Após a morte da pessoa com Demência

Após a morte da pessoa com Demência

Aqui são abordados alguns sentimentos que pode experienciar após o falecimento da pessoa a quem presta cuidados. São sugeridas formas de lidar com esses sentimentos e com as mudanças na sua vida.

Quando uma pessoa com Demência morre, os seus familiares e cuidadores experienciam, frequentemente, uma variedade de sentimentos. Pode entristecer-se pela perda dessa pessoa e do relacionamento que teve com ela. O sentimento de perda pode existir mesmo quando não deseja que a pessoa continue a viver, sofrendo, devido à Demência.

Para algumas pessoas, o facto de terem sofrido muito durante o curso da doença faz com que não tenham sentimentos especiais quando a pessoa com Demência morre. No entanto, estes sentimentos podem vir à superfície num momento posterior e, às vezes, de maneira inesperada.

Cada pessoa reage de forma diferente

As pessoas têm reações diferentes às experiências emocionais. Exemplos de reações à morte de uma pessoa com Demência são:

  • Tristeza pelo que poderia ter sido ou pelo que foi perdido;
  • Choque e sofrimento;
  • Descrença e incapacidade de aceitar a situação;
  • Culpa por algo do passado;
  • Alívio para a pessoa com demência e para si próprio;
  • Zanga e ressentimento sobre o que aconteceu;
  • Falta de propósito de vida, agora que o papel de cuidador terminou

Vai variar de pessoa para pessoa experienciar um ou todos os sentimentos, bem como a duração destes. O mesmo acontecimento, por exemplo o falecimento de um cônjuge, produz respostas diferentes, em pessoas diferentes. Não existem regras no sofrimentos, todos reagimos à perda da nossa própria maneira. Seja qual for a sua reação à morte, irá lidar com ela à sua maneira e a seu tempo.

Ajuda profissional

Se pretender falar sobre os seus sentimentos ou precisar de ajuda para lidar com o seu sofrimento, poderá ser útil falar com um profissional.

Após a morte

No período imediato à morte da pessoa, poderá sentir-se em choque e vulnerável.

  • Tente evitar tomar decisões importantes;
  • Aceite que, muito embora esteja a lidar com a situação, existirão alturas em que irá sentir-se triste ou perturbado;
  • Pode ser difícil lidar com eventos tais como aniversários ou outras datas importantes;
  • Converse com seu médico. Estará mais propenso a ficar fisicamente doente ou deprimido após o falecimento da pessoa

 

Lembre-se
Vai necessitar de tempo para adaptar-se à perda.

Continuar com a vida para a frente

Continuar com a vida para a frente nem sempre é fácil. No entanto, irá chegar a altura em que se sentirá pronto para reestabelecer a sua própria vida e seguir em frente. As seguintes sugestões podem ajudá-lo nesta situação:

  • Não tenha pressa

O período de tempo necessário para adaptar-se às mudanças na vida varia de indivíduo para indivíduo. Seja paciente e não tente acelerar o processo;

  • Aceite ajuda

Deixar que os outros o ajudem pode dar-lhe um apoio extra e uma oportunidade de conversar e expressar os seus sentimentos e reflexões. Ao longo do tempo isto irá ajudá-lo a compreender e a adaptar-se à sua perda;

  • Partilhe a sua experiência

Os amigos e familiares também beneficiam da oportunidade de partilharem os seus sentimentos;

  • Escreva num diário

Escrever os seus pensamentos e sentimentos num diário pode ajudá-lo a lidar com a sua dor e a aceitar a perda;

  • Recordar a pessoa

Muitas pessoas gostam de falar sobre a pessoa que perderam, especialmente das épocas em que a Demência ainda não a tinha afetado. Recordar os momentos felizes pode ajudar. Comemore a pessoa com a família e amigos. Muitas pessoas acham útil fazê-lo em aniversários ou noutras datas importantes;

  • Reestabeleça a sua rede de contactos sociais

Volte a contactar velhos amigos ou comece a procurar novos amigos;

  • Continue a tentar

Ao princípio pode não se sentir confiante, pode julgar difícil tomar decisões, conversar sobre coisas comuns ou lidar com os encontros sociais. Mas não desista, pois gradualmente a sua confiança irá voltar.

Adaptado de Alzheimer Australia


Os homens e a prestação de cuidados

Os homens e a prestação de cuidados

Aqui são abordados alguns problemas que podem afetar os homens que cuidam de uma pessoa com Demência.

Muitos homens cuidam de alguém com Demência. A maioria deles cuida dos seus cônjuges, mas o cuidador masculino também pode ser filho, irmão ou amigo.

Cuidar de alguém com Demência pode ser muito exigente e, para muitos homens, pode apresentar desafios adicionais.

Assumir as tarefas domésticas

Em muitas casas, a mulher é frequentemente a principal responsável por planear as refeições, cozinhar, limpar, tratar da roupa e por outras tarefas que mantêm uma casa a funcionar. Se a mulher sofrer de Demência, tornar-se-á gradualmente incapaz de continuar a realizar essas tarefas.

O homem, no papel de cuidador, pode precisar de começar a auxiliar a pessoa com Demência, pedindo por exemplo que esta lhe mostre como fazer as coisas. Para alguns homens, assumir a responsabilidade por estas tarefas significa ter de aprender novas competências ou formas diferentes de fazer as coisas.

Ajudar nas competências pessoais

Um homem que ajuda uma pessoa com Demência pode necessitar de prestar cuidados pessoais e íntimos, particularmente à medida que a doença progride. Pode ser necessário prestar assistência no banho e na higiene pessoal. A pessoa com Demência também pode necessitar de ajuda para fazer a maquilhagem, vestir as collants ou ir ao cabeleireiro, situações que para a maioria dos homens são experiências novas.

Tarefas diárias que apresentam novos desafios

Algumas situações que têm feito parte da vida quotidiana podem tornar-se mais complexas. Por exemplo, para muitos homens poderá ser um desafio comprar um sutiã para uma mulher com Demência. Ajudar a pessoa a experimentar roupas novas pode ser difícil quando esta necessita de assistência nos provadores femininos.

Perder o apoio emocional do cônjuge

Geralmente, os homens não têm os sistemas de apoio que a maioria das mulheres tem. Os homens apoiam-se frequentemente nos seus cônjuges para obter o apoio emocional e manter as amizades e os contactos familiares, que constituem a maioria dos seus sistemas de suporte.

À medida que a Demência progride, a mulher perde gradualmente a capacidade para fornecer apoio emocional e manter as amizades e os contactos familiares. É importante que o homem, no papel de cuidador, esteja consciente destas mudanças e que tome medidas para garantir que ambos têm apoio social e emocional.

Os homens também necessitam de apoio
  • É importante que todos os familiares e cuidadores cuidem de si próprios. Poderá ter que prestar mais atenção à sua dieta e exercício;
  • É essencial manter os contactos sociais;
  • Apesar de difícil, é importante manter um equilíbrio entre as suas próprias necessidades e as exigências diárias de cuidar de alguém com Demência;
  • Organize pausas regulares na prestação dos cuidados para não ficar desgastado. Contacte os serviços de apoio para descobrir maneiras de organizar um intervalo;
  • Alguns homens consideram útil conversar com outros homens que também estão a cuidar de alguém com Demência;
  • Encontre um lugar de confiança para expor as questões emocionais. O apoio da família e amigos, bem como de grupos de suporte, ajuda muitos homens que são cuidadores de alguém com Demência

A Alzheimer Portugal pode colocar as pessoas em contacto com os vários grupos de suporte existentes no país. Muitas pessoas encontram apoio e ajuda através da participação nestes encontros com outras pessoas que sabem o que é cuidar de uma pessoa com Demência. Os grupos de apoio aproximam as famílias, cuidadores e amigos de pessoas com Demência, sob a orientação de um facilitador de grupo.

Adaptado de Alzheimer Australia


Sentimentos

Sentimentos

Aqui são abordados alguns sentimentos que frequentemente os familiares e cuidadores de pessoas com Demência costumam experienciar. Estes podem incluir sentimentos de culpa, tristeza, perda e raiva.

Cuidar de alguém com Demência pode ser muito gratificante, mas também pode ser muito difícil, desgastante, solitário e, às vezes, avassalador. À medida que as necessidades da pessoa com Demência se alteram, poderá ter que lidar com muitos sentimentos diferentes.

Não está sozinho

A Alzheimer Portugal disponibiliza apoio, informação, educação e aconselhamento.

Os sentimentos

Alguns dos sentimentos mais comuns experienciados pelos familiares e cuidadores são a culpa, tristeza, perda e raiva.

  • Culpa

É bastante comum sentir-se culpado, culpado pela forma como a pessoa com Demência foi tratada no passado, culpado por se sentir envergonhado pelo comportamento estranho da pessoa, culpado por perder a calma ou culpado por não querer a responsabilidade de cuidar de um pessoa com Demência.

Se a pessoa com Demência for para um hospital ou para um lar residencial, poderá sentir-se culpado, apesar de ter feito tudo o que podia, por não ter conseguido mantê-la em casa por mais tempo. É comum sentir-se culpado por ter feito promessas passadas, tais como "Eu vou sempre cuidar de si", e depois não as ter conseguido cumprir.

  • Tristeza e perda

A tristeza é uma resposta emocional à perda. A perda pode ser por vários motivos, tais como terminar uma relação, mudar de casa, perder saúde, divórcio ou morte. Se alguém próximo desenvolver Demência, somos confrontados com a perda da pessoa que conhecíamos anteriormente e da relação que tínhamos com ela. As pessoas que cuidam dos cônjuges podem sentir tristeza por existir uma perda do futuro que planearam compartilhar.
A tristeza é um sentimento muito individual e as pessoas podem senti-la de formas diferentes, em alturas diferentes. Nem sempre se tornará mais fácil com o passar do tempo.

  • Raiva

É natural sentir-se frustrado e zangado, zangado por ter de ser um cuidador, zangado com os outros que não estão a ajudar, zangado com a pessoa com Demência devido aos seus comportamentos difíceis e zangado com serviços de apoio.

