V-A Espanha-Portugal (POCTEP) 2014-2020
- 1ª Fase: recolher uma amostra de saliva (análise da responsabilidade do IPATIMUP) para analisar o genoma - código com toda a informação genética do doente. Pesquisa dos genes com provável associação à doença;
- 2ª Fase: fazer um electroencefalograma não invasivo (análise da responsabilidade da Universidade de Valladolid) para avaliar a atividade cerebral dos doentes.
Testemunho de Lúcia Santos
Testemunho de Lúcia Santos
Desde já agradeço imenso que leiam este meu "desabafo", o qual é feito com muita e indescritível dor e sofrimento, não só pelo que sofri e ainda sofro, mas sobretudo pelo sofrimento por que passou a Brígida Maria Mira, falecida no passado dia 14 de Fevereiro, minha mãe.
Sou há poucos meses sócia dos amigos e familiares dos doentes de Alzheimer e pretendo continuar a ser. Pelo que tenho lido nos livros sobre esta doença, bem como as informações que pessoas habilitadas me têm fornecido, creio que a minha mãe sofria desta doença há alguns anos, o que eu desconhecia e atribuía os sintomas que ela apresentava à sua idade avançada.
Todavia, em Junho de 2002 a médica de família mandou fazer um TAC e só aí se descobriu que efectivamente a minha mãe sofria dessa terrível doença.
Começou então um tratamento, receitado pelo médico psiquiatra, que entretanto a assistia, mas com o decorrer do tempo foi piorando.
Eu, como não tinha ninguém que me ajudasse, nem por uma hora que fosse, comecei também a adoecer e foi então que passados 2 anos, de estar a cuidar sozinha da minha mãe, me vi na necessidade de procurar um lar. Mas, cedo percebi, que não ia ser fácil, porque dos muitos e muitos lares que visitei, não gostava de nenhum, ora por uma razão ora por outra. Essencialmente não me parecia que a minha mãe fosse ter o tratamento que eu desejaria e que ela precisava.
A princípio, fisicamente ela aparentava estar bem, mas não parava quieta e começou então a agredir-se a ela própria e quando contrariada por outras pessoas agredia-as também.
Tudo começou então a complicar-se e a tomar-se cada vez mais difícil para mim.
Comecei novamente a procurar um lar que me ajudasse, e em Outubro de 2004, pensei ter encontrado o que tanto procurava, acreditei nas pessoas que me receberam e com quem falei longamente sobre a doença da minha mãe e percebi que ela ficaria bem.
Visitava-a diariamente e isso para mim era uma grande ajuda.
No dia 25 de Outubro fui deixá-la no referido lar mas no dia 30 de Novembro fui novamente buscá-la, porque entendi levá-la ao seu psiquiatra, a quem agradeço encarecidamente tudo o que fez por ela e por mim. Foram então feitas análises e declarada uma anemia muito grave.
Infelizmente, principalmente para a minha mãe, a minha netinha de 4 anos foi nessa mesma altura internada no hospital, gravemente doente. No dia 15 de Dezembro fui para o hospital acompanhar a minha neta e não sai da sua cabeceira, dia e noite, durante 10 dias em que esteve em estado crítico.
Perante esta desesperada situação, vi-me obrigada a levar a minha mãe novamente para o dito lar, pois era o que conhecia e onde a receberam de imediato: o resultado desta pequena estadia, foi dramática. Era tarde demais, a minha mãe entretanto ficara acamada, e durante um mês insisti com os responsáveis pelo lar para lhe fazerem análises, pois via que ela não estava nada bem, mas em vão.
Resolvi então ir ter com a médica Psiquiatra, que me mandou ir directamente ao laboratório fazer a marcação das análises e passados 2 dias veio o pior dos resultados, tendo seguido logo para o Hospital Amadora-Sintra mas já não havia nada a fazer.
A minha mãe tinha o intestino completamente cheio de fezes, facto só explicável pelo mau funcionamento dos mesmos, ou mesmo não funcionamento, durante o mês que esteve no lar. O seu estado de desidratação era impressionante e estava num sono tão profundo que foi impossível acordá-la. Estas palavras foram ditas pelo próprio médico que a seguiu no hospital.
Ao fim de 10 dias de longo, e penso que não será exagero dizer, "desnecessário" sofrimento, a minha mãe partiu. Eu sabia que ela ia partir, tinha que partir, mas não era nas condições desumanas em que o foi.
Se os lares não têm ao serviço, pessoal competente para cuidar de pessoas com este tipo de doenças, por favor não os aceitem. Esta situação transformou-se num duplo sofrimento, não só para a minha mãe mas também para mim, que penso nela dia e noite e em tudo o que sofreu.
Sei que este meu depoimento não diminui em nada o sofrimento que a minha mãe teve, mas atenua de alguma forma o meu, porque tenho esperança que deste modo possa contribuir para evitar que algumas mães venham a passar pelo mesmo.
Só peço a Deus que mais nenhuma mãe em Portugal sofra como a minha sofreu.