Os sentimentos de angústia, frustração, culpa, cansaço, e aborrecimento são bastante normais. No entanto, se se sentir desta maneira ou sentir que pode perder o controlo, é importante falar sobre os seus sentimentos com alguém, como por exemplo o seu médico


O que tentar

As seguintes ideias podem ser úteis para lidar com sentimentos de perda, culpa e raiva:

  • Sinta a dor. Permita-se a sentir realmente aquilo que está a sentir, seja o que for. Negar os sentimentos só intensifica e prolonga o sofrimento;
  • Chore. Chorar pode ser terapêutico. Deixe as lágrimas limparem e aliviarem o seu sofrimento interno;
  • Fale. Compartilhe a sua dor. É importante falar sobre os seus sentimentos, mesmo nas alturas mais difíceis. Partilhar a tristeza vai ajudar a diminui-la. Poderá ser útil falar com uma pessoa exterior à família, como por exemplo um psicólogo;
  • Escreva um diário. Um diário é um lugar privado onde tudo pode ser escrito, incluindo os desejos insatisfeitos, culpas, raivas e todos os outros pensamentos e sentimentos;
  • Liberte-se da amargura. Não se deixe consumir pela amargura. O ressentimento é uma carga pesada que mantém a mágoa. Se existir uma fonte de zanga, tente resolvê-la;
  • Procure conforto. Pessoas diferentes têm maneiras diferentes de encontrar conforto. Para muitos existe conforto em rituais tais como orar, meditar ou realizar outras atividades;
  • Mantenha a calma. Por vezes poderá ser vulnerável, por isso reflita cuidadosamente antes de tomar decisões. Deve explorar completamente todas as opções;
  • Seja gentil consigo próprio. Seja paciente com os seus sentimentos. Tente encontrar um equilíbrio entre estar feliz e triste, zangado e calmo e culpado e satisfeito. Seja paciente consigo próprio;
  • Aprenda a rir-se novamente. Redescubra o seu sentido de humor. Encontrar alegria na vida pode ser uma forma de honrar os momentos felizes que anteriormente partilhava com a pessoa com Demência

Lembre-se
Tente certificar-se de que faz pausas na prestação de cuidados, para não ficar desgastado. Peça ajuda aos familiares e amigos.

A Alzheimer Portugal pode colocar as pessoas em contacto com os vários grupos de apoio existentes no país. Muitas pessoas encontram apoio e ajuda através da participação nestas reuniões com outras pessoas que sabem o que é cuidar de uma pessoa com Demência. Os grupos de suporte aproximam as famílias, cuidadores e amigos de pessoas com Demência, sob a orientação de um facilitador de grupo. Contacte a Alzheimer Portugal para a Sede ou Delegação mais próxima de si para obter informações sobre os grupos de suporte.

Adaptado de Alzheimer Australia


Cuidar de si próprio

Cuidar de si próprio

Aqui aborda-se a importância dos cuidadores e familiares cuidarem de si próprios e são feitas algumas sugestões para gerir o stress relacionado com a prestação de cuidados a alguém com Demência.

Cuidar de alguém com Demência acarreta exigências físicas e emocionais elevadas. À medida que a necessidade de cuidados à pessoa aumenta, vai precisar de despender mais tempo e energia. É importante cuidar de si mesmo, caso contrário irá sentir-se muito desgastado.

Se já estiver muito cansado, cuidar de alguém com Demência torna-se ainda mais difícil e não será fácil continuar a equilibrar as suas necessidades com as da sua família e da pessoa com Demência. Vai precisar de apoio e assistência para cuidar da pessoa.

Não está sozinho

A Alzheimer Portugal disponibiliza apoio, informação, formação e aconselhamento.

A Alzheimer Portugal tem grupos de apoio em todo o país. Muitos cuidadores encontram apoio e ajuda através da participação em reuniões com outras pessoas que sabem o que é cuidar de uma pessoa com Demência. Os grupos de apoio reúnem famílias, cuidadores e amigos de pessoas com Demência, sob a orientação de um facilitador de grupo.

Gerir o stress

Todas as pessoas têm diferentes formas de gerir o stress. Gerir o stress melhora o seu bem-estar e pode ter um impacto positivo no seu papel de cuidador. Por isso, pode ser útil aprender algumas formas para melhor lidar com esta situação. Todas as livrarias vendem livros sobre várias formas de gerir o stress.

O que tentar

  • Fazer uma programação consistente das atividades diárias pode facilitar a vida, quando se vive com uma pessoa com Demência;
  • É importante lembrar-se de que a pessoa com Demência não tem determinados comportamentos de propósito e que a doença está a afetar as suas emoções e comportamentos;
  • Tente aprender o máximo possível sobre a Demência e incentive os amigos e familiares a fazê-lo também;
  • É importante falar sobre as situações com a família, amigos e outras pessoas que estão numa situação semelhante;
  • Cuide de si mesmo, controle a sua dieta, faça exercício físico regular e mantenha os seus contactos sociais e estilo de vida;
  • Seja realista sobre o que pode esperar de si e reconheça que cuidar de si mesmo é o melhor para todos

 

Manter as suas atividades

É muito importante que continue a fazer as atividades que lhe dão prazer. Algumas pessoas referem que se sentem culpadas quando saem de casa ou quando desfrutam de uma atividade sem a pessoa com Demência. No entanto para além de prestar cuidados à pessoa, as famílias e os cuidadores têm o direito de realizar os seus próprios interesses. Na verdade, é essencial que o façam. Uma pessoa que faz pausas regulares é um melhor prestador de cuidados.

Se estiver com dificuldade em lidar com os sentimentos de culpa sobre sair e deixar a pessoa, pode ser boa ideia falar sobre esses sentimentos com um amigo, parente ou com um psicólogo.

Solicitar ajuda

Cuidar de si mesmo significa pedir ajuda no momento atual e planear com antecedência o tipo de apoio que poderá precisar no futuro. Apesar do apoio provir na maioria das vezes de parentes, amigos e vizinhos, nem sempre tal acontece. Procurar ajuda externa é importante para as pessoas que cuidam de alguém com Demência. Os médicos, psicólogos e conselheiros têm experiência em ajudar pessoas que estão a cuidar de outros.

O que tentar

  • Partilhe a prestação de cuidados à pessoa com Demência;
  • Não hesite em pedir ajuda;
  • Sugira formas específicas de os amigos e familiares ajudarem, tais como trazer uma refeição, ajudar com o trabalho doméstico ou ir às compras;
  • Organize pausas regulares para si mesmo. Um amigo ou familiar pode ser capaz de cuidar regularmente da pessoa com Demência, de modo a que possa ter algumas horas livres. Tente conhecer as opções de serviços de prestação de cuidados que existem na sua área de residência;
  • Contacte a Alzheimer Portugal para conhecer as ajudas disponíveis na comunidade

 

Amigos e familiares

Cuidar de alguém com demência pode ser dificultado pela falta de compreensão das outras pessoas. Ajudar os amigos e parentes a entender o que está a acontecer vai facilitar o seu trabalho.

O que tentar

  • Forneça informação sobre a Demência aos amigos e familiares. A Alzheimer Portugal disponibiliza material informativo muito útil;
  • Explique que a pessoa tem uma doença, apesar de exteriormente parecer estar bem. Explique também que esta doença apesar de devastadora, não é contagiosa;
  • Aceite a possibilidade de alguns amigos se afastarem;
  • Solicite que as visitas sejam breves e com poucas pessoas de cada vez;
  • Sugira atividades para serem realizadas em conjunto durante a visita, tais como fazer uma caminhada, uma tarefa simples ou ver um álbum de fotografias;
  • Prepare as visitas para quaisquer problemas de comunicação e sugira formas que elas possam adotar caso tal aconteça

Adaptado de Alzheimer Australia


Fazer um intervalo na prestação de cuidados

Fazer um intervalo na prestação de cuidados

É importante que todas as pessoas que cuidam diariamente de alguém com Demência façam um intervalo na prestação de cuidados. Aqui pode encontrar informação sobre os benefícios de fazer uma pausa na prestação de cuidados, como organizá-la e onde obter ajuda.

Para as famílias de cuidadores é importante fazer um intervalo
Cuidar de alguém com Demência pode ser cansativo (física e emocionalmente) e uma enorme fonte de stress. As famílias e os cuidadores podem, facilmente, ficar isolados de contactos sociais, particularmente se não tiverem oportunidade de deixar a pessoa de quem cuidam.

As pausas regulares são uma oportunidade para descansar, sair, tratar dos seus assuntos ou ir de férias.

Para a pessoa com Demência é importante fazer um intervalo
A maioria das pessoas faz intervalos, por exemplo para se dedicarem a passatempos que apreciam, passarem um fim de semana fora ou irem de férias. Isto permite-lhes continuar a ansiar por alguma coisa e terem experiências para recordar. Pelos mesmos motivos, as pausas são importantes para as pessoas com Demência, permitindo-lhes a oportunidade de socializar, conhecer outras pessoas e habituarem-se a que outras pessoas prestem apoio e cuidem de si.

O que impede as famílias e os cuidadores de fazerem um intervalo?
  • Colocarem o seu bem-estar em último lugar;
  • Sentir que não merecem fazer o intervalo;
  • Não terem conhecimento dos apoios disponíveis ou de como obter ajuda para organizar o intervalo;
  • Estarem demasiado cansados para organizarem o intervalo;
  • Desejarem o intervalo, mas a pessoa de quem cuidam não o querer;
  • Sentir que toda a organização vai dar muito trabalho;
  • Acreditarem que são responsáveis por prestar os cuidados à pessoa durante todo o tempo;

 

Como fazer um intervalo

Existem muitas maneiras de fazer um intervalo. Tudo irá depender daquilo que lhe convém a si e à sua família. Os intervalos podem ser:

  • Um tempo para a pessoa com Demência divertir-se com experiências novas ou conhecidas;
  • Um tempo para relaxar e ?recarregar? da forma que mais lhe convir;
  • Passarem algum tempo juntos, afastados das rotinas habituais

Talvez outros familiares e amigos estejam dispostos a ajudá-lo a realizar um intervalo na prestação de cuidados. Muitas vezes basta pedir-lhes.

O intervalo também pode ser feito nos centros de dia, através da participação da pessoa com Demência em atividades de grupo. Alguns centros disponibilizam atividades específicas para pessoas com Demência. Nos centros de dia, o tempo dos cuidados prestados à pessoa pode variar entre algumas horas e vários dias por semana. Alguns centros disponibilizam, ainda, cuidados em horas extra, fins-de-semana e a possibilidade da pessoa dormir no centro.

Outra forma de fazer um intervalo é ter um cuidador formal que venha a casa, de forma a permitir que seja possível, para si, fazer coisas fora desta. O cuidador formal também pode acompanhar a pessoa, para esta fazer uma atividade que aprecia fora de casa. Este tipo de prestação de cuidados chama-se cuidados domiciliários.

A prestação de cuidados (por cuidadores formais) também pode ser utilizada numa emergência, ou durante um período de tempo mais longo, num lar residencial.

Planear o intervalo para que seja uma experiência positiva

É frequente as pessoas com Demência sentirem-se perturbadas em novos ambientes e junto de pessoas desconhecidas. Por esta razão, é importante planear o intervalo para que a experiência seja positiva.
Para muitas famílias e cuidadores foi útil começar a utilizar os serviços de prestação de cuidados o mais cedo possível, para que todos se habituassem a partilhar os cuidados à pessoa com Demência. Geralmente, é melhor começar por intervalos mais pequenos e aumentar progressivamente para intervalos maiores.

Melhor que ninguém, saberá qual é a melhor altura para informar a pessoa com Demência que vai realizar um intervalo. Tranquilize a pessoa, caso esteja ansiosa e demonstre que se sente positivo sobre o intervalo, mesmo que também se sinta um pouco ansioso.

Pode ser útil falar com outras famílias e cuidadores no sentido de saber o que fizeram para tornar os serviços de prestação de cuidados numa experiência agradável e obter algumas ideias práticas para lidar com a situação.

Se tiver algumas preocupações sobre o acesso aos serviços de prestação de cuidados contacte a Alzheimer Portugal.

Quem pode ajudar?

A Alzheimer Portugal fornece apoio, informação, formação e aconselhamento.

Adaptado de Alzheimer Australia


Lidar com a transição da pessoa para a unidade residencial

Lidar com a transição da pessoa para a unidade residencial

Aqui pode encontrar sugestões para lidar com mudança do seu papel após a transição da pessoa com Demência para uma unidade residencial. Incluem-se sugestões práticas para manter uma relação afetuosa e para gerir os problemas que podem surgir quando visitar a pessoa.

Continuar a cuidar

Quando uma pessoa com Demência transita para uma unidade residencial, o papel das famílias e cuidadores não termina. Muitas pessoas optam por se manter envolvidas nas tarefas da prestação de cuidados, tais como ajudar na hora das refeições. Outras, envolvem-se nas atividades sociais da unidade residencial. No entanto, o nível de envolvimento vai variar de acordo com cada indivíduo.

Visitar a pessoa

Visitar é, normalmente, muito importante para o residente e para os seus familiares e cuidadores. Na maior parte dos casos, é a forma principal de os familiares e cuidadores manterem uma ligação às pessoas de quem cuidaram, muito embora já não prestem cuidados no dia-a-dia.

A pessoa com Demência pode apreciar ver outros membros da família ou velhos amigos. Incentive os netos a visitarem a pessoa. Se as crianças forem pequenas, prepare um saco com guloseimas para mantê-las entretidas. Se for permitido pela unidade residencial, leve um animal de estimação.

Visitar a pessoa pode, por vezes, ser difícil, especialmente à medida que as suas capacidades vão sofrendo um declínio. Tente encontrar algumas maneiras de tornar a visita o mais agradável possível.

O que pode tentar

  • Leve jornais e revistas para verem em conjunto;
  • Lerem as cartas de correio;
  • Jogarem jogos que a pessoa anteriormente apreciava;
  • Ouvirem uma música ou uma história;
  • Verem um vídeo que a pessoa aprecie;
  • Verem um álbum de fotografias;
  • Ajudar a decorar e a arrumar o quarto da pessoa;
  • Ajudar no cuidado da aparência pessoal da pessoa, por exemplo lavar ou escovar o cabelo, pintar as unhas, fazer a barba, etc
  • Ajudar a escrever aos amigos e parentes

 

Passear

A pessoa com demência pode desfrutar de um passeio.

O que pode tentar

  • Dar um passeio curto de carro e, talvez, parar para beber um chá num lugar calmo;
  • Fazer uma visita a outra pessoa na unidade residencial;
  • Dar um passeio ou uma volta ao jardim da unidade residencial

 

Visitar a pessoa nas fases mais avançadas da Demência

Encontre uma atividade que requeira a utilização do maior número de sentidos - visão, paladar, olfato, audição e tato.

O que tentar

  • Dar um beijo ou acariciar a mão da pessoa pode ser reconfortante;
  • Fazer uma massagem nas pernas, mãos e pés com cremes ou óleos perfumados, pode ser agradável para algumas pessoas. A pessoa também pode apreciar cheirar perfumes e flores;
  • Um sorriso ou um olhar reconfortante ou afetuoso pode tranquilizar a pessoa;
  • A música pode proporcionar conforto e familiaridade;
  • As visitas de amigos e parentes, ainda que a pessoa não os consiga reconhecer ou lembrar-se deles, podem estimular e dar conforto;
  • A pessoa pode apreciar ouvir a leitura de um livro ou de um poema favorito;
  • Um passeio ao redor da propriedade, mesmo que seja numa cadeira de rodas, pode ser agradável para a pessoa e para o visitante

Não existe um número correto de vezes para visitar a pessoa ou uma quantidade certa de tempo para ficar. O importante é fazer com que cada visita seja o mais gratificante possível.

A despedida

O fim da visita pode ser um momento muito difícil, tanto para a pessoa com Demência, como para os seus visitantes.

O que tentar

  • Leve algo para fazer na visita. Depois de ter terminado, é hora de se ir embora;
  • Solicite aos funcionários que distraiam o residente ou vá-se embora quando a refeição estiver prestes a ser servida, assim a pessoa vai ter algo mais para fazer;
  • Informe a pessoa no início da visita de quanto tempo vai poder ficar e por que motivo vai ter que ir embora. Por exemplo, "eu posso ficar durante uma hora, mas depois tenho de ir às compras ";

Faça uma despedida breve e parta imediatamente. Persistentemente pedir desculpas ou ficar um pouco mais, pode fazer com que as despedidas futuras se tornem ainda mais difíceis.

Querer ir para casa

Uma frase comum que se ouve em pessoas com Demência, instaladas em unidades residenciais, é "eu quero ir para casa ". Isto pode ser especialmente perturbador para a família e cuidadores.

O ?querer ir para casa? pode ser causado por sentimentos de insegurança, depressão ou medo. Pode ser que ?casa? seja um termo utilizado para descrever memórias de um tempo ou lugar que era confortável e seguro para a pessoa. Podem ser memórias de infância ou de uma casa ou de amigos que já não existem.

O que pode tentar

  • Tente compreender e reconhecer os sentimentos por detrás do desejo de ir para casa;
  • Assegure a pessoa de que vai ficar em segurança. Tocar e segurar pode ser tranquilizador;
  • Recordem momentos passados, vendo fotografias ou falando sobre a infância e família;
  • Tente redirecionar a pessoa com alimentos ou com outras atividades, tal como uma caminhada;
  • Não discorde ou tente argumentar com a pessoa sobre o desejo de ir para casa

 

Grupos de apoio

A Alzheimer Portugal pode colocar as pessoas em contacto com os vários grupos de apoio existentes no país. Muitas pessoas encontram apoio e ajuda através da participação nestas reuniões com outras pessoas que sabem o que é cuidar de uma pessoa com Demência. Os familiares e cuidadores podem estar a cuidar da pessoa em casa, ou a pessoa pode estar a viver numa unidade residencial.

Os grupos de apoio aproximam as famílias, cuidadores e amigos de pessoas com Demência, sob a orientação de um facilitador de grupo. O facilitador é geralmente um profissional de saúde ou alguém com muita experiência em cuidar de uma pessoa com Demência.

Muitas unidades residenciais têm grupos de apoio para os familiares, porque reconhecem as dificuldades expressadas por muitas famílias após a transição da pessoa para a unidade ter ocorrido.

Adaptado de Alzheimer Australia


Boa prestação de cuidados em contexto residencial

Boa prestação de cuidados em contexto residencial

Aqui pode encontrar a descrição de alguns aspetos importantes para uma boa prestação de cuidados a pessoas com Demência, que vivem em unidades residenciais. Estes aspetos incluem o envolvimento dos parentes e amigos.

A boa prestação de cuidados baseia-se em quão bem uma unidade residencial responde às necessidades de cada residente. Alguns aspetos da boa prestação de cuidados variam entre os indivíduos, de acordo com as suas necessidades e preferências. Poderá ter de considerar várias questões e priorizar o que é importante para si nos cuidados prestados à pessoa com Demência.

Seguidamente, apresenta-se uma lista dos aspetos importantes de uma boa prestação de cuidados. Ao visitar uma determinada unidade residencial poderá deparar-se com a necessidade de melhorias em algumas áreas. Caso esta situação ocorra, deverá em primeiro lugar discutir as suas preocupações com a direção da referida unidade. Se mesmo assim mantiver algumas preocupações, a Alzheimer Portugal poderá informá-lo sobre outras organizações existentes na sua área residencial.

Os aspetos importantes de uma boa prestação de cuidados
Os aspetos da boa prestação de cuidados que seguidamente serão enumerados, não são os únicos existentes. Provavelmente, poderá pensar noutros aspetos, que talvez sejam mais importantes para si. Para algumas pessoas, a flexibilidade em relação às refeições, aos horários de visita não restritos ou à existência de privacidade e espaço para o residente e visitantes passarem algum tempo juntos, também são aspetos essenciais de uma boa prestação de cuidados. A seguinte lista não foi elaborada numa ordem particular de prioridade. Todos os aspetos são importantes.