Obrigado
Lúcia Santos
2005
Testemunho de Enna Santiago
Vivendo com demência
A importância de uma boa atitude
Muitas das fases por que passamos na vida ? doenças, mudanças familiares entre outras, são, umas vezes positivas e outras nem por isso. O resultado em diversas ocasiões, está dependente da atitude com que encaramos em os desafios que se nos defrontam.
Lidar com demência não é fácil para ninguém ? incluindo os próprios doentes e os cuidadores da família.
Mas, ter uma atitude saudável perante a vida e encarar a doença, ajudar-nos-á a ter uma vida melhor.
?Eu encontrei Frankie Mañosa acerca de 3 anos atrás, numa das nossas actividades associativas, onde, para minha surpresa ele me explicou que tinha sofrido uma demência fronto-temporal.
Fiquei boquiaberta ao ouvi-lo ? um homem feliz e com um aspecto saudável, sempre pronto a ajudar.
A maneira como Frankie me explicou a doença, os seus sentimentos, o modo como encara a vida e o futuro, surpreendeu-me.
Este é um homem que recebeu um diagnóstico e em vez de ficar amedrontado, tornou-se interessado em receber informação sobre a doença, mantendo uma atitude positiva.
Aconteça, seja o que for, ele está vivo e goza a vida com todos os desafios inerentes.
A sua esposa, Dorita, a quem eu sempre chamei o seu anjo da guarda, também me surpreendeu com a energia e vontade demonstradas em ajudar Frankie, bem como, em ajudar outras pessoas com demência e às suas famílias.
O que eu pude observar neste casal foi uma atitude positiva ? estarem juntos perante o desafio que se lhes atravessou no caminho, ajudando outros a aceitar o que não se pode mudar, mas demonstrando que ainda há muitas coisas que podem ser feitas para se ter uma vida com mais qualidade.?
Apesar de nem sempre ser fácil, as pessoas devem, seguindo este exemplo, manterem sempre que possível, um pensamento positivo, não se entregando à doença e praticarem actividades, não só físicas como também intelectuais.
Enna Santiago, Presidente da Associacón de Alzheimer y Desordenes Relacionado de Puerto Rico
2004
Fonte:
Boletim de notícias Global Perspective da Organização Alzheimer´s Disease International
Testemunho de José da Silva Pinto
Um simples testemunho
O último número da nossa Revista pedia a colaboração de outros associados e leitores, para melhor intercâmbio e diversificação das notícias.
Aqui está a minha simples colaboração porque também "amo" a nossa Revista. Peço desculpa de apenas referir o nosso caso pessoal, esperando deste modo ajudar casos semelhantes. É, afinal, o objectivo da Revista: ajudar.
Escrevo do Douro. A minha esposa tem já esta "terrível" doença de Alzheimer há cerca de treze anos. Depois de, durante dois ou três anos, eu ter notado que qualquer coisa de invulgar se passava na sua memória, expusemos o caso no respectivo Centro de Saúde, no Porto, onde a médica assistente atribuiu a falta de memória à arteriosclerose e à idade - tinha, então, à volta de 65-66 anos de idade, e com razoável saúde geral. Quero dizer, vivamente, que não desejo nenhum mal à senhora, pois a sua prática também não era grande. Toda a pessoa tem direito a aprender, ao traba1ho e nem sempre se tem sorte com todos os casos.
Por intermédio de pessoas amigas, dirigi-me a um médico neurologista que, a meu ver, resolveu o caso muito bem. Mandou fazer um TAC e este foi claríssimo, tratava-se da doença de Alzheimer, diagnóstico confirmado, depois, por outro colega.
A minha esposa foi, segundo o médico, uma das primeiras doentes a usar o medicamento mais indicado então: - o ?Exelon?, não existente em Portugal, mas que conseguimos que viesse da Suíça, via TAP ? que nos merece o mais profundo reconhecimento. O transporte era gratuito, apenas nos serviços da Suiça tinha de se pagar uma quase simbólica importância.
No Natal de 1997, por sugestão médica, voltámos às origens. Aqui, com o convívio, a minha esposa voltou ao normal, o que a beneficiou bastante. Voltámos a ter sorte com o neurologista, em paralelo com o psiquiatra. No princípio do Verão, apareceu o ?Aricept?, medicamento que, no princípio, se pagava na totalidade. Mas, graças ao trabalho de várias entidades e, sobretudo da APFADA, passado cerca de um ano, o medicamento começou a ser comparticipado.
Pela Primavera do ano p.p., apareceu o ?Ebixa?. No princípio, a título experimental, houve neurologistas que, prescreviam gratuitamente este novo medicamento aos seus doentes. Os resultados foram positivos. A partir de 1 de Novembro, p.p., o medicamento começou a ser comparticipado.
Mesmo assim, estamos convencidos que o melhor passo que demos foi o internamento num Lar, não especifico, mas onde a minha esposa se adaptou, com resultados muito positivos.