1. Uma abordagem eficaz na prestação de cuidados

Os cuidados eficazes na Demência requerem uma forte liderança e o apoio da direção e da equipa que assiste diretamente a pessoa. Requerem, também, uma equipa de profissionais maior, do que outras unidades residenciais não especializadas, para cuidar dos residentes e um foco no cuidado centrado na pessoa. Os cuidados centrados no residente fornecem uma abordagem individualizada da prestação de cuidados à pessoa de modo a garantir a sua integridade física e o seu bem-estar social, cultural e mental.

A equipa precisa de formação e competências na prestação de cuidados na Demência e na gestão de necessidades especiais para poder proporcionar bons cuidados. A equipa deve ser encorajada a adotar e a implementar uma abordagem de cuidados centrada na pessoa. Esta abordagem proporciona à pessoa residente o apoio necessário para manter o seu bem-estar. Ao prestar o apoio essencial ao indivíduo, o serviço incentiva o residente a manter, tanto quanto possível, a sua independência, preferências e estilo de vida.

Algumas formas de cuidar de pessoas com Demência que estejam agitadas ou inquietas são:

  • O espaço da unidade deve ser adaptado a pessoas com Demência e incluir áreas para uma deambulação em segurança;
  • Delinear programas individualizados de atividades;
  • Criar uma área tranquila, afastada da zona da televisão;
  • Fazer uma massagem com óleo perfumado relaxante;
  • A presença de animais de estimação pode ter um significativo efeito calmante

Em determinadas alturas, talvez seja necessário obter aconselhamento de um médico. Este poderá sugerir uma revisão da medicação ou, em casos extremos, a avaliação da pessoa numa unidade especializada.

Todas as necessidades de cuidados especiais devem ser incluídas no plano de cuidados da pessoa. Deverá ser convidado a manifestar a sua opinião no desenvolvimento de estratégias e ações que possam ser necessárias para controlar comportamentos específicos.

2. Cuidados culturalmente apropriados

Adotar uma abordagem de cuidados que procura conhecer e compreender a cultura de cada residente é um princípio para proporcionar uma boa prestação de cuidados às pessoas com Demência de diferentes origens culturais.

Devem ser realizados esforços para comunicar na língua preferida da pessoa e para lhe proporcionar um ambiente culturalmente familiar.

3. Envolvimento dos familiares e amigos

Uma boa prestação de cuidados deve envolver, tanto quanto possível, a participação dos familiares e amigos. Isto inclui consultá-los e envolvê-los ativamente no planeamento e avaliação dos cuidados. Devem ser tratados como parceiros na prestação de cuidados e não apenas como alguém que pode ajudar no período das refeições. Os familiares e amigos devem, ainda, ser incentivados a participar nos encontros e reuniões dos residentes e num grupo de apoio.

4. Gestão eficaz da dor

As pessoas com Demência quando estão com dor são, frequentemente, incapazes de comunicá-lo a alguém. A única maneira de sabermos que estão com dor é através das alterações do comportamento, tais como inquietação, irritabilidade ou agressividade. É importante certificar que a dor não é a causa subjacente de uma alteração do comportamento.

Uma gestão eficaz da dor diminui a ocorrência de confusão e angústia e reduz a necessidade de medicações psicotrópicas (medicações que relaxam e tranquilizam as pessoas). A equipa da unidade residencial deve ter competências clínicas para a avaliação e gestão da dor e deve reconhecer e aproveitar a experiência dos familiares e cuidadores nesta área. O objetivo de uma boa gestão da dor é garantir que o residente se mantém sem dores. Isto pode significar procurar abordagens alternativas para o controlo da dor, tais como massagem, acupuntura, etc.

5. Nunca recorrer à contenção física e farmacológica

A prestação de bons cuidados de enfermagem significa que nunca é necessário realizar a contenção física ou farmacológica a uma pessoa. A dignidade e o respeito pela pessoa com Demência devem ser, sempre, mantidos.

Os dispositivos físicos tais como coletes, faixas, imobilizadores de punho, talas, gesso, luvas, cintos de imobilização, grades na cama, grades e travões nas cadeiras de rodas e lençóis, são alguns dos mecanismos, por vezes, utilizados para fazer a contenção. Outras abordagens, tal como isolar a pessoa num quarto fechado ou separado, também podem ser consideradas como formas de contenção.

A contenção farmacológica inclui os tranquilizantes e sedativos, quando são utilizados fora dos seus principais objetivos terapêuticos.

A unidade residencial deve ter uma política sobre a contenção e deverá disponibilizá-la para si. Solicite uma cópia, caso não lhe tenha sido entregue.

6. Especialidades

A avaliação psicogeriátrica e o aconselhamento na gestão da Demência são importantes para uma boa prestação de cuidados a pessoas com Demência. O aconselhamento de outros profissionais de saúde, tais como fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, terapeutas da fala, dietistas ou psicólogos, pode ser muito útil para alcançar uma melhor qualidade de vida para a pessoa com Demência.

Lembre-se

A chave para uma boa prestação de cuidados é assegurar que o ambiente é o mais familiar possível e as necessidades e desejos da pessoa são assegurados, proporcionando, assim, uma boa qualidade de vida à pessoa com Demência. Esta prestação de cuidados deve, ainda, ser centrada numa abordagem flexível, de modo a oferecer o melhor apoio possível ao à pessoa.

Adaptado de Alzheimer Australia


Parceria na prestação de cuidados

Parceria na prestação de cuidados

Aqui encontra informação para os familiares e cuidadores de pessoas com Demência que tenham transitado recentemente para os cuidados residenciais. Enfatiza-se a importância de estabelecer com a equipa da unidade uma parceria na prestação de cuidados.

O seu novo papel

Preparar-se para o período após a pessoa estar instalada na unidade residencial é tão importante como preparar-se para a transição. A altura da separação pode ser emocional, com uma mistura de vários sentimentos. Estes podem incluir sentimentos de alívio, culpa ou tristeza. Certamente as suas atividades diárias vão alterar-se repentinamente.

Muitas pessoas acreditam que os cuidados residenciais a tempo inteiro vão retirá-las do seu papel de cuidador. No entanto, não irá deixar de cuidar, apenas por não realizar as tarefas físicas. Permitir que os outros assumam a responsabilidade pelas tarefas práticas do ato de cuidar não diminui a importância do seu papel como cuidador. De facto, você é o especialista no que concerne a cuidar da pessoa com Demência.

O seu papel junto dos prestadores de cuidados profissionais será informar, aconselhar, recomendar, tomar decisões e encorajar a prestação do melhor cuidado possível ao novo residente. Poderá, também, continuar a contribuir para os cuidados físicos, se assim o desejar.

Não existem regras que determinem o quanto deve estar envolvido. A escolha é sua. Lembre-se que também deve responder às suas necessidades pessoais, bem como sentir-se confortável sobre o seu nível de envolvimento na prestação de cuidados à pessoa com Demência.

Os grupos de apoio podem continuar a ser uma ajuda, mesmo após a transição da pessoa com Demência para os cuidados residenciais. Algumas unidades residenciais também têm grupos para familiares, pois reconhecem as dificuldades experienciadas por muitos parentes após a mudança ter sido realizada.

A Alzheimer Portugal tem grupos que prestam apoio aos cuidadores de pessoas com Demência e fornece aconselhamento e informação. Pode contactar a Alzheimer Portugal para a Sede ou Delegação mais próxima da sua residência.

Como pode continuar a cuidar

O cuidado que a pessoa com Demência recebe será melhor se for entendido como uma parceria entre si e a unidade residencial.
Uma parceria na prestação de cuidados significa que:

  • Os cuidados são individualizados, de forma a irem ao encontro das necessidades do residente, da sua família e amigos;
  • A equipa, os residentes e os familiares e amigos trabalham em conjunto para atender a essas necessidades;
  • Existe uma boa comunicação, bem como uma compreensão da história de vida do residente e do que ele é atualmente

O seu envolvimento deve ser bem recebido e incentivado. Poderá sentir-se completamente exausto nos primeiros dias após a transição e desejar ter algum tempo sem estar no papel de cuidador. No entanto, a unidade deve ter uma porta sempre aberta para si, de modo a que possa envolver-se naquilo que desejar. Isto poderá incluir, por exemplo, partilhar uma refeição em conjunto, ajudar no banho e receber informação regular sobre a unidade.

A unidade residencial deve envolvê-lo na prestação de cuidados de várias formas:

  • Solicitar-lhe informação sobre a origem familiar da pessoa com Demência, profissão anterior, atividades e passatempos, aquilo de que gosta e não gosta, linguagem, religião e cultura;
  • Incentivá-lo a tornar o quarto da pessoa o mais familiar possível. Isto pode envolver a colocação de fotografias da família, objetos decorativos ou figuras religiosas que possam ter um valor sentimental para a pessoa;
  • Trabalhar consigo de forma a desenvolver um plano de prestação de cuidados que estabeleça as necessidades do residente, objetivos, estratégias e ações que assegurem que as necessidades da pessoa são atendidas;
  • Reverem com regularidade e em conjunto o plano de prestação de cuidados;
  • Nomear um parente ou advogado que seja regularmente informado sobre questões relativas aos cuidados;
  • Consultá-lo no que concerne ao controlo da confusão do residente, alterações do humor ou inquietude;
  • Convidá-lo para ajudar nas atividades, incluindo passeios ao exterior ou eventos dentro da unidade residencial;
  • Consultá-lo sobre questões de vida diária, tais como as horas a que o residente gosta de levantar-se e deitar-se, horas do banho, o que vestir, o que comer, quando é que gosta de comer, etc.;
  • Incentivá-lo a ler as anotações diárias do residente;
  • Cumprimentá-lo à chegada ou partida com uma calorosa saudação ou despedida;
  • Convidá-lo a participar nas reuniões de residentes/familiares, nas quais são discutidas as questões do funcionamento diário da unidade e incentivá-lo a manifestar a sua opinião sobre as horas das refeições, menus, atividades, comunicação e acreditação;

Se a unidade não promover ativamente o envolvimento das famílias e amigos, poderá falar com o responsável sobre a forma como deseja estar envolvido e de que maneira a unidade pode ajudá-lo nesta situação.

Como obter a prestação de cuidados que deseja

Comunique as suas necessidades de forma clara. Por exemplo:

  • O meu marido não gosta de comer ao meio dia. Precisamos de alterar a hora da refeição para mais tarde.
  • Quero ser informado de quaisquer alterações do comportamento, mesmo que sejam muito pequenas.

Transmita informação importante à unidade. Por exemplo:

  • O meu pai não gosta muito de falar
  • A minha mãe gosta de tomar um duche de manhã bem cedo

Explique o que é mais importante para si na prestação dos cuidados. Por exemplo:

  • A minha mulher sempre se orgulhou da sua aparência e é importante que ela esteja bem arranjada quando as visitas chegarem.

Adaptado de Alzheimer Australia


Escolher uma Unidade Residencial

Escolher uma Unidade Residencial

Aqui pode encontrar informação para os familiares e cuidadores de pessoas com Demência que necessitam de transitar para cuidados residenciais. São discutidos alguns aspetos a considerar no processo de escolha de uma unidade residencial que atenda às necessidades da pessoa com Demência.

Procurar uma unidade residencial

Quando estiver a escolher uma unidade residencial, disponibilize tempo para considerar como é que esta irá atender às necessidades da pessoa com Demência. Por exemplo, a unidade residencial tem atividades apropriadas para a estimulação e segurança? Tem práticas adequadas para a pessoa que deambula?

É aconselhável que visite pelo menos três unidades. Telefone e marque uma visita com o diretor ou com a enfermeira chefe. Algumas unidades convidam os candidatos a residentes e os seus familiares e cuidadores para fazerem uma refeição durante a visita. Isto pode proporcionar uma oportunidade para falar com os outros residentes e sentir como é a unidade.

Pode ser útil levar consigo um amigo ou familiar e também uma lista de questões a colocar. Pode ter que visitar a unidade mais do que uma vez. Lembre-se que as primeiras impressões são importantes. Confie na sua intuição e senso comum.

Se a situação for urgente, a unidade da sua escolha preferencial poderá estar indisponível, ficando deste modo sob a pressão de aceitar a primeira cama disponível noutra estrutura.

Talvez tenha de decidir qual das necessidades da pessoa com Demência é mais importante. Por exemplo, em vez de a pessoa ter um quarto grande, poderá decidir que é mais importante a unidade localizar-se perto da sua casa, de modo a poder visitar a pessoa com facilidade. Talvez seja capaz de resolver quaisquer preocupações que tenha, por exemplo com o tamanho do quarto, falando com a equipa da unidade de modo a que a pessoa com Demência possa ter acesso a outras áreas.

Fazer a escolha

Precisa de avaliar a situação por si próprio e sentir-se confortável com qualquer escolha que faça. Isto poderá levá-lo a recusar a primeira oferta de cama disponível. Se a pessoa estiver num hospital, recusar a vaga poderá ser difícil. Alguns hospitais podem pressioná-lo a aceitar a primeira oferta. Se sentir que a vaga não é apropriada às necessidades da pessoa com Demência discuta esta situação com o médico responsável pela alta ou com a assistente social.

Se aceitar uma vaga que não corresponde à sua escolha preferencial, poderá transferir a pessoa para a unidade da sua escolha preferencial assim que existir uma cama disponível. Informe a unidade residencial que continua interessado e mantenha-se em contacto.

Qual é a melhor unidade residencial para pessoas com Demência?

A maioria das pessoas com Demência reage bem a ambientes familiares e pequenos, com lugares seguros para se poderem movimentar. A seguir apresentamos uma lista de características adequadas às pessoas com Demência. Utilizar a seguinte lista pode ajudá-lo quando visitar as diferentes unidades residenciais.

Lista para avaliar ambientes favoráveis para pessoas com Demência

  • A unidade faz a pessoa sentir-se como se estivesse em casa?
  • A pessoa conseguirá perceber facilmente como chegar à casa de banho a partir das diferentes zonas da unidade?
  • A unidade aceita pessoas de diferentes origens culturais?
  • As pessoas parecem relaxadas e confortáveis na unidade?
  • Existem objetos, colocados em áreas seguras, nos quais a pessoa possa bater ou tropeçar?
  • O residente consegue identificar claramente para onde se dirigir caso necessite de ajuda?
  • O quarto está decorado com mobílias de tipo caseiro, sem serem muito complicadas ou fonte de distração?
  • O quarto está decorado de uma forma com a qual o residente se sente confortável?
  • Existem locais sossegados e privados disponíveis?
  • Se se perdesse conseguiria ver qualquer coisa que o ajudasse a identificar onde está?
  • Os residentes têm um espaço exterior protegido do sol?
  • Cada residente dispõe de um espaço para colocar os seus pertences pessoais e especiais?

Adaptado de Kratiuk-Wall et al. In Cultural diversity and dementia, Commonwealth Australia, 1997

Lembre-se

Talvez possa discutir algumas características específicas da estrutura com os residentes, familiares e equipa da unidade.

A Alzheimer Portugal pode informá-lo sobre nomes e contactos de algumas unidades residenciais que possam ser apropriadas para a pessoa, na sua área de residência.

Adaptado de Alzheimer Australia


Cuidados Residenciais

Cuidados Residenciais

Aqui pode encontrar informação sobre os tipos de cuidados residenciais disponíveis para pessoas com Demência. São feitas sugestões práticas para a realização de uma mudança para este tipo de estrutura.

Tomar a decisão de procurar uma alternativa à prestação de cuidados domiciliários à pessoa com Demência, pode ser uma das decisões mais difíceis que a família e os cuidadores têm de tomar. Isto pode ser particularmente verdade para os casos em que a pessoa com Demência é um cônjuge de longa data.

Se estiver preparado, esta decisão irá provocar menos stress. Conhecer de antemão os serviços, políticas governamentais e os custos dos cuidados prestados em unidades residenciais, pode ajudá-lo a tomar a melhor decisão, mesmo que esta tenha que ser realizada rapidamente.

Fale com:

  • O seu médico
  • A Alzheimer Portugal
  • Outras famílias e cuidadores

 

Avaliação da necessidade de cuidados residenciais

A equipa vai avaliar as necessidades da pessoa, recomendar qual o tipo apropriado de cuidados residenciais e fornecer informação sobre as estruturas que possam parecer indicadas. Poderá discutir com a equipa quaisquer problemas ou preocupações que tenha.

Geralmente, terá de candidatar-se a várias unidades residenciais, pelo que será necessário visitar os vários locais. Tente avaliar as unidades, tomando notas, à medida que as visita. Se for possível, vá acompanhado por um amigo ou membro da família. Confie na sua intuição e senso comum quando avaliar as unidades de cuidados residenciais.

Lista para avaliar e escolher a unidade de cuidados residenciais
  • A unidade tem horário de visitas ou posso visitar o meu familiar a qualquer hora?
  • Há vigilância permanente?
  • Qual é a atitude da direção e dos profissionais ? eles ouvem-no e pedem informações?
  • A unidade é um lugar simpático e acolhedor?
  • Existe um lugar privado para a pessoa se sentar?
  • Pode ir à unidade ajudar a pessoa com Demência a comer e a tomar banho?
  • A pessoa pode ter o seu próprio médico?
  • Está satisfeito com os serviços médicos e serviços de especialidade?
  • Qual é a política em relação aos medicamentos?
  • Existem procedimentos determinados em caso de incêndio?
  • Os custos foram totalmente explicados? Existem custos adicionais?
  • Quais são os direitos dos residentes em relação aos seus pertences, animais de estimação, correspondência e crenças religiosas?
  • Está satisfeito com os serviços e com as atividades e opções de lazer?
  • É fácil combinar passeios, dormidas fora da unidade e férias com os familiares?
  • Os outros residentes parecem estar bem cuidados?
  • Alguém fala a mesma língua que a pessoa com Demência?
  • Existem serviços adicionais, tais como cabeleireiro ou massagista?
  • Existe apoio, para si e para a pessoa com Demência, na preparação da mudança para a unidade residencial?
  • Será convidado a dar sugestões ou a fazer comentários?
  • Existe facilidade na apreciação das suas preocupações?
  • O edifício, quartos e zonas envolventes são adequados?
  • Que tipo de formação tem os profissionais?
  • Pode fazer parte da comissão de residentes e familiares?
  • A unidade pode satisfazer o aumento de necessidades da pessoa?

Baseado em The carer experience: An essencial guide for carers of people with dementia, Commonwealth Department of Health and Ageing

Planear a mudança

Assim que existir uma vaga numa unidade residencial, poderá ter de tomar uma decisão muito rapidamente. Por isso, será útil planear a mudança com antecedência.

Muitas pessoas com Demência podem sentir-se perturbadas com a mudança. Explique à pessoa de forma simples e gentil para onde vai e qual o motivo da mudança. Enfatize os aspetos positivos, tais como ter novos amigos e fazer atividades agradáveis. Se for possível, a pessoa com Demência deverá conhecer a unidade residencial de forma gradual, de modo a que o local se torne um pouco mais familiar e provoque menor confusão ou receio. Por vezes isto não é possível, especialmente se a mudança tiver que ser realizada rapidamente.

Assegurar que o novo quarto tem o maior número possível de artigos familiares pode facilitar a mudança. As fotografias da família e os quadros e colchas familiares podem tornar o novo quarto mais parecido com o quarto que a pessoa tinha em casa.
Identifique todos os artigos pessoais com letras grandes e facilmente legíveis.

Durante a fase inicial da mudança, a pessoa com Demência e seus familiares vão necessitar de tempo para se adaptar à nova situação. Conte com a existência de um período de adaptação. As pessoas acabam por adaptar-se. Na realidade, muitas ficam melhor quando estão instaladas num ambiente estruturado ? sentem-se mais seguras e obtém maior estimulação.

Não existe um número ideal de vezes para visitar a pessoa, nem um tempo determinado para permanecer nas visitas. Durante este período, algumas pessoas preferem fazer visitas regulares e outras preferem descansar e recuperar do desgaste da prestação de cuidados. O importante é tornar cada visita o mais gratificante possível.