Em 2000, a ARD prognosticou-lhe 70% de incapacidade: em 2002, 75%; no princípio do corrente ano, 84%; Actualmente, será superior a 90%, com a tendência natural de um aumento mais veloz!
Estou a fazer-lhe companhia, 24 horas por dia, desde Novembro de 2002. Só assim ? dizem as pessoas ? a minha esposa consegue estar viva e ter uma presença aceitável, por vezes muito agradável!
Perguntam-me ? mas já conhecem a resposta ? ?é(s) feliz?? ? O meu sorriso, de boca rasgada de um lado ao outro, é a resposta esperada. E acrescento, graças à minha Fé em Deus e ao Amor aos dois ? a Ele e a ela ? ?quero-a cá ainda muitos anos, os que Deus permitir, ainda que chegue a uma vida vegetal: - é o único rosto que conheço?!
José da Silva Pinto
2004
Testemunho de Teresa Fradique
Como cheguei a voluntária
A Doença de Alzheimer provoca um marcado sentimento de solidão nos cuidadores das vítimas daquela patologia. Como cuidadora do meu marido e sócia da APFADA senti a necessidade de apoio de voluntariado e, sempre que me dirigia à Associação, pedia para ser visitada por alguém. Hoje vejo que era impossível pois a Associação era muito recente e dispunha ainda de poucos meios.
No último trimestre de 1994 o meu marido ficou acamado e tudo se complicou e, apesar de eu afirmar que iria arranjando coragem para aguentar o barco, a verdade é que em breve reconheci que o apoio da minha família era muito importante.
Eu dizia que eles me vinham recarregar as baterias para aguentar tudo o que se passava durante a semana.
Como se vê, muito cedo senti que precisava de alguém, desses Voluntários que vão levar uma palavrinha a esses Cuidadores que passam dias, semanas, sozinhos com os seus doentes, sem uma palavra amiga de alento. Felizmente, para mim tive o auxílio dos meus filhos, que à medida que a situação ia avançando, vinham mais amiudadamente.
Meu marido faleceu em Abril de 1998. Em Novembro fui à Assembleia Geral da Associação e a Dra. Olívia Leitão disse-me que precisava de falar comigo. Dois dias depois telefonou-me a pedir para ir visitar um casal na Brandoa, que precisava muito de ajuda.
Apesar de ser muito longe de minha casa, fui, e até o casal ter a ajuda do Centro de Apoio da Brandoa continuei a visitá-los, umas vezes para apoiar, outras para ficar a tomar conta da doente enquanto o marido ia à consulta a Lisboa.
A seguir, pediram-me para visitar outro casal nas encostas da Mouraria. Agora era o marido o doente e a esposa não tinha ninguém de família.
Agora visito outro casal, há cerca de dois anos, em que o doente é o marido e a esposa está sozinha pois os familiares moram longe de Lisboa. Já me tornei como que uma pessoa de família.
Este é o meu testemunho. Primeiro, fui eu que precisei da ajuda de algum Voluntário, hoje sou eu que me tornei Voluntária. Apesar da minha avançada idade, acho que ainda tenho forças para conversar e dar alento a pessoas carenciadas de apoio e lá vou cumprindo a minha missão. Espero que quem ler este meu testemunho e possa. dispor de duas ou três horas por semana, adira ao Voluntariado e á nossa Associação.
Teresa Fradique
2004
Testemunho de Maria Emília Homem da Costa
Os meus Tios, Ernesto e Maria Helena
Sou professora e voluntária na Delegação da Madeira da APFADA, com ligação familiar a Doentes de Alzheimer.
Decidi partilhar com os meus "companheiros de caminhada" sócios da APFADA e todos os que, de alguma forma, estão tocados pela mesma experiência, esta memória sobre os meus Tios, ele Doente, ela Cuidadora. O Tio deixou-nos em Novembro, inexoravelmente apagado por esta doença implacável que ainda não é dominada satisfatoriamente pelas Neurociências.
Durante os anos em que a doença foi consumindo as capacidades mentais e depois físicas do Tio Ernesto, este foi cuidado em casa, com o maior carinho e atenção. Pela Tia M. Helena, 24 sobre 24 horas, secundada por auxiliares.
Uma vez mais constatei que a própria casa é o melhor lugar para ter estes doentes, durante a primeira e segunda fases. Na terceira fase, a mais difícil, foi-me dado confirmar que é quase impossível: o Tio era muito alto e ganhou mais peso com a redução gradual da sua mobilidade. Tinha momentos de grande confusão e agitação. Vi a tia ficar, ela própria, sem forças, sem meios para fazer face às situações, sem saúde... assustada com a possibilidade real de, já com os seus 81 anos, vir a ser incapaz de cuidar do marido, de 88. Vi como fazer face a esta doença é uma luta constante, dura, implacável em que o cuidador principal pode acabar por adoecer, esgotado, física e emocionalmente. Vi como ela ficou triste por ter de institucionalizar o seu doente querido, pela sua própria falta de condições e pela firme insistência dos sobrinhos, desejando poupá-la. Foi um período curto mas dramático.