Lembre-se

É importante que cuide de si próprio enquanto se realiza a mudança. A equipa da unidade residencial cuidará da pessoa com Demência ? considere quem irá ajudá-lo durante este período. Utilize a família e os amigos como apoios nos períodos durante e imediatamente após a mudança. Pode contactar a Alzheimer Portugal se necessitar de falar com alguém sobre o que está a sentir.

Adaptado de Alzheimer Australia


Saúde e segurança dos cuidadores

Saúde e segurança dos cuidadores

A casa é o local de trabalho dos cuidadores e dos prestadores de serviços a pessoas com Demência. Aqui são discutidas algumas questões de saúde e segurança que surgem quando o domicílio da pessoa é o local de trabalho dos cuidadores e prestadores de serviços.

Os cuidadores necessitam de um ambiente seguro para trabalhar. Devem, também, estar cientes de que a saúde e a segurança são importantes para qualquer prestador de serviço ao domicílio. Os problemas que surgem, por vezes, ao trabalhar num ambiente inseguro incluem: fadiga, stress, isolamento, problemas de saúde e lesões nas costas.

Lista de verificação

Esta lista pode ajudar a identificar quaisquer perigos existentes em casa para os cuidadores e prestadores de serviços:

Dormir

  • Dorme ininterruptamente o suficiente, de modo a ser capaz de executar as tarefas de cuidar de forma segura?

 

Stress

  • O cuidador consegue fazer uma pausa regular na prestação de cuidados?
  • O cuidador teve acesso a informação adequada sobre a Demência?
  • O cuidador teve a oportunidade de discutir a sua tristeza com um conselheiro/psicólogo ou amigo?

 

Médico

  • A pessoa com Demência é acompanhada por um médico com experiência na área da Demência?

 

Incêndio

  • O cuidador ou o prestador de serviços correm riscos, resultantes das ações da pessoa com Demência, tais como deixar o fogão, aquecedores ou aparelhos ligados?

 

Cuidados pessoais

  • A pessoa com Demência tem de ser levantada ou transferida?
  • Quantas pessoas são necessárias para realizar esta tarefa?
  • É necessário equipamento e este está disponível?
  • O cuidador ou prestador de serviços teve formação para realizar as técnicas de mobilização de forma segura?
  • É necessário realizar alterações na casa de banho, devido ao facto de a divisão ser muito pequena ou ter um formato estranho, o que exige ao cuidador curvar-se, torcer-se ou esticar-se, para prestar assistência à pessoa com Demência?
  • A pessoa com Demência é incontinente?
  • Os dispositivos médicos para a incontinência estão disponíveis?
  • O cuidador recebeu aconselhamento sobre a incontinência?
  • Existe um serviço de lavandaria disponível para ajudar o cuidador na lavagem de cargas pesadas?

 

Problemas de comportamento

  • O cuidador ou prestador de serviços está em risco de ser agredido ou de sofrer de grande stress devido aos comportamentos desafiantes da pessoa com Demência?
  • O cuidador recebeu aconselhamento de um especialista sobre a gestão de comportamentos desafiantes?

 

O que se pode tentar...

Informação e aconselhamento

Contacte a Alzheimer Portugal para obter informação e aconselhamento.

Fazer uma pausa na prestação de cuidados

A Alzheimer Portugal pode informá-lo sobre os serviços disponíveis na sua área de residência, para realizar uma pausa e encaminhá-lo para um destes serviços.

Grupos de apoio ao cuidador

Contacte a Alzheimer Portugal para obter informações sobre o grupo de apoio mais próximo de si.

Educação sobre a Demência

A Alzheimer Portugal é Acreditada como Entidade Formadora pela DGERT (Direção Geral do Emprego e das Relações de Trabalho), desde 2006.

Um dos objetivos primordiais da Alzheimer Portugal consiste em promover a preparação de todos os que prestam cuidados às Pessoas com Demência. Pretende-se, assim, contribuir para que os cuidadores obtenham o máximo de eficácia no desempenho das suas funções, minimizando o desgaste físico e psicológico, proporcionando bem-estar às Pessoas com Demência.

Equipamentos e produtos

A Alzheimer Portugal pode aconselhá-lo quanto aos produtos e equipamentos disponíveis para a incontinência.

Livro de vida

Elaborar um "livro de vida", com informações sobre a história social, laboral e médica da pessoa, bem como o que gosta e não gosta, etc., pode ajudar os cuidadores e prestadores de serviços a compreender melhor a pessoa com Demência. Este livro fornece, também, incentivos e sugestões para ajudar a manter uma conversa.

Livro de comunicação

Colocar um "livro de comunicação" perto do telefone ou em algum lugar acessível ao cuidador e prestador de serviços, para trocarem mensagens entre si, pode ajudar todos a saberem o que está a acontecer e quem foi visitar a pessoa.

Adaptado de Alzheimer Australia


Animais de estimação

Animais de estimação

Os animais de estimação são uma parte importante da vida de muitas pessoas. Aqui são abordados alguns benefícios dos animais de estimação para as pessoas com Demência.

Para a pessoa com Demência existem muitos benefícios em ter animais de estimação ao seu redor. Os animais de estimação podem:

  • Aliviar e reduzir a agitação;
  • Fazer companhia e incentivar a atividade;
  • Avisar o cuidador de que a pessoa está a deambular

" Terapia de Ronronar " é uma frase inventada para descrever o valor terapêutico de sentar-se com um gato a ronronar no seu colo. Eu descobri que os gatos se tornaram uma parte muito importante da minha vida atual, uma vez que me mantêm calma e impedem-me de andar a correr de um lado para o outro, na tentativa de fazer muitas coisas ao mesmo tempo. Enquanto estou tranquilamente sentada a acaricia-los, o meu cérebro espairece, e fico sentada sem fazer mais nada.

Christine Boden, ?Quem serei quando morrer?? (Who will I be when I die)

Lista de verificação

Apesar dos benefícios, existem várias coisas importantes a considerar quando uma pessoa com Demência cuida de um animal de estimação:

  • Se a pessoa com Demência vive sozinha, o animal está a ser alimentado regularmente e cuidado de forma adequada?
  • Existe algum perigo de a pessoa deixar o animal de estimação fugir por se esquecer de fechar a gaiola ou portão?
  • A pessoa corre o perigo de confundir os alimentos ou outros produtos para os animais com a sua própria comida?
  • A pessoa está habituada a ter animais de estimação?
  • Existe algum risco do animal de estimação magoar a pessoa?

Os centros de dia e lares residenciais muitas vezes têm gaiolas ou aviários, que são muito apreciados pelas pessoas que sofrem de Demência.

Antigamente, muitas pessoas, especialmente nas zonas rurais do país, tinham galinhas no seu quintal. Algumas pessoas com Demência podem apreciar alimentar as galinhas e recolher os ovos.

Adaptado de Alzheimer Australia


Auxiliares de Memória

Auxiliares de Memória

A perda de memória é um dos sintomas principais de Demência. Aqui são sugeridos alguns auxiliares que podem ajudar a compensar a falha de memória. Apesar das sugestões não serem aplicáveis a todas as pessoas ou situações, aqui pode encontrar uma possível solução para um problema particular que esteja a ocorrer em resultado da perda de memória.

Pode ser útil considerar quais das seguintes situações constituem problemas para a pessoa com Demência:

  • Encontrar as coisas;
  • Lembrar-se de fazer as tarefas;
  • Lembrar-se se as tarefas já foram feitas;
  • Utilizar o telefone ou aparelhos;
  • Orientar-se dentro e fora de casa;
  • Reconhecer pessoas;
  • Saber quem são, onde estão e onde estiveram

 

O que se pode tentar...

 

Notas e rotinas

Colocar um quadro ou placa de cortiça perto do frigorífico pode ser útil para escrever os números de telefone importantes, mensagens, tarefas do dia e para registar as visitas de amigos ou prestadores de serviços que a pessoa vai receber durante o dia.

A pessoa pode ter na mala um diário ou bloco de notas.

Compras e consultas

Fazer uma lista de compras pode tornar-se essencial para evitar que a pessoa com Demência se esqueça de algo ou que compre artigos em duplicado. Em alguns casos, os funcionários do supermercado podem ficar com a lista de compras e providenciar a entrega destas no domicílio.

Para ajudar a pessoa a lembrar-se de informações importantes quando vai a uma consulta, prepare as anotações, questões e documentos com antecedência e, coloque-os dentro de um envelope para a pessoa levar. Deixe o envelope na mesa do hall de entrada ou à porta. Se for necessário, providencie que a pessoa tenha companhia para ir à consulta, de modo a garantir que é fornecida e recebida informação adequada.

Faça um sinal para lembrar a pessoa da consulta, de modo a ajudá-la a despachar-se. Coloque o sinal num lugar proeminente, como por exemplo na mesa do pequeno-almoço.

Hora e data

Utilize relógios com números grandes. Verifique-os regularmente, caso a pessoa com Demência viva sozinha. Se a pessoa tiver dificuldade na utilização de relógios convencionais, tente a utilização de relógios digitais ou vice-versa.

Adquira um relógio com dia, data e hora e utilize-o em conjunto com um planificador diário. O planificador pode ser um calendário (com espaços grandes para escrever), um diário (com uma página por dia) ou um quadro branco.

Colocar um calendário semanal das visitas habituais, funcionários do centro de dia ou compromissos regulares perto do relógio e do calendário pode ajudar a pessoa a saber o que está programado para determinado dia.

Risque a tarefa ou a visita assinalada após ter sido realizada.
A entrega em casa do jornal diário ajuda a pessoa com Demência a saber o dia e a data. Retire regularmente os jornais antigos para que a pessoa não os confunda com o atual.

Telefone

As sugestões para a pessoa se manter a par das chamadas telefónicas, mensagens e até de ideias são:

  • Coloque os blocos de notas ao lado da mesa de refeições, telefone e cama;
  • Providencie um local para colocar as mensagens, tal como um placard ou a mesa do hall;
  • Arranje um livro de mensagens para a pessoa lembrar-se de todos os telefonemas que vai receber;
  • Coloque os números de telefone de emergência e os utilizados frequentemente num quadro branco perto do telefone

Se a pessoa viver sozinha, grave na memória do telefone o nome e o número de contacto do cuidador ou familiar, para permitir que a pessoa faça a chamada utilizando a função de marcação rápida do telefone.