O Senhor Professor Dr. Carlos Garcia acompanhou a doença do meu Tio. Com enorme mágoa soubemos do seu desaparecimento, logo a seguir. Sei, pelo testemunho da tia, que era um Médico excepcionalmente sensível, competente e dedicado a estes doentes. Orientava a terapia sempre baseado no que a tia lhe dizia "eu sou o médico, mas a senhora é que acompanha o doente a tempo inteiro, sabe mais do que eu!". Só uma pessoa superior pode ter esta humildade e esta humanidade. Que falta vai fazer! Que exemplo para outros!
Dedico este testemunho aos meus Tios, Ernesto e M. Helena, e ao Senhor Professor Dr. Carlos Garcia.
M. Emília Homem da Costa
2004
Testemunho de Fernanda Ruaz
Carta ao Menino Jesus
Menino Jesus,
Sou uma mulher que começa a envelhecer e a pensar no que irá ser o seu amanhã. Sabes bem que sempre aceitei todos os factos da minha vida e que desde cedo compreendi que nem sempre a saúde, a prosperidade e outros aspectos da dita felicidade terrena, estão nas nossas mãos, mas também sabes que sempre achei que devíamos fazer o nosso melhor para termos um mundo mais justo e mais feliz.
Por isso sabes como sofro por ver fome, por ver guerra, por ver inocentes de todos os cantos da Terra a sofrerem pela ganância, pelo orgulho, pelo fanatismo e, infelizmente, também, pela ignorância e pelos nossos pecados de omissão, como cristãos. Por isso, Menino Jesus, estou à vontade para Te falar, porque me conheces e conheces todos os meus pensamentos desde que fui gerada. Creio nisso, Menino Jesus e Tu sabes que creio. Sabes que espero o dia em que a tua Lei será gravada no coração de todos os homens e mulheres da Terra e em já ninguém precisará de Te escrever, porque estarás sempre presente, em todos os corações. Até lá, Menino Jesus, ouve o que uma mulher que começa a envelhecer Te pede, em nome de todos os mais velhos da Terra.
Nós, os adultos, temos o hábito de dizer que o Natal é das crianças, mas não é só das crianças, pois não, Menino Jesus? O Natal é de todos, sobretudo dos mais pequeninos, porque mais pobres, mais fracos, mais desprotegidos, mais simples, mais humildes. Por isso me atrevo, este Natal, a falar - Te das minhas preocupações de mulher que começa a envelhecer e se revê noutros mais velhos, como espelho.
Qualquer dia, Menino Jesus, talvez deixe de saber governar-me sozinha; talvez deixe de saber lavar-me, vestir-me, de andar; talvez deixe de saber o que digo; talvez comece a ter que usar fraldas. Talvez, Menino Jesus, passe a ser outra vez bébé e desaprenda tudo quanto fui aprendendo ao longo de tantos anos. Talvez me sinta perdida, sem compreender onde estou, que dia é, quem são as pessoas que me rodeiam. Talvez possa até haver alturas em que já nem saiba quem sou. E então, Menino Jesus, é natural que ninguém da minha família tenha condições físicas e psicológicas para tomar conta de mim. É natural, Menino Jesus. É triste, mas é natural que eu tenha que ir para um lar. Mas, ó Menino Jesus, por favor, não me deixes ir para um lar daqueles que parecem a sala de espera da Morte, onde todos os velhos estão sentados a olhar o vazio, apenas à espera, à espera de partir para o Além. Eu sei, Menino Jesus, que ser empregada num lar de velhos é um trabalho difícil. Ganha-se mal e o trabalho é duro. Não é agradável mudar fraldas, dar banho a corpos velhos, falar com pessoas que não ouvem ou não percebem o que dizemos. Mas, Jesus Menino, enche os corações dos que trabalham em lares, de ternura, de afecto, de respeito, para que não me gritem quando eu não entender o que me dizem, para que nunca me tratem como uma coisa, mas sempre como pessoa. E que quanto mais ?vazia de mim? estiver, quanto mais pobre de corpo e de inteligência, mais me atendam, mais me escutem. Que nunca se esqueçam dos meus remédios, que nunca me dêem remédios a mais para eu ficar calada e quieta, que não me deixem ficar sentada ou deitada para sempre, a olhar o vazio, o tecto, à espera da morte.
É este o meu pedido Natal:
Manda os teus Anjos, Menino Jesus, tocar a vida de todos os que tratam dos mais velhos, os cuidam, os respeitam e os amam. Manda Anjos encher de bênçãos a vida de todas as mãos que os acariciam, de todas as vozes que os acalmam, de todos os rostos que lhes sorriem.
Obrigada, Menino Jesus, porque eu sei que escutas todos os que Te amam!
Fernanda Ruaz
Novembro de 2002
Testemunho de Maria Zélia Oliveira
Testemunho de Maria Zélia Oliveira
Faz hoje sete dias que perdi a minha mãe. Ela tinha a Doença de Alzheimer...
No passado dia 16 fomos a uma festa de família no Chão dos Louros e, como já era habitual, trouxemos a minha mãe connosco. Ao cair da tarde o meu filho achou melhor voltarmos antes que a noite caísse, com medo que algo de mal acontecesse à avó. Mas o pior acabou por acontecer, ela caiu e partiu uma perna que já tinha partido há seis meses atrás e por coincidência no mesmo lugar. Foi internada dia 19 e operada, mas teve muitas complicações e acabou por falecer dia 20, no dia do aniversário do neto.
Todos nós sentimos a dor de a perder, mas para o meu filho foi mais triste. A minha mãe era doente e, como todos os Doentes de Alzheimer, tinha fases difíceis de suportar. Por vezes perdíamos a paciência e brigávamos e por vezes ficávamos com pena e chorávamos, pois ela não conhecia as pessoas de quem mais gostava. Não sabia quem éramos!
É triste de suportar. Se pudesse voltar atrás não ralhava com ela pois viveu tão pouco tempo...pouco tempo para lhe mostrar como a amávamos.
Vivo agora cheia de mágoa e dor. Peço a deus que a guarde em bom lugar e peça por nós todos.
É com muito amor e carinho que falo da minha mãe. Ela era tudo o que eu tinha. Sou filha única e perdi o meu pai aos 5 anos. Tenho muita dor e mágoa em ter perdido a minha mãe.
Maria Zélia Oliveira
s.d.
Testemunho de Joana
Testemunho de Joana
Mesmo na presença de poucas palavras, porque em poucas palavras se diz muita coisa, mesmo quando o vocabulário escasseia, se reduz, mesmo quando muita coisa parece estar diminuída, os sentimentos, quando são fortes e verdadeiros, esses não têm forma de se reduzirem, existem sempre, só se demonstram de maneiras diferentes e temos que aprender a recebê-los de maneiras diferentes.
Mais importante do que aquilo em que as pessoas às vezes se tornam na vida, por azar ou por destino, é o percurso que fizeram até ali, o que fizeram por nós, o que fizeram pelo mundo. Às vezes fizeram tanto pelos outros que se esqueceram de si próprias. Por incrível que pareça, às vezes não importa ao que chegámos, mas sim o que fizemos até lá chegar.
A vida traz-nos desafios impressionantes em que revertemos papéis, talvez em alturas erradas, talvez fosse cedo demais, mas quem tomou tão bem conta de nós, quem nos ensinou tanto, quem teve tanta paciência para nós, agora precisa que lhe retribuam. É o mundo a nos ensinar a dar e não só a receber, o mundo a nos obrigar a dar porque passamos muito tempo só a receber. Perceber as limitações dos outros, perceber porque essas limitações chegaram, pensar menos em nós e mais nos que nos amam e sempre amaram e a quem talvez nunca tenhamos dado o devido valor. A maior lição de vida, talvez?
As memórias são imensas e todas boas, muito boas, e os momentos presentes são diferentes, mas bons na mesma, temos é que aprender a tirar coisas boas das mudanças da vida, daquilo em que as pessoas se tornaram, e temos sempre maneira de continuar a aprender e a viver com o mesmo sentimento de apreço e admiração. É só preciso aprender a mudar a ?táctica?.
Porque na vida quero aprender a não me assustar e a não fugir de nada, o que me impressiona é o que apareceu na minha vida para me tornar numa pessoa melhor, e me desafiar a conviver de forma diferente e a viver dias de uma outra maneira, com pessoas que de um dia para o outro mudaram, mas que no fundo serão sempre as mesmas.
Por isso, parabéns para a melhor tia do mundo, ontem, hoje e sempre...
Joana
s.d.
Testemunho de Shelia
Shelia, uma senhora num estádio inicial da Doença de Alzheimer fez este testemunho.
Eu estou a conseguir viver razoavelmente bem, grande parte do tempo eu não penso no meu problema de memória. Agora, vou passar a contar o que me incomoda...
Incomoda-me ter pedido à minha filha para ela levar as minhas roupas para as secar na máquina da casa dela. Ela não se importou, mas, depois de ela se ter ido embora, eu apercebi-me que tenho a minha própria máquina de secar roupa a qual tenho vindo a utilizar há já três anos.
Eu decidi colocar uma pequena prateleira na parede do meu quarto. Fui buscar a minha caixa de ferramentas, ao abri-la para procurar parafusos e um martelo, encontrei umas jóias, que há muito procurava.
Um dos problemas de ter fraca memória é a incrível quantidade de tempo que se despende na procura de coisas ou a tentar lembrarmo-nos onde as colocámos.
A minha filha contou-me que eu costumo telefonar-lhe para perguntar algo e, poucos momentos depois, volto a ligar para perguntar-lhe a mesma coisa.
Se necessito de telefonar a alguém, eu posso ir em direcção ao telefone e subitamente esquecer-me do que ia fazer.