Utilizar um telefone com teclado de números grandes pode facilitar a marcação correta dos números.

Chaves e artigos frequentemente utilizados

Coloque as chaves, óculos, carteira, dinheiro, máquina fotográfica, etc. sempre no mesmo lugar ou coloque-os todos juntos num sítio central (ex.: numa taça em cima da mesa ou dentro de um cesto na mesa do telefone). Para o caso da pessoa se esquecer, tome nota do local em que estão guardados e ponha a anotação num lugar acessível, como por exemplo no quadro em que coloca habitualmente os avisos.

Todas as fechaduras devem funcionar com uma chave mestra. Faça duplicados da chave para a família e vizinhos de confiança.

Para que a pessoa localize facilmente as chaves, torne-as mais visíveis ? junte-lhes por exemplo um bloco grande de madeira colorida ou uma chave gigante. Estabeleça um sítio regular para guardar as chaves, como por exemplo pendurá-las num gancho ao pé da porta.

Pode instalar um chaveiro ou um chaveiro com código de segurança num local discreto, no exterior da casa, para que os prestadores de serviços e vizinhos possam ter acesso à casa numa situação de emergência, caso a pessoa não consiga encontrar a sua chave para abrir a porta.

Medicamentos

Para que a pessoa se lembre de tomar os medicamentos, beber ou comer em intervalos regulares ao longo do dia, pode programar um alarme de aviso para determinadas horas.

Fotografias

Tire fotografias aos prestadores de serviços regulares, tais como funcionários do centro de dia, condutor do autocarro da junta de freguesia e funcionária do serviço de apoio domiciliário. Talvez seja possível, também, tirar uma fotografia do grupo de pessoas que frequentam o centro de dia. Coloque as fotografias no frigorífico ou no quadro branco, ao lado das anotações dos compromissos regulares ou das visitas habituais e identifique-as com nomes. Utilize as fotografias para preparar a pessoa para receber visitas.

Identidade

Mantenha uma ligação ao passado da pessoa, rodeando-a de fotografias antigas e objetos familiares.

Adaptado de Alzheimer Australia


Construção e Remodelação de casas

Construção e Remodelação de casas

Remodelar ou mudar-se para uma casa nova pode apresentar desafios adicionais a uma pessoa com Demência e aos seus familiares e cuidadores. Aqui são abordadas algumas características de acessibilidade, que podem ser utilizadas quando se faz uma remodelação ou mudança de casa.

Mudar para uma nova casa ou bairro pode apresentar desvantagens para alguém com Demência. Estar num ambiente familiar, com vizinhos que prestam apoio e com as adaptações apropriadas em casa, promove a orientação, sentido de identidade e ajuda a pessoa a manter a sua independência. Para uma pessoa com Demência, a mudança de casa pode, por vezes, alterar tudo isto.

Não obstante, mudar de casa pode ser necessário por várias razões, como por exemplo o local ou disposição da casa serem inadequados ou a casa não apresentar condições físicas para a pessoa com Demência. As pessoas que vivem em quintas ou aldeias precisam, por vezes, de se mudar para a cidade de forma a estarem mais perto dos serviços médicos e da comunidade. Ao construir ou escolher uma casa nova, existem várias características específicas que podem ser muito úteis para a pessoa com Demência e cuidadores. Algumas são específicas para a Demência e outras estão associadas a situações de fragilidade física e a dificuldades de mobilidade.

Habitação Adaptável

O Decreto-Lei nº 163/2006 de 8 de Agosto define o regime da acessibilidade aos edifícios e estabelecimentos que recebem público, via pública e edifícios habitacionais.

Este Decreto-Lei fornece as diretrizes para a construção/remodelação de habitações com características que sejam suficientemente flexíveis para responder à evolução das necessidades das pessoas. As características, como por exemplo a largura recomendada das portas e corredores e o tamanho e disposição da casa de banho, vão permitir o acesso de cadeiras de rodas, caso seja necessário no futuro.

Entre as muitas vantagens das habitações adaptáveis, destaca-se o baixo custo inicial, estimado em cerca de 5% do custo total da construção. Se a pessoa ficar debilitada, portadora de deficiência ou desenvolver demência, as alterações posteriores à habitação, que tenha uma conceção adaptável, podem ser feitas com o mínimo de custos e inconvenientes.

As características das habitações adaptáveis não são específicas para a Demência, mas sim para promover o acesso, mobilidade e segurança. Muitas características constituem um apoio significativo para cuidar de alguém com Demência nas fases intermédia e avançada, quando a mobilidade da pessoa se deteriora e a necessidade de cuidados pessoais aumenta.

A seguir descrevem-se exemplos de características para promover a acessibilidade:

  • Zonas de passagem com superfície contínua, antiderrapante, firme e inclinações específicas;
  • Zonas de passagem com iluminação colocada a baixa altura para evitar o encandeamento.;
  • Permitir a manobrabilidade da cadeira de rodas;
  • Entrada acessível e porta de entrada com abertura útil específica;
  • Largura útil das portas interiores e dos corredores;
  • Largura mínima dos corredores interiores;
  • Casa de banho com acessibilidade;
  • Piso antiderrapante na casa de banho, varandas e áreas exteriores pavimentadas;
  • Zona de duche sem prato de duche (ou prato embutido no pavimento) e com tamanho específico;
  • Saboneteira de encastrar;
  • Prever a instalação de chuveiro de mão;
  • Prever a instalação de barras de apoio no duche e casa de banho

O Decreto-Lei nº 163/2006 de 8 de Agosto pode ser útil aos cuidadores de pessoas com Demência que estão a considerar a construção de uma casa nova ou a planear grandes remodelações. Os cuidadores devem contratar um arquiteto familiarizado com este tipo de adaptações.

Estudo de caso: A escolha de uma Habitação Nova

Após o Pedro ter sido diagnosticado com demência, ele e a sua esposa Maria decidiram mudar de casa. À data, eles viviam numa grande propriedade rural afastada dos serviços médicos e da comunidade. Decidiram fazer a mudança o mais rapidamente possível, para que o Pedro estivesse envolvido na escolha da casa nova e no processo de remodelação e, também, para que tivesse mais tempo de adaptar-se ao novo ambiente, enquanto tem mobilidade e é independente.

Mudaram-se então para uma casa na cidade que já tinha várias características de que necessitavam e potencial para realizar renovações e modificações futuras:

  • Localização central - embora o Pedro ainda conduza, escolheram uma casa que tem uma paragem de autocarros mesmo à frente e fica a pouca distância a pé das lojas e serviços, do clube social que o Pedro frequenta e do centro de dia que podem utilizar no futuro. Também fica a pouca distância da praia, onde o Pedro aprecia fazer caminhadas e pescar;
  • Acesso - a casa tem apenas um piso, sem degraus. As portas e a casa de banho permitem o acesso de cadeira de rodas e estão a construir um duche extra, sem prato de duche;
  • Zona exterior - Tendo vivido numa propriedade, o Pedro está habituado a muito espaço. A casa situa-se num terreno grande, o quintal está todo nivelado, estão a fazer os caminhos pedonais, a instalar uma vedação de painéis e um portão de painel que pode ser trancado com cadeado. A Maria plantou muitas árvores e arbustos ao redor do perímetro e existe uma área coberta no exterior para sentar e comer. Chamam-lhe o ?Parque do Pedro?. Existe um barracão de trabalho para o Pedro continuar a fazer soldaduras e carpintaria durante o máximo de tempo possível. A Maria também está a pensar instalar um barracão para si própria, para os seus passatempos e para ter um ?retiro de cuidador? nos futuros anos;
  • O quarto tem muito espaço de armazenamento, para poderem guardar as roupas que não são da estação;
  • Segurança ? instalaram um interruptor de segurança para a eletricidade, detetores de fumo e um armário com fechadura para os medicamentos e substâncias tóxicas. Também compraram um ferro de engomar que se desliga automaticamente;
  • A zona de duche vai ter azulejos antiderrapantes no chão e vão instalar-se barras de apoio na zona de duche e na casa de banho;
  • Existe um alpendre fechado na parte traseira da casa, com uma grande janela com vista para o jardim, que vai ser muito reconfortante para Pedro agora e no futuro;
  • A sala de estar tem uma cadeira estável com elevação elétrica, uma vez que o Pedro tem dificuldade em levantar-se das cadeiras

O estudo de caso e os nomes foram publicados com a permissão de Pedro e da Maria (nomes fictícios).

Adaptado de Alzheimer Australia


Zonas Exteriores

Zonas Exteriores

Aqui pode encontrar sugestões para tornar a zona exterior da casa mais segura e prática para a pessoa com Demência, sua família e cuidadores. Apesar das sugestões não serem aplicáveis a todas as pessoas ou situações, aqui pode encontrar uma possível solução para um problema que tenha, atualmente, na zona exterior da casa.

O objetivo de facilitar o acesso da pessoa com Demência à zona exterior da casa é proporcionar um espaço agradável, relaxante, seguro e que permita atividades adequadas. Idealmente também será:

  • Uma zona que acalma a pessoa;
  • Agradável para os sentidos;
  • Uma forma de evocar memórias;
  • Segura para caminhar;
  • Repousante, com lugares para sentar-se à sombra

 

O que se pode tentar...

Instale rampas e barras de segurança nas zonas em que existam desníveis significativos no chão. Os degraus devem ter uma superfície antiderrapante e um corrimão resistente. Assinale as bordas dos degraus com tinta, para ajudar a pessoa com demência a identificá-las.

Promova o acesso, tornando as entradas e saídas fáceis de encontrar. Elimine os arbustos, dê destaque à porta pintando-a com tintas de cores vivas ou coloque elementos, tais como vasos de plantas ou luzes de presença que orientem a pessoa para a porta. Se a pessoa tem dificuldade em reconhecer a casa ou em encontrar a porta da frente, pinte o portão da frente com uma cor diferente e delineie um caminho claro e óbvio até à entrada de casa, usando por exemplo os limites do jardim. Não faça quaisquer alterações enquanto a pessoa for capaz de reconhecer o caminho de forma independente, uma vez que qualquer alteração poderá confundi-la.