Por vezes tenho dificuldades em encontrar certas palavras, quando isto acontece tento usar uma que a substitua e outras vezes não hesito em perguntar o nome dos objectos.
Esta última semana tem sido um pouco desencorajadora. Ultimamente, tenho ido às compras sem nunca levar dinheiro. No passado eu dirigir-me-ia ao Banco, mas, desta vez, eu fui às compras várias vezes e sem nunca levar dinheiro.
Já passei por situações embaraçosas, tantas, que até já pensei mudar de Banco. Ontem foi um pesadelo. Quando me dirigi ao balcão para depositar um cheque, este havia desaparecido. Olhei para o chão e para dentro da minha mala para ver se o conseguia encontrar, mas em vão.
Quando cheguei a casa e procurei na minha secretária, encontrei, para meu espanto, um recibo de depósito do cheque de que tinha andado à procura. Eu tinha depositado o cheque no dia anterior.
O pior dos sentimentos é não poder confiar em mim própria.
Ontem fui às compras e deixei as chaves no carro com o motor ligado. Eu já tive de arrombar o meu carro tantas vezes que a porta está praticamente arruinada.
Possuo uma chave extra, e tudo o que tenho a fazer é lembrar-me de a levar comigo e não a deixar dentro do carro com a porta trancada.
Shelia
s.d.
Fonte:
Alzheimer´s Disease International
Emprego
Tomar decisões relativas ao emprego
Se lhe foi diagnosticada Demência e ainda trabalha, aqui pode encontrar algumas sugestões para tomar decisões relativas à sua vida laboral.
Ser diagnosticado com Demência implica considerar uma série de questões no planeamento do futuro. Se ainda está a trabalhar, terá de ponderar como é que a demência pode afetar a sua vida profissional e começar a pensar sobre as mudanças que possam ser necessárias fazer no futuro.
Talvez já tenha notado os efeitos da demência, no seu trabalho.
Algumas alterações podem incluir:
- Dificuldades em comunicar os seus pensamentos aos colegas ou clientes;
- Dificuldade em concentrar-se tanto tempo como anteriormente;
- Esquecer-se de reuniões importantes ou compromissos;
- Dificuldade em conseguir gerir várias tarefas ao mesmo tempo;
- Ter problemas de estar em grupos maiores, preferindo, talvez, trabalhar sozinho;
- Perder confiança nas suas capacidades de trabalho;
- Sentir-se inseguro ao tomar decisões importantes
A chave para decidir relativamente a questões do emprego é tomar um controlo precoce, planear e ser realista.
Receber ajuda
Desde o início, procure orientação e apoio. Para além da família e amigos de confiança isto pode incluir apoio do:
- Médico ou médico especialista;
- Sindicato ou corpo profissional;
- Alzheimer Portugal;
- Consultores jurídicos e financeiros
Estas pessoas podem ajudá-lo a pensar e a tomar as decisões necessárias para o seu futuro.
Proteger sua privacidade e confidencialidade
Organizações como a Alzheimer Portugal são obrigadas por lei a respeitar a sua privacidade. Se estiver preocupado com a confidencialidade das suas informações pessoais e de saúde, solicite a política de privacidade da organização.
Continuar a trabalhar
Seguem-se algumas sugestões que podem ajudá-lo caso decida continuar a trabalhar enquanto se sentir capaz:
- Fale com o seu empregador sobre seu diagnóstico. Para a maioria das pessoas este é um passo muito importante, por isso pense no que vai dizer e como dizê-lo. Utilizar os familiares e amigos de confiança para fazer um ensaio, pode ser muito útil. Talvez possa levar alguém consigo para ajudá-lo a explicar a sua situação;
- Discuta a possibilidade de mudar alguns aspectos que facilitem a realização do seu trabalho;
- Pense quem, entre colegas ou clientes, necessita de saber do seu diagnóstico;
- Ter uma ou duas pessoas de confiança como apoios chave no seu local de trabalho pode ser uma ajuda;
- Pode familiarizar-se com a legislação anti discriminação mais relevante;
- Conheça as suas condições de emprego, nomeadamente os seus direitos a licenças por doença e invalidez;
- Continue a planear o futuro. Veja como vai decidir quando é que será a altura certa para deixar de trabalhar
Fazer a gestão das mudanças
Se estiver a ter problemas no trabalho, estes podem ser decorrentes das alterações provocadas pela demência. Apesar das alterações não serem algo que possa controlar, pode assumir o controlo da forma como irá gerir a sua situação. Por vezes, estratégias simples ou mudanças no ambiente podem ajudá-lo no trabalho. Algumas pessoas renegociam inicialmente as horas de trabalho e funções, de forma a reduzir as pressões do local de trabalho. Como qualquer pessoa que tenha uma doença grave, tem direito a um tratamento especial no local de trabalho.
Deixar de trabalhar
Em determinada altura vai ter que decidir sair do trabalho. Tente não tomar uma decisão impulsiva. Certifique-se de que está plenamente consciente de todos os seus benefícios e direitos. Esta área pode ser muito complexa, por isso assegure-se que recebe um bom aconselhamento. Dependendo da sua atual situação talvez necessite da orientação de:
- Um consultor financeiro;
- Um advogado;
- Sindicato ou corpo profissional
Antes de tomar quaisquer decisões finais sobre deixar de trabalhar procure:
- Políticas e direitos à reforma;
- Direitos a licença por doença ou a licenças de serviço prolongadas;
- Subsídios de doença ou de incapacidade;
- Quaisquer seguros que possam ter a componente de proteção na incapacidade;
- Quaisquer benefícios a que possa ter direito após deixar o trabalho
Demore o tempo que necessitar, discuta e tome uma decisão informada. Afinal, o que está em causa é o seu futuro e o da sua família. Existem pessoas que irão ajudá-lo nesta jornada.
Adaptado de Alzheimer Australia
Conversar com o seu médico
Conversar com o seu médico
Se lhe foi diagnosticada Demência, aqui pode encontrar ajuda sobre formas de conversar com o seu médico, de maneira a assegurar que obtém os cuidados de saúde, aconselhamento e apoio que deseja.
Se tiver demência, é muito provável que contacte com uma série de médicos e profissionais de saúde. Os seus familiares ou outras pessoas próximas, também poderão estar envolvidos nestes contactos.
Durante o processo de diagnóstico ou de avaliação da perda de memória, irá ter contacto com médicos especialistas. No entanto, a longo prazo, o médico de família é, geralmente, o profissional de saúde que acompanhará os cuidados de saúde continuados. Isto significa que é fundamental existir um bom relacionamento do seu médico consigo e com a sua família.
Por onde começar
Uma forma de encarar trabalhar com os médicos será olhar para si, para o seu médico e para a sua família como membros de uma equipa, cujo objetivo é que lhe sejam prestados os melhores cuidados possíveis.
Os médicos não podem falar sobre os seus pacientes, sem o consentimento destes. Se solicitar ao seu médico que não transmita qualquer informação aos seus familiares, ele deve respeitá-lo.
No entanto, a maioria das pessoas quer conversar sobre a sua doença com alguém que lhes é próximo. Conversar com o médico conjuntamente com alguém próximo de si é geralmente a melhor maneira de o fazer.
Um bom médico para si e para a sua família é aquele que:
- É uma fonte disponível de conselho e apoio;
- Escuta-o a si e às suas opiniões;
- Explica as coisas por palavras que são compreendidas por si;
- Demora o tempo que for necessário para responder às suas questões;
- Fá-lo sentir-se confortável;
- Respeita-o a si e aos seus familiares
O que pode tentar
- Comunicar
A comunicação é um processo bidirecional. Por isso, precisa de dar conhecimento ao seu médico daquilo que deseja. Se não compreender o que lhe está a ser dito, solicite que seja explicado de uma outra maneira.
Deverá poder falar livremente com qualquer médico e ser assegurado de que todas as conversas são confidenciais.
- Obter as informações de que necessita
Fazer uma lista de questões a colocar ao médico,é útil para algumas pessoas. Tome notas do que o seu médico diz ou peça-lhe para escrevê-las de modo a que possa consultá-las mais tarde. Considere a possibilidade de levar alguém consigo que possa fazer as perguntas ou anotar as respostas.
- Manter o registo das conversas com os médicos
Organizar uma pasta com as notas retiradas das suas conversas com os médicos ou outros profissionais, registando o que foi dito e quando, é útil para muitas pessoas. Às vezes pode sentir que falou com tantas pessoas que já não consegue lembrar-se dos detalhes do que foi discutido e com quem.
- Escolher a melhor altura
Marque as suas consultas num horário adequado. Se o início da manhã ou fim de tarde forem alturas complicadas para si, evite marcar as consultas nestes períodos. Solicite uma consulta mais longa se sentir essa necessidade.
- Falar por si próprio
Por vezes não é fácil obter a informação que necessita. Esteja preparado para procurar até encontrar um médico que atenda às suas necessidades. Falar com outras pessoas sobre as experiências destas com os médicos pode ser uma ajuda.
- Encaminhamento
A maioria dos médicos realiza o encaminhamento para um grupo de especialistas com quem mantém um contacto próximo. No entanto, poderá solicitar ao seu médico uma consulta para o especialista que desejar. Poderá também pedir para ser reencaminhado a um especialista, caso considere que as suas circunstâncias mudaram.
- Os seus direitos
É importante ajudar o seu médico a entender a sua vivência da Demência. Tem o direito de mudar de médico caso considere que este não satisfaz as suas necessidades.
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Falar sobre o diagnóstico
Falar sobre o diagnóstico
Se lhe foi diagnosticada Demência, aqui pode encontrar sugestões de algumas coisas a ter em conta quando partilhar o seu diagnóstico com outras pessoas.