Coloque uma cadeira ou banco confortável e resistente no jardim, numa zona com sombra ou no alpendre, para a pessoa repousar e ajudá-la a permanecer e desfrutar mais tempo da zona exterior.
Se precisar de desencorajar o acesso a uma garagem ou abrigo de jardim, tente disfarçar a porta.

Se a pessoa com demência for incapaz de detetar a temperatura, poderá apanhar uma queimadura solar. Para fornecer alguma proteção do sol no alpendre, utilize um tecido que faça sombra ou uma "cobertura anti-UV".

Verifique se o estendal da roupa constitui um perigo por estar posicionado muito em baixo e armazene as botijas de gás num lugar seguro.

Se a pessoa com Demência viver sozinha, verifique e limpe regularmente a caixa de correio. Se a pessoa gosta de ir buscar o correio, mas tem dificuldade em encontrar a caixa, pode pintá-la com uma cor diferente.

Se já não é possível levar a pessoa à zona exterior, incentive-a a sentar-se perto de uma janela com vista para o exterior. Pode colocar um vaso (para varandas e janelas) com vários tipos de flores, perto do sítio em que a pessoa se senta.

Vedações

Colocar uma vedação onde não existia nenhuma anteriormente, pode causar problemas para algumas pessoas com Demência. As vedações podem fazer com que a pessoa se sinta presa e frustrada e podem até fazer com que a pessoa tente sair. Vários cuidadores têm relatado que vedações, tais como as de painéis ou de palha são eficazes porque eliminam a pista visual para ir para o exterior. Plantar arbustos na parte interior da vedação, disfarça-a e minimiza a sensação de estar preso. Pode ser necessário elevar a altura da vedação para evitar que a pessoa a tente trepar.

Pode ser necessário fechar os portões com trincos, cadeados simples ou com um sistema que requeira a utilização das duas mãos.

Caminhos

Se possível, os caminhos devem ser largos, planos e antiderrapantes.
Idealmente, os caminhos devem levar a pessoa a lugares agradáveis no exterior tais como um jardim ou banco numa zona de sombra ou, então, orientar a pessoa para voltar a casa.

Retire as mangueiras e outros obstáculos das zonas de passagem, que possam provocar uma queda.

Se a pessoa deambular fora de casa à noite, faça caminhos seguros e certifique que estão bem iluminados. As luzes com sensor são úteis, mas podem ser confusas para algumas pessoas.

Lixo

Se a pessoa tende a vasculhar o lixo ou a comer comida estragada do lixo, feche o contentor, esconda-o, afaste-o do alcance visual ou coloque o lixo numa área fechada. Talvez um vizinho possa guardar o seu contentor de lixo.

Jardim

Retire do jardim todas as plantas venenosas que possam ser ingeridas. Retire as plantas pontiagudas que possam provocar ferimentos.

Se a pessoa com Demência gosta de jardinar, mas tem dificuldade em dobrar-se, faça um canteiro elevado. Pode delimitar o canteiro com tábuas de madeira.

Se a pessoa gosta de regar o jardim, mas esquece-se de desligar a torneira, pode instalar temporizadores nas mangueiras.

Piscina

É essencial colocar uma vedação à volta da piscina.

Abrigo de jardim e garagem

O acesso ao abrigo de jardim, à garagem e a atividades relacionadas com estes pode ser importante para algumas pessoas. No entanto, as substâncias e mercadorias perigosas e tóxicas devem ser trancadas. Isto pode incluir trancar ferramentas elétricas ou outros objetos, dependendo do nível de competências da pessoa e da sua capacidade de reconhecer e utilizar os objetos de forma adequada.

Se a pessoa com Demência conseguir utilizar com segurança ferramentas e outros artigos, estes devem ser colocados de forma a convidar a sua participação nas atividades e de modo a serem facilmente encontrados. Dependendo daquilo que a pessoa possa fazer com segurança, podem ser organizadas várias caixas de atividades, como por exemplo:

  • Caixa de jardinagem com luvas, ferramentas, sementes, vasos e mistura de terra para vasos;
  • Caixa de carpintaria com pedaços de madeira macia, ferramentas manuais de carpintaria e suprimentos;
  • Kit de reparação com alguns utensílios, peças de reposição e ferramentas

Adaptado de Alzheimer Australia


Edifício

Edifício

Aqui pode encontrar sugestões para tornar o chão, portas, janelas e escadas mais seguros e práticos para a pessoa com Demência, sua família e cuidadores. Apesar das sugestões não serem aplicáveis a todas as pessoas ou situações, aqui pode encontrar uma possível solução para um problema que tenha, atualmente, no edifício.

O objetivo de introduzir alterações no edifício é facilitar a mobilidade da pessoa com Demência e ajudá-la a orientar-se dentro deste. As alterações também devem:

  • Ajudar a prevenir as quedas;
  • Sempre que possível tornar os locais mais seguros para deambular

 

Verifique

Algumas barreiras comuns à independência ou segurança da pessoa no edifício são:

  • Fechaduras de segurança e perder as chaves;
  • Quaisquer obstáculos até à entrada da casa;
  • Chão molhado, escorregadio ou brilhante;
  • Alpendres, varandas e escadas;
  • Janelas e portas de vidro

 

O que se pode tentar...

 

Corrimãos

A instalação de corrimãos é útil na prevenção de quedas e para auxiliar a mobilidade da pessoa.

Chão

Evite encerar ou polir os pavimentos. Os pavimentos escorregadios podem provocar quedas. Os pavimentos com brilho podem confundir ou perturbar a pessoa. Existem vários produtos disponíveis para tornar os pavimentos antiderrapantes.

Retire os tapetes soltos que possam provocar quedas. Fixe os revestimentos do chão que estejam soltos.

Retire os móveis e outros obstáculos das áreas de passagem, caso possam provocar quedas.

Retire os cabos elétricos que estejam no chão e fixe-os nos rodapés.
Verifique regularmente e limpe a urina ao redor da sanita, no chão, para evitar que a pessoa escorregue e caia.

Se a pessoa com Demência for incontinente, pode ter que retirar a alcatifa e substituí-la por um pavimento lavável ou por vinil antiderrapante.

Se colocar um piso novo, escolha um que seja sem padrões, antiderrapante, sem brilho e de cor contrastante com as paredes e móveis para ajudar a pessoa a orientar-se.

Janelas e portas

Assinale as portas de vidro e janelas com fita adesiva ou adesivos de segurança para ajudar a pessoa a identificar a ?barreira? de vidro.

À noite, feche as cortinas ou persianas para evitar que o brilho refletido pela janela perturbe a pessoa.

Considere alterar as portas da casa de banho para uma porta de fole, de modo a facilitar a prestação de assistência se a pessoa cair. Alternativamente, se o local permitir, coloque a porta a abrir para o exterior.

Para ajudar a pessoa com Demência a identificar as portas e saídas, pinte as portas numa cor que contraste com as paredes. Se for necessário diferenciar a porta principal da porta das traseiras, pode fazê-lo pintando-as de cor diferente ou colocando alguma decoração que as diferencie.

Se a pessoa já não consegue girar as maçanetas da porta, talvez consiga utilizar os puxadores de tipo alavanca.

Para desencorajar a pessoa de entrar numa divisão que não seja segura para ela:

  • Pode camuflar as portas pintando-as da mesma cor das paredes ou colocando um quadro sobre a maçaneta da porta;
  • Colocar temporariamente um sinal na porta, uma planta ou uma peça de mobiliário à frente da porta;
  • Por vezes, utilizar portas tipo saloon é uma barreira eficaz

Uma porta de vidro com fecho de segurança permite que a pessoa veja o exterior, mas permaneça em segurança no interior da casa. No entanto, para algumas pessoas produz frustração, por ser sentida como uma barreira.

Fechaduras

Retire as fechaduras, da parte interna, das portas interiores para evitar que a pessoa fique trancada dentro das divisões.

Dê as chaves de casa a um vizinho de confiança, polícia ou prestador de serviços. Em alternativa, coloque um chaveiro ou cofre fora de casa e dê o código às pessoas de confiança.

Simplifique as fechaduras, fazendo com que todas as portas possam ser abertas com uma chave mestra. Tapar as maçanetas pode ser uma forma de evitar que a pessoa abra a porta.

Coloque as fechaduras das portas e janelas num sítio em que não possam ser vistas ou percebidas. Coloque-as na parte superior ou inferior das portas. Coloque fechaduras adicionais nas portas de saída, tranque-as por dentro e retire as chaves ou pendure-as perto da porta, mas fora do alcance visual da pessoa.

Pode instalar um dispositivo que abre a porta após ser digitado um código numérico. Este tipo de dispositivos pode ser ligado a um sistema de deteção de fumos, de forma a garantir que se consegue abrir a porta em caso de incêndio. No entanto, estes são dispendiosos e do ponto de vista da segurança domiciliária podem não ser tão seguros como algumas fechaduras de segurança. Sempre que possível, escolha fechaduras discretas.

Previna as quedas de janelas, utilizando fechaduras. Nas janelas de correr utilize um parafuso ou tarugo para limitar a abertura da janela.

Escadas

Se necessário, instale um portão no topo das escadas para evitar as quedas. Instale corrimãos sólidos em ambos os lados da escada.
Delimite as bordas dos degraus com tinta ou fita de cores vivas. Instale esteiras de borracha ou tiras adesivas antiderrapantes nas escadas não alcatifadas. Nas escadas alcatifadas, instale barras antiderrapantes que se encaixam ao longo da borda de cada degrau.

Se a pessoa já não consegue utilizar as escadas para ir para o quarto (localizado no piso superior) sem ajuda, pondere a possibilidade de converter a sala de estar num quarto.

Sempre que possível e caso a mobilidade da pessoa esteja dificultada substitua as escadas por rampas no interior e exterior.

Alpendres e varandas

Nos alpendres e varandas, coloque uma guarda de segurança com barras verticais.

Adaptado de Alzheimer Australia