Qualquer pessoa que recebe uma notícia, seja ela boa ou má, tem que decidir quando e com quem pretende partilhar essa informação. Em alguns casos, estas decisões podem ser muito simples. No entanto, quando a notícia é o diagnóstico de Demência é comum as pessoas despenderem de mais tempo a refletir sobre quando e a quem, entre os familiares e amigos, vão contar.
Aceitar o diagnóstico
Um dos passos para falar sobre o diagnóstico é em primeiro lugar aceitá-lo dentro de si. Muitas pessoas duvidam do diagnóstico ou simplesmente necessitam de um período de tempo para se adaptar à notícia. Os familiares e amigos também podem passar por períodos de negação, ignorando os problemas ou minimizando as suas preocupações.
No entanto, quando o diagnóstico é de Demência, é provável que alguns familiares ou amigos mais próximos reconheçam que algo está a acontecer. Embora não existam regras estabelecidas, é útil na maioria das vezes partilhá-lo com essas pessoas de confiança.
Tomar a decisão de comunicar o diagnóstico
Há uma série de perguntas que pode estar a fazer:
- A quem devo comunicar?
- Tenho de comunicar a todas as pessoas?
- Como e quando devo falar?
- Depois de comunicar o diagnóstico, como é que as pessoas vão agir comigo?
Todas estas questões são difíceis e não existem respostas certas ou erradas. Conversar com alguém fora da família pode ser uma ajuda. O seu médico, por exemplo, será capaz de ouvir as suas opiniões e ponderar consigo as várias opções. A Alzheimer Portugal oferece aconselhamento confidencial e apoio às pessoas com Demência.
Falar sobre o diagnóstico
Embora esta notícia possa ser difícil de receber, às vezes as pessoas sentem-se aliviadas por finalmente terem o seu problema identificado. Falar sobre o diagnóstico significa que poderá, juntamente com a sua família e amigos, utilizar os recursos médicos e comunitários disponíveis para lidar com a Demência. Algumas pessoas acham que partilhar o seu diagnóstico com outras pessoas é uma forma de educá-las e sensibilizá-las para esta doença.
"Eu conto a todas as pessoas ? não tenho nada que me envergonhar desta situação. As pessoas precisam de saber que nós somos precisamente como elas".
Os indivíduos dispostos a partilhar o seu diagnóstico proporcionam uma enorme ajuda na sensibilização pública para a Demência. No entanto, às vezes as pessoas ficam preocupadas sobre a forma como irão ser tratadas após os outros tomarem conhecimento da sua doença.
"As pessoas comportam-se como se não quisessem estar perto de mim porque talvez pensem que também podem apanhar esta doença. As pessoas não sabem o que fazer e não sabem como lidar com isto."
Muitas pessoas podem estar familiarizadas com esta experiência. A ignorância e incerteza criam frequentemente o medo e o evitamento. Porém, às vezes, o inverso também pode ser verdadeiro. À medida que a compreensão pública da doença aumenta, as pessoas podem contar com o apoio de pessoas estranhas e gentis que oferecem auxílio logo que o diagnóstico é conhecido.
Existem outras pessoas que têm sentimentos contraditórios sobre a partilha do diagnóstico.
"Eu não quero saber de quem sabe ou não sabe. Eu não tento escondê-lo. Bom, sim eu faço-o, eu tento escondê-lo. Eu penso que isto é natural. Quando alguém comete um erro é normal tentar escondê-lo. Ninguém quer parecer ser inferior. Todos desejam parecer o mais forte possível."
O importante é manter o respeito pelas suas necessidades de privacidade e também reconhecer o valor de permitir que aquelas pessoas que selecionou tenham conhecimento do seu diagnóstico. Poderá ser muito útil contar com a compreensão e cuidados de algumas pessoas, enquanto atravessa estes ajustamentos.
"É muito diferente saber que se está a conversar com alguém que tem conhecimentos sobre a doença. Existe uma rede de compreensão e segurança quando se fala com pessoas que compreendem a nossa situação."
Às vezes pode descobrir que alguns familiares partilharam o seu diagnóstico, sem seu consentimento. Isto pode originar sentimentos contraditórios, por um lado pode sentir-se zangado por não ter sido o responsável, por outro pode sentir-se aliviado porque alguém o fez por si. A sua família também precisará de apoio neste processo e, às vezes, têm necessidade de partilhar o diagnóstico de modo a poderem receber auxílio. Em qualquer tempo de mudança, a maioria das pessoas quer saber que é capaz de encontrar alguém que os escute e compreenda.
"Eu contei aos meus amigos sobre a Doença de Alzheimer. Eles ficaram em silêncio. Não sabem o que dizer. Eu próprio também não sei o que dizer. Penso que eles entenderam, porque eu disse-lhes o impacto que a doença tem e por que razão é tão difícil. Eles ouviram".
Nem sempre é possível prever a forma como os outros vão reagir às nossas notícias. Enquanto alguns podem afastar-se assim que ouvirem a palavra Demência ou Alzheimer, outros poderão tornar-se seus amigos, na sequência de ter partilhado com eles o seu diagnóstico.
Adaptado de Alzheimer Australia



